15 de set de 2013

DE LUAS E RUAS | Notas de Viagem

algumas das luas que me acompanharam
algumas das luas que me acompanharam

Se a chuva quase sempre deu as caras sem incomodar, certamente a lua jamais me abandonou em qualquer uma das minhas noites em Manaus.
Agora quase na reta final, confesso que gostaria de ficar mais uns 6 meses, porque a cidade me surpreendeu e o estado despertou-me a curiosidade.

A chuva frequente e rápida, a energia de uma cidade quase flutuante, cercada de água doce, é tangível. Sim Oxum deve reinar por aqui! A mulher manauara é sensual independentemente da beleza ou circunferência da cintura.
As pessoas que a princípio esbarravam sem-cerimônia, são as mesmas que exigem cumprimentos, donas de uma simpatia muito familiar, ma há que se dar bom dia, boa, tarde ou boa noite pra começo de qualquer conversa.

Das vezes que que me perdi pela cidade, consegui perceber que o cidadão é perdido da mesma forma, como se nem mesmo ele conseguisse entender os sistemas que a cidade vem adotando.
Nas ruas os trabalhadores, tipo camelôs e cobradores de ônibus são extremamente mais simpáticos que as mulheres. Não encontrei uma cobradora de ônibus que não tive esse uma expressão de tédio e um ar de mau humor, não sabem onde fica nada, nem mesmo o ponto final. Em contrapartida qualquer cidadão sentado no ônibus explica em detalhes a informação recusada por ela(s).

As camelôs conversam mais que vendem, não tem os divertidos bordões masculinos e percebi  mais de uma vez que sendo evangélicas, miram de alto abaixo antes de vender e, por uma vez fiquei sem os créditos que planejava inserir no meu chip local... Será que ela me achou com cara de macumbeira? Bem, pelo menos a roupa  e a bijus pareciam, sim :)

São poucos os ônibus que nos levam de um bairro para o outro, pelo menos não tive o prazer de conhecer nenhum. Nas minhas andanças em transporte público, porque na minha crença ninguém conhece nada direito de carro, a menos que tenha a seu serviço um motorista paciente e no meu caso, extremamente paciente (sou fotógrafa, não esqueçam disso). O sistema é pegar um busão e se ele não passar pelo destino pretendido, salta-se num terminal, onde pega-se um outro ônibus gratuitamente. E fiquei eu com cara de tacho, com R$2,75 na mão olhando pra cara da cobradora  que nada me dizia. Por força do hábito, não percebi que dessa vez tinha sido aberta aporta de trás. Tem muitos ônibus acoplados tipo o 261 das antigas e o espaço é nitidamente para se viajar de pé.

Os terminais são trechos de ruas de mão dupla gradeados, cobertos por marquises metálica com fileiras de quiosques onde se vende um pouco de tudo, em sua maioria biscoito, chiclete, água, refri, carregadores para celulares e chips. Alipas o babado aqui é chip, qualquer birosca parece que vende, vendeu ou venderá chips de telefone algum dia. Até o pastor, após  sua pregação no busão dizia que tinha com ele chips da Vivo, que não eram para vender, apenas para presentar ao fiel em troca de um valor blá-blá-blá... Pena faltou o 0800 do céu
:(

Aqui não teve jeito, tive que aderir aos shoppings! Conheci pelo menos uns três. O custo de vida pareceu-me alto e se voltar vou traficar alguns artigos, no melhor estilo presídio.

Garis são predominantemente mulheres e são extremamente alegres e simpáticas. Teve uma que ao me ver fotografando numa praça, no horário de seu almoço, disse para a amiga que a foto deveria ser paga, mas antes perguntou porque eu fotografava. Quando expliquei que era turista carioca e fotografava porque gostava e queria levar as fotos como lembranças, ela fez simplesmente, as poses mais inacreditáveis, de marmita em punho, barriga à mostra. Essas pessoas que encontrei no Centro não diferem em nada dos meus amigos de Madureira. Explicado porque senti-me em casa?

Na mesma praça uma moça que vendia lago que não lembro, alertou-me que deveria cuidar da minha câmera. "Põ, olha aí, uma máquina dessa, é bom tomar cuidado, guarda isso!"

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