28 de out de 2009

O texto de todos nós


Ao longo dos anos vimos acompanhando surtos éticos que revelam atitudes incorretas apenas quando o denunciante de uma forma ou de outra deixa de ser beneficiado, como numa chantagem não anunciada, vide casos passados: Nelson e Nilcéia Pitta e os irmãos Pedro e Fernando Collor. Parceiros, sócios ou cúmplices tendem a ter surtos éticos de “o povo precisa saber” quando sentem-se pressionados ou prejudicados em seus “acordos”. Esses casos antigos vem à minha memória quando penso que a homossexualidade real ou suposta de certas pessoas é respeitada na medida em que elas detem poder, influência e podem pagar por este respeito ou exigi-lo e o sinal desse “respeito” é o segredo acerca da opção sexual do poderoso em questão. A palavra homossexualidade é escrita com tintas tão feias e negativas que antes de ser um modo de ser ou uma referência sexual é uma afronta, um xingamento. Nunca vi ninguém tentar ofender alguém chamando-o de machão e o termo machista por mais abominável que seja, é recebido muito mais como uma reprimenda que necessariamente uma ofensa, além do que, há os que se orgulham de ser machistas sem que sejam conclamados ao orgulho em passeatas de adesão e ainda assim, são compreendidos e respeitados.
Um piloto de 24 anos bate seu carro de propósito para favorecer outro piloto de mais renome e melhor colocado num campeonato, cumprindo ordens estratégicas do seu superior - diretor de escuderia que, apesar dos seus 59 anos, ao meu ver, demonstra com esta atitude, nenhum juízo ou respeito pela vida apesar da idade. Tal senhor, ao ver o estratagema ser denunciado pelo piloto, declara que este vivia com um homem mais velho, dando a entender que o jovem piloto teria um relacionamento homossexual e ainda explica que, atendeu a um pedido do preocupado pai do piloto afastando (tsc) os dois... Se o piloto não tivesse denunciado, é provável que o diretor não teria comentado tal fato “suspeito”. Se não tivesse sido demitido no meio da temporada, o piloto talvez não tivesse denunciado a irresponsável estratégia. É fato que o “acidente” ferveu o circuito com comentários abrindo uma bolsa de apostas paralelas, ainda assim nada aconteceria não fosse a denúncia-confissão que valeu ao piloto sair impune entre aspas do caso.
No mesmo site, leio que um treinador bastante conhecido declara: “não trabalho com homossexual, no meu grupo não tem viados”, “homem que tem ciúme de homem é viadagem”. Confesso que de tão espantada não cheguei a sentir revolta, essa veio no dia seguinte quando ele se retratou dizendo: "Pode ter certeza que joga (um atleta homossexual em seu time). Não tem problema nenhum, tem que ser profissional". Ué, e eu que pensava que bastava ser profissional, de preferência um bom profissional, para se atuar numa profissão... Nós negros não podemos nos considerar mais felizes nem menos vítimas de preconceitos, mas é fato que se a ofensa fosse por motivos étnicos, esse técnico estaria preso sem direito à fiança. São polêmicas lamentavelmente instantâneas, que deixam as manchetes com a mesma rapidez com que um jornal envelhece. O que realmente é lamentável nisso tudo, é a constatação de que com esta mesma rapidez, crimes de espancamentos e mortes e tantos outros, são absolvidos sem julgamentos e muitas vezes sem registros porque absorvidos estão por nossa sociedade e essa nossa sociedade é formada por pessoas e dentre essas pessoas estamos nós, eu e você! Se há uma Constituição que diz que todos são iguais perante a lei, não há esta consciência; também não há lei que assegure o seu cumprimento o que equivale dizer que além de não sermos tão iguais assim, temos deveres iguaizinhos, oportunidades diversas e direitos bastante diferentes. Essa diferença se torna marcante e degradante porque são muitos os motivos que nos tornam diferentes: a condição sexual, a cor da pele, a posição social, quem sabe até a fé religiosa... Todos conceitos criados que superam a única coisa que de fato temos em comum: a humanidade! Sim, somos iguais na humanidade de fato mas somente ela não basta para nos dar o direito, ainda que isso não nos desobrigue dos deveres... Esse texto não é para gay, nem mesmo para negros, juro que escrevo nesse momento para nós, gente!

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