4 de abr de 2008

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Desde menina gostava de escrever, mas só descobri a poesia  aos 10 anos. Na escola a professora atrasou e nos deram  a tarefa de fazermos uma redação. Fiz um texto enorme em um só fôlego e mostrei para a para a professora, que medisse que se tratava de um poema, pois tinha rimas por todos os lados. E também duvidou se era realmente eu a autora. Até então eu era o capeta em figura de aluna, bipolar em miniatura. Fez-me dezenas de perguntas até dar-se por satisfeita e eu fiquei feliz por ter sido pela primeira vez chamado atenção espontaneamente.
Enveredei pelos caminhos da poesia  já naquele tempo com traços de uma compulsividade hemorrágica  para as palavras. Nunca ficou claro se escrevia porque falava demais ou se falava demais porque não tinha incentivo pra escrever. Sei que fazia muito e demais os dois. 


E passei a escrever poemas e me aplicava muito nisso. No início achava que o poema tinha que seguir o caráter caudaloso do meu raciocínio. Cantava loas aos poemas rústicos, naturais que chegavam aos olhos do leitor do jeito que saíam da minha caneta. Dizia que poesia era emoção e como tal deveria surgir em palavras tal qual surgia no nosso físico fosse em forma de lágrimas, fosse como gargalhadas. Eu, na verdade nunca tive um sorriso intermediário entre a minha gargalhada e o meu choro. Numa linha com duas pontas eu não raramente sucumbia à terceira - a revolta. O clamor adolescente, estudantil, operário, o poema crítico e social. Era na ponta da minha caneta que desempenhava meu maior papel, desancava o mundo, sacudia com a instituição familiar dizia o que pensava, xingava meio mundo sem um único palavrão e todos os que liam aplaudiam! O poema me trouxe pela primeira vez o gosto da vaidade, o tesão do c´lelebre mas o que mais me agradava, ali, as pessoas entendiam o que eu falava e paravam para ouvir. Escrevendo eu fazia as pessoas terem tempo pra mim, menos a minha família é claro...

E assim o poema foi eleito o meu estilo. E assim me auto-intitulei poeta e assim pela primeira vez senti que poderia ter algo pra fazer no mundo. Achei um espaço! Eu era feliz quando as pessoas me pediam pra escrever algo pra elas. Eu me realizava fazendo além das minhas próprias redações,as redações pros colegas de colégio. Eu não tinha namorado, nem precisava, conquistava todos com os poemas nos bilhetinhos das amigas. Eu sentia por elas coisas que hoje sei, nem elas mesmas sentiam... Eu fui muito mais feliz que elas, pois todos aqueles garotos eram meus e mais aqueles que quando me procuravam para namorar eu dispensava. Sempre foi mulher de príncipes encantados e estes têm que ter por princípio me conquistar, jamais me solicitar. Ficaria comigo aquele que chegasse no auto da torre, onde eu ´princesa das letras entre parágrafos me escondia para viver melhor o que outros estavam a viver de maneira tão comum e normal... Eu nunca fui muito normal, qual escritor, poeta, artista seria? A missão da sensibilidade é justamente nos alijar da normalidade e reordenar os pensamentos do mudo...

Escrevia escondido da família. Certa vez feliz com um poema, achei tão bonito que mostrei para minha mãe, que me disse que eu deveria estar estudando matemática em vez de "fazendo versos"... O meu dom literário só lhe era benvindo nas ocasiões de escrever cartas para um tio que morava distante e quando fazia os cartões de aniversários de algumas pessoas amigas da família, é claro. No mais escrever bem só era importante, no que dizia respeito à beleza da minha caligrafia, dom apreciadíssimo por minha mãe e os demais, com a ressalva que a letra da minha irmã mais velha era a mais bonita por ser graúda e fácil de se ler, eu, talvez ainda devesse ter um caderno de caligrafia... Levei algum tempo treinando a minha caligrafia até o dia que percebi que não era o mais importante pra mim, somente pra minha mãe. Então...rsrsrsrsr... continuei treinando até que comecei a escrever com letra de forma...

Passava noites em claro, escrevendo no escuro, numa varanda com uma enorme mesa. Era bom, havia a luz da lua, o contorno soturno das árvores, a melodia do vento, a companhia de um certo cão pequinez da minha avó, que era analfabeta e eu nunca entendi como alguém podia passar toda uma vida sem entender o que sgnificavam as letras e palavras... Claro, nas noites de inverno havia o frio, a chuva fina, mas tudo compunha o meu cenário e em delírio escrevia e me via morrendo de turbeculose por uma gripe mal curada adquirida naquela noite essa imaginação tinha dois finais:
1- A minha familia descobria todos os meus manuscritos e com ódio por eles (os manuscritos, é claro) serem os reponsáveis pela minha morte, tocavam-lhe fogo do qual saíam labaredas azuis.
2- A minha familia descobria os textos. Um eles levavam para alguém que levava para uma editora, eles eram publicados e minha mãe receberia uma graninha com a qual ajudaria um orfanato ou um lar para idosos. Porque se ela desse o dinheiro dos meus poemas para qualquer irmão meu, com certeza eu voltaria do túmulo para escrever uma história de terror daquelas jamais lidas na face da Terra!
(ouve-se estrondosa gargalhada da adolescente rouca e louca no além-túmulo HAHAHAHAHAHAAH) A VINGANÇA DO POETA! Hahahahahahahaha!

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