13 de mar de 2011

Bruna Surfistinha

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Finalmente assisti o comentado Bruna Surfistinha, pelo  atraso da minha ida resta-me pouco a dizer sobre o filme que considerei bom e eficiente na sua nítida proposta de contar uma história onde não entra em pauta o julgamento moral da personagem, embora muitos dos “críticos” amigos que ouvi se aproveitem do filme para tentar expor uma inferiroridade – ao meu ver inexistente – no modo brasileiro de fazer filmes .

Eu não li o livro “ O Doce Veneno do Escorpião” no qual o filme se baseia, também nunca acessei o blog  que o originou, Bruna Surfistinha - o filme é para mim, pois apenas uma história contada em modo de filme e como apreciadora de cinema por contar  histórias, gostei bastante, principalmente da escolha feita pelos roteiristas de mostrarem fatos e personagens que ilustrassem de forma objetiva  a trajetória da personagem. Déborah  Secco me convenceu como Bruna, a garota de programa que escolhe a profissão, ainda bastante jovem como opção para resolver de forma rápida os  seus tantos problemas e nela evolui  apoiada numa espécie de vocação fortalecida pela ânsia de liberdade e libertação. Débora encarna uma Bruna e suas camadas, com muita eficiência, convencendo muito mais nos momentos de bom humor descolado, com a emoção que imagino esteja ali coladinha com o que um dia foi realidade, mas frágil nas cenas junkie. A atriz,  parece especialistas nas ambiciosas-alpinistas-econômicas-desprovidas-de- mau-caratismo.

O diretor Marcus Baldini, acerta nessa sua primeira direção em cinema, conta uma história sem apologia ou proselitismo e consegue mostrar mesmo as  cenas de sexo mais bizarras de forma limpa sem repulsividade. Mostra segurança nas cenas e na direção dos atores, entre os quais Fabíula Nascimento (Estômago) que ao meu ver, arrasa! Gostaria de ver um Hudson (Cassio Gabus Mendes) mais “encorpado”, talvez com uma participação maior que  apenas a de "anjo da guarda" e Drica Moraes poderia ter um maior volume de cenas.



[caption id="attachment_9147" align="alignright" width="150" caption="Drica Moraes"][/caption]

[caption id="attachment_9146" align="alignleft" width="150" caption="Cassio Gabus Mendes"][/caption]

É bem verdade que alguns amigos me aconselharam a optar por outros filmes em detrimento deste, colocando como justificativa o excesso de cenas de sexo, do que discordo! Há muitas cenas deste tipo sim, mas nenhuma agressiva, grotesca ou mal feita, além do que o tom da narrativa é bem humorado e dá uma minimizada em assuntos dramáticos como bullyng, machismo e o relacionamento (competitivo e convivência obrigatória) entre as  garotas de programa que trabalham no mesmo bordel.  De certa forma me pareceu que o filme mexeu com o preconceito latente de algumas pessoas, afinal criticar o volume de cena de sexo num filme que conta justamente esta fase de vida da personagem, me pareceu exagero.


A vida de Bruna antes de optar por ser garota de programa, tem muito pouco espaço na narrativa, mas não faz falta, inclusive deu-me o que pensar no sentido de que é  tendência   romantizar os casos de adoção, delegando aos pais adotivos  o status de benfeitores e aos filhos o de eternos agradecidos ou ingratos, a cena que revela a condição de filha adotiva da personagem se passa quando ela já se apresenta como profissional do sexo, isso  deu fluidez à trama, a demonstração do seu dia-a-dia  num prostíbulo com programas ao peço de R$100,00 não nos deixa cair na tentação de justificar sua decisão, mas me deixou curiosa: Como um lugar tão "caidinho"  tem esse preço?

Pareceu-me que muitas pessoas nutrem a expectativa que histórias de prostitutas tenham que ter necessariamente fortes ingredientes de tragédias, dores, sofrimentos. Espera-se das mulheres que escolheram a profissão que sejam infelizes e que tenham histórias tristes pra contar que  justifiquem  a escolha e que obrigatoriamente  sirvam como exemplos do que não se deve fazer... Bruna escolheu o que lhe pareceu oferecer um resultado mais imediato. Não foi fácil, teve alguma sorte, mas acima de tudo teve ousadia e nunca pudor ou qualquer vergonha , muito pelo contrário, ela se sentia feliz na medida que realizava seus desejos de sentir-se bela, desejada,  popular  e se percebia livre e competente para bancar suas escolhas, as quais não fazia pelo critério da facilidade.

Interessante notar como o mundo digital tem o poder da transformação de pessoas em celebridades, da avidez das pessoas do mundo moderno em consumir novidades/pessoas e da prepotência e arrogância que pode dominar um jovem que tromba com o sucesso. Bruna  usou como arma exatamente a exposição daquilo que quando jovens  escondemos: nossas confissões em diário. Tornou pública a satisfação da vaidade masculina e curtiu como poucos a popularidade, grana e fama.

Gostei bastante, por sua realidade,  da cena do salão de cabeleireiro e achei muito divertida  a cena em que o carro com as “meninas” é parado por um  guarda, embora muito salpicada de glamour em excesso.

Um ponto forte da produção é a perfeita caracterização da personagem, sua mudança de visual conforme suas fases de evolução, apogeu e decadência. Repare nos cabelos, modelitos e principalmente nas unhas.

A trilha sonora é bem legal, pertinente e envolvente embala bem a moça que deixa muito claro sua sede de independência e sua falta de cumplicidade com a fraqueza e covardia que a cercava.  Ela embarca para um mundo onde só os fortes tem sobrevivência (dentro dos seus conceitos)  digna, se recusa a ser “teúda e manteúda”, princípios que a afastam para sempre de sua mãe, sem no entanto ver-se como estigmatizada eternamente, pois no momento em que decide casar e ter filhos, faz contas e conclui quantos programas ainda lhe restariam a fazer para  ingressar nessa nova atividade sem o fantasma da dependência...

[caption id="attachment_9153" align="aligncenter" width="500" caption="Bruna à direita, faz ponta no filme"][/caption]

Talvez o filme simplifique o livro, talvez o livro vá um pouco além nas explicações que levaram uma menina mal arrumada e impopular na escola a ligar para uma cafetina pedindo informações sobre uma vaga para trabalhar. Talvez o livro esclareça um pouco mais porque pai e irmão de Raquel Pacheco (que faz ponta no filme)  a tratavam de  forma tão abjeta, mas a história como  filme me satisfez e ainda teve a divertida participação do jogador Dentinho do Cotínhians. Um drama sem ênfase no drama.



Gênero:

Drama

Estréia Brasil:

25/02/2011

Distribuidora:

Imagem Filmes

País de Origem:

Brasil

Direção:

Marcus Baldini

Elenco:

Deborah Secco (Bruna Surfistinha), Fabiula Nascimento, Drica Moraes, Cássio Gabus Mendes

Duração:

::109 minutos

Classificação:
16 anos

Site Oficial:
Roteiro:
http://www.brunasurfistinhaofilme.com/ 

Antonia Pelegrinno, José Carvalho, Homero Olivetto

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