8 de jan de 2014

Barriga negativa? Nunca terei uma...


E finalmente chegou o verão, viramos o calendário,  época de exibirmos  o resultado   das promessas do ano passado... Não é maravilhoso que não tenhamos um censor  para regular isso?!  
Eu me sinto totalmente desobrigada, afinal,  as 7 ondas que eu pulei não  trouxeram os meus sonhos, não abandonaram o mar para satisfazerem  meus pedidos.

O ano de 2013 trouxe muita coisa boa, já que as coisas ruins  sempre estiveram por aqui, desde o tempo de Adão, Eva e a maçã, não fazemos outra coisa a não ser atormentar a natureza, implicar uns com os outros, cobiçar os dons do próximo, achar a vida injusta e o mundo mau, sem tomar o menor conhecimento das  nossas generosas parcelas de contribuição para isso. 
Não satisfeitos com todo nosso tormento e suplício, pela primeira vez, em 2013, tomei conhecimento do mais novo objetivo de vida de muita gente boa por aí: A “barriga negativa” e sabe o que eu acho? Se não temos uma dessas pra mostrar, vamos  celebrar  tudo e  todos aqueles que contribuíram para toda  a positividade da nossa barriga! Comida de mãe, o “passatempo da sua viagem” oferecido pelos ambulantes dos trens e ônibus, seus filhos (sim, sou do tempo que lamber a cria era mais gratificante do que voltar ao peso normal), aqueles amigos convincentes que não podem saber que estamos em casa, as festas convencionais e chatas que se salvam unicamente pela qualidade do bufet, as Tias do samba e seus quitutes, a nossa preguiça depois da ralação de trabalho, engarrafamento e condução.
Afinal, não bastam todas as amarras sociais e politicamente corretas, a luta pelo conforto e agora temos essa obrigação de estarmos lindos para os olhos e padrões de seres que não sabem um terço do que passamos?

Eu não sei se tendo tempo livre, gostaria de gastá-lo em academias, focada na satisfação pessoal de me transformar em linda para os olhos de outros que não conheço, com os quais eu não concordo e, eu acho que ainda não evoluí  o suficiente para deixar  o  espelho  e ser benvinda ao mundo do Instagram, toda a minha beleza ainda está condicionada às minhas quatro paredes...

 Não é uma crítica a quem faz, é uma solicitação velada que as capas de revistas publiquem  outras perspectivas de felicidade. Aquela que até bem pouco tempo vendia outros tipos de produtos e menos neuroses. Suponho que a ginástica cerebral, seja tão mais penoso e difícil que pusemos outros músculos para trabalhar com resultados mais imediatos, afinal só se sabe das nossas idéias, conversando e os olhos são mais rápidos que qualquer pensamento ou palavra. Vivemos num mundo que simplifica ao máximo para que todos os medíocres sejam exaltados, eles também são filhos de Deus!

Ainda temos representantes do outro lado, aquele lado que não é antigo, talvez apenas um pouco mais romântico, no fundo apenas outros valores, gente que ainda pensa que a vida é para viver e viver não prescinde de moda, status, ditaduras midiáticas. Gente despudorada, que ainda pensa que o melhor presente é a sua presença, seu sorriso e abraço. Pessoas modernas porque se adaptaram à informática, aderiram às redes sociais, como forma de interagir e não de patrulhar ou se exibir e até ousam em convidar pela rede os amigos para um chope presencial!

Não é crime ser gordo, não é afronta ser sarado, crime é ter um mundo tão grande, viver numa cidade tão linda, com gente tão gente-fina e manter-se escravo das aparências e do que os outros vão pensar. Isso acontece desde que o mundo é mundo, mas em tempo globalizado, manter a privacidade é um desafio, manter a individualidade  é outro, onde referências são muito mais importantes que modelos.

Que em 2014,  suas escolhas possam ser suas, se a imagem não estiver de acordo com aquele galã da novela das 21, ainda assim você pode e deve ser feliz.

O espelho não é aquilo que mostra sua aparência, o espelho é aquilo que você irradia e reflete. Se veja bem e será bem visto, muitos poderão não compreender, mas todos poderão gostar!

Dedicada a Juan Espanhol, compositor do GRES Portela, do  Arranco do Engenho de Dentro e dos concursos de sambas cariocas.

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