11 de jan de 2016

AMOR QUE NÃO DIVIDE

Todo mundo sabe que eu sou do samba de janeiro a janeiro. Não nasci nele, ele nasceu em mim. Depois que o samba me seduziu, não flertei com outro ritmo, não por uma questão de fidelidade que eu não sou cachorro, mas por lealdade que sou muito gente, principalmente naquilo que me faz mais humana: os defeitos, os erros, os "pitis", os destemperos. Há um quê de santidade em qualquer virtude e de santa, tenho muito pouco.
Dividida entre dois amores, sou completa, sinto-me inteira. Sou intensa e propensa aos exageros, às vezes até umas pitadas dramas eventualmente.
Sempre fui pela bandeira do coração, aquela que o faz bater e afirmo: Meu coração jamais parou. Respeito todas as escolas, reconheço o mérito e a contribuição de cada uma delas. O que me encanta nesse povo é que conseguem fazer a mesma coisa de forma distinta, imprimindo sua personalidade coletiva ao ponto de reconhecermos nos detalhes soltos, ainda que se mudem carnavalescos, ainda que os intérpretes, mestres sala e porta bandeiras migrem por esse universo colorido de sonoridade ímpar.
Tomei a decisão de desfilar e não sabia ao certo no que estava me enfiando. Ontem, domingo, 10 de janeiro de 2015, quase tive uma overdose de paixão, de entusiasmo e cores e pessoas conhecidas e desconhecidas. Acelerada não consigo dormir, não consegui colocar nos escaninhos correspondentes tantos sentimentos e pressinto que até o carnaval, não vou conseguir pensar em outra coisa. Mais Brasil do que nunca, carioca que sempre fui da casca, da clara e da gema, estou presa da minha carioquice.

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