5 de ago de 2014

FERIDAS DE AMOR

Depois que deixamos um tanto de pele debaixo de algumas unhas, 
Permitimos pendurar nosso couro em tantas paredes nem tão sagradas assim. 
Depois de servirmos de escárnio, permitindo nosso escalpo. 
Depois que estivemos nus sem sorrisos roubados,
com a alma exposta, aos pedaços, 
peito em farrapos, olhos turvos, cabeça no espeto, espírito na grelha,
É normal o coração resistir a qualquer agulha que o planeje costurar
Rechaçar qualquer milagre de bálsamos que lhe prometa curar.
Enquanto nos sorri, a doutora vida, 
engabela-nos com os surtos das bobagens cometidas,
Trapaceia com ouro de tolo, as tais coisas boas vividas,
Seca ao sol e lava-nos com sal a carne viva das feridas.

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