22 de jul de 2008

O Sim e o Não...


Algumas palavras podem ser definitivas na nossa vida. Outras por si só definem tudo e passaremos a vida inteira pronunciando-as ou quem sabe, de um modo ou de outro, tentando evitá-las. Parecem palavras mágicas, pois têm o dom de abrir e fechar portas .Adivinharam quais são? São elas: o SIM e o NÃO. Ficam fortes e tornam-se sábios aqueles que aprendem ao longo da vida a dizê-las na hora certa. Mais fortes e sábios se tornam aqueles que aprendem a ouvi-las da maneira correta.

Há pessoas maravilhosas que se dizem amigas e até são ou parecem ser. Tudo vai bem, uma mão vai lavando a outra, um favor aqui outro ali, até que um dia não podemos colaborar e, basta dizer um não que, não fará tanta diferença quantos “sim” se tenha oferecido, lá se foi a admiração...

Às vezes parece que somos “legais” na proporção que dizemos sim. E somos “ruins de jogo” nos tornando piores a cada não que dizemos...

Se você não é um notívago de carteirinha e sempre recusa convites, você é um chato. Se você não concorda com facilidade com as opiniões que mudam conforme os modismos, você é um careta. Se você é um daqueles que não aceitam qualquer um que esteja a fim de sair com você, você é broxa! A gatinha que dá show na pista em velocidade de 1 a 5 e recusa a cantada do carinha em alto grau etílico é “sapa”. O cara que não pega a guria bonitinha só porque ela lhe “dá mole”, é gay. Tem aqueles colegas prestativos, até o dia que você não tem saída e recusa uma saidinha. Tem o colega de trabalho que te difama porque você não lhe quebrou um galho. Tem até aquele parente que faz fofoca sobre a sua pessoa porque você não lhe emprestou aquela grana...

E o respeito pelo seu não, onde fica? Quantas vezes concordamos sem pensar, levados pelo que fica melhor dizer? E se quando você quiser cinema, o outro preferir teatro? Você: (A) Vai ao teatro de cara feia (B)Torce pra peça ser horrorosa e poder dizer com orgulho: “Eu te disse!Eu te falei!” (C)Rola um “barraco” e vão dormir cada um virado pro seu lado (D)Faz um drama porque nunca ‘ninguém’ te ouve (E) Resta-lhe a resignação mas na 1ª oportunidade faz o discurso “eu sempre faço o que você quer”.(F)Você é inteligente e criativo e tem 1001 motivos para o convencer de que o seu programa é muito melhor

O suprasumo do não é aquele que não damos mas fazemos com que outros o façam por nós. Levante a mão quem nunca fez um servicinho mal feito só pra não ser solicitado outra vez! Atire a primeira pedra quem nunca fingiu não perceber aquele amigo “tão legal” “ arrastando um bonde” por nós...
E quando somos nós que “arrastamos o bonde” por aquela pessoa que insiste em ser apenas amiga e o medo do não nos faz calar, jamais comentar, nunca tentar...

O não é por natureza difícil e ingrato, tanto para quem o diz quanto para quem o recebe. Vamos pensar nisso quando perguntarmos: “Tô feia”? ou “será que engordei”? “Foi bom pra você?”(sic).Tomemos cuidado, pois, se nós temos dúvida pode ser que o outro tenha certeza e pior: o outro pode ser mais sincero que nós... Se existe o ditado “cuidado com o que você quer porque você pode conseguir”, é bom lembrar que devemos ter, cuidado com o que perguntamos, porque podemos ouvir!

E por falar em ouvir, quantas vezes dizemos sim pra não gerar atrito, pra evitar problemas, pra não perdermos o amigo, pra não sermos o “empata”? Quantas reuniões medonhas, aniversários pavorosos,, lugares errados nas horas erradas, caminhadas muito mais longas do que suportaríamos, carreiras nos vícios, festas horríveis, transas sem camisinhas, noites caras em lugares nada a ver, camas péssimas com pessoas menos a ver ainda, papos chatos!

Quando o sim está na boca e o não está na cabeça, nada de bom pode acontecer! Se imaginamos que é respeito pelo outro não lhe negar algo, estaremos na mesma proporção, nos violentando, promovendo nossa própria desordem. Se bancamos o bonzinho com alguém e dizemos sim, é claro que estamos dizendo não para nós mesmos. O respeito nasce do amor, a auto estima também! Ser bonzinho só na aparência, através de uma palavra que não condiz com a nossa verdade, com o nosso pensamento não é nem amor nem respeito, muito pelo contrário, é ainda certamente um problema, que não teríamos, se tivéssemos simplesmente sido coerentes com o nosso próprio pensamento e dito essa palavrinha danada de três letras e um til, para qual só precisamos treinar a forma de dizê-la, afinal, ser autêntico não é ser grosseiro, nem faltar com a educação e ser ético não é lançar mão da covardia. O sim nem sempre é bondade e o não nem sempre é maldade. E não esqueça: também é preciso saber ouvir o som desse til.

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