13 de jul de 2015

VIVENDO SEM APRENDER A JOGAR

Nunca fui boa com jogos, a princípio achava que era por não conseguir manter a concentração; por um tempo pensava que era porque eu não sabia perder; depois percebi que era porque jogos não me divertiam, o que me divertia era a brigalhada, por exemplo, quando jogávamos Ludo Real em família eu e meus irmãos muito mais velhos, às vezes mais primos e amigos o que acabava sempre com minha mãe recolhendo o jogo e guardando-o em cima do armário.

Fora o Ludo, tive a fase de jogar dominó, porque era fácil e eu achava gostoso o barulho do embaralhar das pedras, mas cadê que eu tinha paciência para contá-las e prever a mão dos adversários?
E foi assim com o jogo de "purrinha", com o buraco, a canastra.O problema era a mão do adversário... Minha paciência era tão curta com as cartas que levei séculos para decorar os naipes, o que só aconteceu quando comecei a jogar paciência no computador. Quando descobri que além de saber a diferença entre paus e espadas eu ainda tinha que saber os valores de cada carta, morri e corri para o Imagem & Ação que depois de 30 anos de terapia, venci a timidez o suficiente para fazer mímicas idiotas, para um bando pequeno de amigos que gostam, como eu mais da sacanagem do que do resultado do jogo. 

Enfim, que com isso tudo, eu, reprimida ou tímida, memória fraca ou com preguiça mental, paciência zero, sei que tenho como todos têm, dezenas de talentos e habilidades, a vida, me colocou em situações de abismo, acho que apenas para que eu  descobrisse cada uma das minhas competências no entanto, nunca consegui desenvolver o menor talento pra jogos. Se a vida é um jogo eu vou morrer no banco de reservas, se conseguir chegar lá.

Gosto do olho no olho, da conversa franca, das respostas diretas, do sim, do não, aceito talvez. Sou daquelas pessoas que levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima. Se todo mundo tem um preço, minha etiqueta ainda não passou por mim.
Nada contra quem é de jogar, só não jogue comigo, até porque descobri que sei perder. Não jogo por pura falta de gosto e de talento mesmo, pois quando a gente gosta a gente aprende, se aplica e fica bom na coisa.

Seja meu amigo ou seja meu inimigo desde que seja verdadeiro. 
Seja meu romance ou seja meu problema, olhe no meu olho sem blefe, sem ensaiar a jogada antes de pensar em beijar-me a boca. Relacionamento se treina junto.
Sou delicada como a flor e tal e qual me defendo com meus espinhos. 
Sou forte como o jequitibá, mas jovem como os que saíram o ovo ontem, tenho como professor o bambu que vai ao chão com o vento pra se levantar descabelado porem inteiro.

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