7 de jan de 2012

ABC DA LIBERDADE QUANTAS SIGLAS PARA A FELICIDADE?


Marcelo, Marmelo, Martelo é o nome de um conto para crianças, recheado de inocência , porém nada infantil e, por isso muito recomendado para  nós adultos  de todos os tipos, principalmente os que querem mudar o mundo e fundamentalmente para os que querem que o mundo permaneça o mesmo.

Nesta historinha que dá nome ao livro de Ruth Rocha, Marcelo é um menino curioso, e interessado no mundo que o cerca que, num belo dia, percebe que as coisas não tem os nomes apropriados às suas funções. Perguntador, deixa os pais muitas vezes sem respostas para as suas perguntas que de tão simples são complexas e “irrespondíveis”. Descobrindo que as palavras têm origem no latim e que latim não é o nome de uma idioma dos cães ele decide renomear tudo! Promove uma revolução  no seu vocabulário, deixando seus pais preocupados com o que os outros vão pensar e dizer.

De posse das informações dessa histórinha, é inevitável não se transportar para  caldeirão da sopa de letrinhas que se tornaram as siglas que designam no mundo, os que tem  orientação sexual diferente do que foi convencionado, não sei quando nem porque, muito menos por quem.

No programa Amor & Sexo em que participaram Rogéria, Juliana Paes, Nélson Freitas, Jorge Luiz Fernando houve uma boa mexida nesse caldeirão, onde a até maravilhosa Rogéria se confundiu na sua autodesignação. Não é para menos, afinal vive-se o que se é, mas os nomes nos são atribuídos sempre por terceiros, nós apenas gostamos ou não, assimilamos ou não e nem por isso, temos muitas vezes a prerrogativa de mudar... Charmosa e didadicamente Fernanda Lima esclareceu, a sigla mais completa e atual usada pelos movimentos sexuais, onde:
L – LÉSBICA: “Meninas que gostam de meninas”
G – GAY: meninos que gostam de meninos
B – BISSEXUAIS: “Meninos que gostam de meninos e meninas e meninas que gostam de meninas e meninos,“ou  seja,  pessoas que gostam de pessoas” ou seja o arcaico termo “gilete” como lembrou Jorge Luis Fernando
T – TRANSEXUAIS: “quando o corpo e a mente não possuem o mesmo sexo. Um homem que nasce num corpo de mulher uma mulher que nasce num corpo de homem”
T - TRAVESTI: “Homens que se vestem de mulhers ou mulheres que se vestem de homens. Eles até podem fazer mudanças estéticas mas não sentem desconforto  co o sexo anatômico”.
I – INTERESSEXUAIS: “A sigla moderninha para chamar os hermafroditas que possuem as características dos dois sexos”.

Juntando tudo:  LGBTTIS! Fácil, não?

Na platéia havia duas pessoas apresentadas como transsexuais, ou seja, não foi possível saber seus nomes,  que contribuíram valorosamente na divertida “aula”, principalmente trazendo o termo, quase trava-língua: REDESIGNAÇÃO SEXUAL, ou seja a readequação pela qual passam as transexuais no processo de unificação da mente com o corpo, logo, READEQUAÇÃO do corpo à mente.
Mais: Transexual e travesti são identidades de gêneros e não orientação sexual. Por exemplo, um travesti pode se relacionar com homens, com outro travesti ou  com uma mulher, diferentemente do que defendem os conservadores que na verdade desejam que a diversidade sexual não exista e não se relacione...

Os gêneros de identidade sexual cresceram e multiplicaram ressaltando a necessidade de  liberdade para diversas orientações, ou apenas saíram do armário e cobram seus direitos de existir e viver plenamente.  Há os que não acham muito bom ter para si uma sigla, mas é pior não constar no cadastro de seres humanos vivos e participantes da sociedade. O ideal seria que todos fossem conhecidos e respeitados apenas pela única referência que une: humanos, todos exatamente iguais, perante a lei e integrantes do reino animal. Mas o que fazer se a sociedade optou justamente pelo que separa em vez de viver  o que  torna todos iguais?

Marcelo, Marmelo, Martelo depois de um acidente, quase uma catástrofe,  tem um final feliz que não podemos deixar de transcrever aqui:
“E agora naquela família, todo mundo se entende muito bem. O pai e a mãe de Marcelo não aprenderam a falar como ele, mas fazem força para entender o que ele fala. E nem estão se incomodando com o que as visitas pensam”...

Esse é o final desejado para aqueles que ora são chamados também de “diferenciados”. Levante a mão quem não quer esse desfecho para a sua história. Inocente, claro que sim, infantil jamais!

Referências:
Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias
Rocha, Ruth / Salamandra (Infantis)

Programa Amor & Sexo , Apresentação Fernanda Lima; Direção Paulo Silvestrini, Daniela Gleiser, Gisela Matta; Roteiro final: Rafael Dragaud; Escrito por: Alexandre Rossi, Arnaldo Bloch, Claudia Gomes, Leandro Muniz, Tati Bernardi. TV Globo

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