22 de jun de 2010

Guarda-Tudo

Antônio Cícero, irmão da Marina Lima compositor, escritor super gravado por tanta gente, inclusive a própria Marina, é poeta e dos bons, veja:
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
 Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é fitá-la,
mirá-la por admirá-la, isto é,
iluminá-la ou por ela ser iluminado...”

Li esses versos recentemente, quando se aproxima um provável shopping-caos pelo Dia dos Namorados e pensei: será que não guardamos demais?
Nos guardamos para nos preservar, por exemplo “dormir cedo que amanhã vou trabalhar”. Guardamos o que gostamos para uma ocasião especial, seja sapato, jóia, roupa ou gente. “Guardamos” a pessoa que amamos de duas formas:
Com os nossos ciúmes, impedindo que a pessoa possa ser ela integralmente, assim privando-a da admiração de outras pessoas. Impedindo e sendo impedido de
“ iluminá-la e por ela ser iluminado”. Também “guardamos” o ser amado quando deixamos pro dia seguinte aquele passeio, aquele jantar, aquele motel e junto com a nossa indisponibilidade, nosso amado(a) “guarda” e aguarda aquela lingerie linda para uma ocasião especial...

Será realmente um sinal de amor, esperar um ano inteiro para comemorar, com estresse de filas, espera, atendimento ruim devido à superlotação dos lugares? Ah, não faça isso com a pessoa que você ama! Pense que estar namorando e amando alguém é afirmar todos os dias o sentimento, é como dizer o sim e escolher aquela pessoa a cada dia, pois todos os dias oferecem oportunidades de mudanças e no entanto você permanece!

Amar aquela pessoa do jeitinho que ela é. Sim, sabemos que quando você a conheceu ela parecia outra pessoa, não tinha defeitos nem mau humor ou TPM, também seu carro quando você o comprou não era tão barulhento... Também você quando conheceu a sua pessoa era bem mais solícito e disponível...

Para que guardar para um dia no ano toda uma emoção? Para que esperar e fazer-se esperar para demonstrar seu afeto? Por que competir por espaço em lugares lotados, se tudo o que você quer é viver a dois? Para isso brigou com o mundo, isolou-se dos dos amigos, escondeu-se da família...

E se você está só e se ainda te dói aquele “pé na bunda”, nada de dramas! Numa cidade como a nossa onde as balas perdidas podem nos achar, que para caminhar em dias de chuva precisamos nadar, estar vivo é motivo suficiente para comemorar.
Nada de guardar alguma alegria que você possa ter! Também não guarde aquela blusa nova, nem aquele tênis bacana, ou mesmo a cueca com a qual foi presenteado há tempos. Quando estamos vivos e cientes disso, corremos o risco de nos surpreendermos. O amor não vai achar você trancado em casa. Sua cara aborrecida não atrairá um sapo sequer, quem dirá um príncipe! As princesas não estão por aí “dando mole” para quem suspira na condução com ar de vítima abandonada!
Comemore a sua vida como não pôde comemorar quando nasceu e acredite que tratando-se de amor e relacionamento, todos os dias são de estréia, portanto busque merecer os aplausos.

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