15 de fev de 2012

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"Em fevereiro, tem carnaval!
Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo tenho uma nega chamada Teresa".
Passam as verdades e permanece a poesia. Das três estrofes acima é certo que em fevereiro tem carnaval, o mesmo que  no ano passado caiu em março,  dando-me  de presente um “niver “ na quarta-feira de cinzas,  assim, só consegui comemorar depois que passaram as bandas, os blocos, as escolas,  o desfile das campeãs, a grana dos amigos... O que significa que não ganhei  presentes e  ainda tive que esperar bastante pelas presenças...
“Carnaval, esperança. Gente grande se torna criança”. Para a maioria... Para população urbana comum, desfilar no sambódromo é um sonho caro que exige o sacrifício dos ensaios . O carnaval virou competição e desafio. Para muitos é uma maldição! Maldição das festas obrigatórias, aquelas que quem não gosta, não tem para onde ir, ficam sem opção. Algumas pessoas esperam o ano inteiro para que o carnaval chegue, outras esperam o carnaval inteiro para que ele se vá logo, como uma visita indesejada, inoportuna. Particularmente gosto do carnaval antes:  os ensaios técnicos, movimentação nas quadras, expectativa de vitória da minha escola.  Prefiro o antes,  divirto-me antes, sonho antes porque o  meu sonho  não  for realizado, eu pelo menos já me diverti!  Já sonhei  com romances tórridos mascarados de Arlequim,  vestido de índio do Cacique de Ramos, apache ou pele vermelha. Já sonhei tirar o capuz de um carrasco e dar de cara com a Lúcia Veríssimo. Nada disso aconteceu... Jamais tive uma mor de carnaval e também  nunca arranjei briga no sábado  para me reconciliar na quarta de cinzas.  Imagino que tenha   perdido essas emoções na vida,  pressinto instintivamente que com isso devo ter evitado um chifre com duração de 4 dias...
O carnaval não me trouxe a companhia inusitada  ou falsamente  inesperada. Do mesmo jeito  que as boates nunca me ofereceram  romances.  Meus amores sempre foram encontrados no dia-a-dia como gratas surpresas  pela minha  total ausência de expectativas românticas, aquelas  que nos perseguem quando caminhamos para  as baladas.  Baladas pra mim sempre foi  para dançar, talvez  encher a cara, sei lá porque , nunca achei uma figura noturna que eu levasse para os meus dias. Daí, passei a pensar que viver  o que me cabe, do jeito que o dia me traz tem lá os seus sabores. Na  minha lista de diversão não consta o item “achar alguém” e por sorte,  ganho sempre o alguém como companhia para quando as festa chegam ou mesmo para quando não há festa, nada para fazer nas ocasiões de calendário preguiçoso.   Eita pessoa na contramão sou eu!
Mas se você não é como eu,  “do contra”,   use a internet  para descobrir onde está aquele bloco que tem um nome que te agrade ou está num bairro que combina com você. Os blocos aumentam a cada dia em quantidade e  tamanho,  com nomes interessantes e divertidos. Diversão gratuita,  sem ensaio e quase nenhum esforço que traz a oportunidade de se travestir sem receios ou pudores. Chance de encontrar-se consigo mesmo ou com alguém  que procure a pessoa que você é e só libera no reinado de Momo!  Portanto,  camisinha à mão! E se não der certo, você,  pelo menos já se divertiu!  O grande barato do carnaval é as férias que se dá para os (pré) conceitos,  para aquele  check list que submetemos  a potencial “ presa” em outros ambientes nos dias comuns.  Carnaval são dias em que não faz muita diferença a vestimenta e modos  e onde todos no geral, não tem muitas opções para mudar de direção,  estão todos  atrás de um trio elétrico, de  um bloco, de uma banda, de uma escola,  de um ingresso pro baile... Alguns concentrando sem sair, mas a conexão está em algo mais vivo. Desplugue-se nesse carnaval, vá à praia, se esconda no mato, pegue um trem, se vire! Veja o que passa, dê uma chance para que o dia te surpreenda.

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