12 de jan de 2016

RAINHA DA BATERIA


Ano passado fiz no facebook uma piadinha até ingênua, só para brincar mesmo, com uma notinha veiculada sobre a Claudia Leitte que me custou alguns amigos, talvez seus fãs, certamente torcedores da Mocidade Independente de Padre Miguel. Não era nada demais, mas entendi que quando a gente gosta muito demora para assimilar e separar as coisas e felizmente fora dessa rede continuamos amigos e isso é o que importa.

Como já disse, rainha da bateria, para mim, é uma coisa totalmente dispensável, mas não chego a ser contra já que a coisa existe e todas as escolas tem. Nos desfiles as coisas acontecem assim: uma escola faz, outras vão atrás e o tempo se encarrega de que sejam incorporadas as inovações. Até tivemos algumas que valeram a pena acompanhar como Luciana Sargentelli que literalmente deu o sangue na avenida, na Estácio de Sá, creio que em 1992;  
Luiza Brunet do tempo em que as rainhas antes de mais nada eram criticadas e cuja evolução podemos acompanhar a cada ano (aliás Luiza tem esse histórico de superação diante das críticas). Luma de Oliveira, a eterna - apesar da coleira; Adele Fátima - para sempre Mulata 88 e Monique Evans, que se não é é não a pioneira chega muito próximo disso. A master-maravilhosa-divina Quitéria Chagas, por hora aposentada, curtindo a maternidade e a incrível Viviane Araújo. que dispensa citação.  

Das rainhas admiráveis, algumas, migraram entre escolas levando com elas um comportamento tão comprometido com cada uma das agremiações que "o povo" "pegava leve" e a maioria admirava, como Adriane Galisteu, que se manteve por um período relativamente longo nas escolas nas quais reinou ou mesmo Luiza Brunet que fez história na Portela e Imperatriz Leopoldinense.
A lista ficaria relativamente longa, guiada por vários critérios subjetivos, já que a função não é oficial,
não é quesito, não soma às notas da escola, mas pode fazê-la perder pontos se houver falhas dessa desfilante que comprometa a harmonia ou mesmo a evolução da escola na avenida. Então, por esta ótica, Rainha da Bateria é uma desfilante, uma componente como outra qualquer, no entanto, move paixões e impacta, acredito eu, nas finanças das escolas porque suas fantasias são caras, existem os compromissos de apresentação em outros locais que não na quadra. 
No perfil que a atividade foi adquirindo, uma rainha da bateria precisa de um mínimo de staff porque não tem como abrir mão de um mínimo de produção, o que pode, complicar para algumas agremiações, a manutenção dessa figura emergindo da comunidade, uma vez que a "tradição" já delineou o perfil da função coberta de glamour, plumas e brilhos, corpo esculpido e enrijecido com técnicas de acadêmias e tratamentos estéticos além de outros insumos, chega-se num ponto que conforme a situação econômica da escola, a rainha vai precisar colaborar pelo menos sendo independente, ou seja não gerando despesa ou não causando problemas
Notem que estou apenas fazendo uma elucubração, sem pesquisa, recorrendo à memória. 
Na esteira do meu raciocínio, observando, percebo que existem vários tipos de rainhas que citarei só como exemplo. As rainhas da bateria oriundas da comunidade, por exemplo, atualmente, Evelyn Bastos na Mangueira, Raíssa na Beija Flor,  Patricia Nery na Portela. 

Há as que são celebridades, pegaram o posto e num movimento que o samba explica muito bem, tornaram-se parte da agremiação, incorporam as cores do pavilhão como, Sabrina Sato (Vila Isabel, Juliana Alves (Unidos da Tijuca).
Temos as Celebridades da ocasião, que eu creio, sejam convidadas para emprestarem visibilidade à escola e correndo por fora temos aquelas que estão a catar um espaço na contramão disso: desejam usufruir da visibilidade que a escola ou o momento podem oferecer, coisa que pode ou não dar certo e carnaval, como o futebol,é uma caixinha de surpresas, onde tudo pode acontecer. Às vezes de onde se espera não sai nada e, da onde não se acreditava surge algo que se torna até representativo. No futebol o marketing pega carona no talento do jogador e pode elevá-lo ou até prejudicá-lo midiaticamente falando mas não existe propaganda que faça um cara jogar bem fora das edições de vídeos! Com as rainhas de bateria, muitas vezes a polêmica "é a alma do negócio" mas não as sustentarão em atividade por muito tempo. Depois da polêmica, ou ela cai no ostracismo e fica sem coroa ou demonstra seus valores e se mantém reinando. à frente dos ritmistas. 
E por falar em polêmica, ainda não se concluiu por exemplo se a rainha "tem que ter samba no pé" ou se isso não é tão essencial assim. A descrição do cargo não inclui esse pré-requisito. Vimos várias beldades que passaram pela avenida cumprindo bem sua função, colhendo o carinho dos seus súditos sem necessariamente sambar muito, sambar tudo, sambar o tempo inteiro para que ao longo do desfile todos possam saber o quanto ela é capaz nessa arte - o que considero um tanto ou quanto inviável, diante das funções que a desfilante precisa desempenhar. As duas correntes "tem samba no pé" e "não tem samba no pé" são defendidas com unhas e dentes, eu, particularmente acho que precisa sambar um mínimo que seja, mas o "samba no pé" eu espero é das passistas. Nas rainhas quero ver a elegância, a forma de se dirigir ao público, aos ritmistas, o trato com a comunidade, a maneira de se portar dentro da avenida e fora, em suas declarações, o respeito à agremiação, ao samba e à nossa inteligência. 

Luciana Sargentelli fez história na Estácio e comoveu o povo
Acho lindo as rainhas que declaram amor incondicional à escola e se mantem nela no ano seguinte e em outros,  enquanto for  permitido ou possível. É interessante ver o relacionamento entre elas. 
Acho esquisito as que são escola X desde criancinha e no ano seguinte milagrosamente, sonharam em desfilar na sua escola Y do coração desde bebezinhas. Tem moças que apelam para estratégias tresloucadas nas proximidades do carnaval, visando o posto  ou mesmo notícias, ainda que descartáveis e, como no carnaval quase tudo é descartável, sobram os valores do samba, da agremiação, que ão os pais dos desfiles no carnaval, isso sim,  eu considero imprescindível também nas rainhas da bateria ou, que pelo menos sejam profissionais que mantenham a ética, levando-se em conta que uma participação profissional nesse contexto possa vir a ser até mesmo um investimento e não necessariamente um job. 
E  aí, chegam-me  chegam  as  notícias vindas da Caprichosos Pilares, onde a atriz e apresentadora Antonia Fontanelle expõe uma negociação supostamente apalavrada com a presidência da escola citando inclusive valores. Esse "bafão" deu cliques para a moça, certamente renderá assuntos durante um tempo e poderá servir de tema para as suas entrevistas eternamente. Longe de julgar se está certa ou errada essa atitude, penso que é uma deselegância imensa e partindo para um julgamento, pergunto: se ela combinou 60 mil e "chegou junto" com 30, já está errada, porque faltou com a palavra. Resmungar pela pressão que diz ter recebido do dirigente da escola é feio porque passarinho que come pedras tem que saber... hum... como vai expelir as ditas pedras.  Mas consideremos que os 30 mil foram até bem empregados  por ela que conseguiu ser bastante notada (eu antes nem sabia de quem se tratava) e não precisará cansar a beleza desfilando.
Outra notícia que veio de encontro às minha elucubrações é a que fez,  referência à Claudia Leitte. Na mocidade desde o desfile de 2015, aquele que rendeu a piadinha que alguns amigos da Mocidade não gostaram, Claudinha, gonçalense de nascença, que fez seu nome a partir da axé music com e sem o grupo Babado Novo, atualmente no The Voice da TV Globo, apresentou nesse ano uma performance que eu não gostei. Achei ela muito "perdida" no enredo da função, fazendo coisas aleatórias ao seu cargo na avenida - como tomar o microfone das mãos de um dos intérpretes -  que nem se chegou a discutir se essa rainha deveria sambar no pé ou não. Mas é uma celebridade, trouxe visibilidade para a escola e foi isso que contou, afinal, não havendo critérios, vale a conversa entre as partes e, o que a gente tem com isso? Absolutamente nada. Desde que não comprometa o desfile, "segue o baile".
Patricia Nery, rainha da bateria da Portela há 4 anos
Eu sou do tempo em que o que tinha que ser visível e exaltado num desfile era o samba, tudo deveria vir girando em torno do enredo que o samba contava e os componentes cantavam. Praticamente todo o Rio de Janeiro sabia cantar se não todos os sambas que iriam para a avenida naquele ano, pelo menos, vários deles. O "CD das escolas de samba", era o presente de natal, de amigo oculto mais esperado, as rádios tocavam, os programas de TV davam vez, voz, espaço à corte real de cada escola pelo menos do grupo principal.
Mas hoje está diferente, o samba me parece um coadjuvante, uma vez que todos os entendidos no assunto desfiles de carnaval me contam que "samba não ganha o concurso", "samba não ganha carnaval", ainda assim me esforço para acompanhar a teatralização doesse momento do samba quando atores, cenário, direção e custo da produção são protagonistas.
A piadinha que fiz sobre a cantora, não envolvia o desfile, mas um ensaio onde ela colocou na conta do protetor auricular que usava a responsabilidade por alguma crítica que foi feita e hoje nem me lembro qual foi. Enfim, Claudinha seguiu como rainha, certamente esse ano a confusão que os enviados especiais da imprensa fazem à sua volta  durante o desfile poderá ser reduzida, pois que há novo alvo à vista: Em 2016, Anitta, cantora e musa do Funk vem como musa da escola de Padre Miguel, dão-me conta que a moça é da Zona Oeste e antes da fama já desfilou por essa grande escola que entre as contribuições para o carnaval, criou a vara duplicada para o tamborim e acho que o agogô de 4 bocas. 
Anitta, musa da Mocidade de Indpendente de adre Miguel sendo assediada no ensaio técnico










Durante o ensaio técnico, domingo dia 10, a nova musa Anitta, precisou ser resguardada pelo pessoal da Harmonia que não teve como cumprir a função de manter a harmonia durante o ensaio,comprometendo a evolução, formando "buracos" gigantes no ensaio do desfile da escola. Porta-bandeira e mestre-sala pararam para se exibir, a escola seguiu e o buraco se alastrou. A coisa virou piada na rede, surgiram vários memes. Carioca é gozador, mas todos sabemos que o assunto é sério! Que bom que foi durante um ensaio! Que mal, poise de certa forma o invalidou como um todo, tirando da agremiação a oportunidade de ver todos os pontos pertinentes durante a prática. Pessoal da Mocidade é competente, não é bobo e vai se precaver para que isso não prejudique a escola durante a avaliação. Ponto.
Claudia Leitte teve um tempinho para retocar a maquiagem e não sei se antes ou durante o ensaio, a foto é apenas para ilustrar a necessidade que uma rainha da bateria tem de um staff.

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