3 de abr de 2016

É ALI, Ó

A vida andou se complicando.
Comprar lâmpadas é um teste de paciência tantas são as opções, referências e tipos. Entender no site da Supervia os horários dos trens no domingo provou que eu não sou tão inteligente quanto pensava. Pegar BRT carioca exige algumas anotações e um tanto de pesquisa.
Os ônibus que tinham  letreiros que informavam o local para onde estavam indo - quando iam,  e o da volta, agora tem um letreiro único que pisca, corre, passa gira informando sempre a mesma coisa e coitado de quem não conhece o local (mas hoje em dia quem conhece como ir e voltar por aqui?)
Não sou daquelas que dizem que "no meu tempo era melhor", até porque, meu tempo é hoje e sempre será enquanto eu estiver viva, respirando e com coragem de ir à rua, por mais desrespeito que eu encontre com mulheres de meia-idade, idosos de quqluer gênero, deficientes e todo mundo que não esteja enquadrado no padrão jovem-bonito-sarado-branco-bem vestido-aparência de rico.                                                                                     Acontece que  num passado recente os produtos e serviços priorizavam o consumidor, os transportes até pareciam que eram para o usuário, as empresas treinavam seus funcionários para que oferecessem informações dignas, decentes às pessoas dispostas a ágar por seus serviços.  As coisas eram apresentadas de modo a facilitar a nossa vida. Hoje, elas ainda são criadas para facilitar (não coloquem nessa lista a tomada elétrica padrão brasileira)  mas a forma como chegam até nós, a maneira como nos tratam não facilitam nada. Parece que tudo é apenas para ter e enfeitar as vitrines. Somos chamados pelas propagandas e no entanto temos que comprar e nos virar no escuro. O atendente da loja parece que não está ali para vender, o taxista no ponto primeiro precisa terminar a conversa com o colega, depois pergunta para onde você vai e se for corrida longa ele não pode, se for corrida curta, ele não vai, se for próximo à comunidade ele não pode. O motorista do ônibus não para, quando você puxa a cordinha para descer ele para no ponto seguinte e se reclamamos somos chatos.
A gente chega num supermercado pergunta onde fica a seção de um determinado produto e o funcionário aponta como se mostrasse um avião e diz:
-  ali.
E lá fico eu perdida entre o dedo e o nada que ele aponta. Um dia ainda vou pedir para fotografarem a minha cara de idiota diante das informações desse tipo.
Lembro de um tempo em que aqui no Rio de Janeiro,  o paulista tinha fama de informar errado e com mau humor, naquela época o carioca ensinava errado mas de uma maneira bem correta. Hoje ele não sabe - normal, ninguém sabe mais se locomover no Rio de Janeiro e quando sabe fica engarrafado em algum lugar,  sem contar  as vezes que sabe diz que não sabe e quando se propõe a informar o faz com uma cara de resignação que eu tenho vontade de explicar que não preciso que me leve, apenas que me informe.  

Não bastam as recepcionistas que navegam nas redes sociais em vez de nos atender, motoristas que falam ao celular enquanto dirigem e as amizades que deixamos de fazer porque todos estão com a cara enfiada em algum eletrônico. O ser humano perdeu a graça, o contato perdeu a importância e o emprego embora esteja difícil os empregados não se dão conta que atender bem é a sua função.
Há coisas que a gente só aprende errando, andando e dando voltas.

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