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1 de jun. de 2018

PARA LEMBRAR DE ESQUECER


Te vejo de cara com o sonho
Com cara de sono
Imersa na preguiça de viver
Uma prece pra um santo
Um sorriso com ares de pranto
E o jeito de saber o que fazer

Éramos dias repletos de madrugada
Tínhamos a pele dourada
Pelo sol daquele mar
Tínhamos inocência
Alguma coerência
Mas deixamos estar

Não fui eu, o amor que pretendia
Mas guardei o que sobrou
daquela chama que ardia

Não sei o que foi feito da gente
Só sei que depois de um tempo
Tudo o que resta
É andar pra frente

Ninguém planeja a vida
Esse caderno grande
Onde se anota esquecimento
Pra lembrar de esquecer

8 de ago. de 2016

VAMOS FALAR DE AMOR (6) E SEXO (1)

Amor e sexo para mim sempre foram coisas distintas. De amor eu ouvia falar desde cedo nas novelas e histórias infantis, de sexo demorou muito para eu poder ouvir ou falar. Na casa da minha infância casa não habitavam as pessoas mais românticas do planeta, nem eram as mais delicadas, de modo que a palavra amor não era recorrente, era rara e isso era muito comum no universo em que cresci, onde a palavra de ordem era educação no sentido de comportamento e fazia parte da boa educação (bom comportamento) não falar de sexo, de modo que para entender sexo como parte do  conjunto biológico natural normal do ser humano , incluindo saúde, demorou muito.  

Quando se falava em sexo,  os adultos lá da casa sabiam do que se tratava, eu aprendi na escola com "aquela aula da Tia Leila" que explicava como eram gerados os bebês , só fui saber como eles eram feitos, muito tempo depois. É que as informações de uma bolinha com um rabinho, virando criança dentro de uma mulher, foi algo tão espetacular que não me ocorreu perguntar como ela conseguiu entrar lá dentro. Na turma havia 42 alunos e ninguém fez essa pergunta. 

Hoje fico pensando que sexo durante tanto tempo para mim teve a conotação de vida, enquanto para os mais velhos lá de casa, era relação sexual mesmo. Já amor entrou em contato comigo fantasiosamente, através das histórias ridículas de príncipes e princesas, dragões,  bruxas e maçãs, torres gigantescas, jardins de espinhos intransponíveis, feitiços que faziam dormir por 15 anos. 

A minha história predileta era a Bela e a Fera, mas hoje sou obrigada a reconhecer que fui a Bela Adormecida, aquela que acordou tendo que estar pronta para um amor que na verdade seria “apenas” uma trepada



3 de ago. de 2016

VAMOS FALAR DE AMOR? - 5

À vezes o sentimento não tem estrutura ou cobertura para tantos desentendimentos.
Às vezes num relacionamento, ambos estão fazendo o seu melhor, acontece que não é raro, aquele que (também) dá o seu melhor pensar que o melhor que o outro (também) está lhe oferecendo não é suficiente, o que o colocará um na posição de devedor e o outro na posição de cobrador. 
Muito se fala sobre não ter expectativas a fim de evitar a decepção. Tomar ciência do limite do outro, não deveria ser uma decepção mas apenas consciência do limite do outro. Aceitar o limite "na boa" pode ser um índice que mede o volume e qualidade do amor que se sente.
Muitas vezes acontece que o amor que pensamos sentir não tem exatamente a medida que imaginamos. O contato constante com o amado, conhecer a pessoa amada e a conscientização do quanto amamos, vence as possíveis decepções e pode eliminar a face desmanteladora de afetos que a rotina traz.
No entanto a rotina canibal que estamos expostos nos tira o dom do raciocínio e a clareza do nosso sentimento. Vivemos em tempo de consumo e perdemos a habilidade de fazer e criar. Consumimos tudo pronto, temos a postura de que a pessoa amada deva ser como uma roupa que deve nos atrair, compensar nosso investimento e nos cair muito bem para deleite do nosso ego.
Gente não é roupa nem objeto! Nunca seremos perfeitos e jamais estaremos pronto. O amor é um exercício que nos aprimora e se aprimora com o tempo e com o uso, exatamente o contrário de coisas, roupas e objetos que o tempo desgasta.

11 de jul. de 2016

Vamos falar de amor - 4

A pessoa perfeita não existe. Costumamos atribuir às pessoas que amamos qualidades que nem sempre elas possuem. Conhecer os defeitos e continuar sentindo que ama sem se comportar como uma mãe que só perdoa ou como um filho que só reclama, pode ser sinal de um amor verdadeiro.
A reação do ser amado a isso tudo vai definir se ela também te ama verdadeiramente, mas disso falo outra hora.

25 de mai. de 2016

Equívoco por amor | VAMOS FALAR DE AMOR - 1

Equívoco por amor, deixa sempre edificantes experiências que não permitirão vazios na existência. O espaço vazio causado por uma decepção por amor, nunca estará vago por muito tempo, Há sempre uma semente que brotará nesse espaço espaço oco deixado por um amor. 
Só não esqueça: o jardineiro de nossas vidas somos nós.

21 de mai. de 2016

Vamos falar de Amor - 3

Amor é só um sentimento que às vezes até dói, outras faz doer. Às vezes a gente ama tanto uma criança, um filho que tem vontade apertar e, aperta mesmo sabendo que pode doer. 

Acho que já vem no manual que os filhos são nossos porque nesse manual vem a indicação que é nosso aquilo que cuidamos, aquilo que nos custa e tem custo, aquilo que demanda trabalho. Aquela coisinha linda sem que percebamos é uma coisa, uma coisa que é nossa e "sabemos" muito bem o que fazer com o que é "nosso". Ponto.

Aí, a gente cresce e vira uma pessoa, vai botar na cabeça dos pais que não somos pertences deles, se existe uma certidão de nascimento que comprova isso. Comemos da sua comida, tomamos horas do seu sono, impedimos alguns de seus prazeres ainda que a princípio existamos para lhes dar algum prazer. Não vem ao caso o fato de não termos enviado um requerimento para nascer. Somos, nesse caso, escolha alheia o que, de certa forma, impede algumas ou muitas das nossas escolhas.

Filhos, bichos, bichinhos, plantas e objetos, tudo é nosso. É difícil entender porque a pessoa que amamos não seria nossa também, principalmente pertencendo à uma civilização que certificou a posse como plena e válida.

Eram dos homens as mulheres, eram dos senhores os escravos, como eram dos fazendeiros o seu gado, como são do agricultor suas plantações.
Mulheres eram objetos em dobro, além de filhas pertenciam às famílias que ignoravam os sentimentos que elas pudessem ter. A postura feminina era da sociedade. Tudo da mulher sempre disse respeito a todos.

Era das famílias o direito de decidir com quem se casariam ou não, para que serviriam. Elas aprendiam prendas domésticas e trabalhos manuais - atributos artificiais agregados aos seus dons naturais de modo que o dote pudesse valer mais. Cabia à família do noivo pagar um dote à família da noiva para que se casassem e aquilo por que pagamos é de quem pagou, certo?
Por terem assim seus destinos tão pré-definidos não cabia-lhes aprender a ler e escrever, votar, escolher. Uma forma de exercer a lei do mais forte com muita civilidade. As leis se baseavam nos costumes, logo, qualquer pensamento diferente, obviamente infringiria a lei.
As ricas evitavam o sol para manter a pele clarinha de modo a diferenciá-las das camponesas e escravas, de modo a exibir uma aparência o mais próximo possível da nobreza. Valorizava a mulher ter aparência européia ainda que sobrevivêssemos num sol escaldante. Aos pobres restavam a preferência pela força e competência para ter tantos filhos quanto possível, gerando mais braços para trabalhar para o sustento da família - cada um investe com o que tem para tentar ganhar.

O tempo passou evoluímos o suficiente para descobrirmos que negros são gente, pessoas possuidoras de almas e mulheres não são artigos de um comércio velado e hipócrita. Alguns de nós descobrimos que há uma diferença entre os verbos descobrir, perceber e saber, aceitar, praticar.

O tempo das cavernas nos humilhou com a realidade de que não éramos os mais fortes das selvas e ambientes hostis e para que parecêssemos fortes diante dos semelhantes criamos o poder e para que o poder mudasse de mãos ou não, criamos as leis. Leis que impedissem a lei do mais forte mesmo que tivessem como espinha dorsal a mesma lei do mais forte, afinal somos civilizados.

Nos esforçamos para ser civilizados e o quanto para sermos amorosos? A lei é punitiva mesmo quando pressupõe ser educativa. Nunca soubemos lidar com a violência e sabemos menos ainda lidar com o nosso amor. Na nossa condição de animais, o raciocínio se sobrepôs ao instinto e ao afeto de um jeito que quando escrevemos a palavra de Deus fizemos d'Ele a imagem e semelhança da nossa violência com preceitos em forma de preconceitos, castigos e julgamentos. E ao Deus que falou de Amor, presenteamos com um insano julgamento legal, mais violência e uma cruz. Nem Deus foi mais forte que a força das nossas leis.

Não sabemos onde pôr nosso amor, porque esse amor nos faz iguais e precisamos de leis para marcarmos todas as nossas (in)diferenças. O amor talvez seja demais libertador para uma raça que precisou lidar desde sempre com a força e a superioridade que se por um lado garante a sobrevivência, são raízes da violência e por mais que digamos que não, não gostamos de mudanças, principalmente mudanças que dividem, repartem aquilo que é inteiramente nosso ou queremos que seja.

O mais forte é o que detem algum poder, venha esse poder das armas como a clava, a lança e o fogo ou a arma e o dinheiro e porque não, o conhecimento não somente das leis mas das suas fragilidades e equívocos.

Poder é sempre poder. Lei será sempre lei. Mudam-se os adjetivos da "força" mas o mais forte poderá sempre mais.

#escrevendoprapensar

13 de mai. de 2016

Vamos falar de amor.

Vária vezes amei. Amei muito durante toda a minha a vida, descobrindo que se ama sim, felizmente, mais de uma vez. 
Mais que amar muito, me apaixonei demais, além da conta, inimaginavelmente!
Casei-me 6 vezes, entre namoro e noivado só eram necessários uns 5 ou 15 dias porque minhas paixões nunca deixaram a menor dúvida de ser a combustão pura e espontânea do sentimento quero-você-e-sei-o-que-estou-falando-e-mais-ainda-o-que-estou-fazendo. Simples assim.
Apenas um dos meus casamentos não teve essa batida hard rock dos que não sabem de terão coração amanhã. Foi assim meio samba-canção, mas tão bonito que daria pra cantar.

No meu último casamento o fogo da paixão foi liquidado pela química de um extintor qualquer. A operação rescaldo entra no seu terceiro ano, quando percebo que sobrou apenas uma de mim que não vai incendiar nunca mais.
11/05/2016