23 de ago de 2012

Para Roma Com Amor - De Woody com Humor

Ou... Deus está brincando

Eu ainda não falei de Woody Allen, mais especificamente do filme Para Roma com Amor. Como é gratificante ver a imagem do velho diretor na telona, exatamente com o mesmo espírito do Homem dos Seus Sonhos só que apavorado ao enfrentar a turbulência!
No mais, Woody continua brincando na posição de filósofo que, cansado de não ser compreendido, ri e faz rir.
Se eu fosse um daqueles repórteres caçadores de celebridades sentir-me-ia aborrecida com o deboche da cena em que eles tal qual um enxame de abelhas trocam de colméia, fabricando celebridades.
São quatro histórias contadas simultaneamente sem que se cruzem, aproveitando-se da famosa gestualidade e vozerio italiano, mostrando paisagens turísticas como plano de fundo, onde a humanidade tem mais destaque do que a estética dos monumentos. 


Para Roma com amor, é um filme de amor que tem o que mais aprecio em filmes: finais felizes! A vida que segundo a personagem de Alec Baldwin "não perdoa" foi bem generosa para todos do longa.Saí pensando que do amor, o filme conta da nossa incapacidade de ser fiéis a certos princípios que nem são nossos.
A mocinha pura que não era virgem ao casar-se - que se encanta com o ator coroa - mas deita-se com  o ladrão bonitão. 
O pai que não quer a filha casada com um homem de família humilde mas que com ela passa conviver bem quando se tornam solução para seu problema - ocupação após aposentadoria. O arquiteto bem sucedido que se encontra com aquele que ele foi um dia, na figura de um jovem que se deixa seduzir pela periguete amiga da sua namorada que, disfarçada e cheia de princípios nos arremessa a pérola:
 "Trair na casa da amiga não pode, mas me comer no carro, não tem nada demais". Um deboche com aquelas que enlouquecem de amor a cada verão é a cena quando ela louca de amor e ele já largando a namorada oficial recebe uma chamada para trabalhar num filme,  preocupa-se com o seu cão e nem lembra que estava prestes a tirar da amiga o namorado. 
O tímido desastrado que não consegue se impor, zela pela imagem e na cama é uma beleza de agradar prostituta. O sarro com os  produtores criativos e suas inovações, para estimular os talentos incompletos. O talentoso cantor de chuveiro que tem vergonha de cantar em público e nenhum pudor de levar seu banho para os palcos, são coisas realmente para quem "pensa fora da caixinha". Nada passa incólume pelo crivo sarcástico do deus Allen, que nunca brincou tanto de Deus quanto nesse filme.Somos contraditórios e quando o assunto é amor, o maior amor do mundo é aquele que nos ama!Não gostar desse filme é sinal de que não se entendeu a piada, nada mais depressivo do que pessoas que se levam a sério e esperam que a genialidade lhes tragam a calmaria cognitiva de um filme catástrofe. Catastróficos somos nós, de roteiro em punho deus morre de ri dele mesmo e da sua criação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fique à vontade pra dar sua opinião.