8 de fev de 2017

NINGUÉM REFLETE, TODOS JULGAM. ATÉ O QUE NÃO CONHECEM

O caso da passista Janna expulsa da sua escola pelo presidente é um material para fartas reflexões que, inclusive, extrapolam o ambiente das escolas quando lemos tantos comentários - na verdade julgamentos e essa é uma das reflexões, como as pessoas estão prontas para julgar a atitude descrita nem sempre de forma consistente na web. É que para condenar uma pessoa, é preciso muito mais e não vou me estender para evitar um texto muito mais longo

No caso especificamente, quando li, a primeira dúvida que tive foi se no show da apresentação da escola não foi incluindo no elenco nenhum diretor de harmonia para fazer a proteção do estandarte, dar suporte à porta bandeira e ao mestre sala, praxe das escolas em nas quadras e na avenida. Produtor faz falta. Essa é uma outra reflexão, produtor, coordenador de evento, principalmente com conhecimento cultural do samba faz muita falta, venho observando isso já faz um tempo.

Não planejo julgar (ou tornar público o meu pensamento) se a decisão do presidente foi acertada ou não. Quem sou eu na fila desse pão de queijo? Nem vou contra aqueles que vociferam "desrespeito", por alguns motivos mas o que importa é que analisando-se sobre toda a ótica da representatividade e das normas envolvendo os estandartes que representam as escolas, foi uma falta grave, no entanto é preciso dizer que falta grave e acusação desrespeito são coisas diferentes e há o que se analisar tanto em uma quanto em outra dessas duas coisas.

Sim, pessoal, existem normas que regem a condução, guarnição, tratamento e tudo relativo ao estandarte, existem pessoas que estudam para aprender a exercer essa função, existem pessoas que ensinam diretores de harmonia os procedimentos. E num momento em que as escolas de samba não têm aquela convivência de antigamente com a comunidade que hoje tem outros interesses e outras diversões que não somente os terreiros, em nome da profissionalização que os desfiles de carnaval passaram a exigir, deveria o ensino das tradições, da importância e função dos segmentos serem ensinados aos componentes, se não a todos, pelo menos a esses que representam oficialmente as escolas em shows.

Três coisas eu ouvi de Dona Dodô e nunca esqueci: A primeira que eu era muito baixinha para desfilar na Ala das Damas da qual era ela a responsável :( , fato que me deixou com medo da Portela até chegar àquela idade que a gente não tem mais medo de nada porque ou faz ou vai viver o arrependimento de nunca ter tentado fazer. 
A outra foi que não se beija a bandeira estando de bermuda ou shorts ou qualquer outro traje inadequado (daí entendi a importância do harmonia que direciona a porta bandeira para levar o pavilhão até as pessoas que o reverenciarão e o quanto ele tem de ter conhecimento do seu riscado) e por fim, a terceira, que nunca se encosta o "bico" na bandeira, coloca-se a mão e beija a própria mão - para não sujar o tecido e também por questão de higiene, né?

Mas quantas pessoas, na qualidade de amantes, apreciadoras, frequentadoras, componentes puderam ter a sorte de ouvir coisas assim? Mas que esses conceitos devem ser ensinados, eu não tenho dúvida. Principalmente quando vemos em várias ocasiões modelos nuas ou semi, enroladas em "suas" bandeiras em ensaios fotográficos...

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