19 de nov de 2010

Qual é a da Parada?

Lula firula: em 8 anos nadinha do Projeto de Lei 1151/95
No meu 2º ano do antigo 2º grau, numa escola em Madureira tive uma professora de Sociologia, moradora de um ap,  de frente pro mar,  em Niterói,  heterossexual, desquitada mãe de um casal de filhos, na época  adolescentes. 

Ela dizia: “O gay tem tudo para formar uma nova geração, transformar a sociedade, pois tem a seu favor a vivência de tudo o que não deu certo. Por isso não entendo, porque copiam modelos heterossexuais que deram errado”.

Agora, em época de parada gay e de escolhas dos sambas para o próximo carnaval, ocorreu-me que o samba já foi música de excluídos, marginalizados, negros - pobres dos morros de uma periferia que o Rio de Janeiro não tem. Era mais que um ritmo, era a forma de expressão dessa gente, manifestação de um modo de ser, viver e ver a vida. Os desfiles eram proibidos, a porrada comia e quem não corria ia parar na cadeia. O pessoal pra botar o “bloco na rua” investia, inventava, se virava, economizava, gastava. Não ganhavam nada por isso.
A parada gay teve um origem parecida nas pessoas que não aceitaram permanecer acuadas num espaço mínimo que a sociedade lhes concedia sob reserva, pois até em seus guetos eram incomodados por polícia, política  e violência. Talvez a diferença fundamental seja que os sambistas desciam o morro para dar expansão à sua cultura e felicidade naturalmente, enquanto que a “pride” já nasceu organizada para mostrar a dignidade que a sociedade insistia em negar, impedir.

Certamente os gays iam às ruas para afrontar numa cobrança do seu direito de ocupar um espaço no mundo. Stone Wall foi uma parede que caiu ao peso da intolerância e dando  oportunidade de se  marchar a céu aberto. O clima de atrito e conflito ganhou contornos de festividade! Como festa e exposição de um modo de viver, imagina-se que cada um levasse para a passeata o seu melhor batom,  sua melhor roupa ou fantasia ,  a melhor música O seu melhor como recheio de uma  atitude  de pessoas querendo visibilidade para ocupar seus espaços. Não se sabe exatamente onde algo deu errado e a atitude política de reivindicação se divorciou da alegria. Talvez nunca a mídia tenha mostrado o aspecto do melhor, preferindo mostrar os piores momentos de uma parada gay.

  • Os empresários,viram nos homossexuais um campo fértil para seus negócios, os camelôs também, assim como os locadores de trios elétricos, a indústria do entretenimento e suas ramificações. 
  • Os homofóbicos viram a oportunidade de aplicar suas lições absurdas e sem sentido. 
  • Os homossexuais por sua vez, perceberam a chance de ter um carnaval de apenas um dia de liberdade que, de mãos dadas com a liberalidade deixou-se seduzir pela libertinagem. 
  • O tom político ficou a cargo dos candidatos políticos que encontraram nessa aglomeração a oportunidade de arrecadar muitos votos com suas promessas mentirosas ou de memória curta, já que as necessidades dos homossexuais acabam exatamente ali, depois das urnas...
  • os simpatizantes se dividiram entre aqueles que escondem as crianças, aqueles que tem medo e aqueles que apreciam apenas mais um evento pela orla carioca afinal,  pode bem lhes parecer que está bom assim, pois que direito de sexo explícito em público nenhum cidadão ainda possui.  
Exagero? 
Talvez, mas é fato que num desfile que exibe contornos cada vez mais comerciais onde tantos lucram, é no dia seguinte que a fatura chega para quem ainda acredita nesse ato público como instrumento de luta pacífica.

São muitas as lendas urbanas de carteiras batidas, objetos roubados, pessoas embriagadas, boa-noite-cinderela-em-pleno-dia, ruas adjacentes oferecendo perigo extra, ocorrências de espancamentos brutais. 
A polícia não protege, parece ter dúvidas quanto a quem deve proteger, parece não constar na sua cartilha de treinamento que o gay é um cidadão e que “pit boys” não são instrumentos de correção. As autoridades criam situações para a mudança do calendário como que para confundir e esvaziar o evento que pretende carregar ainda em si intenções que não lhes interessam (às autoridades).
Com relação ao carnaval, depois de abertos os envelopes existe a oportunidade de reflexão onde cada agremiação avaliará seus erros e acertos mas  onde estaria  o “momento pensante” de uma parada gay? 
Estaríamos atualmente levando além dos nossos melhores “looks”, nossa melhor postura e atitude para a Parada? 
O que esse evento, hoje, traz de benefício para aqueles que não lucram financeiramente com ela? 
Qual é o ganho político e social que  esse evento  efetivamente traz, além das manchetes com números cada vez maiores tanto de participações quanto de ocorrências policiais, pitorescas e exóticas que colocam o homossexual exatamente onde ele deveria pedir pra sair?

Respostas interessadas, interessantes e inteligentes deverão ser encaminhadas para o e-mail dessa coluna. As (respostas) desaforadas e agressivas, não serão respondidas. Boa Parada, aproveite esse orgulho de forma que todos possamos nos orgulhar e obrigada!

2 comentários:

  1. dizem que todos vão mais pela libertinagem de poder beijar na avenida.

    militar em causa nobre pela defesa dos gays seria o ultim motivo, os homos ainda não são todos unidos e organizados, tem vitorias na justiça alguns casos indivuduais e só no RS.

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  2. Não sei como este comentário passou sem notificação... Desculpe. Os casos que vão parar na justiça, no gerla são de pessoas homossexuais esclarecidas e principalmente que não se envergonham de ser homossexuais. Um dos pontos que me faz crer que organização maciça jamais haverá.
    Falam libertinagem, mas não há na parada gay nada que não haja em qualquer local que os héteros se encontrem para se divertir, então troquemos o termo libertinagem por diversão. O beijo gay só é agressivo pelo preconceito de quem assiste ou pela falta de costume. Libertinagem tem em todas as novelas e programas, parece que nada no mundo vende sem uma pitada de sexo, sendo que quando se trata de homossexual, sexo vira promiscuidade.

    Porque a galera da classe baixa lota os estádios de futebol e consome tanto álcool?
    Frequenta prostíbulos de 20 reais? Tem tendencia ao vício?
    Não buscam diversão e prazer, só que a estes não há cobrança, elegem e sustentam os maus políticos...

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