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14/02/2012

Ache sua Turma


"Em fevereiro, tem carnaval!
Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo tenho uma nega chamada Teresa".
Passam as verdades e permanece a poesia. Das três estrofes acima é certo que em fevereiro tem carnaval, o mesmo que  no ano passado caiu em março,  dando-me  de presente um “niver “ na quarta-feira de cinzas,  assim, só consegui comemorar depois que passaram as bandas, os blocos, as escolas,  o desfile das campeãs, a grana dos amigos... O que significa que não ganhei  presentes e  ainda tive que esperar bastante pelas presenças...
“Carnaval, esperança. Gente grande se torna criança”. Para a maioria... Para população urbana comum, desfilar no sambódromo é um sonho caro que exige o sacrifício dos ensaios . O carnaval virou competição e desafio. Para muitos é uma maldição! Maldição das festas obrigatórias, aquelas que quem não gosta, não tem para onde ir, ficam sem opção. Algumas pessoas esperam o ano inteiro para que o carnaval chegue, outras esperam o carnaval inteiro para que ele se vá logo, como uma visita indesejada, inoportuna. Particularmente gosto do carnaval antes:  os ensaios técnicos, movimentação nas quadras, expectativa de vitória da minha escola.  Prefiro o antes,  divirto-me antes, sonho antes porque o  meu sonho  não  for realizado, eu pelo menos já me diverti!  Já sonhei  com romances tórridos mascarados de Arlequim,  vestido de índio do Cacique de Ramos, apache ou pele vermelha. Já sonhei tirar o capuz de um carrasco e dar de cara com a Lúcia Veríssimo. Nada disso aconteceu... Jamais tive uma mor de carnaval e também  nunca arranjei briga no sábado  para me reconciliar na quarta de cinzas.  Imagino que tenha   perdido essas emoções na vida,  pressinto instintivamente que com isso devo ter evitado um chifre com duração de 4 dias...
O carnaval não me trouxe a companhia inusitada  ou falsamente  inesperada. Do mesmo jeito  que as boates nunca me ofereceram  romances.  Meus amores sempre foram encontrados no dia-a-dia como gratas surpresas  pela minha  total ausência de expectativas românticas, aquelas  que nos perseguem quando caminhamos para  as baladas.  Baladas pra mim sempre foi  para dançar, talvez  encher a cara, sei lá porque , nunca achei uma figura noturna que eu levasse para os meus dias. Daí, passei a pensar que viver  o que me cabe, do jeito que o dia me traz tem lá os seus sabores. Na  minha lista de diversão não consta o item “achar alguém” e por sorte,  ganho sempre o alguém como companhia para quando as festa chegam ou mesmo para quando não há festa, nada para fazer nas ocasiões de calendário preguiçoso.   Eita pessoa na contramão sou eu!
Mas se você não é como eu,  “do contra”,   use a internet  para descobrir onde está aquele bloco que tem um nome que te agrade ou está num bairro que combina com você. Os blocos aumentam a cada dia em quantidade e  tamanho,  com nomes interessantes e divertidos. Diversão gratuita,  sem ensaio e quase nenhum esforço que traz a oportunidade de se travestir sem receios ou pudores. Chance de encontrar-se consigo mesmo ou com alguém  que procure a pessoa que você é e só libera no reinado de Momo!  Portanto,  camisinha à mão! E se não der certo, você,  pelo menos já se divertiu!  O grande barato do carnaval é as férias que se dá para os (pré) conceitos,  para aquele  check list que submetemos  a potencial “ presa” em outros ambientes nos dias comuns.  Carnaval são dias em que não faz muita diferença a vestimenta e modos  e onde todos no geral, não tem muitas opções para mudar de direção,  estão todos  atrás de um trio elétrico, de  um bloco, de uma banda, de uma escola,  de um ingresso pro baile... Alguns concentrando sem sair, mas a conexão está em algo mais vivo. Desplugue-se nesse carnaval, vá à praia, se esconda no mato, pegue um trem, se vire! Veja o que passa, dê uma chance para que o dia te surpreenda.

09/01/2012

Não Desista de Viver No Seu Castelo - Feliz 2012


Se você chegou ao final do ano se achando melhor do que no início, parabéns! Agradeça por tudo o que conseguiu, pense em como agiu para que tudo desse certo e acelera!  Se acha que está pior agora que antes,  pense mais no que você fez do que naquilo que  os outros podem ter feito a você! Vivemos num mundo de causa e efeito, ação e reação e isso nada tem a ver com religião. Jamais devemos nos esquecer que tudo (ou muito) do que nos fazem , acontece com a nossa própria permissão e omitir é permitir, afinal “quem cala consente”,  “quem não presta assistência abre concorrência “ e ditos populares do gênero.

Não pense nas coisas que não aconteceram, pense no que aconteceu.  Li uma crônica da Martha Medeiros onde ela comentava  que o ator Clive Owen disse certa vez que “ interpretar  James Bond, foi a melhor coisa que não lhe aconteceu”.  Aí, você recebe um convite para tomar um chope e recusa: Trate então , de usar o tempo que gastaria tomando este  chope  para fazer  algo que valha realmente a pena não ter ido a essa chopada!! Transforme a não ida em algo mais do que ficar em casa protegido dos  momentos bons e de boas risadas.

Aceitar um convite dá trabalho, saber a roupa que vai usar, a cara que vai mostrar e principalmente o que não é para demonstrar. Se expor a certos assuntos, realmente assusta principalmente os mais tímidos, mas deixar de ir pode ser recusar-se a viver coisas legais às quais temos direito de pelo menos tentar.

Conheci pessoas  que sempre recusavam os  convites  recebidos, mesmo aqueles para  bater papo e ir pra balada. A cada dia um motivo ou desculpa: trabalho, tarefas domésticas ou  simplesmente precisavam  estar em casa. Isso me mostrou  que algumas pessoas tem  preguiça de sair e lidar com coisas que não podem  controlar. Essas recusas podem  fechar  alguma  porta do seu destino para boas novidades, no entanto, devemos respeitar. Faz parte. Repare que quem sempre recusa,  se queixa de abandono. Muitas vezes tornam-se  vítimas das suas próprias desistências, recusas, opções. Talvez para elas, não seja necessário sair, bastando que sejam convidadas.  

Muita gente deseja uma vida simples, no entanto, por mais simples que sejam seus desejos, é quase certo que eles não baterão à sua porta e qualquer delivery custa sempre mais caro!!
 Portanto se 2011 não te deu oportunidades, tente dar oportunidade a  2012. 
O medo de ser feliz se mascara como tantos outros afazeres, que quem o possui, não percebe.  Sente coragem para viver mil aventuras, vencer mil dragões, matar as bruxas, sem perceber as desculpas que levam a desistir de viver no castelo.  
Mais ou menos como sonhar com a mega sena sem jamais arriscar um palpite... Para ser feliz um mínimo de esforço se faz necessário e o que está escrito de nada servirá sem alguém que leia e realize. Pense em tudo de bom que não te acontecer á para que o melhor aconteça ali no que era imponderável  Às vezes o compromisso da sua agenda é o que melhor poderá não te acontecer. Dê chance ao improvável, ao impossível!  Eu li isso.  Se já falaram e até escreveram não custa tentar!  Olhe pra fora, dentro de você nenhuma novidade acontece sem um bom estímulo interno. Por melhor que você seja,  o bom ainda pode ser melhor ainda!


Entre uma Hipocrisia e Outra, Escolhi a Sanidade



Eu sempre critiquei a postura consumista da nossa sociedade que transformou o natal em festa de cartões de plástico, shopping, Papai Noel muito vestido e neve artificial. 
Eu sempre achei bonitas as luzes que enfeitam a cidade no natal e nunca entendi porque elas não iluminam nossos caminhos o ano inteiro.
Hoje, um pouquinho mais velha, aprendo a valorizar isso, com o tempo fui treinando o meu lado inconformado  a participar disso até onde eu não me perdesse da minha consciência, afinal como dizia o poeta "disciplina é liberdade"!

 Há 2 meses recebi um e-mail que falava  sobre o filme 'Corpus Christis' (O Corpo de Cristo) exortando as pessoas a aderirem a um movimento para que o filme não se apresentasse no Brasil, por ser uma  paródia repugnante de Jesus, informando que a versão teatral já acontecera e que   “uma ação concentrada da nossa parte poderia mudar as coisas” que assim “poderíamos evitar a projeção deste filme no Brasil e até em outros países”. gostei muito dessa parte: 
 “uma ação concentrada da nossa parte poderia mudar as coisas 
Segundo o e-mail, neste filme, Cristo e apareceria mantendo relações homossexuais. Vocês lembram do tal "kit gay"? Aquele que consistia em vídeos e cartilhas para educar as crianças...
Pois é, tendo em vista que na época do “kit gay” , para efeito de abaixo-assinado, veicularam comentário de vários trechos que os vídeos não tinham, dei atenção ao texto deste e-mail, que  logo  a seguir, ensinava às pessoas como encaminhar a mensagem, e enviá-la para um  determinado endereço eletrônico quando chegasse a 750 nomes.

Pois bem, vivemos num tempo onde verdadeiros talentos dos mais diversos segmentos da arte por mais que batalhem e tenham obras maravilhosas, não conseguem espaço nem remuneração para tomar um cafezinho... Quem se importa?

Vemos a corrupção, o crime, as drogas, doenças, moralismo, erros judiciários, guerras latifundiárias liquidar com os nossos dias de bons cidadãos. Quem se importa?

Vivemos momentos em que muitos vivem diante de suas telas a espionar a vida alheia como se fosse uma janela por onde deixamos fugir nossas vidas e problemas... Quem se importa?

Poucos se importam o natal se tornou mascarado e desvirtuado pelo consumo desenfreado, poucos se importam com a falta de demonstração de carinho e afeto aos filhos desde que eles tenham um bom presente de natal...  Mas pelo que percebi muitos se importam com a reputação de Deus. Como se isso mudasse alguma coisa, para ele ou nós...

Uma obra de arte é a ótica de um artista sobre determinado ponto. Um Cristo gay não mudaria a minha vida, nem a Sua história mas seria “repugnante” apenas na ótica de quem vê a homossexualidade como repugnante. Mudaria talvez a vida (ou a morte) do artista que teria com o filme comprado sua passagem para o Inferno e, de primeira classe!

 As pessoas recebem informações e repassam sem reflexão alguma e quem orquestra essas informações sabe disso, sabe até que uma parcela significativa do seu público alvo, não é lá tão bom  ou íntimo assim da internet, ainda que muitos passem horas ou dias diante do seu monitor, digo isso porque recentemente amigos solicitavam-me no Facebook, que eu configurasse a MINHA página para que ELES  não recebessem notícias MINHAS... Então que diabos eles estão fazendo na rede linkados a mim?!  Ninguém percebeu que isso equivaleria a eu encontrá-los numa festa e dizer:
- "não fale comigo, Você não quer saber de mim”

A idéia do mal se espalha como se fosse um bem. Reger um movimento para privar as pessoas da escolha que só a elas cabe, é o verdadeiro pecado, é uma ditadura e todos as ditaduras são mal vistas e caracterizam pela privação da liberdade do povo e bem estar dos líderes e este mal vista não significa sua erradicação, no máximo uma passagem de cetro...

Ok, agora você podem me perguntar o que o filme com cristo homossexual e ditaduras têm a ver com o Natal?
Porque uma assunto tão inoportuno, indigesto numa época que afinal todos estão tão espiritualizados ou dispostos a, já que 24 horas de amor ao próximo pode não parecer tão ruim assim...

Respondo:

Esse e-mail, ensinou-me a preferir o comércio natalino do que vivenciar aspectos religiosos onde sejamos bons apenas na aparência como os sepulcros caiados que segundo os que professam a Bíblia Cristo combatia...

Onde rezamos com os lábios uma oração que diz “seja a feita a VOSSA vontade” enquanto o nosso iletrado coração corre o risco de confundir na sua torta grafia o V pelo N...

Diante disso tudo, melhor curtir o natal como festa consumista do que celebração daqueles  que se aproveitam da distração, da ignorância para fazer crescer sua lista de proibições. Foi assim que eu consegui entender, porque mesmo no calor tropical, nunca permitiram ao Papai Noel trajar uma bermuda com camiseta... Ahn e porque mesmo debaixo do nosso sol escaldante de país tropical, Papai Noel nunca pegou uma cor...

Feliz Natal e se você se ver obrigado a abraçar aquele parente indigesto não pense que se trata de hipocrisia, mas como a esperança de que um dia tudo melhore, afinal  você está mais atendo, esperto!
ho-ho-ho-ho

S! Revista - Coluna de outubro/2011


Fique de Olho e Vá ao Cinema



Entre os dias 06 e 18 de outubro tivemos 12 dias de festa para os  cinéfilos e apreciadores de cinema. O festival do Rio apresentou mais de 350 filmes de todos os tipos, para todo os gostos. Iniciou com o longa “A pele que habito (Almodóvar) e encerrou com   “Raul”, documentário de Walter Carvalho e  cerimônia de premiação com entrega do Troféu Redentor nas diversas categorias .

Várias personalidades , incluindo atores visitam a cidade o que aumenta o burburinho em torno do evento. E quem gosta de filme nacional deve ficar ligado na  Première Brasil que  funciona como vitrine do cinema brasileiro ao público e ao mercado internacional, oferecendo uma mostra competitiva para ficção e outra para documentários, de curta e longa metragem, apresentando ainda alguns títulos em sessões especiais hors concours. Esse ano, a mostra competitiva teve  9 filmes de ficção e 9 documentários.

Isso é o que todo mundo fica sabendo de um jeito ou de outro, mas, que muito me impressiona neste festival é a paixão! Paixão dos que investem em cinema, dos que vivem de cinema, dos que participam da instituição cinema, sobretudo dos que assistem cinema. Vejo Pessoas comprando cards  para muitos filmes e passam dias a correr atrás das exibições.  O barato de ver um filme que todo mundo só poderá ver alguns dias, meses, semanas depois! A aventura de conseguir uma poltrona, o prazer de falar  e discutir aquilo  que alguns sabem, o orgulho de ser antenado, confere a esse público uma certa  aura de celebridade, diante dos mortais que se conformam com a TV/DVD... Como paixão, não se explica alguns ficam sem entender porque tanta correria, eu mesma diante da dificuldade declinei o Almodóvar, que verei como sempre qundo ele se mostrar para os mortais cariocas... Preferi tentar ver aquilo que não será mostrado pelo menos em tempo suficiente  para a minha rotina. 

Mas houve um tempo em que eu não transitava tanto pelo mundo – eu morava longe e tinha aquela postura do “tenho mais o que fazer”. Surpreso? Quem de nós em algum momento não foi assim? Dessa época  guardo a lembrança de ver alguns cinemas com filas sem saber o que acontecia, do mesmo jeito que algumas pessoas se surpreendem com engarrafamentos no caminho de um estádio de futebol e se satisfazem em saber qual o time joga.  Com isso quero dizer que não é vergonha estar “por fora” de coisas tão badaladas, mas que é interessante e compensador ficar por dentro, principalmente porque de certa forma o cinema e o gay sempre namoraram no escurinho, muito embora seja  grande o número de filmes onde personagens assumidos são condenados à decandência. Mesmo no Cinema, com sua capacidade de abrangência do  reino de fantasia e ficção, a homossexualidade sempre representou um mal estar... Tanto que,  entre 1961 e 1976, “em 32 filmes que abordaram o tema, 13 personagens homossexuais matavam-se, 18 eram mortos por seus amantes e um era castrado”!
Em 1972, Lamont Johnson realizava  “That certain summer” primeiro filme a contar uma história de amor entre dois homens  recebendo a seguinte :  os amantes “não deveriam jamais se tocar e seus olhos jamais se cruzar”.  Não é de se espantar que durante muitos anos os que se propunham quebrar esse tabu, precisavam lançar mão do recurso do ridículo, criando personagens afetados, caricatos e exagerados, o que veio a se tornar uma escola, afinal como toda forma de arte,depende-se de financiadores e os de Hollywood,  durante muito tempo recusaram-se a viabilizar filmes que tivesse a Aids como tema. “Meu querido companheiro” (1990) de Norman René, primeiro filme de grande orçamento sobre a Aids teve 6 anos  de respostas negativas dos produtores, além de  inúmeras recusas  de atores  que temiam comprometer suas carreiras. Foi com Filadélfia, de Jonathan  Demme, 1993 que este panorama começou a mudar, trazendo algo de simpatia ainda que por piedade, ainda que as cenas homoeróticas ficassem para depois... Gay no cinema, ainda  tinha que ter uma história infeliz!
Talvez por isso eu tenha ficado tão positivamente surpresa quando vi Bubble (Eytan Fox, 2006), uma surpresa israelense.
 Pra finalizar, segundo os meus amigos que viram quase tudo do Festival do Rio 2011, o melhor filme do festival é “Inquietos” (Restless, Gus Van Sant) e ainda segundo eles, embora esteja classificado como filme gay, garantem que não é!  Por falar em filme gay, Almodóvar  quando rotulado como diretor Gaye incisivo:  “Ninguém diz ‘um filme de gordo por Orson Welles’. Você nunca diz ‘a monarquia heterossexual do Reino Unido’. Algo que eu absolutamente odeio é ‘o diretor gay assumido Pedro Almodóvar’. Não sou nada assumido! Assumo  a chateação com isso e  fúria com isso.  As pessoas pensam que é algo atraente. Não. Não sou gay abertamente e é claro que não sou um diretor gay. Sou um diretor do sexo masculino. Essa é a mais homófoba das expressões. Acho que é muito norte-americana. Estou certo de que eles gostariam de colocar isso em seu passaporte – sua orientação sexual.”
Errado ou certo, os diretores evitam o rótulo que lhes restringe a bilheteria, Gus Van Sant  também  foge ao perfil do “cineasta gay”.  Constantine  Giannaris não se importa em ser rotulado de “cineasta gay” , tenta escapar do gueto e ser reconhecido num mercado mais amplo , a mesma posição de  Gregg Araki, ex-militante dos direitos homossexuais, que deseja  ser visto como apenas  cineasta: “Não gostaria de ser etiquetado como um cineasta gay. Se eu aceitasse isso, estaria condenado ao gueto. Quero ser considerado um cineasta e ponto. Talvez um bom cineasta, um grande cineasta: são os adjetivos que me interessam.”

Os festivais hoje aceitam as temáticas homossexuais, que deixam de ser vistas como subcultura, na década de 90  surge a Strand Releasing, produção e distribuição de filmes homoeróticos e a produção de filmes do tema vem aumentando, certamente por haver público. Portanto fique de olho e vá ao cinema!

08/01/2012

Mídias Sociais:



·         in“Ninguém é tão feio como na identidade, tão bonito como no Orkut, tão feliz quanto no Facebook, tão simpático como no Twitter, tão ausente como no skype, tão ocupado como no MSN e nem  tão romântico como no Tumblr”.
 ·         “Não publique a sua felicidade pois a inveja tem facebook”... 


Especialistas tem estudado, uma boa parcela da população vem lidando com dificuldades em utilizar plenamente os seus recursos, alguns vem se esbaldando de usar e muitos vem priorizando em detrimento da sua própria vida real. Começa a surgir um novo segmento de filosofia, aparentemente muito parecida com aquele  que nos tempos antigos adornavam os para-choques de caminhões ou enfeitavam para-brisas de veículos.

Tem também os recadinhos coloridos, piscantes, com musiquinhas infernais capazes de botar o escritório inteiro de olho na gente ou até acordar a família na madrugada. A página de scraps do moribundo Orkut jamais deve ser aberta sem antes se dar uma boa abaixada no volume do som... O fato é que as mídias sociais vieram pra ficar, e às vezes a vovó que baixa em mim me faz temer que somente elas fiquem.

Hoje são grandes questões da humanidade saber se relação virtual é relacionamento, se sexo virtual configura traição. Quantas horas um filho pode ficar  on line, com quantos amigos se faz um perfil  “show de bola”...  Não adianta telefonar sem mandar um e-mail em seguida, mas um e-mail sem um telefonema confirmatório depois,  pode simplesmente não existir.

A “peble rude” começa a invadir o facebook, espantando alguns que lá se entrincheiravam a vociferar que Orkut era coisa de brasileiro. Em contrapartida o MSN anda apanhando feio, do bate papo do Face.  Se as fotos impressas perderam a razão de ser diante das digitais, as fotos digitais não existem se não estiverem on line. E muitos sucumbem se a internet não funciona, ainda que o usuário não entenda pitrufas de hardware, software, linguagem virtual e afins.

 Grupos, comunidades, notas, mensagens, álbuns de fotos, álbuns de vídeos, brincadeiras, jogos piadas, disputas, pensamentos, idpeias, sugestões, barracos, romances,  e muita confusão, as redes sociais agregam produtos e vão centralizando  muito da nossa vida, às vezes até o próprio viver. Se antes conhecia pessoas que não tinham tempo para  administrar seus afazeres, por um lado os encontro, agora  on line, por outro,  perco as esperanças de encontrá-los  “ao vivo”  para tomar um chope...

Ontem fui ao evento de aniversário dos 113 anos do Vasco (o time de futebol), hoje  anes de meio-dia, eu já recebi 4 ligações cobrando a publicação das fotos em qualquer dessas redes, sim, as pessoas estão numa infinidade de redes, algumas,  em cada uma delas tem vários perfis, me adicionam em todos,  não me falam em nenhum e reclamam se eu não “posto” algo, o que significa que mesmo os que não me falam, estão de olho, me seguem e ainda se dispõem a brigar comigo!
É a ilha da fantasia! Muitos estão milionários com suas mini fazendas e cidades imensas! Colhem felizes sua colheitas, num mundo onde pode-se  se ser gordo, pois tem photoshop. Pode –se ser gay sem receio, ainda que sob um nick name, um fake. Também se pode ter muita personalidade e ser autêntico à beça, sem o menor pudor. Como na vida real, continua prevalecendo aparências e tendências. A tecnologia continua sendo faca de dois gumes e embora exista muita coisa do bem,  vem prevalecendo o incômodo. Se a educação não vem de berço, com certeza não será on line que ela se fará existir. Se o respeito e o bom senso não estiverem na alma, não será a internet que a produzirá. Léo Jaime que o diga. Aliás, artistas venerados pessoalmente tem tido lá os seus dissabores, quando o público decide se expressar em 140 caracteres. Internet é um belíssimo instrumento, pena que tem gente usando como se fosse arma. Vamos pensar nisso?
Mídia

07/01/2012

ABC DA LIBERDADE QUANTAS SIGLAS PARA A FELICIDADE?



Marcelo, Marmelo, Martelo é o nome de um conto para crianças, recheado de inocência , porém nada infantil e, por isso muito recomendado para  nós adultos  de todos os tipos, principalmente os que querem mudar o mundo e fundamentalmente para os que querem que o mundo permaneça o mesmo.

Nesta historinha que dá nome ao livro de Ruth Rocha, Marcelo é um menino curioso, e interessado no mundo que o cerca que, num belo dia, percebe que as coisas não tem os nomes apropriados às suas funções. Perguntador, deixa os pais muitas vezes sem respostas para as suas perguntas que de tão simples são complexas e “irrespondíveis”. Descobrindo que as palavras têm origem no latim e que latim não é o nome de uma idioma dos cães ele decide renomear tudo! Promove uma revolução  no seu vocabulário, deixando seus pais preocupados com o que os outros vão pensar e dizer.

De posse das informações dessa histórinha, é inevitável não se transportar para  caldeirão da sopa de letrinhas que se tornaram as siglas que designam no mundo, os que tem  orientação sexual diferente do que foi convencionado, não sei quando nem porque, muito menos por quem.

No programa Amor & Sexo em que participaram Rogéria, Juliana Paes, Nélson Freitas, Jorge Luiz Fernando houve uma boa mexida nesse caldeirão, onde a até maravilhosa Rogéria se confundiu na sua autodesignação. Não é para menos, afinal vive-se o que se é, mas os nomes nos são atribuídos sempre por terceiros, nós apenas gostamos ou não, assimilamos ou não e nem por isso, temos muitas vezes a prerrogativa de mudar... Charmosa e didadicamente Fernanda Lima esclareceu, a sigla mais completa e atual usada pelos movimentos sexuais, onde:
L – LÉSBICA: “Meninas que gostam de meninas”
G – GAY: meninos que gostam de meninos
B – BISSEXUAIS: “Meninos que gostam de meninos e meninas e meninas que gostam de meninas e meninos,“ou  seja,  pessoas que gostam de pessoas” ou seja o arcaico termo “gilete” como lembrou Jorge Luis Fernando
T – TRANSEXUAIS: “quando o corpo e a mente não possuem o mesmo sexo. Um homem que nasce num corpo de mulher uma mulher que nasce num corpo de homem”
T - TRAVESTI: “Homens que se vestem de mulhers ou mulheres que se vestem de homens. Eles até podem fazer mudanças estéticas mas não sentem desconforto  co o sexo anatômico”.
I – INTERESSEXUAIS: “A sigla moderninha para chamar os hermafroditas que possuem as características dos dois sexos”.

Juntando tudo:  LGBTTIS! Fácil, não?

Na platéia havia duas pessoas apresentadas como transsexuais, ou seja, não foi possível saber seus nomes,  que contribuíram valorosamente na divertida “aula”, principalmente trazendo o termo, quase trava-língua: REDESEGNAÇÃO SEXUAL, ou seja a readequação pela qual passam as transexuais no processo de unificação da mente com o corpo, logo, READEQUAÇÃO do corpo à mente.
Mais: Transexual e travesti são identidades de gêneros e não orientação sexual. Por exemplo, um travesti pode se relacionar com homens, com outro travesti ou  com uma mulher, diferentemente do que defendem os conservadores que na verdade desejam que a diversidade sexual não exista e não se relacione...

Os gêneros de identidade sexual cresceram e multiplicaram ressaltando a necessidade de  liberdade para diversas orientações, ou apenas saíram do armário e cobram seus direitos de existir e viver plenamente.  Há os que não acham muito bom ter para si uma sigla, mas é pior não constar no cadastro de seres humanos vivos e participantes da sociedade. O ideal seria que todos fossem conhecidos e respeitados apenas pela única referência que une: humanos, todos exatamente iguais, perante a lei e integrantes do reino animal. Mas o que fazer se a sociedade optou justamente pelo que separa em vez de viver  o que  torna todos iguais?

Marcelo, Marmelo, Martelo depois de um acidente, quase uma catástrofe,  tem um final feliz que não podemos deixar de transcrever aqui:
“E agora naquela família, todo mundo se entende muito bem. O pai e a mãe de Marcelo não aprenderam a falar como ele, mas fazem força para entender o que ele fala. E nem estão se incomodando com o que as visitas pensam”...

Esse é o final desejado para aqueles que ora são chamados também de “diferenciados”. Levante a mão quem não quer esse desfecho para a sua história. Inocente, claro que sim, infantil jamais!

Referências:
Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias
Rocha, Ruth / Salamandra (Infantis)

Programa Amor & Sexo , Apresentação Fernanda Lima; Direção Paulo Silvestrini, Daniela Gleiser, Gisela Matta; Roteiro final: Rafael Dragaud; Escrito por: Alexandre Rossi, Arnaldo Bloch, Claudia Gomes, Leandro Muniz, Tati Bernardi. TV Globo

20/07/2011

VIDA URBANA



LEIS NÃO DIMINUEM O PRECONCEITO

... mas podem mudar comportamentos.  Podem inibir o mau comportamento e garantir a segurança de quem precisa manifestá-lo.  Isso é direito, promove a legalidade. Uma coisa é regra social outra, crime e desrespeito contra o cidadão.  Quando uma lei não protege a todos poderá fabricar novos infratores e potencializar a delinquencia, pode até permitir que alguém muito certinho se torne um burlador da lei.
  •  Quando vivi no exterior, muitos amigos optaram por um casamento de direito que não ia às vias de fato para garantir a cidadania americana – em Nova Yorque onde vivi, o casamento entre iguais só foi aprovado no dia 25/06/2011. Aqui no Brasil, muitos homossexuais se casaram legalmente como se héteros fossem, para ter um dependente assegurando abatimento no IR.  Também aqui na Cidade Maravilhosa, perdi uma grande amiga e vejo a sua companheira após o seu falecimento, de mudança para lugar nenhum, pois a família diz não saber sobre o relacionamento das duas. Tenho uma amiga no sul que depois de anos de vida e trabalho em comum, viu todo o patrimônio construído a 4 mãos, ir inteiro para a família que expulsou sua companheira  devido ao seu “desonroso comportamento lésbico”. Isso não é Direito, nem certo, nem justo.
E a doença virou ditadura:
  • Depois de ser retirada do CID (Classificação Internacional de Doenças), a homossexualidade parece aterrorizar ainda mais os conservadores e aqueles que de certa forma tem a lucrar com a segregação e com a ignorância da população. Se antigamente o homossexual além de “doente”, tinha a fama de promíscuo, “sexólatra”, transmissor de doenças, corruptor de menores (como se nenhum heterossexual pudesse ter essas características) hoje os termos vão de “pedofilia”, “ditadura gay”, “mordaça gay”, “heterofobia” a “casamento gay”.  A lei 122 passou a ser vista como crime e ditadura às avessas, assim simplesmente,  sem  gerar reflexões a respeito da ditadura vivida por tantos até aqui... Durante anos gays pagaram impostos, taxas, tributos (ônus da cidadania) ainda que tivessem excluídos os  direitos mais simples como por exemplo, acompanhar o parceiro num leito de hospital. 

Cuidado com o que diz. Cuidando do que lê:
  • Pesquise no Google por “crimes de homofobia” e não encontrará crimes. De repente vários juristas, advogados, pensadores e escritores se põem a esclarecer on line sobre aspectos inconstitucionais do PL 122 de criminalização da homofobia ,  transformando o Projeto de Lei num dispositivo déspota e “heterofóbico”. O Juiz, Titular da 4ª Vara Federal de Niterói e professor, dr. William Douglas em brilhante artigo comenta  que  “querer mudar à força o conceito milenar de casamento, é exagero do ativismo homossexual” e ainda questiona  se “algum discriminado vale mais do que os outros? Incendiar índios e pobres não é algo a ser coibido? O racismo escondido desse país não deveria ser lembrado também”?
Todos os que atacam o PL 122 alegam que é uma lei específica para defender um segmento, quando já existe um código civil para punir criminosos e proteger vítimas, exortam sobre outras minorias sem se dar conta que as “minorias”  citadas buscam obter proteção nas formas da lei e já a possuem. Por que só aos gays isso deveria ser vedado? A grande preocupação  da “maioria” parece ser a perda do poder de exercer a tirania, quando pessoas querem apenas exercer com integralidade a sua cidadania...  

A grande pergunta seria porque nossas leis vigentes se tornaram tão vigorosas e eficientes para a proteção de um segmento somente agora? Antes, para outros foram necessários dispositivos legais como  Lei 11.340/ 06; Lei 1.390/51 e decreto de lei nº 1.171/94; LEI Nº 7.437/85;  Lei 8069/90;
Permitir o apelido de “casamento gay” à lei da União Estável, distorce o foco do direito para o religioso, casais heterossexuais sempre tiveram essa opção, ainda que mantendo o estado civil de solteiros. Os vídeos educativo contra homofobia, foram assunto de petição on line que citava trechos inexistentes, deixando de lado qualquer avaliação da qualidade e validade sócio-educativa do material, por que atribuir cenas que não existiam antes mesmo que pudessem ser vistos?  Como entender, num país recheado de escândalos graves, um título como este: “Abaixo-assinado Somos contra o maior escândalo deste País, o KIT GAY” assinado por  “Os signatários”. É dessa forma que a sociedade e lideranças políticas pretendem estabelecer algum tipo de diálogo com a comunidade gay? 

Nossa lei é nosso crime ? 
  • A criação de cotas para vagas obrigatórias para minorias no mercado de trabalho não significam em plenitude inclusão, se não houver oportunidade de crescimento funcional. Ainda que o PL 122 seja sancionado como lei, faltará a certeza de um tratamento respeitoso e eficiente, tanto dos patrões e colegas de trabalho quanto das autoridades nas queixas de assédio moral ou crimes de violência e ódio. As leis acabam funcionando como um dispositivo educativo, que nos remete à tolerância no sentido, obrigatório, de tolerar aquilo ou aqueles que não se suporta  ou não se entende. Nossa cultura ainda é aquela que responsabiliza as vítimas pelos ataques sofridos quando se trata de minorias, ainda que essas minorias tenham crescido tanto quanto suas vozes reivindicando igualdade direitos. Homossexuais muitas vezes não denunciam crimes e abusos sofridos por medo da exposição, do ridículo, do escárnio para si e sua família.  As estatísticas divulgadas em 04/03/2010 pelo GGB (Grupo Gay da Bahia) são questionadas e minimizadas como se homossexuais, lésbicas, bissexuais e travestis buscassem sua própria morte por ser o que são e suas mortes não são apuradas como se não fossem cidadãos...  Uma face do que se tornou na prática a máxima constituinte de que “todos são iguais aos olhos da lei” e que os gays desejam apenas ser mais iguais que os outros. Quem não sai do armário corre o risco de jamais viver...

Coluna de junho/2011



Li certa vez um livro cujo autor dizia que os homens por instinto, buscam mulheres jovens, belas e saudáveis por estas estarem aptas a engravidar perpetuando a espécie Um amigo meu, quando visita uma empresa com muitos homens bonitos sempre comenta que “o processo seletivo só pode ter sido feito por algum gay, porque mulher não tem esse gosto todo, não!”   Uma amiga por sua vez, me garante que toda a vaidade da mulher tem como objetivo conquistar os homens. Coisas assim são combustíveis para a fogueira da minha imaginação: Homens estão sempre dispostos a transar ou procriar. Mulheres estão sempre dispostas a se exibirem para serem conquistadas e gays vivem para apreciar a beleza alheia em todo e qualquer canto?
Diante das estatísticas que informam nascer sempre um número muito maior de mulheres do que de homens, aceito a tese do autor e imagino que o ”raciocínio” da mother nature vá em direção à reprodução.  Afinal, hipoteticamente, se um homem transa  com uma mulher por dia, poderá produzir 365 filhos ao ano e uma mulher não terá mais que um, ainda que transe alucinadamente com vários homens por dia sem nenhum método contraceptivo... Mas o que vejo me faz  discordar da minha amiga, mulheres se arrumam para encantar e seduzir os homens? Creio que é justamente o contrário, mulher se arruma, penteia e perfuma numa tentativa quase insana de abalar a concorrência feminina!
Um homem quando vê uma mulher gostosa, admira e se torna predador, caçador, perseguidor. Sim, ele parte para o ataque na missão de gerar um novo exemplar da espécie ainda que “destruindo” o espécime que lhe atraiu. O seu ímpeto é o de colecionar e talvez, não lhe passe pela cabeça a idéia que aquele belo exemplar logo será uma lembrança a mais, como a cabeça de um alce pendurada acima da  lareira de um caçador. Uma foto a mais para se guardar ou para se excluir do perfil do site de relacionamento. Ainda assim, ele admira.
Uma mulher ao ver a outra linda e gostosa, tem olhos especializados em encontrar algo que não seja digno de admiração. Um pneu, um peito caído ou pequeno demais, uma estria, um cabelo falso, uma nádega de silicone. Como se essas coisas pudessem realmente denegrir. Mesmo assim ela corre para tentar clonar em si tudo o que puder daquela bela que aos olhos delas “nem é grande coisa”. Quase um ritual de antropofagia...
Neste ponto do meu raciocínio comecei a ter admiração pela ternura que muitas lésbicas nutrem pelas mulheres femininas. As lésbicas, ditas “caminhoneiras” percebem mesmo nas menos belas, um encanto que as próprias não conseguem ver e põem-se a reproduzir os gestos que os homens não  estão mais tão dispostos a ter: gentilezas simples ou complexas como enviar flores ou  acreditar no que suas musas lhe dizem.
O conceito de ativa e passiva que hoje se encontra em estado de história da carochinha ainda é parte dessas mulheres que penduram em suas lembranças os orgasmos proporcionados àquelas que ousadamente, desistiram de esperar que em cima do cavalo branco venha montado um príncipe encantado e do sexo masculino. Na teoria tudo isso funciona super bem, o diabo é que mulheres não pensam em “abater suas vítimas” num dia, nem planejam perpetuar a espécie entre elas! Não lhes, basta a sensação de vitória de uma conquista. Uma transadinha, pra mulher não é o fim, mas um começo...
A mulher quer levar pra cama, quer ir pra cama, sim, mas também pro shopping, cinema, boate. Não quer domingos livres pra sair com as amigas. Elas querem levar pra casa, querem companhia que possa  ser acintosamente desfilados na cara das suas “concorrentes”. Mulher deseja companhia que a faça  feliz de um jeito que possa ser exibido mundo a fora, afinal, de que adianta ser feliz se as amigas, inimigas e ex não  ficarem sabendo de tanta felicidade?
Se os grandes pensadores filosofaram a respeito do ter e do ser, foi a mulher que abriu a terceira via, criando o verbo parecer. Parecer jovem, parecer bela, parecer rica, parecer feliz. Não há festa, bar, boate ou encontro suficientemente bons se não oferecerem oportunidade de parecerem  lindas, arrojadas e disponíveis. Uma balada para ser boa tem que ao menos se parecer com uma grande oportunidade  na qual  encontrarão  finalmente, “a pessoa” da sua vida! E, como  se trata de mulher, pessoa  para levar para casa, apresentar às amigas e exibir  é claro, nas rede sociais para que  a ex de alguma forma fique sabendo.

19/07/2011

COMPLICADO SER MULHER



A mulher já foi descrita como aquela que era escolhida e arrastada pelos cabelos. Aquela que deveria permanecer confinada em casa cuidando de uma família  gerada com um marido que não tinha o direito de escolher, atraído pelo valor de um dote disponibilizado pela família. Proibida de votar, vista como ser inferior incapaz de promover suas próprias escolhas. Culpada pelos erros do cônjuge e dos erros praticados pelos filhos. Condenada sem direito à defesa pela infertilidade mesmo que essa não fosse sua.  Punida pela decadência física que o tempo traz para todos. Rejeitada e culpada pelos revezes de uma gravidez indesejada, estigmatizada pelas doenças na época chamadas de “venéreas” e se for falar dos desgostos que a condição feminina já causou, a Revista S! inteira talvez não fosse suficiente... O mundo evoluiu a mulher ganhou espaço e algum respeito, mas naquilo que é engendrado dentro dos nossos pensamentos o que mudou?  Pouca coisa, quase nada, as mudanças são externas em função dos patrulhamentos, as idéias mudam a forma e matem o conteúdo.
Quem se lembra do último BBB? Os participantes talvez que protagonizaram um conto de fadas, com temperos picantes e com direito a um ogro e muitas intrigas:  Diogo Gago, disparou suas insanidades referindo-se  ao comportamento de “algumas” mulheres, na verdade sua não aceitação à liberdade Ok, ele era apenas um machista insano passível de usar medicação que lhe proporcionasse um comportamento mais suportável. Segundo Maria  deveria ter contado para Maurício sobre a tentação que signifcou o saradíssimo Wesley, seu corpo talhado em academia e atitudes  regadas com testosterona. É fato que o comportamento do loiro, belo e másculo médico chamou atenção num ambiente onde a masculinidade se manifestava na camaradagem de um “Clube do Bolinha” compostos de rapazes amáveis entre si, de posicionamento rude para com as mulheres. Mas não seria também um ato digno, Maurício ter contado para Maria que desistia dela por ter “descoberto” “verdades” a seu respeito? Agora que tudo passou ele encontra um desculpa frágil, travestida do que ele diz ser respeito ou proteção... Então tá.
No meu entender, ser um quase corno atrapalhou muito menos a frágil  relação do casal do que a possibilidade de Maria ser uma garota de programa... O boato levado às vias de fato como realidade absoluta, para o qual ele não sentiu necessidade de confirmar ouvindo dela mesma. Maria foi rejeitada, por ser chata, insistente, entregue a um amor recente e sem raiz e essas suas atitudes acabaram por se tornar o motivo de uma separação para um casal que nunca se uniu de verdade.
A confraria masculina apoiou e incentivou o jovem músico a não passar atestado de cornolice e o rapaz, incentivou a todos que usassem uma linda camisa  contra o preconceito. Maria, agora rica, princesa e bem amada, no seu afã de suposta apaixonada e mulher carente causou asco, espanto, tornando-se quase um exemplo de humilhação feminina e falta de auto-estima. Nada que 1,5 milhão não nos faça esquecer...
São jovens que foram  tentando fama, sucesso, grana e por isso tentam imaginar a melhor forma de agir diante dos olhos dos de fora decidem o direito deles  à oportunidade de conseguir esses objetivos. Nós manifestamos muitas vezes pensamentos semelhantes em coro com a hipocrisia de um jovem que votado para retornar a um ambiente para fazer o circo pegar fogo, tomou ares messiânicos de um portador de informação privilegiada. Os mesmos ares que percebo naqueles que criticam as profissionais do sexo ou aquelas que praticam sexo de forma só permitida aos exemplares masculinos. Complicado ser mulher no século 21, onde as descobertas científicas vão de encontro à saúde e preservação dos direitos dos prazeres do corpo... Era mais fácil ser arrastada pelos cabelos  na Idade da Pedra afinal, as  coisas são mais simples quando não se tem escolha, a ignorância ofende menos quando o desconhecimento é regra geral , embora a dor que toda ignorância promove não seja menor. Caminhamos para o lado oposto ao que a experiência e a razão mostrarão um dia, é o que reflito quando percebo alguém que atuou na erotização precoce do vestuário infantil, fazer hoje a justa e digna campanha contra a exploração sexual na infância.  Crescemos e aprendemos e se não podemos mudar o passado, podemos ao menos melhorar o futuro e por isso as lutas por igualdade e liberdade não cessam e não terminam. 

04/06/2011

Pelos seus direitos, pelos nossos, pelos de quem vc ama ou admira. Vamos tod@s à luta!


ATENÇÃO! URGENTE!
TODO MUNDO PRESENTE NA VOTAÇÃO DO 2º TURNO DA PEC 23/2007 NESSA TERÇA-FEIRA (07/06) A PARTIR DAS 15H
 Nessa terça-feira, dia 07/06/2011, a ALERJ votará o 2º turno da PEC 23/2007, que inclui a orientação sexual (LGBT) no rol dos direitos fundamentais previstos na Constituição Estadual do Rio de Janeiro, de autoria do Deputado Gilberto Palmares (PT).
É FUNDAMENTAL A PRESENÇA DE TOD@S! ORGANIZE A SUA CARAVANA! CHAME @S AMIG@S!
Essa proposta de lei surgiu da I Conferência Estadual de Políticas Públicas LGBT de 2008, convocada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, com participação de mais de 700 representantes de 72 municípios do Rio, entre eles membros da sociedade civil organizada  e gestores públicos municipais, além de especialistas em direito e acadêmicos.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro com o apoio do Movimento LGBT Organizado vem implantando um conjunto de políticas públicas para LGBT (lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), através do Programa Rio sem Homofobia, que é o único Programa dessa natureza em toda a América Latina.
Vale lembrar que dados recentes da Secretaria de Segurança Pública apresentando os dados de Registros de Ocorrência policial apontaram que em pouco mais de um ano houve mais de um mil registros de homofobia no Estado, necessitando de forte atuação no Poder Executivo respaldado pelo Poder Legislativo na implementação de leis, para enfrentar essa situação de violência contra LGBT em nosso Estado.
Será um marco histórico a aprovação desse projeto de lei. Vamos marcar mais este ponto em favor da cidadania! Avise @s amig@s reenviando este email. publique no facebook, poste em seu blog, telefone, envie sms, vamos junt@s lotar o plenário da Alerj.
VAMOS CONVOCAR NOSSOS AMIGOS E ALIADOS, A ESTAREM PRESENTES NO PLENÁRIO BARBOSA LIMA SOBRINHO NESTA TERÇA-FEIRA (07 de junho) A PARTIR DAS 15 HORAS.
SERVIÇO
VOTAÇÃO NA ALERJ DO 2º TURNO DA PEC 23/2007 - INCLUSÃO DA ORIENTAÇÃO SEXUAL NA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL
DATA: 
07/06/2011 - TERÇA-FEIRA
HORÁRIO:
 A PARTIR DAS 15H
LOCAL: 
PLENÁRIO BARBOSA LIMA SOBRINHO - ALERJ 
ENDEREÇO: 
Praça 15 DE NOVEMBRO S/Nº EDÍFICIO 23 DE JULHO - CENTRO - RIO DE JANEIRO
OBSERVAÇÃO: É OBRIGATÓRIO A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO COM FOTO
REPASSEM ESTA MENSAGEM!
CONVOQUE OS AMIG@S E ALIAD@S!
Votação na ALERJ do 2º Turno da PEC 23/2007 - Inclusão da Orientação Sexual na Constituição Estadual do RJ‏ - NESTA TERÇA (07 de junho) A PARTIR DAS 15H
-- 
Julio Moreira
Secretário

FÓRUM DE GRUPOS LGBT DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
SECRETARIA - Rua do Senado, 230 - Cobertura – Centro - Rio de Janeiro- RJ  CEP 20.231-006
tel. (21) 2222-7286 fax (21) 2215-0844 

Grupo Arco-íris de cidadania LGBT.
Projeto Laços&Acasos: Mulheres, desejos e saúde.
Rua do Senado, 230. Cobertura. Centro.
Tel: 2222-7286 - 2515-0844

30/04/2011

Igualdade


Pelo histórico da nossa sociedade, dá pra perceber que a luta pelo poder acaba introjetando nas pessoas a visão/educação da diferença e indiferença em vez da igualdade.
Toda pessoa pertence a raça humana, porem em vez do foco nessa igualdade, olha-se e ensina-se a olhar para as diferenças...

Fala-se dessa educação sexual para crianças que nem despertaram para o assunto, tipo quando no passado se falava que o comunista comia criancinha... Religiosos fazem isso e aí?
Se é que me entende...


22/03/2011

A CAÇADORA E O MORANGO

 Pela primeira vez votei num BBB. Objetivo: Tirar o Rodrigão. Motivos:
-Beleza não pode ser tudo sempre.;
- Ele foi decepcionante desde a primeira vez que abriu a boca;
Parecia que tinha medo de mulher  ou apenas, entre todas as opções femininas que o programa lhe ofereceu,  ele sempre preferiu a si mesmo. Não que isso seja defeito -  não seria para as mulheres votantes desde que ele largasse o espelho (mulher pode aceitar tudo menos dividir o espelho e as atenções);
-preferindo o Mau-mau, empatava o tempo das moças demonstrando que fazia qualquer parceria pra chegar na final;
- por fim, deu uma de fofoqueiro e mandou mal nas críticas referentes ao namoro da Maria com o Wesley.
Muitos motivos, mais do que suficiente.
Na contra-mão, Diana, gata, semi-emburrada, tímida, retraída e sem-amigos desde que sua musa, Natália,  se foi. Tambem achei que já era hora de uma lésbica respirar na TV, ainda que  não fosse 100% representante da categoria.
É muito mai difícil ser flex que ser homo...
 A Caçadora e o Morango
Apesar de tudo, confesso que fiquei surpresa com essa  vitória parcial da moça. Se na edição passada morango era exuberante, falante, morena, jornalista,  "pra fora", nesta, Diana é o seu oposto e não contou com a simpatia imediata das pessoas de fora e de dentro da casa. Por outro lado, Diana fez  o que Morango jamais faria: Seduziu, lambeu (com açucar sem afeto e sem açucar também), beijou, fez  do machismo piada e foi juntamente com o Daniel o macho da casa.
Morango era sensual, Diana dona de uma sensualidade inxistente ou enrustida, sem apelações emocionais, crítica, sarcástica, às vezes rude, sempre sincera,  estampando no rosto a alma decepcionada a cada decisão de supostos aliados que nunca lhe era favorável.

Ainda que não fique entre os 3 vencedores, nos deixa grandes lições e com certeza aprendeu muito sobre si mesma mas estará perplexa com a complexa beneveloência do público que a preferiu em detrimento do belo simples e simplório.
Claro, para perceber tudo  isso, é preciso olhar com uma lente mais forte que possa detectar além dos conceitos de simpática ou antipática, chata ou divertida.

Também acho emblemático que nesta edição tenham sobrevivido na competição 2 homossexuais assumidos e uma suposta ex-garota de programa. Não acho que seja um sinal de que a sociedade esteja em franca evolução, mas se a vitória de Marcelo Dourado sucitou comentários  sobre  a superioridade da homofobia, a permanência de Diana, Daniel e Maria pode nos soar como uma brisa de esperança, principalmente se analisarmos que intelectuais, formadores de opinião, inteligentes e importantes não assistem BBB...  Mudanças só ocorrem quando o povão se transforma... (rs)

15/02/2011

Felicidade É Diferente


Se fevereiro fosse gente estaria muito chateado!  
É o mês mais curto do ano, por razões que nos são explicadas logo nos primeiros anos de vida escolar e que aceitamos resignadamente sem compreender com perfeição... Há coisas na vida que são assim: São porque são e não há como mudar e assim permanecem, sendo,  não importa o nosso nível de compreensão... 

Fevereiro mesmo sendo uma espécie de pilha de pouca duração, prima pela grande energia de mês solar, auge do verão e  orgulhoso de ostentar o título de posse do “maior espetáculo da Terra”, este ano está curto e sem festa... Ficará assim debruçado sobre o calendário de olhos compridos observando o carnaval que março lhe seqüestrou. Alguns sambistas também ficarão de olhos ávidos olhando o seu dia seguinte, que é o dia D para aqueles que ocupam algo que se chama de grupo de elite. 
Com estes pensamentos absurdos , imagino Fevereiro brigado com Março e a pontada de dor daqueles que não cabem num desfile de grupo especial. Até parece que o mundo que criamos não inclui o que a natureza ajuda a separar...


Eu conheci uma moça linda, que por ser gordinha tornou-se tímida e sempre comentava com o cotovelo doído sobre as esculturas humanas que transitam por aí arrancando suspiros da galera. 
Como alguém que decidiu morrer, ela deixou de ir à praia e sofre na hora de comprar roupas. Inteligente que é, por tanto sofrer, desenvolveu um humor sarcástico e refinado que a tornou a companhia mais requisitada dos amigos.  
Eu acho isso ótimo, ela diz que isso e péssimo; segundo ela, os convites são apenas por ela ser solteira e estar sempre disponível. 
Eu acho isso ótimo, ela acha isso horrível. 
Ela não vê que pode recusar alguns convites e jogar-se em outros, nem percebe que é livre e o quanto a liberdade pode fazer-lhe feliz. 
Digo-lhe que ela conhece mais gente do que eu, envolvida em eventos que pouco aproveito, porque são, para mim apenas trabalho. 
Ela se pensa gorda e acha que é assim que todos a enxergam.
Confesso que andei triste de tanto ver festas! 
Meus ouvidos se cansaram do barulho e vozerio que não dizem muita coisa. 
Estressei pela tensão e expectativas que iam da previsão do tempo aos comparecimentos  ou justamente ausência deles.
 Até que um dia, percebi que fazia o que tinha a fazer e se jeito não havia, só me restava viver, afinal é bom ser “dona” da festa mesmo se ela não é minha.! 
Temos que aprender a conviver com o que somos e ter um crédito com a gente mesmo para financiar ainda que em muitas prestações, os nossos sonhos! Se a vida não for um bom fiador, resta-nos apelar para o genérico e aceitar imitações! O que não temos o direito de fazer , é produzir imitações baratas da felicidade alheia, um barato que sai sempre muito caro...
O mês de fevereiro vai passar do mesmo jeito que sempre passou, talvez com menos conteúdo ou quem sabe enriquecido por abrigar outras festas e felicidades não programadas. Pelo menos uma escola de samba, sentirá o sabor de ser elite, enquanto que outras terão que deixar a competição de lado e tratar de apenas se divertirem numa avenida (que como a vida) foi criada para dar nos dar prazer.
 A gordinha talvez escolha ter novos sofrimentos gerados no mau humor de uma dieta compulsória ou quem sabe, resistirá no sofrimento conhecido de viver sem viver por desprezar tudo o que tem em função do que apenas queria ter... 
As coisas não são o que são, elas são o que nós fazemos delas e nós não somos o que somos, mas o que nos fazemos ser!
 Não seremos infelizes pelo que queremos, mas por querermos o que não contribui para nossa felicidade...
 Todas as belas são belas mas nem todas são felizes, beleza é só questão de opinião; felicidade é diferente: Felicidade é um segundo eternizado se não na vida, na nossa lembrança. Eu quero viver de modo que eu mesma me sorria ao lembrar-me da minha vida.


02/02/2011

Ainda um Rebelde, Sempre Um Exemplo: Ney Matogrosso

Uma entrevista com este cara que, se não fosse meu ídolo passaria agora a ser. E se não fosse meu ídolo, chamaria de minha alma gêmea,  por coisas comuns como, a sorte de estar vivo, o prazer de ser autêntico (por favor não confundir com maleducação), o apreço pela verdade com desdobramento em um compromisso intimo e pessoal com o ato de de ser verdadeiro falando a verdade. A gente combina em muita coisa, mas ele é mito e eu fã. Ele é astro e eu platéia e não recebi da vida o privilégio da gnética a ele concedido... Sem problemas, ser contemporânea já basta!
Com vocês o "Ainda um  rebelde" Ney Matogrosso:
"Ele enganou a ditadura, a AIDS e as previsões que condenavam sua voz e sua saúde. Às portas dos 70 anos, Ney Matogrosso ainda incomoda muita gente.
Se há um homem que sabe driblar as ameaças, Ney Matogrosso é o cara. 
Quando decidiu rasgar o manual dos bons modos nos anos 70 para atiçar a libido de sua plateia em palcos vigiados por militares, recebeu cartinhas da ditadura dizendo que sua batata estava assando. Escapou ileso. 
Quando a AIDS chegou, nos 80, era um amante de homens e mulheres com zero grau de fidelidade. Infectados pela maldita, muitos de seus parceiros tombaram. Ney não. 
A voz, disseram que não passaria dos 40. Da elasticidade, com sorte, sobraria algo aos 50. E Ney, então, chega aos 70 livre das maldições. 
Sua lista para 2011 não é de quem programa a aposentadoria: 
1) A estreia de Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha, filme que tem Ney no papel principal. 
2) A conclusão do documentário Olho Nu, que vai recompor a vida do artista desde sua infância, em Mato Grosso do Sul. 
3) O lançamento do CD e DVD Beijo Bandido ao Vivo, espetáculo que o artista faz em São Paulo de 18 a 20 de fevereiro. 
4) A estreia em São Paulo do monólogo Dentro da Noite, que ele dirige.
5) A gestação de um novo CD, que deve chocar pelo repertório, como o próprio Ney diz (leia mais abaixo). 

Em seu apartamento, no Leblon, Ney recebeu o Estado para falar sobre os armários da alma que ajudou a abrir desde que decidiu fazer algo elementar na teoria mas tão duro na prática: dizer nada mais além da verdade.

Você é um sobrevivente?

(Pensa) Sou sim. Creio que sim. Eu poderia ter ido naquela leva de AIDS (dos anos 80) mas não fui, perdi mais da metade dos meus amigos e por que eu não fui? Não entendi. Perguntei para vários médicos e nenhum me deu uma explicação.

Talvez porque você se precavia mais do que eles?

Não, não havia CAMISINHA e eu era tão infiel quanto os outros. Estamos falando dos anos 70, quando estava tudo liberado. Agora, claro que a partir do momento em que fiz o primeiro teste para saber se eu tinha AIDS - e eu tinha certeza de que estava infectado - e vi que não estava, passei a usar CAMISINHA.

Curioso como as pessoas se assustam ao saber que você fará 70 anos (em 1º de agosto).

Quando eu comecei a cantar me diziam que com 40 anos eu não teria mais voz porque eu forçava muito. E eu acho minha voz hoje, aos 69, melhor do que era. Mas não penso em fazer nenhuma comemoração. Eu não gosto de tributo, homenagem. Não me sinto bem com isso...

Não é uma contradição o homem que faz o que faz no palco não gostar de festa?

Não acho contraditório, não. 
Mas da forma como você apareceu nos anos 70.... 

Era preciso. Era o auge de uma ditadura assassina, era preciso ser agressivo e ousado. E eu tive coragem de enfrentar aquela barra que não era mole. Eles (os militares) podiam mandar matar, jogar do avião em qualquer lugar. Se não fizesse aquilo, não estaria sendo verdadeiro.

E sentiu que estava no limite da paciência dos militares?

Eu recebi recados de que estava no limite, de que estava me excedendo. Quanto mais era ameaçado, mais eu me excedia.

O que o salvou?

Não sei, o meu destino era estar aqui. Eu não fui torturado porque não tinha envolvimento político. Eu defendia os direitos de expressão. Não estava preocupado com quem era o ditador da hora. Quando fui dar minha primeira entrevista, fiquei aflito pensando "o que eu vou falar?" Aí me veio uma voz: "Diga a verdade." E eu disse. Quando me perguntavam sobre sexo eu respondia tudo. Aí, quando eu ia ler no jornal, em vez de sexo estava escrito amor. "No amor, ele é liberal..." Mas eu não tinha falado de amor, tinha falado de sexo. Eu não tenho necessidade de expor minha vida íntima, quem vai para a cama comigo, isso não interessa e você jamais viu meu nome envolvido nesse tipo de coisa. Agora quem eu sou, o que eu penso, eu falo e vou falar até não ter mais boca. Eu sou um rebelde, fazer o quê?

Essa lucidez toda, essa correção... Será que é isso o que as pessoas que o viam no palco nos anos 70 esperavam de você?

Mas sempre esperaram outro Ney, desde os Secos & Molhados. As pessoas passavam pelo camarim e nem me viam. O palco era o lugar de exposição, fora de lá, não. Não quero carregar aquilo comigo. As pessoas que fazem isso acabam virando uma caricatura.

Você serviu na Aeronáutica?

Eu queria sair de casa, não suportava viver lá aos 17 anos.

E por que isso?

Eu não suportava viver debaixo do tacão militar de meu pai. Eu me alistei na Aeronáutica (em Mato Grosso do Sul) e, sem avisar minha família, pedi transferência para o Rio. Aí meu pai disse que não, mas era tarde, ele não podia me impedir...

E você já havia assumido sua homossexualidade antes do serviço militar?

Não. Na adolescência eu sentia uma certa atração que eu temia loucamente. O que eu via sobre isso na minha cidade, Bela Vista, em Mato Grosso do Sul, a única informação que eu tinha era a imagem de um camarada HOMOSSEXUAL que passava pela rua e a rua toda vaiava. Isso era a única coisa que eu sabia sobre esse assunto. E vim para o Rio aos 17 anos com uma turma de 40 adolescentes como eu, hormônios voando pelas orelhas, e claro que... Eu não realizei não, mas entre eu e um colega houve algo que nos deixou ligados.

E você querendo se livrar daquele sentimento...

Eu pedia a Deus para me matar mas não me deixar ser aquele rapaz que eu vi em Bela Vista. Até que uma noite, quando estava na Aeronáutica, levantei e dei de cara com dois remadores másculos, um sentando em um beiral e o outro de pé, abraçado a ele. E eu percebi que era uma coisa que estava acontecendo ali que eu não sabia nem que era possível. Aí admiti a possibilidade, mas com o seguinte porém: eu não iria fazer nada com qualquer um só para dizer que eu havia me resolvido. Isso só foi acontecer quando eu tinha 20 anos. Eu me resguardei, na ilusão de que um relacionamento entre homens seria diferente de um relacionamento entre homens e mulheres (risos). E que portanto tudo de bode e chatice desses relacionamentos não existiria. E eu caí na triste realidade de que tudo é igual, homem com mulher, mulher com mulher, homem com homem. É tudo igual. Muita coisa rolaria água abaixo se na verdade todos se revelassem como são. E eu estou falando da favela ao Palácio do Planalto.

As mulheres também suspiravam por você na plateia, não?

Eu tive mulheres, mas sabe que era um incômodo muito grande para o movimento gay quando eu dizia que gostava de mulheres também. Eles diziam que isso não existia. E eu então não sei de que planeta eu sou. Se isso não existe, eu não sou daqui.

Você tem uma filha, não?

Não, não tenho... Há uma hipótese de uma filha, mas eu não... Já fiz testes e deram negativos. Eu tenho dúvidas porque eu não conheci essa pessoa...

Li uma entrevista muito antiga em que você parecia ter mais certeza de que era sua filha...

A "pseudo mãe". Pseudo não, não digo que seja mentira, a provável mãe... Depois que aconteceu essa história, voltei a Mato Grosso. Estava andando pela rua e essa mulher, quando me viu, fugiu de mim. Eu não entendi porque ela fez isso. Minha mãe conta que um dia ela levou essa criança para ela ver e minha mãe quis pegá-la para criar. Mas a moça disse que não tinha levado o bebê para dar, mas para eu saber que existia. E aí desapareceu. E inexplicavelmente ela foge de mim na rua. Então eu não sei, pode ser verdade.

Não tem vontade de conhecer sua provável filha, saber quem ela é?

Não, já tive mas já passou. Assim como já bateu vontade de ter um filho, mas já passou. Não quero colocar um filho neste mundo desvairado em que vivemos, não quero mesmo.

Colabore com a Sociedade Viva Cazuza!
Exportado do blog: Casa de Fadas
Copiado e colado do site: Sociedade Viva Cazuza