14 de mar de 2017

VAMOS FALAR DE CARNAVAL

 

Carnaval essa coisa que todo mundo entende minuciosamente, até aqueles que não gostam, mais os que não participam. Tem gente que não sabe a diferença entre um pandeiro e tamborim mas se o assunto é  desfile de escola de samba, sabe tudo de carnaval. Assim, reduzindo a festa mais popular do estado do Rio, aos resultados que acontecem na Sapucaí (que raramente encontram concordância). Opiniões categóricas e firmes não obstante mudarem com as vitórias anunciadas na quarta-feira de cinzas.
 Como no futebol, todos têm um time ideal, uma tática mais apropriada, como todo mundo tem contratações melhores do que as feitas pelas escolas e logicamente, enredos melhores para apresentar. No reino encantado dos comentários tudo é muito fácil!
Aprendi isso nas redes sociais.

Gente dizendo que mestre Ciça estava velho e ultrapassado. Gente dizendo que Rosa Magalhães é “museu”, ultrapassada e velha. Gente que diz estar Lucinha Nobre antiquada e lenta precisando de novidades coreográficas.  Gente que dizia que a Portela não voltaria a ser campeã enquanto trabalhasse enredos que falassem dela mesma e água e rio e Clara e Baluartes.
Entendo que haja uma turma com certa ansiedade de vir a ocupar os espaço ocupado por esses nomes que se consagraram e seguem construindo ativamente a história dessa manifestação cultural. Percebo que há ignorância também, desconhecimento do contexto histórico de como se construíram os desfiles para não dizer que há muito pouco caso e um tremendo desrespeito.

Existe uma dificuldade imensa em transformar os fatos em experiência, vivência. Por exemplo, quando Paulo Barros foi contratado pela Portela notei, por parte dos verdadeiros portelenses, a expectativa e curiosidade do que poderia gerar esse “casamento”, por outo lado, notamos a satisfação no sorrisinho de lado e piadinhas daqueles que acreditavam ou tinham que acreditar que isso não poderia dar certo. Pensamentos que alimentam os veículos noticiosos que sobrevivem de cliques, onde a verdade das notícias são menos importantes quem e os anúncios empurrados olhos adentro do leitor. O povo quer é falar!

Se Paulo Barros não permaneceu na escola, qualquer alternativa foi desprezada e passou a ser por culpa da incompetência da escola em mantê-lo. Como se coubesse à direção da agremiação sequestrar o profissional e mantê-lo ali em cativeiro.
Se Rosa Magalhães vem para a Portela, é um retorno ao passado com uma “museóloga” (termo que li nas redes) que vai alimentar a cafonice portelense. Cadê o poder de analisar todo um caminho de um que parte e trajetória de outro que chega? Cadê o respeito ao talento, feitos históricos? Cadê o amor pela agremiação que faz com que se respeite características e tradições? O amor que faz calar quando o que se acha que se tem a dizer não é construtivo? Complicado.

Mestre Ciça, o “velho e ultrapassado”, depois de duas experiências vitoriosas na União da Ilha, recebe propostas de outras co-irmãs e decide ficar onde fez discípulos, amigos no seu  segmento.

Tudo no carnaval é feito com dinheiro, mas as decisões dos seus componentes não são regidas apenas por esse parâmetro.

Lucinha Nobre fará bonito porque ela é dessas. Está comprando um desafio como todos que trabalham no carnaval e prestam uma espécie de vestibular a cada ano, onde as notas obtidas não significam nada frente às novas que precisa-se conquistar. Ninguém vai para uma escola como a Portela desejando "fazer ruim".

Rosa se declarou feliz por retornar à Portela e eu espero que ela exerça toda essa felicidade aliada à sua capacidade e talento para tornar nosso carnaval mais feliz. Não esqueço seu primeiro campeonato pelo Império Serrano transformando o enredo do Pamplona de “Praça XI, Candelária e Sapecaí”   para “Bum-Bum Paticumbum Prugurundum. E quem esquece? Um monte de gente, que além de esquecer ou não procurar conhecer insiste em desrespeitar. Logo o samba, cultura que se criou e permaneceu lutando e respirando respeito.

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