5 de ago de 2016

LIBERDADE, LIBERDADE! NADA COMO UM FINAL FELIZ

Antes era a Muralha ( exibida em 2.000) agora é Liberdade Liberdade, ainda que na reta final tenha me parecido que de repente foi acelerada à base de cortes, foi uma produção primorosa. Ter tido uma adaptação livre, abrindo as compotas do romance ficou palatável porque essa história do nosso país é dura, doída, difícil de aceitar, principalmente se analisarmos que o Brasil ainda tem os mesmos comportamentos sociais, políticos e (des)humanos. 

Sim, Tiradentes deixou um filho - João de Almeida Beltrão e uma filha, sabemos que ela não teve essa vida repleta de aventuras e romances como mostrou a minissérie e talvez nem perto fosse uma figura apaixonante,  mas a tirania que regeu esse período da nossa história, recheada de pobreza sempre estruturada e embasada na crueldade regados pela falta de higiene, estavam lá muito bem delineados, a ponto de nos constranger. O povo de aparência maltratada  a aplaudir enforcamentos, crendo piamente nas palavras das autoridades e políticos por medo de vir a viver ainda pior. 

O povo maltrapilho se acotovelando para assistir à passagem do cortejo real, as calúnias, prisões injustas, a homossexualidade como pecado nefando e crime a ser punido com a pena de morte, condenações sem julgamentos, apegos ao poder, puxadas de tapetes, conspirações ainda que sejam apenas recursos de dramaturgia, por que será não nos pareceram estranhos ou absurdos?

Ao  final, contente pelo final feliz, só fiquei a me perguntar o que foi feito da mãe de Xavier e como um homem valente, corajoso, amoroso que enfrentou a cadeia por duas vezes, retornou à Vila algumas vezes para resgatar a amada, os parceiros rebeldes e o cunhado, nem comentou sobre resgatar a mãe e as pessoas eram tão evoluídas que não se preocuparam com todo ouro do Par do Reino, Raposo dando sopa lá na casa do intendente? Coloquei na conta da correria olímpica, quem sabe num reprise isso apareça, afinal exatamente como a obra,apesar das festas e intervalos onde até nos sentimos às vezes felizes, sabemos que estamos muito longe do final.

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