3 de jan de 2017

Vamos falar de tudo misturado?


Essa frase de Dona Dodô me lembra muito o que diz a Selminha Sorriso da Beija, que ela faz com alegria, não sabe se é a melhor no ofício (de porta bandeira) mas faz o melhor que pode. 
Talvez não haja outro caminho para o sucesso que não seja fazer com amor para que se possa ter dedicação plena e tornar leve todo o processo de trabalho que sempre será exaustivo, principalmente para quem faz com um objetivo qualquer, por exemplo, sucesso pelo sucesso ou apenas dinheiro. 

Pessoas que se dedicam a um ofício por amor, com amor acabam por fazer sucesso, compreendendo bem que sucesso é diferente de fama.  Às vezes eu penso que o exercício de um ofício por amor e a dedicação que acarreta, transcende e tanto que projeta o resultado para um patamar que só poderão ser reconhecidos em plenitude no futuro, exigindo evolução da sensibilidade para que o valorize (o resultado). 
Sim, pensei em Van Gogh ao elaborar esse pensamento existem vários gênios incompreendidos na sua época cujas obras, pensamentos, teorias só foram compreendidas algum tempo depois e valorizadas muito posteriormente.

Certamente no nosso país há pelo menos centenas de artistas dos mais variados segmentos de arte e cultura popular que não recebem o devido reconhecimento porque somos educados dentro dessa coisa de cultura de massa que nem sempre nos representa por ter seu conteúdo destacado e adaptado ao que marqueteiros e indústrias chamam de mercado. Resultando numa divulgação maciça de produtos híbridos onde a essência não é o que encanta mas o que nos cega e ensurdece. 

A sensibilidade é um atributo natural que pode ser desenvolvido e até mesmo adquirido através da educação e cultura. Dificilmente uma pessoa sensível aceitaria determinados "produtos artísticos" impostos goela abaixo da população. A nossa insistência em rotular chamou aqueles que tiveram oportunidade de estudar, muitas vezes aprimorando seu nível de sensibilidade, de intelectuais. 

Pensando que no início do Brasil, para se estudar precisava-se se deslocar para a Europa, podemos entender porque essa oportunidade era exclusiva dos endinheirados (recuso-me a chamar de "elite") e podemos compreender ainda porque nunca foram realizados esforços efetivos para que a população como um todo pudesse se desenvolver intelectualmente através do estudo acadêmico. 

A ditadura da ignorância não pode ser negada, analisando-se que às mulheres foi negado durante séculos o direito de se escolarizar, logo, é fazer "ouvidos de mercador" não se assumir que sempre fomos manipulados para que nos mantivéssemos no nosso local de colonizados, miscigenados, selvagens, pouco mais que animais,  incompetentes para decidirmos nosso presente e futuro seja através de escolhas seja através das leis.

Concordar com essa estrutura e modo sempre praticado no nosso país, para mim é ser de direita.  Direita é a manutenção do estabelecido e para qualquer brasileiro não rico  e vivenciando o dia-a-dia dos que ganham salário mínimo é simplesmente inaceitável. 

- O que é ganhar um salário mínimo? 
É ter dinheiro recebido por muitas horas de trabalho mais algumas de transporte que não é suficiente para o mínimo necessário a um ser humano urbano ou rural. 
É ter a sensação térmica de 56 graus sem direito ao ar condicionado. 
É quando se consegue ir a um médico e ser atendido, não ter como comprar a medicação ou praticar os hábitos de vida indicados pelo médico. 
É não ter moradia adequada em lugar digno. 
É ver os endinheirados (não quero dizer elite), políticos indiferentes ao sofrimento da falta de qualidade de vida, quando não, sorrindo com escárnio e deboche de uma situação que passa bem longe deles. Hábito, aliás, que tem sua raiz na monarquia, um tipo de governo em que pessoas por pertencerem a uma determinada família já nascem prontas para governar, decidir tudo o que será feito com o dinheiro que nunca fizeram nada para ganhar. 

No Brasil, fora os nobres que vieram de Portugal fugindo de Napoleão, tivemos aqueles compraram títulos de nobreza. O Brasil tem esse período tão, digamos engraçado! Bastava empoar a cara de um negro para ele ser branco, bastava um qualquer que conseguisse sua fortuna comprar seu título de nobreza e voilá, se tornava nobre...

No o Brasil o que se tem  de mais parecido com democracia, foi o direito de poder escolher quem vai gastar o nosso dinheiro. Mecanismos nobres da Constituição visando  proteger a divergência de idéias aos poucos foram e continuam mais que nunca sendo adaptados como meios de proteger esses que se aboletam no poder descobrindo formas de se apropriarem de cada vez mais, mais, muito mais do nosso dinheiro. 

- Mas não escolhemos nossos políticos?
Parece que sim, mas se pensarmos na forma como esses chegam ao nosso conhecimento, se avaliarmos as dimensões intercontinentais do país, concluiremos que não.

- Ah, mas o assunto não era trabalhar com amor a própria arte?
Verdade! No entanto, da mesma forma que não temos acesso às informações de todos os políticos que se candidatam, não conseguimos ter conhecimento de tantos artistas que fazem bem o seu trabalho. 
Aí entra uma coisa chamada mídia. Mídia é um instrumento composto de vários elementos que têm a capacidade de penetração em grande escala nas populações para disseminar informações. Isso antes de ser propaganda quem é uma informação nem sempre verdadeira que serve para que os donos da mídia angariem dinheiro com ela (a mídia). A mídia no princípio do Brasil era o "boca-a-boca" e os panfletos escritos à mão (lembrem de quem podia aprender e sabia escrever). 

Depois vieram os periódicos confeccionados letra por letra com os clichês. 
Calma! Clichê ainda não era uma coisa vulgarmente dita por qualquer um e repetida por todo mundo. Era uma peça de metal, acho que de chumbo que feito um carimbo imprimia as palavras no jornal que na época deveria ter uma tiragem muito limitada, haja vista o quanto da população podia lê-lo. Assim, podemos também imaginar quem tinha acesso a informação e por conseguinte, tinha direito a ter opinião.
Todo esse furndúncio de palavras alteram o conteúdo sem modificar o rótulo. Jornalista não é mais o profissional que escreve em jornal, e nem todos que escrevem em veículos de informação são jornalistas. Jornalista a princípio tinha o dever de verificar fontes, pesquisar fatos para não passar informações inverídicas. 



Mas o importante é que ainda temos muita gente que exerce o seu ofício ou arte com amor e até por amor, talvez tenhamos até políticos fazendo isso, pena que na política não há tempo de um reconhecimento efetivo tardio. Podemos até reconhecer mas adianta de quê? Fica para história e nem todos sobrevivem a ela.
Parar por aqui que virou textão. Há um tempo eu comentei que gostaria de ter um local que explicasse política de forma que qualquer um pudesse entender e muitos tinham essa mesma necessidade, aproveitei para dar a minha contribuição, uma pena que misturado com talento, sucesso e arte, mas são coisas da inspiração ou quem  sabe do desespero?

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