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28 de mar. de 2020

TEMPO PRA TER TEMPO
















Ter tempo de ter tempo.
Tempo para pensar no tempo.
Tempo pra organizar meu tempo.
Tempo de imaginar um novo tempo.

3 de mar. de 2020

ATRAS DO ESPELHO

Não é o governo que deixa de aplicar os impostos na infra estrutura dos bairros periféricos e favelas, na qualidade de vida dos moradores. Isso só acontece porque eles gostam de morar mal, sob risco. Eles acham legal morar ao lado de valões pra economizar no despejo dos seus detritos. Eles acham bacana conviver com mosquitos, ratos e toda sorte de pragas, só pra não pagar, água e luz. Os moradores da periferia curtem ser ameaçados pela milícia, ter que pagar pedágio pra irem e virem de suas casas. Eles curtem serem pressionados pelo tráfico, viver com a vida da família em risco, agora que crianças podem ser mortas tranquilamente por projéteis de fuzil. E pra melhorar, quando chove, toda cidade alaga, sua casa desaba ou perdem tudo.
O governo não tem culpa, tadinho, pelo contrário, ele faz tanta coisa por você. Não pode ver uma necessidade que corre pra legislar ao seu favor. É o povo que não merece nem faz por onde, não é mesmo?

28 de mar. de 2019

O AÇOUGUEIRO

Depois de um papo rápido, seu Sérgio, me entrega o pequeno embrulho com 250g de carne moída. As têmporas não guardam mais os fios prateados ainda um pouco escuros de cabelo da minha infância, a pele cheia de riscos que eu não tinga visto, mas os olhos, com desenhos novos em volta, são os mesmos, têm o mesmo brilho terno e luz intensade quem quer escarafunchar o pensamento da gente.
Com a cabeça totalmente embranquecida, olhos brilhantes encaixados fixamente nos meus, mãos ligeiramente tremendo, ele suspira ainda segurando o pequeno pacote de um papel que eu julgava não existir mais e me diz:
- Agora eu sei que o mundo está perto do fim. Você concordando com Rodrigo Maia e querendo sair do Rio de Janeiro!
É o fim do mundo.
Não precisa pagar. Venha mais vezes e volte logo, isso não vai durar muito.
- Claro que não, o mundo não vai acabar, ora pois?
E rimos.
A gente não tem noção do quanto é observado.                                     
Sorri.                                                                                                           - Claro que não, o mundo não vai acabar, ora pois?                                  E rimos.                                                                                                       Não temos noção do quanto somos observados.

2 de abr. de 2018

ME DEIXE CHORAR EM PAZ


As pessoas compram discursos conforme suas tendências. Há anos o extermínio da população jovem-negra-pobre-das-e-nas-comunidades vem sendo denunciado e quem apoia ou se comove?
Agora se a denúncia ou reclamação envolver gente preta é "mimimi", como a luta dos LGBTs para terem os mesmos direitos (porque pagavam e pagam impostos) foi chamada de "ditadura gay" por uma rede de imbecis que lucram muito espalhando boatos e inventando teorias que distorcem a realidade com um único objetivo: Manter a Casa Grande e Senzala.
Se você, após 15 dias da morte de Marielle e tantos debates, não foi capaz de perceber as diferenças entre crime violento e atentado político e quer que eu me comova mais pela morte do policial ou da moça-loira-heterossexual-mãe-de-família, isso me faz pensar que você está incomodado com o "sucesso póstumo" de uma negra.
No fundo você acha que ela não é merecedora das homenagens e comoção porque você não está ou não se acha incluído nos grupos que Marielle lutava para defender da morte, do desrespeito, da indigência, essa mesma indigência que você quer impor à ela (sua memória e seu legado) ao trocar a foto de Marielle por outra qualquer mais ao seu gosto, ignorando as milhares de vidas perdidas anteriormente, principalmente as negras por serem em maior número.
Me faz um favor, me convide pra suas campanhas e me deixa chorar em paz.

31 de mar. de 2018

PAPOS DE SAMBA

No Sábado de Aleluia, não malhei ninguém, como sempre. 

JESUS NÃO ESTAVA NAS LOJAS AMERICANAS

Sexta-feira santa caminhando pela Estrada do Portela, reparei a Lojas Americanas aberta e já passavam das 18 horas. Acreditam que fiquei chateada?

Lembrei de um professor de OSPB que tive na sexta série. Moreno, alto forte, barbudo, de cabelos cacheados, lindo, lindo, encantador feito um cigano, Professor Pedro. Foi dele que ouvi pela primeira vez os conceitos de capitalismo e direita mas foi só uma lembrança rápida e vaga. Depois pensei que é assim que se soterra uma tradição, que se "descredibiliza" 😲    | uma fé.


Vi aos montes nas minhas redes sociais, pessoas mencionando memórias de uma Sexta-Feira Santa que era muito mais que um mero feriado. Nos relatos havia vivência em família, costumes respeitosos às coisas que de verdade ninguém sabia direito, como as consequências de se falar um palavrão, fazer bagunça, brigar com o irmão, mas como quase toda sexta da Paixão chovia, a gente não insistia...

A gente ia à missa pra pegar o raminho do Domingo de Ramos, minha avó colocava na porta e quando tinha tempestade ela queimava um tantinho das folhas. Meus irmãos passavam a madrugada de sexta pra sábado montando judas com roupas velhas do pai e escrevendo os nomes dos cornos, dos fofoqueiros, dos políticos; até lembro que o Negrão de Lima sempre entrava no pasquim do judas. Nessas sextas, o café era preto, sem leite e o pão só com um pouquinho de manteiga. O som não podia ser alto, minha mãe colocava chorinho, um LP do Waldyr Azevedo que era a música erudita lá de casa. Até meio dia tentávamos ser calmos, discretos, silenciosos, contemplativos. Eu gostava da parte de não precisar varrer a casa e o quintal pela manhã. Minha avó contava histórias de crianças que responderam mal aos mais velhos e o chão se abriu engolindo elas e suas falta de modos. A ansiedade pelos ovos de Páscoa, a gente disfarçava na sexta-feira santa e esquecia no sábado de aleluia mediante a euforia da malhação de judas e a expectativa da reação das pessoas que tinham os nomes citados no boneco. 

Uma vez, minha mãe que teve uma infância difícil contou-me que já trabalhava aos nove anos de idade e na casa dos patrões, "esqueceram" dos ovinhos de páscoa para ela, vendo como ela ficou triste ao ver os filhos dos patrões recebendo seus ovos, alguém lá da casa (grande) cozinhou uns ovos de galinha, tingiu-os com anilina, escondeu no quintal e mandou que ela procurasse. Ela sempre falava da alegria de ganhar esses ovos coloridos, eu ouvia como mais uma das histórias, mas hoje choro quando a lembrança me traz sua voz e seu rosto contando essa barbaridade.


O Cristo que andou com "galera", mudou água em vinho, perdoou as prostitutas e delas foi amigo, expulsou os vendilhões do templo, deixou um único mandamento de amor, não estava na Lojas Americanas de Madureira, ontem sexta-feira, dia 30 de março de 2018 e dificilmente estará nas nossas vidas dessa forma amiga e de paz. Não haverá alguém sensível o suficiente para consolar uma criança com ovos de galinha tintos de anilina.

O patrão e provavelmente na história de minha mãe, a patroa - como no filme "Que horas ela volta" transmigrou pro atacado e varejo e anuncia com orgulho que no feriado destinado à reflexão e quem sabe oração, funcionará em horário normal, afastando tantas pessoas da família, da possibilidade de reflexão, oração....

O judas que não se malha mais, se alojou numa sombra de alma arrependido com o que fez de nós e os patrões nos põem a trair a nós mesmos em troca de umas moedas prateadas e poucas notas azuis, que mal confortam o estômago muito menos o coração.

É, Professor Pedro esse capitalismo vai acabar com a nossa humanidade, sim.

F E L I Z   P Á S C O A, queridos amigos!

QUANDO CAMINHAMOS POR MONTANHAS














Fiz silêncio, muito silêncio. 
Jejuei, pensei. Fui à missa.
"Essa é sua casa Senhor,
Nela viveremos com alegria".

Tomei banho de ervas.
Manjericão, louro, alecrim, macaçá
Fazem a tristeza passar
Tudo verde bem quinado
um banho bem gelado.

Conversei com Vovó Cambinda, 
queria saber onde ela estava no tempo que Cristo vivia, ainda
Defumei a casa depois de meio-dia, porque aí, podia.

Rezei um terço inteiro.
Fazia silêncio dentro de mim.
Ouvi Kitaro todo tempo, 
ele me deixa assim.

Lembrei da infância e descobri que não foi feliz, mas nela havia pessoas boas, então não foi de todo ruim.
As pessoas boas nem sempre têm tempo para bondades.
Olhei para trás e só vi montanhas. 
Em algum lugar, lá muito longe, 
distante com certeza, 
tinha uma janela.
Passei foi por ela,
Eu, e a minha coroa de princesa
A menina que corria pela casa, andava aos saltos rindo de nada e para tudo e se achava feroz, jamais teve uma porta por onde passar ou se teve as ignorou, porque ouvia música. Trazia sempre o dedão do pé, sem a pele, esfolado de topadas.
Tinha sempre um bicho pra conversar e nenhum adulto pra ouvi-la. Era um tempo que os adultos comandavam, ordenavam, ditavam o que nem sempre era fácil entender ou fazer.
O quadro de São Jorge, de gesso, esculpido em alto relevo, lá alto, muito alto, quase chegando ao teto da sala,
de frente pra porta, como deve ser, com a lampadinha vermelha eternamente acesa jogando no fio de contas brancas e verdes sua cor de sangue... 

Pedra de raio, pedra de rio, pedra de mar.
São João e seu carneirinho olhando pra baixo a me vigiar.

O cheiro de defumador atravessou minha mente,
defumou minha infância inteira, esclareceu meu coração, me elevou. Assim, percorri todas as montanhas que eu nunca percebi que eram os meus caminhos.
Não se sobe uma montanha sem descer de outra. 

Altos e baixos como a água que um dia 
mora na poça, no rio, no mar;
No outro, é nuvem pra anjo brincar;
Mais tarde é louca, é vida é chuva 
e em cima de nós vai se jogar. 

Tudo o que fazemos, recebemos.

Mirra, alecrim, assafete, arruda, patuá
Quando Cristo andava pelo mundo
Vovó já estava por lá.

Foi um dia intenso, não tenho mais sono
No entanto tenho muito, muito, muito sonho.
A menina ainda tem um andar estranho
Sorri pra tudo e todos de qualquer maneira
Mas traz no pé a cabeça do seu dedão inteira.

E quando Cristo morreu, por onde andava, Vovó?
Ela era jovem não tinha toco, 
não tinha tronco, me olhava, não me deixava só.


29 de mar. de 2017

VAMOS FALAR DO QUE ACONTECEU ONTEM

Mais ou menos assim:
Passei uma boa parte do dia terminando uma logo. Pode parecer fácil, mas não é. Desenha, redesenha, muda, colore, altera, redesenha de novo e, só quem usa o bom e valente Corel sabe dos bugs quando ele não está rodando num slave ou numa máquina com placa dedicada. 
Terminei pouco antes das 18 horas. Feliz, abro o e-mail para enviar ao cliente e ouço um barulho tipo de um curto circuito, sabe quando a fiação da rua estala? Faltou luz e a bateria do note deu pra salvar o trabalho de dias. Quando estou trabalhando sou calma e pouco curiosa. Então ouvi um grito. Era a vizinha (moro numa vila) me berrando para eu abrir o portão, que sem energia elétrica não aciona o porteiro eletrônico. Um caminhão derrubara os fios da luz, do telefone, da internet. A vizinha queria anotar a placa e dar esporro no motorista, que ao ouvir os gritos de ca@%$ ra *&lhos@@@@ se pirulitou com caminhão e tudo. Abrimos o portão mas o objetivo não foi alcançado.
Cai uma chuva torrencial. Sem a luz e seus benefícios, sem internet . A palavra de ordem era ligar para a Light e o povo não tinha crédito. Menos eu que sou uma infeliz proprietária de um LG modelo sei lá qual que usei muito lá pelos idos 2008 ou 9. Não posso precisar a data mas posso comprovar que o aparelho é do tempo do Orkut, tem 3 letras em cada tecla e funciona com aquela canetinha, lembram? Hahahahaha
Assim, com celular sem internet, do tempo que poucos sabiam o que era wi-fi, inclusive o próprio (celular), claro que eu tenho créditos, franquia intacta! 
Liguei pra Light, a atendente com um forte sotaque nordestino e sem nenhuma paciência me pede código do cliente, CPF do titular da conta. Gente, não tinha a luz, a conta de luz não era minha, chovia pra caramba como assim, código do cliente?! Fiquei como ela sem paciência, claro! Informo a ela que o fio está fagulhando na calçada e ela insiste em código do cliente, CPF e cacete A4. Fico como ela sem paciência. Consigo achar e ela me tranquiliza prometendo prioridade.
Entro em casa a pensar . Duas horas depois, a chuva havia parado e voltado a cair várias vezes. Ligo pra Light de novo e uma atendente gentil me informa que não vai demorar. Fico satisfeita por saber que ninguém vai ser eletrocutado ali ao lado do meu portão, agradeço, desligo e ouço um barulho seco, abafado. Pensei: Pronto! A vizinha caiu e bateu com a cabeça... Antes que chegasse à porta, ouço gritos (sim, de novo) só que muitos mais, bem mais altos e diferente:
- Fogo! Tá pegando fogo! Rozziiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !!!!!
Paro à porta pensando rapidamente o que vou levar de casa antes que o fogo chegue nela e, antes de me decidir pelo notebook, câmera e a Nina, descubro que o fogo é na rua. Um bonito Renault Logan, novo, prata tinha chamas dentro. Pensei que era do vizinho, pensei que com um extintor poderia-se debelar as chamas. Mas o pessoal achou melhor ligar para o bombeiro e ficar olhando. Pergunto:
- Será que vai explodir o tanque de gasolina?
Alguém responde:
-Vai.
Vou pra casa, o calor está vindo aqui. Claro que eu lembrei daquelas cenas de filmes e novelas e já me via voando pelos ares.
Chega o bombeiro e seus dois caminhões, apagam o fogo, tiram fotos. Chega a PM e duas viaturas, tiram fotos. Chega mais PM em dois camburões, conversam. Chega a Civil e quatro viaturas e a Light não chegou. A Civil também tira fotos, escreve, pergunta. A foto já sai no facebook numa página de notícias de Jacarepaguá. Chega um reboque e o motorista não tira fotos. Dentro do carro incendiado tem um corpo. Chega o rabecão, com dificuldade, tira do carro e leva embora o corpo. O reboque leva o que restou do carro. São quase duas da manhã, rápido para remoção mas acho demorado para uma emergência da Light. 
Na calçada o fio fagulhava. A chuva para e dessa vez parece que de vez.
Todos decidem dormir entre chocados com a violência (não é fácil ter um corpo carbonizado numa rua tão pacata de gente tão simples e comum que já está com medo do local virar ponto de desova) mais a decepção por não poder xeretar por mais notícias na internet....
Mandei um torpedo pro cliente da logo, lembram? Torpedo gente... Vamos combinar, né? Quem que manda torpedo hoje em dia? Eu, com o meu celular do tempo do Orkut porque o cliente não atendia. Bem feito pra ele, então. Vai ter que responder por torpedo! hahahaha
Na calçada, borra produzida pelo incêndio. Cada um pra suas casas cheios de histórias pra contar.
Cadê a Light? Então como numa cena bem produzida, vem subindo olimpicamente o carrinho da Light! Quase que a gente aplaudiu! O senhorio me dá a boa notícia que ao restabelecer-se a energia, a internet vai funcionar imediatamente. Ele também descarta a idéia do funcionário de remover as telhas de flandres da marquise para fazer o reparo, providencia uma escada imensa, colabora e finalmente, fez-se a luz! Mas a internet não veio. Como vou enviar o trabalho pro cliente? Na lan house. Gente eu nunca pisei numa lan house.

Nina agitada, não está acostumada à tanta confusão nem a me ver tanto tempo fora de casa. Ouve minha voz e mia, vou lá converso com ela faço um carinho ela dorme, eu saio e na volta encontro cocô fora da areia higiênica. Recado entendido. Entro e não saio mais. O sono não chega, a imagem da retirada do corpo não vai. Fico com medo, penso que o fantasma daquela pessoa vai morar ali no gramado. Vou demorar um bom tempo para passar naquele trecho da rua. Descubro que finalmente envelheci, pois que estou com essas coisas de um medo que só criança ou velho têm. Mas antes disso, vamos enviar o trabalho para o cliente que ele tem pressa.

14 de mar. de 2017

VAMOS FALAR DE CARNAVAL

 

Carnaval essa coisa que todo mundo entende minuciosamente, até aqueles que não gostam, mais os que não participam. Tem gente que não sabe a diferença entre um pandeiro e tamborim mas se o assunto é  desfile de escola de samba, sabe tudo de carnaval. Assim, reduzindo a festa mais popular do estado do Rio, aos resultados que acontecem na Sapucaí (que raramente encontram concordância). Opiniões categóricas e firmes não obstante mudarem com as vitórias anunciadas na quarta-feira de cinzas.
 Como no futebol, todos têm um time ideal, uma tática mais apropriada, como todo mundo tem contratações melhores do que as feitas pelas escolas e logicamente, enredos melhores para apresentar. No reino encantado dos comentários tudo é muito fácil!
Aprendi isso nas redes sociais.

Gente dizendo que mestre Ciça estava velho e ultrapassado. Gente dizendo que Rosa Magalhães é “museu”, ultrapassada e velha. Gente que diz estar Lucinha Nobre antiquada e lenta precisando de novidades coreográficas.  Gente que dizia que a Portela não voltaria a ser campeã enquanto trabalhasse enredos que falassem dela mesma e água e rio e Clara e Baluartes.
Entendo que haja uma turma com certa ansiedade de vir a ocupar os espaço ocupado por esses nomes que se consagraram e seguem construindo ativamente a história dessa manifestação cultural. Percebo que há ignorância também, desconhecimento do contexto histórico de como se construíram os desfiles para não dizer que há muito pouco caso e um tremendo desrespeito.

Existe uma dificuldade imensa em transformar os fatos em experiência, vivência. Por exemplo, quando Paulo Barros foi contratado pela Portela notei, por parte dos verdadeiros portelenses, a expectativa e curiosidade do que poderia gerar esse “casamento”, por outo lado, notamos a satisfação no sorrisinho de lado e piadinhas daqueles que acreditavam ou tinham que acreditar que isso não poderia dar certo. Pensamentos que alimentam os veículos noticiosos que sobrevivem de cliques, onde a verdade das notícias são menos importantes quem e os anúncios empurrados olhos adentro do leitor. O povo quer é falar!

Se Paulo Barros não permaneceu na escola, qualquer alternativa foi desprezada e passou a ser por culpa da incompetência da escola em mantê-lo. Como se coubesse à direção da agremiação sequestrar o profissional e mantê-lo ali em cativeiro.
Se Rosa Magalhães vem para a Portela, é um retorno ao passado com uma “museóloga” (termo que li nas redes) que vai alimentar a cafonice portelense. Cadê o poder de analisar todo um caminho de um que parte e trajetória de outro que chega? Cadê o respeito ao talento, feitos históricos? Cadê o amor pela agremiação que faz com que se respeite características e tradições? O amor que faz calar quando o que se acha que se tem a dizer não é construtivo? Complicado.

Mestre Ciça, o “velho e ultrapassado”, depois de duas experiências vitoriosas na União da Ilha, recebe propostas de outras co-irmãs e decide ficar onde fez discípulos, amigos no seu  segmento.

Tudo no carnaval é feito com dinheiro, mas as decisões dos seus componentes não são regidas apenas por esse parâmetro.

Lucinha Nobre fará bonito porque ela é dessas. Está comprando um desafio como todos que trabalham no carnaval e prestam uma espécie de vestibular a cada ano, onde as notas obtidas não significam nada frente às novas que precisa-se conquistar. Ninguém vai para uma escola como a Portela desejando "fazer ruim".

Rosa se declarou feliz por retornar à Portela e eu espero que ela exerça toda essa felicidade aliada à sua capacidade e talento para tornar nosso carnaval mais feliz. Não esqueço seu primeiro campeonato pelo Império Serrano transformando o enredo do Pamplona de “Praça XI, Candelária e Sapecaí”   para “Bum-Bum Paticumbum Prugurundum. E quem esquece? Um monte de gente, que além de esquecer ou não procurar conhecer insiste em desrespeitar. Logo o samba, cultura que se criou e permaneceu lutando e respirando respeito.

23 de abr. de 2016

SÃO JORGE CANTORIA



"Nesta casa de guerreiro
Vim de longe pra rezar
Rogo a Deus pelos doentes
Na fé de Obatalá
Ogum salve a Casa Santa
Os presentes e os ausentes
Salve nossas esperanças
Salve os velhos e crianças
Nego veio e ensinou
Na cartilha de Aruanda
E Ogum não esqueceu
Como vencer a Quimbanda
A tristeza foi embora
Na espada de um guerreiro
E a luz no romper da aurora
Vai brilhar neste terreiro".

13 de abr. de 2016

Não me conformo com Eduardo Cunha mandando no Brasil. 
Não aceito esse cara cheio de milhões nossos, roubados, escondidos no exterior, não ir pra cadeia.
Que vergonha.

Lava a Jato virou trampolim, backstage para lançar pop star.

Cunha e Temer mostram pro mundo o que um político pode ter de pior. Desfaçatez, mau caratismo em aulas teóricas e práticas todos os dias. Sinto vergonha.
A mão da lava a jato que não teve o mesmo peso para investigar e punir membros delatados de todos os partidos. O juiz formando parceria com a mídia colocando em risco as investigações em detrimento da discrição que demonstra a lisura dos bons policiais, transformou essa operação, pra mim, num teatro mambembe. Se havia uma preocupação com o país e interesse em combater a corrupção isso foi perdido. Lava a Jato virou trampolim, backstage para lançar pop star.
A desqualificação de ídolos nacionais como Chico Buarque, por suas convicções politicas me deixaram completamente apoplética porque: Chico sempre foi rico, já nasceu mito e lindo, sempre foi de esquerda. O que as pessoas queriam? Que ele mudasse de lado? Se comportasse como um rato peemedebista ou espancador de mulheres?
A amante do FHC apareceu, ela tinha emprego fictício, apartamento em Paris e provas do que dizia, ninguém se importou e ainda esperavam de Chico que ele aderisse a esse lado?
Então hoje, ser uma pessoa de convicção é merecer o apedrejamento moral público.
O "povo" está usando esses dois crápulas para falar em seu nome, depor um presidente por coisas que todos os governos fizeram desde o tempo da coroa portuguesa. De lá, manifestantes alimentados com filé mignon não são considerados "vendidos" são tratados como militância, de cá, qualquer discordante é acusado de ser vendido por pão com mortadela mais 30 reais, desconsiderando as leis do trabalho voluntário, por exemplo.
Parece que tudo dando certo o jato que lava se extingue, todos partem para novos empregos, desafios ou oportunidades, na certeza que nós povo passivo e pacífico com nossa docilidade africana nos prestaremos mais uma vez a servi-los e ao seu poder sujo, suas fortunas imundas e sangrentas nos esquecendo do assunto e ponto. Vida que segue.
Agora, espero que me entendam quando eu falo da farsa do voto, bem como dizia Brizola (ah, como me arrependo de não ter sido brizolista!). De tanto fazermos opções entre a falta de representatividade dos políticos disponíveis, chegamos a isso.
Os militares forjavam atentados, a nossa democracia prende rapazes com produtos de limpeza, finge que é povo e vai pra rua com adereços cujo valor mataria a fome de muita gente e simplesmente acha normal usar a mão de obra suja dos imundos para sentar-se com eles na mesma mesa mais tarde.
Dilma fez tudo errado, mas se fosse homem teria sido perdoada e menos traída, eu acho. Desculpem o exemplo tosco, mas parece uma "justa causa" por alcoolismo para uma funcionária abstêmia numa fábrica de pileques.
Voltarei a votar nulo. Pararei de escrever no meu celular porque é muito complicado e não quero texto longo, mas se ficar foda-se, tem que ser claro, por fim, desabafei.
Viva o povo! (o verdadeiro)
Viva Chico Buarque de Holanda!
Tenho certeza que o Apto de Paris dele foi comprado e pago de forma digna, esse é o traço que deveria unir os brasileiros: ter vergonha na cara, trabalhar, viver com o que se ganha, pagar as contas...

12 de abr. de 2016

SÓ POR HOJE, NÃO ACREDITE

Só por hoje não vamos acreditar no que pode nos fazer mal. 
O despacho que pisamos sem querer no réveillon, a inveja da vizinha, a maledicência do colega que queria nosso lugar no trabalho, o olho grande da amiga que não entende como a gente tão feinha não fica sozinha, geral que pensa que estamos ricos porque sorrimos com facilidade, gente que nos aplaude porque não tem jeito - são mais de ver a corda da viola arrebentar e o som pifar ligo após o lá lá lá...
Só por hoje não faremos sintonia com o que nos joga pra baixo. 

BOM DIA!

a maledicência ganhou volume digital, agora ela viraliza

Certa vez tive um chefe que quando tinha que tratar um assunto delicado (pra ele) preferia fazê-lo por e-mail do que por telefone ou pessoalmente. Sim, novinhos, pasmem! Houve uma época na qual as pessoas agendavam e se encontravam pra conversar e usavam telefone pra falar.

Enviado o e-mail, ele não atendia a pessoa por um tempo.
Bem, segundo ele, a energia ruim causada pela má notícia ou opinião diferente, batia no monitor, deslizava pelo teclado e chegava menos pesada na sua caixa de entrada com bônus de não ouvir gritos, preferindo ele não atender e ligar para surpreender e não bater de cara no muro do discurso pronto sendo surpreendido pela fúria do outro.

O normal é as pessoas fugirem de contendas evitar problemas ou saias justas inclusive, os que não agem dessa forma tem a fama de "barraqueiros".
Nada mudou, só a maledicência ganhou volume digital, agora ela viraliza. De longe como o meu chefe, qualquer um fala qualquer coisa para ou contra qualquer um (a favor sempre é mais difícil). A internet já chegou servindo de trincheira para a covardia. Tem alguma coisa mais covarde do que o intolerante ou aquele que só enxerga os defeitos alheios ainda que os possua também?

7 de abr. de 2016

CORAÇÃO SALGADO


















Fiquei de longe olhando seu mundo naufragar,
Você não percebia,
Eu sabia
Que minha vida se afogava junto.
Você não se desfaz
Daqueles que joga ao mar.
Tubarão não come
Carne de apaixonado
É sina viver maltratado,
Jogado, naufragado, atordoado, 
afogado, atormentado de amor.
Salgado

29 de mar. de 2016

A NOVELA DE MACHO QUE NÃO FAZ CRIANÇA VIRAR GAY

Rodrigo Lombardi 
Benedito Rui Barbosa, disse numa entrevista na época do lançamento da atual novela das 21 horas que colocar nas tramas casais homoafetivos faz com que as crianças se tornem gays. Deu vazão à sua alegria e orgulho por só ter heterossexuais em sua  família e terminou dizendo que faz novela de macho.  Claro que decidi que não veria essa novela. Mas fiquei encafifada cá com uns pensamentos e cheia de dúvidas. Se a novela que retrata a homoafetividade tem o poder de ensinar crianças  o comportamento homossexual, o que ensina a novela de macho desse escritor? Para tirar a dúvida me propus a assistir alguns capítulos, na verdade, uns dois ou três , porque tendo como premissa que a novela "ensina" as pessoas, não achei que seria bom eu aprender o que essa trama está ensinando.

No primeiro capítulo que vi, a personagem Rodrigo Lombardi encontra uma criança abandonada nos campos de algodão, a leva para casa e o casal cheio de amor e carinho fica com ela.  Ótimo ensinamento! Depois, Chico Diaz dá linha na pipa abandonando mulher e filho para voltar para sua terra que não tem água, não tem criação, não vida, desprezando a acolhida que recebeu, porque dedicou anos de sua vida aquele pedaço de chão. Hum... Seria uma mensagem subliminar aos nordestinos? Mas ele não consegue partir porque  uns capangas ateiam fogo à casa do fazendeiro que o acolheu, ele volta e apanha quase até à morte. Logo após, o coronel interpretado por Rodrigo Santoro, briga com o seu jagunço porque deixou a testemunha viva.

Em outro capítulo, o coronelzinho faz sexo com a filha de um fazendeiro, é um pega pra capar, a mãe da moça faz um escândalo, o pai pega um facão e parte para cortar o pescoço da filha. O coronelzinho decide casar, fala poucas e boas para a mãe que parece ser ruim como o capeta, amarga porque  não esquece o filho falecido e não aceita o filho vivo. Por fim no capítulo de hoje a moça apanha de cinto, o irmãozinho torce as mãos nervoso e o jaguncinho que é apaixonado por ela e fez a fofoca encerra o capítulo dizendo que "ela ame quem ela quiser, mas se não for dele, não será de ninguém.

Está aí um resumo corrido da "novela de macho". Fico pasma com o orgulho do autor e tudo o que peço a deus nesse momento, é que novelas só ensinem realmente as crianças a virarem gays, porque se elas aprendem tudo o que é mostrado, machismo, submissão, exploração, ganância vamos ter um Estado Islâmico, só que sem Islamismo.

Claro que as imagens são lindas e o elenco está impecável, no entanto, não é esse o foco das minhas reflexões


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Benedito Ruy Barbosa: Odeio história de bichas
Autor de 'Velho Chico', Benedito Ruy Barbosa afirma: 'Odeio história de bicha'

28 de mar. de 2016

A VIDA NÃO É TÃO CARA QUANTO OS ÔNIBUS INCENDIADOS


No domingo estava indo para Paquetá e o ônibus deu uma volta tão grande que perdi a barca. Perdi também o samba e o encontro com amigos que não vejo há muito tempo. Era um tiroteio entre polícia e bandidos. Voltei pra casa. Em casa me avisaram que se eu fosse para a Freguesia, não passasse pela Cidade de Deus, pois estava havendo tiroteio por lá.
Segunda-feira eu estava indo para Madureira, quando recebi mensagem pelo whatsApp que estava havendo tumulto por lá. Voltei para casa.
Postei sem saber direito o que era, numa de informar aos amigos de lá.
Em casa, li que o tumulto deu-se porque um menino de 4 anos fora atingido por uma bala perdida na domingo de Páscoa e veio a óbito na segunda-feira. De lá pra cá isso não sai da mina cabeça. Penso no tamanho de uma criança de 4 anos, no estrago que uma projétil é capaz de fazer no seu corpinho e não consigo deixar de ficar abalada. Fiquei chateada por ter sido impedida no meu direito de ir e vir? Fiquei, mas isso acontece muito mais do que se possa imaginar, seja porque o ônibus não para, seja porque o ônibus demora pra caralho, seja porque de uma hora para outra grande parte da cidade ficou dependente de uma única linha reta que corta os bairros como uma feia cicatriz e as opções são proibitivas para quem não está em início de mês. Eu não tenho filhos, mas não consigo evitar o pensamento que poderia ser um filho meu ou parente querido e mesmo não sendo, não consigo ter a distância necessária para esquecer essa morte e suas circunstâncias e aqui do meu ambiente ainda e por enquanto seguro e fresquinho, assistindo a tragedia alheia pela TV me por a julgar e decidir que a policia deva meter o cacete e mandar bala. Eu teria que ser outra pessoa para adubar esses pensamentos, eu deveria não saber que existem inocentes presos e culpados livres. Talvez eu tivesse que esquecer que nessas guerra urbana em que vivemos, nem sempre os inocentes sobrevivem. Já vai fazer um ano que eu semanalmente comento nas minhas redes sociais o absurdo que se tornou esse novo desenho que a prefeitura está fazendo com o transporte público municipal. Centenas de pessoas num raio até pequeno do sub-bairro em que moro estão sem condução, precisando caminhar cer de um quilômetro e até mais. Uma das principais ruas, por onde passavam cerca de 11 ou 12 linhas de ônibus ficou reduzida a 3, todas vindas do mesmo lado, obrigando os moradores a tomarem 2 ou 3 ônibus para um percusso muito pequeno, sem desprezar a caminhada pois não há lina alimentadora nessa região. Fico pensando nas mães com crianças, nos idosos, nos deficientes físicos, nos dias de chuva. Comento e ninguém se importa. Certamente a grande maioria dos meus contatos de rede social não precisam usar ônibus todos os dias Ou quem sabe, o cerceamento do direito de vir e vir quando comandado do alto, de dentro dos gabinetes seja uma coisa boa. O que eu ainda não consegui assimilar porque tantas pessoas que nem usam ônibus, que andam nos seus carros ou táxis estão tão incomodados com a depredação do patrimônio público ao ponto de acharem essas perdas muito mais graves que a morte de um menino de 4 anos, de acusarem as pessoas da comunidade de bolsistas, bandidos como se tudo isso explicasse o problema. 
A sensibilidade das pessoas está tão prfunda quanto a espessura do display dos seus celuares.
É um pensamento que eu vou procurar desenvolver melhor e quem saiba eu consiga entender. A morte da criança todos lamentam, com os ônibus incendiados todos se comovem e acham absurdo. Por enquanto eu só acho que as pessoas estão vivendo demais a relação com os outros através das telinhas de leds. Houve um tempo que a morte nos afetava, balas perdidas nos atingiam mesmo quando matavam outros. Hoje todos são cientistas politcos, polarizados agarrados a valores que não percebem são exatamente os mesmos dos políticos corruptos. Hoje todo mundo é juiz, capaz de saber ouvindo a TV enquanto janta quem são os bandidos e os dependentes de bolsa-família. Hoje todos se importam com os ônibus que não usam, com o hospital que não frequentam. Sim, é preciso que alguma coisa esteja em ordem no país.

22 de mar. de 2016

LAÇOS DESFEITOS (estendido)

Um ou dois aspectos que fazem de mim uma criatura estranha é que talvez eu me entristeça mais pelo que nunca tive do que por aquilo que perdi. Ninguém perde o que não tem. Há coisa mais triste que não ter? Não ter o sentimento, não ter a visão de uma flor que brotou, de uma criança que sorriu, não ter um amigo... O que perdemos nunca estará perdido, comporá a nossa experiência, no mínimo será uma história a contar. Quem teve, quando perde, só perde em parte. 
A minha tendência à alegria foi construída, o meu espírito de luta também. Tristezas em mim agem como combustível. Por natureza seria eu um ser "com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar", mas acontece que a vida não "me deu mole", a zona de conforto que ela me oferece é menor que quitinete de Copacabana e quem de nós, vez por outra, não precisa se espalhar ainda que só um pouquinho? 
Frustrações me abatem, eu sempre levanto vôo mais uma vez, quase sempre em nova direção e as conquistas se sucedem. Decepções me prostram mas a quitinete da vida é por demais pequena e aí preciso ir à rua tomar sol, ver o mar - não, não, pela janela não vale! E nem sempre nossa janela oferece uma paisagem edificante.

Dói-me em proporção muito maior partir do que apenas dar adeus, minha vida começou com despedidas. Na partida, eu sei o que estou deixando e não sei o que vou encontrar. No mais, já cheguei a esse mundo tendo de dar adeus e talvez não tenha os braços longos para os adeuses que falava o poeta Vinicius. Aliás, quando nasci meus bracinhos eram curtos e cresceram na proporção da minha vontade de não me despedir.
Sim, tenho mais dificuldade para dizer o não do que para acolhê-lo de quem o distribui. Não carrego a responsabilidade pelo entendimento alheio e compreendo o desentendimento, entendo que ele faz parte, como sei que é preciso muitas vezes conversar para que não mais faça parte, o desentendimento de nós. Quando alguém se vai por desentendimento ou mau entendimento, me diz não com facilidade, sem aviso ou explicação, tomo ciência da pouca importância que ali me cabia. Eu compreendo que no mundo tem muita gente importante e que nem todos são importantes para todo mundo. Não deveria ser assim, mas é assim que é, portanto, se em algum momento não somos importantes para alguém, paciência, tem muita gente no mundo.Na terapia aprendi a simplificar, eu sei que sempre terei pele e jamais terei casca. Sempre terei rosto e jamais usarei máscara. A nossa cara não é para bater, mas se a gente apanha, que fique feliz por ter por perto compressa de gelo. Afinal tudo passa, inclusive os outros e também nós.


21 de mar. de 2016

APRENDENDO COM OS AMORES

Às vezes, por amor demais, a gente permite que entrem nas nossa vida, pessoas que não deveriam.
Às vezes por amor de menos, a gente racionaliza uma ou outra coisa  e investe porque pode dar certo e lá vamos nós investindo numa companhia para não pagar juros à solidão.
Por inexperiência, no tempo das fadas, príncipes, bruxas, palácios e cavernas, tive um amor que não amava direito, era  paixão de juventude, entusiasmo pela novidade, atração pelo oposto, um tantinho de auto-afirmação e esse evento é hoje o único arrependimento amoroso que carrego, avalio que por inexperiência, permiti a entrada, na minha vida, de uma criatura que não serviria nem para amizade. Já foi, não ocupa mais espaço na prateleira do meu coração, diferentemente de outros amores que vieram posteriormente, não está no meu panteão das pessoas sagradas que conheci.

Aprendi assim que é o caráter a chave das relações e o respeito é o adubo do amor. Onde não há respeito pelo outro, o amor passou longe, o que reside aí é o amor próprio, aquele amor de encantamento, onde queremos do outro apenas que ele seja um reflexo nosso, uma extensão dos nossos sonhos ou mesmo dos desejos que temos sem muita consciência.
O respeito é a base do amor e ao mesmo tempo, o seu adubo que o faz crescer, fortalecer e frutificar, uma das dificuldades é que o adubo é matéria-prima sempre a ser processada. Respeitaremos as pessoas de caráter, mesmo que não gostemos delas e estaremos sempre gravitando em torno das pessoas que portam caráter similares ao nosso, um pouco como o antigo ditado "diga-me com quem andas e eu direi quem tu és" porque uma dos elementos essenciais para boas relações é a afinidade.