10 de jul de 2010

Copa, Política e Comportamento

Desde a eliminação do time brasileiro, para mim tanto faz o resultado da copa, desde que a Argentina não fosse adiante. E jabulani foi generosa neste meu capricho. Ganhei ali, por quatro a zero, a minha copa particular!
Mas que torci para o Uruguai, com certeza. Pelo Paraguai, muito. Da Alemanha queria a vitória porque apostei nela no bolão dos sandubas do Macdonald. Mas após Brasil e Holanda pensei, seria bom a Holanda ganhar e nossa eliminação seria mais, digamos respeitosa, afinal, perder para o campeão é melhor que perder para qualquer outro. Claro a Espanha é campeã europeia... Aí sou obrigada a lembrar da declaração do Maradona que no início da copa disse que a grande potência futebolística ainda era a Europa, pois que seja.
A derrota do Brasil nesta copa dá um tom de esperança para o reencontro do nosso futebol, pois o que vimos nessa competição, não era futebol brasileiro.
Uma reflexão bem boba, mas evidenciada neste certame, é que se faz necessário a busca de um equilíbrio e de uma definição entre as coisas que influenciam ou não as atitudes e empenho dentro de campo. Se tivemos copas com muito de estrelas, estrelismos, mídia, expectativa de decisão por talento individual e tantos fatores apontados como passíveis de comprometer os resultados dos atletas em campo, em 2010 tomamos caminho inverso e não ganhamos nada a não ser alguma experiência que se poderá últil, só o futuro irá dizer.
A hora da crítica passou, eis que para nós já é chegado o momento de avaliações e visão de futuro.
O time que lutou pelo título eximou-se de levar talentos que pudessem decidir na base da individualidade. Apoiou-se na qualidade da defesa e seguiu no improviso na ligação do meio-campo ao ataque. Investiu na graça divina uma vez que levou um atleta vindo de contusão acreditando que ele se recuperaria ao longo da competição, na minha opinião tosca que ninguém pediu, acho que é pedir demais a Deus e ele não joga futebol, no máximo deve estar chateado, pois nos deu tantas graças e houve falha no livre arbítreo.
Nas grandes empresas o gerente/ lider é responsável pelos resultados dos seus subordinados, libera ou veta conforme sua visão, competência e capacidade, desta forma os menos culpados são aqueles que estiveram em campo, afinal nada mais empresarial nos últimos tempos que o futebol.
No nosso país é comum atribuir-se todas as culpas ao governo, esquecemos os meios e atacamos os fins. Deputados, vereadores tem seus atos e fatos esquecidos entre uma eleição e outra, diferentemente do futebol, a população como todo tem sua parcela de culpa nos resultados das determinações e legislações que refletem na nossa qualidade de vida. Preocupados com a nossa individualidade, não percebemos o impacto que as medidas governamentais tem na nossa rotina então estamos culpados pela nossa própria desinformação. Não vale criticar a atitude de um povo que para pra ver sua seleção jogar, pois que não criticamos os viciados que alimentam o tráfico e da mesma forma estamos ávidos desses chamados "ópios do povo".
Na história de cada um fazer a sua parte, existe um capítulo que não percebemos: É preciso observar a parte alheia, mas isso só e feito no que diz respeito às questões segmentárias que interferem muito mais no nível pessoal do que da sociedade como um todo - defesa de interesses e não interesse em defender direitos justo e igualitário. Resumindo: o futebol não depende de nós, nós estamos dependentes do futebol e daquilo que realmente dependemos, nos isentamos por ignorância, covardia ou apenas falta de interesse ou excesso de desinteresse.
2010 não acabou, nem mesmo para efeito de calendário esportivo.
Entre 2010 e 2014 temos ainda uns 41 meses e 20 dias. O caso do goleiro que movimenta a mídia e comentários nas ruas tem muito menos a ver com futebol do que com uma série de comportamentos sociais que desaguam num contexto, esdrúxulo, de crueldade, machismo, indiferença, ignorância, preconceito e outros itens "periféricos" que emprestam um estado patológico à nossa sociedade.
Perder a copa não foi uma tragédia. Perder para nós mesmos é uma tragédia.

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