16 de mai de 2014

Quando entre Ir e Vir Tem o Não Vai


Eu acho que tenho alma de escritor. Não posso presenciar nada, que isso me leva a raciocinar e a minha melhor forma de comunicação é escrevendo. Se algumas pessoas se sentem "atingidas" para o bem ou para o mal com o que escrevo, isso é muito bom! Um escritor escreve para outros, para levar determinadas idéias ao público e, público é público não importa a quantidade. Por exemplo:

Ontem estive em Botafogo, depois em Copacabana para assistir meus amigos do grupo Mal De Raiz Samba. Peguei uma carona até o ponto final do ônibus 341 (Candelária x Taquara). Fiquei distraída mexendo no meu telefone enquanto esperava o ônibus chegar e quando dei pela coisa, já estava ali há 40 minutos.

Quando cheguei havia 3 pessoas à espera (todas mulheres) e, de repente já éramos 10, das quais 8 eram mulheres, mais eu.
Enquanto eu brincava com o celular, a fila aumentou, diminuiu, aumentou e voltou a diminuir e eu acordei para a realidade de que aquele ônibus não viria tão cedo.
Atravessei a pista e fui aguardar qualquer outro ônibus que me tirasse daquele trecho que não prima pelo movimento e segurança nesse horário noturno.

Me pus a pensar: As autoridades solicitam que nós cidadãos priorizemos o transporte público. O transporte público principalmente para algumas áreas é escasso, via de regra os passageiros são maltratados, viajam mal acomodados, muitas vezes ficam na rua porque o ônibus não para. E vamos combinar que as tarifas não são das melhores.

Para conforto e em respeito aos cidadãos parlamentares criaram leis de gratuidade, que o cidadão na maioria das vezes não consegue utilizar. Se você tem cabelos brancos, certamente vai criar muito mais deles esperando que algum motorista pare para que você siga sua viagem. Se você é estudante, você vai ficar a pé. Motoristas evitam os passageiros gratuitos. Alegam que são pressionados pelas empresas a não ter número elevado de gratuidade nas suas viagens e que essas são limitadas a dois passageiros. Alguns motoristas acendendo uma vela para deus e outra para o demo, pedem que o passageiro fique esmigalhado na frente do ônibus sem passar pela roleta, num exercício tosco do jeitinho brasileiro.

Pois bem, o cidadão arca com o ônus de praticamente se obrigar ao trasnporte público por conta da Lei Seca. Isso vem aumentando os points etílicos nos bairros, reduzindo e, praticamente acabando com o que o Rio de Janeiro tem de melhor: A integração entre os seus habitantes, a democratização das áreas públicas de lazer. Prevejo que voltaremos à época do preconceito acirrado entre suburbanos e moradores da Zona Sul, essa coisa chata, cafona e preconceituosa que é o "bairrismo" e seus bairristas.

Então o cidadão sai do trabalho, precisa relaxar, ter um lazer aquecer a economia com seus gastos, manter o emprego dos garçons e afins, no entanto tem que sair "voado" do bairro onde trabalha para tomar sua cervejinha ao lado da sua casa. Pra isso passa sufoco nos engarrafamentos, e viaja impossivelmente desconfortável nos coletivos, trens ou metrôs.
Por que as empresas de ônibus não tem obrigação de prover suas linhas de veículos suficientes, o mais próximo possível da sua demanda?

Não é segredo para ninguém que a Presidente Vargas em determinados horários é uma arapuca de alto risco que aquece a economia do mal, provendo o ganho dos pivetes, trombadinhas, cracudos, ladrões, assaltantes.
Por que, se a gente tem que utilizar o transporte público e esse não é suficiente, nos obrigando a ficar ao desabrigo das avenidas, ruas e ruelas, que não tem polícia circulando para dar ao menos a sensação de segurança ao cidadão?

Ontem, dia 16/05/2014 éramos 9 mulheres, ao relento aguardando um ônibus que não chegava (e não chegou), num local famoso por uma chacina não menos famosa, infelizmente nos tempos idos, sem nenhum tipo de proteção. Desse grupo de 9 eu era a única que estava por conta do lazer, as demais vinham de seus trabalhos e faculdades.
Se eu tivesse carro, não poderia, naquele momneto usá-lo porque tinha exercido o meu direito de ir e vir e colaborar com a economia local tomando uma cerveja e comendo uns petiscos...
Cumprimos a lei e somos penalizados com a espera, o risco do perigo e maus tratos dos maus funcionários, com o descaso dos administradores das empresas de transportes e finalmente, desprezados pela administração pública que nos imputa a lei como obrigação e não faz a sua parte de garantir a nossa segurança e o direito de ir e vir.

Mas o meu voto eles querem...
Não dá pra ser contra nenhum tipo de manifestação nessa cidade...

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