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9 de mar. de 2010

Que o Olhar feminino Tome Conta de Nós

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“Dei um Google” na palavra mulher. Nas sugestões de pesquisa apareceu: “mulher melancia, mulher sem roupa, mulherada boa, mulherão, mulher procura homem, mulher gata”. A pesquisa propriamente dita ofereceu-me em 1º lugar “mulher pelada”, um site de fotos de mulheres sem roupas obviamente...
Vivemos mais de 2010 anos pra começarmos a perceber que o mundo não é nada daquilo que contaram pra nós!
Em 1857, tempo que a mulher era totalmente discriminada no mundo todo, operárias fizeram uma greve reivindicando direitos trabalhistas iguais aos dos operários do sexo masculino: Trancaram a fábrica e atearam fogo nela, matando cerca de 130 mulheres carbonizadas. Era dia 8 de março e isto aconteceu em Nova Iorque. Passaram-se 53 anos para que a Dinamarca fizesse do dia 08 de março o Dia Internacional da Mulher. Depois disso, transcorreram mais 65 anos até que a ONU oficializasse esta data e, vamos combinar que a desigualdade ainda persiste por aqui mais brandamente, em alguns países tal e qual era antigamente. Mudar mentalidades naquilo que favorece apenas uma maioria é um processo pra lá de lento e muito doloroso, por maior que seja a minoria em questão. Sorte nossa que o mundo não tem um prazo de validade explícito... Enquanto a terra girar pode-se ter esperança de que algum dia todos poderemos ser iguais diante dos nossos próprios olhares! Podemos ter certeza que se cada um matar o seu leão por dia, teremos uma sociedade respirável para todos. Mas tudo começa pelo nosso olhar e se concretiza através das nossas ações.
Como vemos a mulher?  Parece que depende da relação que tenhamos com ela. Uns vêm a mãe, outros a namorada, a amiga, irmã e até há quem a veja do jeito que mostra uma rápida pesquisa na net... A mulher já foi vista como o sexo frágil, como o sexo forte. Hoje dizem que ela anda por aí competindo com os homens, isso depende do ponto de vista, nos estabelecimentos especializados em estética bem pode ser o contrário... 

Não deveríamos ver as pessoas de forma tão particular e pessoal, bastaria que víssemos a mulher como gente e já estaríamos habituados a ver todos os demais segmentos da humanidade com igualdade, pois ainda que com as nossas diferenças pessoais somos exatamente iguais: Pessoas, portadoras das mesmas necessidades de afeto e respeito; lutando por um espaço, pela felicidade, pela parte que nos cabe de amor. Sem amor, não há igualdade e sem igualdade não existe liberdade. Isso me faz pensar que o 3º sexo é uma realidade. Existe um conjunto de comportamentos que o caracteriza e permite que ele seja reconhecido mesmo numa breve convivência. Como há as características masculinas e femininas, existem aspectos que distinguem pessoas que começamos de modo genérico, a chamar de “gays”. A quem me disser: “isso é comportamento”, responderei: Então, não deveríamos separar pessoas a partir da sexualidade, algo tão pessoal e particular... E se houvesse necessidade uma triagem, usando-se como critério o sexo (e não comportamento sexual), que separação haveria para ser feita? Ao meu ver apenas REPARAÇÃO. Vivemos num momento de reconhecimento, de unir e jamais separar, segmentar. O mundo está dividido, entre ricos e pobres. Entre os que tem oportunidades e os que não a possuem. Os que são respeitados e os que são ignorados e humilhados. Historicamente a mulher lida com isso tudo, seja sofrendo ou amparando os que sofrem, então que este espírito feminino, não se perca para que a humanidade não esteja de todo perdida. 
 Que o olhar feminino de amparo, proteção e carinho possa tomar conta do mundo e mantê-lo seguro e tranqüilo como num colo de mãe, mãe que se caracteriza por não fazer diferença entre os seus filhos. São as mulheres que geram, cuidam das sementes que formam a nossa sociedade, tratemos bem delas para que o mundo não nos maltrate. Que a mulher se veja em toda a sua plenitude, que sejamos conscientes da importância de sermos o que somos: pessoas iguais, pois que tudo mais é apenas acessório, as diferenças são uma invenção que tornou o mundo triste. No mês da mulher pense no seu lado feminino, se não tiver (será uma pena ainda não tê-lo descoberto) cuide do lado feminino da pessoa que você ama, se ela diz que não tem, cuide assim mesmo, vai ser bom, você vai gostar e ela (a pessoa que você ama) não precisa saber, pelo menos até que possa  entender.

8 de jul. de 2009

PLANTAS MAL CUIDADAS NÃO GERAM FLORES NEM ATRAEM BEIJA-FLORES


Dentre todas as facilidades que a modernidade nos trouxe, a melhor talvez seja a liberdade. Hoje podemos nos sentir livres como um equipamento sem fio! Está cada vez mais fácil fazermos nossas escolhas e decidirmos nossas vidas sem levar em conta uma série de conexões externas. Complicado? Explico: As pessoas estão cada vez mais livres para exercerem suas escolhas e preferências. Antigamente havia os casamentos tratados entre famílias aos quais os filhos eram obrigados a ceder, a novela das 8 que começa às 9 e meia Daquela Emissora, mostra o núcleo tradicional indiano com sua tradição de castas que nos parece totalmente inverossímel, mas creiam: Houve um tempo em que era impossível desimpregnar da nossa vida as regras sociais! As mulheres já foram propriedades dos maridos e os filhos dos pais. Gays casaram-se tentando ter um pouco de sossego, simplesmente para viverem suas vidas...

Acontece que não são as obrigações sociais instituídas que nos obrigam a fazer o que não queremos ou não podemos... Somos nós mesmos, a nossa dificuldade de lutar,nossa incapacidade de colidir, a impossibilidade de nos permitirmos ser frágeis e demonstrar nossas fragilidades.
Alguns inconformados lutaram tanto que abriram caminhos para uma maior tolerância social, o politicamente correto, pode até ser uma hipocrisia, na prática proíbe que façamos algumas piadas mas também impede muitos moralistas de difundirem seus pensamentos preconceituosos, o que não faz da vida das minorias nenhum paraíso, é claro.
E quanto das amarras que nos impedem de ser feliz partem de nós mesmos? Luiza Brunet, a eterna bela, essa semana nos conta que está “sozinha e feliz. É inteligente ficar sozinha, pois estou tranquila. Faço o que quero. Acho muito bom”. Selton Melo, o talento que bomba nas telonas nos conta que lida muito bem com a sua solidão. “Tem gente que tem medo de ficar sozinho, eu não. A gente não programa relacionamentos, eles acontecem.” E agora?
Eles são lindos, bem sucedidos, famosos e aptos a fazer a felicidade de qualquer mortal. Dá pra pensar que pra eles é mais fácil, no entanto suas vidas são notícias e a intimidade restrita pela curiosidade humana natural que todos têm de saber da vida alheia e o julgamento que automaticamente se faz quando de posse de certas informações. Tipo assim:
Para a grande maioria das pessoas estar só é defeito e, para não potencializarmos este defeito, muitos de nós muitas vezes nos “atrelamos” a pessoas que em nada poderão contribuir para a nossa felicidade, muito pelo contrário...
Já repararam o poder de atração que uma aliança exerce no povo?
Já notaram a “fila” que se forma para os recém-descasados e para aqueles que atravessam crises conjugais?
Seriam os casados mais interessantes partindo do princípio que quem está só tem algum defeito? Claro que não! Luiza e Selton provam isso, mas às vezes temos dificuldade de ser feliz de uma forma diferente, pois a lenda urbana é que precisamos de uma alma gêmea, precisamos da metade da laranja, precisamos da tampa da panela. Pergunto:
Você estaria feliz sendo apenas a metade de alguma coisa? É muito mais fácil ter bons relacionamentos quando estamos inteiros, de bem coma a vida de tal modo que estar sozinho seja uma excelente oportunidade para dialogarmos e fazermos bons programas com a excelente companhia de nós mesmos.
Portanto nada de atacar com aquele discurso dos que não querem nada nem ninguém até o momento que surge a oportunidade de por alguém do seu lado e colar nele o adesivo “tem dono”!
O dono de você é você, estando inteiros somos parceiros, companheiros, amantes, pessoas! Essa relação de metade não foi feita para seres humanos completos que já nascemos inteiros com as sementes da felicidade. Por falar em semente, cuidar de um jardim acompanhado é bacana, cuidar de um jardim sozinho não é impossível e plantas mal cuidadas não geram flores nem atraem beija-flores. Nesse inverno pense na primavera.

29 de jun. de 2009

É chato ser feliz de uma forma diferente dos demais!


O “Dia dos Namorados” só deveria preocupar quem não tem namorado, no entanto é uma chateação para os solitários, uma perturbação para alguns que se encontram acompanhados... Uma felicidade para os românticos, uma oportunidade para os insistentes, uma alegria pros desencanados,,,

Juro que se tivesse um bar faria uma festa para solteiros! Por que não investir naqueles que não têm para onde (ou seria com quem) ir? Livrá-los do tédio de ver pares com carinhas de felicidade, tirar deles a sensação de ser um ET... Essas pessoas bem que merecem uma felicidade a mais além tranqüilidade de não ter que torrar seus neurônio e exercitar sua criatividade, seja diante da vitrine ou em frente à floricultura. Afinal, é impossível embarcar pra Marte no vôo das 18:30 e retornar a meia-noite... Ah, se eu pudesse entregaria a cada um bombom na entrada do salão com um bilhetinho provando que namorar por um dia pode ser uma ocasião de gala!

Será que ter dificuldades para pensar no presente ou no programa romântico, seria um sinal de convivência demais e atenção de menos? Não faço a menor idéia. Lembro-me que há alguns anos, num remoto dia dos namorados, saía eu do trabalho num shopping, passando por uma loja em reforma, ouvi um operário dizer: “Tão bonitinha e sozinha no dia hoje! Tadinha !” Não sei quem era o “peão”e sabia muito bem que não estava sozinha, apenas desacompanhada naquele momento, mas que vontade de mostrar pra ele o maior dedo que tenho na mão! Então é assim que (não) funciona: Um sujeito qualquer pensa de você qualquer coisa absurda,sem a menor chance de ser verdade e basta:Como isso nos incomoda! Pessoas que você conhece, comentam coisas e lá vai você de encontro a uma criatura qualquer, ou ladeira abaixo deprimir-se por conta de algo que não seria sentido se não fosse lembrado. Não é fácil estar sozinho, o que não significa que não seja bom. O problema é estar na contra-mão.

São chatas essas datas comerciais onde tudo o que se espera de nós é o comportamento padrão. Você não precisa ficar de pé em fila de restaurante, nem mofar esperando vaga num motel, se durante um ano inteiro sequer lembrou que esses lugares existiam ou esqueceu que o amor da sua vida poderia gostar de estar num deles... Se durante todo o ano, você não soube ser feliz e se vestir de novidade para quem você ama, será que conseguiria isso num único dia? Seria melhor tentar num dia menos concorrido...

Se você tem dificuldade para escolher aquele presente, não escolha, se dê de presente! Dê-se um presente! Chegue em casa antes da hora, desligue a TV mais cedo, não ligue o PC. Converse, olhe nos olhos, diga que ama. Ah, você não sabe se ama? Namorar não prescinde de amar... Quem sabe é o que faltava pra você ter certeza de um amor que ficou soterrado na rotina e na falta de tempo? Nas delicadezas que o dia tira de nossos gestos como a areia que foge entre nossos dedos.
Beije a boca que você um dia tanto desejou. Beije a boca que ultimamente você só vê discutir. Tire o dia pra sonhar com a boca dos seus sonhos, não importa onde ou com quem ela esteja, sonhe! Para alguma coisa além de ir ao shopping e enfrentar filas essa data tem que servir!
Pense que se num descuido, saímos com um estranho que nunca vimos, porque não ficarmos com este conhecido que de tão presente torna-se invisível apesar de fundamental. E pra quem está sozinho, não custa pensar que 24 horas passam rapidinho. Numa agenda de A a Z deve ter alguém tão solteiro quanto você.
Enfim, tente fazer da solidão ou da companhia um mojito, daqueles super refrescantes, afinal ter medo da ressaca nunca impediu ninguém de tomar um drink...
Tim-tim!

24 de mai. de 2009

Nem Homem, Nem Mulher: - Apenas Gente.


No bairro de Botafogo existe um conjunto de salas de cinema que tem um foyer agradabilíssimo, com uma livraria, uma cafeteria com um balcão onde são servidos lanches rápidos, além da indispensável pipoca. A frequência é muito eclética, em todos os sentidos, e conseguimos ver sem esforço os mais recentes lançamentos cinematográficos. Um espaço indispensável na agenda de quem curte cinema, aprecia elegância e dispensa o barulho e o tumulto dos shoppings. Não chega a ser cult como o Odeon (nenhum lugar seria, sem as famosas badaladas), nem mata a saudade do Palácio, por ser moderno e ter uma aura vip. Na cafeteria o tratamento é de primeira, garçons de camisas pretas atendem com paciência e calma colocando em risco a hora da sessão... Assim, às vezes, é preferível ir até o caixa e pagar a conta para se ir rapidinho para sala de projeção. E daí?

Um dia percebi que uma das atendentes/caixa é travesti! Ora, tantas vezes fui lá e não tinha percebido! Não necessariamente por tratar-se de uma figura 100% idêntica a de uma mulher. Qualquer cego perceberia que se trata de um travesti. O fato é que ela é tão inserida em todo o contexto do ambiente, que chama atenção pelo seu bom atendimento e cordialidade e não por sua sexualidade evidente. Isso foi uma surpresa agradável! Até então o comum era travestis estarem restritos às áreas de shows e adjacências, e também prostituição, numa espécie de “gueto profissional”.

Hoje, domingo, 19/04 , o jornal O Globo, logo abaixo da coluna do Elio Gaspari, traz a matéria “Doutorada em preconceito”, onde Luma de Andrade que é João Filho Nogueira de Andrade, cearense, filha e neta de analfabetos em poucas linhas, dá uma pequena aula de como conseguiu vencer preconceitos. Ela conta, entre outras coisitas, que foi a 1ª colocada num concurso e o diretor recusou-se a empossá-la. Que quando menina, já com aparência feminina, apanhou de colegas por estar brincando com garotas e ao ir chorando até a professora, ouviu a pérola: “Bem feito, quem manda ser assim?” Mais: Um diretor de escola numa cidade do interior do Ceará, “ouvia suas aulas atrás da porta, por receio da sua influência”. Luma acaba de ingressar no doutorado da Universidade Federal do Ceará e sua tese é sobre a exclusão de homossexuais nas escolas. Recusou propostas para fazer programas sexuais em Fortaleza: “Tento mostrar às pessoas que existe outra forma de vencer”. Sim, tenta e está conseguindo, tanto ela quanto à nossa amiga da cafeteria. Claro que estamos muito longe do ideal de igualdade, mas já é uma mostra de que, tanto quanto as passeatas e grupos organizados, é o nosso próprio comportamento que pode mudar todo um pensamento de uma cultura.

Não é fácil para ninguém, mas aceitar as migalhas, optando pelo caminho que pode parecer o mais fácil somente por ser o permitido, restringindo-se às áreas de sombras, só faz aumentar a empáfia daqueles que se dizem donos da razão, que condenam publicamente, mas permitem-se fazer uso em segredo dos corpos que massacram em público. Uma prática que nós brasileiros já vimos acontecer desde sempre, quando o senhor de engenho tinha dezenas de filhos bastardos com suas escravas e gastava fortunas em bordéis com prostitutas “importadas” da Europa ou não, tirando dessas pessoas sua característica de seres humanos, impondo-lhes o status de objetos descartáveis que, uma vez fora do armário, só teriam como destino o lixo e a sarjeta. Tudo mais que eu poderia falar sobre essas duas pessoas guerreiras, cada uma à sua maneira, posso resumir numa frase da minissérie “Queridos Amigos”, quando duas crianças perguntam para um travesti:
“Você é homem ou mulher?” e ela responde: “Eu? Eu sou gente.”

Penso que num mundo onde tudo compete com todos, repleto de violências, corrupções, abusos e absurdos, essa seja a nossa melhor opção, seja lá o que for, nosso DNA é humano. Somos gente. Optemos por isso!

31 de mar. de 2009

Renove-se!


Você sabe onde foi que começou a perder aquele grande amor da sua vida? A gente culpa a rotina e talvez a verdade seja que nos jogamos nela por todo o restante estar desinteressante. Novidade dá trabalho, mudar é complicado e no fundo todo mundo quer sossego! A rotina acalma por não nos obrigar a pensar. A rotina é um abrigo, de paredes grossas e costas largas que nos acolhe, refém da nossa covardia de não saber explicar o que foi feito com o brilho do olhar do nosso grande amor ....
Você se lembra se algum dia se viu de frente para uma encruzilhada, tentando decidir se tentaria ser uma pessoa nova todos os dias ou se manteria a calma e viveria sem grandes emoções? Afinal, os casamentos existem para nos tranquillizar, impedir –nos de sairmos sós nas noites de sextas? Cansar nossos olhos diante da TV e comer na casa da sogra?
E por falar em amor, onde você poderia ter esquecido aquela pessoa que até um momento atrás era o seu grande amor? Teria sido na mesma pressa onde esquecemos idosos que demoram a subir degraus? Mas onde se poderia ir tão rapidamente se não fosse ao encontro do ser amado?
É, gente o amor tem dessas coisas... Ama-se loucamente e de repente não amamos mais. Um dia percebemos que as coisas foram mudando, a paciência foi diminuindo e o que era divertido, não diverte mais. Não é raro vermos pessoas loucas para aceitarem o convite para esticar uma noitada entre amigos e não o fazem porque tem alguém esperando em casa... Aquilo que não tem nada demais dá muito mais trabalho pra explicar, do que uma triunfal pulada de cerca! Somos cuidadosos quando estamos errados e tão displicentes quando inocentes...
Eu sei que há dias que parece que nosso grande amor pareceu colocar nosso coração numa compota enquanto tinha mais o que fazer... Eu sei que nem sempre somos aquela pessoa divertida que éramos quando tudo começou. É difícil ser legal todos os dias! Embora possa parecer que temos o sorriso mais bonito do planeta, nem sempre somos tão engraçados ou graciosos, o que só piora quando o sorriso do amado ilumina os nossos dias! Tadinho! Mas é fashion ser feliz! É ótimo mostrar para o mundo que somos felizes!
Mas eis que um dia olhamos ao redor e a pessoa que vemos não é aquela mesma que tanto amamos um dia... Por que esses estranhos de hábitos esquisitos ocupam a alma da pessoa que amamos? Onde será que estava esse chato que agora namora conosco, que não demos o pé nele antes?! A pessoa que amamos se vai sorrateira como a primavera deixando em seu lugar alguém tão parecido que não queremos largar, e não largamos até que uma novidade nos chegue. E quando ela (a novidade) chegar, o coração vai bater forte e nos sentiremos como as árvores que ganham folhas novas após o outono e nem mesmo lembraremos que as estações giram ininterruptamente podendo nos encontrar sempre no mesmo lugar, exatamente do mesmo jeitinho, apenas com uma companhia diferente...
O ser humano é muito bizarro! Inventa as coisas que teme: O avião, o crime, o castigo, o problema, a solução... Inventou o calendário e o relógio só pra dizer que não tem tempo para pensar no que faz da sua vida. Fica assim, sem saber se para e espera mais um pouco a fim de se dar a conhecer e conhecer melhor alguém antes de beijar na boca e chamar de amor. Acontece que o beijo na boca faz parte do conhecimento, o chamar de amor, é que deveria ser um pouco mais que um simples apelido para aqueles que no barulho da festa ou no calor da praia, demoram mais de 5 segundos pra chamar a criatura pelo nome... Ah, que grande bobagem! Minha mãe vivia me chamando pelo nome da minha irmã e nunca duvidei do seu amor por mim!
O grande segredo da felicidade é simplesmente participar se você concorda. Entrar em consenso somente se não houver contrariedades de você para você mesmo. Podemos até perder o nosso grande amor de vista, o que não podemos é nos perder de nós mesmos. Tem preguiça de pensar antes de decidir? Prefere fazer primeiro e pensar depois? Don’t worry! Afinal, com um pouco de sorte, teremos a velhice inteira para pensar e sendo fiéis a nós mesmos, é certo que não haverá muitos arrependimentos. Mas não custa tentar investir um pouquinho na razão, se a vida está doendo com frequência! Renove-se e boa Páscoa!

24 de mar. de 2009

PRO MUNDO NÃO CAIR


Dizia Nelson Rodrigues que a convivência dilacera o conviver. Ele falava isso como se a convivência fosse um cão que cava os dias, rói as noites, uiva à tarde, enrola os tapetes, faz xixi na nossa alegria. Hoje é cult gostar de Nélson Rodrigues, mas também é chique dizer que não se gosta dele e, por se tratar de gosto, todos tem razão e a polêmica alimenta uma rodada de chope. Pai do Céu! Como deve ser chique tomar um chope discutindo o Mau Velhinho! Eu ainda não encontrei essa turma tão seleta... Meus amigos discutem sobre ‘Caminho das Índias’ e Big Brother Brasil e devo confessar que isso me agrada, se não os comentários, a companhia desses amigos. Falando sobre TV e amenidades eu esqueço meu inferno astral, este badalado ano de Oxossi, que continua Caçador de uma Flecha Só que até agora não viu nada ainda para atirar.


Então falemos das celebridades, suas roupas, suas rugas e cabelos! Seus romances aos montes e o jeito que tantos têm de parecer que não sabem gastar o tanto dinheiro que ganham com nossa curiosidade, com nossa admiração e até com o nosso desprezo! Foi assim com Maysa, uma mulher que não teve medo de ser o que era e que não temeu parecer quem era. Quando estava insegura, ia em frente e chutava todos os baldes que encontrava pelo caminho. Eu acredito que em cada decisão, ela imaginava estar acertando e pessoas assim, acertam mesmo quando erram. A aprovação popular independe da correção dos nossos atos. No final de tudo, somos lembranças que vivem na cabeça das pessoas que nos amaram, admiraram ou não... Duvida? 

Quantas vezes fizemos alguma coisa, muito mais pela expectativa dos outros do que por nosso próprio querer? 
Quantas vezes agimos por conta do incentivo alheio? 
Deve ser duro ser famoso e ver aumentado infinitamente o número de expectadores e juízes dos nossos atos... Acho que isso é tão desconfortável quanto sonhar com um tênis e subir num salto alto... 


É fato que admiramos aqueles que põem a cara para bater, mas esta nossa admiração não os isenta de críticas. Às vezes parece que vivemos numa janela onde só vemos a vida do outro e vivemos a nossa como se fossemos perfeitos. Deve ser por isso que os reality-shows fazem tanto sucesso. Deve ser por isso que colocamo-nos diante da TV para avaliar um mundo que quando se torna muito parecido com a realidade, tem crises com o Ibope. Hoje a bem falada ética e a mal falada esperteza, estão ali tecnicamente empatadas, consumindo algumas centenas dos nossos neurônios na hora de uma decisão ou opinião. Mais do que tomar a decisão certa, hoje precisamos saber como tomá-la. Quanto mais os fins justificarem os meios, mais complicado o mundo a se viver...



O mundo anda assim, duas pontas de uma única corda e no meio nenhuma sanidade. A gente anda julgando o que não nos compete, pela mais absoluta incapacidade de avaliar com olhos da verdade nossa própria vida. ‘Eram os deuses astronautas’? Ronaldo afinal saiu ou não com o travesti? Maysa foi ou não uma boa mãe? São questões de quem se esquiva de pensar que a parte que nos cabe é que de deuses nada sabemos, que Ronaldo é ou foi e poderá voltar a ser um jogador excepcional e Maysa é uma tremenda cantora, uma mulher que viveu à frente do seu tempo, com dores daquele tempo que permanecem em nós até hoje, sem que percebamos que, tendo realizado o sonho do casamento de conto de fadas, ela não desistiu de alcançar novos sonhos e não satisfeita de realizar cada um dos seus sonhos ela ainda almejava ser feliz. Maysa queria tudo e o muito não lhe era o suficiente. 

Em que ela difere daqueles, que querem se divertir/ser levado a sério/ter um grande amor/uma carreira bem sucedida/ser gay/ter filhos/ir à praia/passar num concurso público? Ela não é diferente de nenhum de nós na sua sede infinita e ânsia de viver, a diferença se nota no momento das ações. Mãe ruim ou não, ela deu um pai com pedigree para seu filho, de quebra proporcionou a ele uma educação que lhe permitiu ter o emprego que tem e fazer o sucesso que faz, ainda que seu julgamento não beneficie a verdadeira patrocinadora de tudo isso. Portanto, pensemos duas vezes antes de criticar ou defender. Entre se jogar e ficar. Afinal, isso não vai fazer muita diferença para o mundo, mas muda sua configuração nele.

25 de jan. de 2009

Por que prometemos o que sabemos que não queremos ou não faremos?


Réveillon, tempo de mudanças e renovações! Tempo no qual o coração se não está em paz, fazemos com que fique e desejamos o bem para o mundo todo! Tempo de trégua! Tempo de muitas esperanças! De voltas por cima, dos sonhos possíveis ou não...Há mais ou menos 2054 anos, o governador romano Júlio César deu a toda humanidade um up em esperança. Foi ele quem, em 46 A.C., fixou o dia 1º de janeiro como o Dia do Ano Novo, dia dedicado ao deus dos portões, Jano, que tem duas faces, uma voltada para frente outra para trás. Daí a origem do nome do primeiro mês do nosso calendário - “janeiro”, já a palavra réveillon, vem do verbo francês réveiller, que significa “despertar”. Esperando ter impressionado meus leitores com tanto saber, a única pergunta que não quero que me façam é o que Júlio César tem a ver com o verbo francês, pois isso já é abusar da minha erudição! Gente 2008 acabou, 2009 taí! O barquinho foi lançado ao mar, levando nossos sonhos e expectativas e agora aguardamos que as ondas nos tragam tudo de bom. Mas e o verbo despertar? Vai caber em que momento do novo ano?


Vamos lembrar que o despertar pode ser a qualquer momento do ano novo ou não. Da sua vida que poderá ser nova ou não, a cada tempo que você quiser ou precisar. Vamos refletir que é muito melhor que nós próprios promovamos nossas mudanças do que deixá-las nas mãos do acaso, da tragédia ou da comédia (também deusas). Vamos começar pensando que o Ano Novo, a princípio é uma expectativa que logo após, transforma-se nuns poucos dias ou meses nos quais aguardamos o final do Carnaval e das férias para viver, para por em prática nossas saudáveis promessas que nos tornariam pessoas melhores... Sim, estou falando das resoluções típicas dessas datas: Entrar para academia, fazer caminhadas, parar de fumar, juntar dinheiro para um projeto mais complicado, fazer as pazes com alguém, procurar um médico ou correr para aquele cursinho chatinho mas que pode melhorar nossa qualificação profissional. Essas coisitas que a gente só marca para o ano seguinte ou segunda-feira próxima...

Por que prometemos o que sabemos que não queremos ou não faremos? Imaginamos que ficaremos mais felizes e mais saudáveis, porque na verdade estaremos mais sujeitos a aprovação das outras pessoas? Se a mídia não gerasse noite e dia imagens de “gostosas” saradas e “gostosos” definidos, certamente cortaríamos da nossa agenda imaginária esses compromissos enfadonhos! São coisas simples, mas nem tudo que é simples é fácil e nem tudo que pega bem pros outros é o que queremos viver. Reveillon é uma moda sazonal, como o verão e outras datas fabricadas, por romanos ou não. É mais uma daquelas ocasiões que os solitários e os desprovidos de grana tendem a se matar quando os descolados perguntam: “E aí? Vai fazer o que no Ano Novo?” Você tem que ter uma puta cobertura para ir, um amigo irado para convida-lo. Um turista para apresentar a Yemanjá, um mega-programa-de-final-de-ano? Não, não tem! Lembre que nos tempos antigos era sinal de status um homem hétero e casado ter um amante belo e jovem. Pense que não eram modelos com 0% de gordura que os mestres da pintura retrataram. Não será um minuto de proseco, 20 minutos de fogos que o farão mais feliz. Se você até hoje não cumpriu suas promessas de fim de ano, comece a prometer a você mesmo aquilo que faz bem a você, vai ser assim que você fará bem aos que o amam. Vai ser assim que você terá um Reveillon verdadeiro, um caminho perfeito para todo o Ano Novo!

E para você que pensa que Vicente de Carvalho é só no subúrbio, só um bairro ali, perto de Madureira, eu deixo como presente de Ano Novo um poema, dele, o poeta, não o bairro:

Essa felicidade que supomos –
árvore milagrosa, que sonhamos
toda aureada de dourados pomos,
existe sim: Mas não a alcançamos
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos!

Viu como nada precisa ser realmente novo para ser novidade? Feliz 2009!

30 de dez. de 2008

A Cadeia Alimentar


Eu deveria escrever sobre as coisas que deram certo e aquilo que não deu tão certo assim, as alegrias e conquistas, as bolas fora, tristezas e frustrações de um ano que para muitos já passou da hora de acabar... Fazer um balanço, daqueles que as lojas fazem no final do ano, contabilizando venda, prejuízo e avaria... Assim, tão perto do dia em que encontraremos Papai Noel, senti saudade do tempo em que nessa época o grande barato era sonhar com o presente que tanto queria e escolher o presente possível. Sim, fui uma criança com noção de realidade, mas nunca me neguei o direito de sonhar. Imagine, sonhar com uma bicicleta e pedir uma caixa de lápis de cor? Seria o mesmo que namorar o Rodrigo Santoro e casar com Seu Madruga? Imaginar a Angelina Jolie e só poder bancar a Bete, a feia!

Sinceramente, considero a expectativa muito mais frustrante do que constatar que “deu erro”. Essa ansiedade já me rendeu transtornos impensáveis, porém, muito mais que perder, deixei de ganhar. Fazer escolhas é complicado quando não temos elementos para avaliar, mas desde quando diante dos dilemas da vida, temos oportunidades de escolher com propriedade? Não escolher, permitindo que os fatos decidam por si, também é uma escolha! Uma opção por não fazer nada que possa mudar nosso destino. Nessa reflexão natalina, lembrei de uma pessoa que me falou sobre a “cadeia alimentar”, expressão adaptada para chamar aquelas situações em que nada fazemos para mudar nosso destino, em se tratando de amor. Estar numa roda com várias pessoas, onde todas já foram namoradas umas das outras, é um caso típico de “cadeia alimentar” e, muitas vezes, nesta mesma rodinha, tem alguém que aguarda o fim do romance de um dos casais para declarar-se apaixonado, criando um tremendo barraco no grupo antes de “amigos”. Um outro exemplo, são aquelas pessoas que ficam com o que está mais perto, mais fácil, mais acessível, que começam a gostar de uma pessoa só porque aquela pessoa começou a dizer que gosta delas também...

Tem aquelas meninas, que se apaixonam pela lésbica visível, porque é "tiro certo” e 2 meses depois surgem com a reclamação de que "ela é muito macho e dá bandeira, compromete". Acho até que no sentido masculino, essa cadeia alimentar se desenvolve com o sexo pago ou combinado, daqueles que acabam após a relação, podendo ser retomado, (o sexo) em caso de “emergência”. Entre homens sexo é uma coisa, relacionamento é outra e amor nada tem a ver com nenhum dos dois. Bem, é público e notório que homem sempre é muito mais simples, enquanto que a mulher perde o maior tempo dando nome às coisas que a cercam, incluindo o tesão (que vamos combinar, já tem nome e sabemos bem o que é, certo?), mas isso é papo para outro dia. “Cadeia alimentar”, é a caça possível aqueles que têm medo do novo, que têm receio de uma aventura com o desconhecido sem perceber que arriscam outros valores bem conhecidos. Aquele que com medo de perder, tenta manter perto de si tudo (todos?) que com o tempo já deveriam ter seguido seu caminho. É uma forma de manter-se vivo com seu ego alimentado, criando polêmica, mantendo uma aparência de liberdade e até, despertando uma relativa admiração, sem no entanto, fazer uma escolha delineada do tamanho da sua vontade de ser feliz.

De certa maneira, poderíamos dizer que é o risco mal calculado de quem prioriza o romance ou a vaidade em detrimento de uma amizade, mas isso não é importante dizer agora. Importante é entendermos que a vida é feita de escolhas, não tem jeito! Na França diz-se: “Não se pode ter a manteiga e o dinheiro da manteiga” e aqui no Brasil: “Não cabem 2 proveitos num único saco”. Veja que a dificuldade é universal! Ver a “banda passar” é escolher não estar divertindo-se nela!
Que o Natal chegue com uma árvore repleta de frutos para todos nós e que nós não tenhamos preguiça de pegar aquele mais bonito só porque está mais difícil! Ho-ho-ho-ho!
Feliz natal! Incluindo aí, as escolhas dos presentes, das roupas, dos programas e porque não dos amores!
E, se for dirigir não beba, porque a multa não está fácil não e isso é somente mais uma escolha.

14 de nov. de 2008

Tempo


Há um ano um texto saiu do meu teclado como e-mail e chegou ao destinatário como carta e foi publicado como crônica e foi lido por mim como poesia. De lá pra cá, tenho o compromisso mensal de dividir com tantos o que penso e o que sinto e isso, de certa forma, me tornou mais responsável, mais cuidadosa com as palavras que digo escrevendo ou falando.

As surpresas da vida são deliciosas! E se a princípio não percebemos, é questão de tempo e neste caso tempo é tempero. O tempo é uma iguaria e nós somos degustadores e chiefs. O tempo ensinou-me a gostar de cebola... Eu não como alho mas jamais o retirei da minha lista de temperos. Há coisas que são assim, não valem exatamente pelo que são, mas têm valor inestimável o sabor que transmitem. Com o tempo aprendi a apreciar cerveja. No início bebia drinks doces e caros, mas este gosto me deixava de certa forma, fora da fraternidade na hora de pagar a conta... Ninguém confundia meu copo e eu não o dividia com ninguém.Um dia percebi que velha frase “vamos tomar um chope”, não se aplicava a mim e não se aplica a ninguém, afinal, quem vai sair para tomar um único chope? E se o objetivo fosse beber, porque tão poucos bebem em casa sozinhos? A cerveja tem um gosto muito mais abrangente que o seu sabor, o barzinho é tão bom, quanto boas forem as pessoas que nos acompanham e suas conversas e seus “causos”.
Pra fechar esse raciocínio grastro-etílico: Em Portugal usa-se a expressão “saber” relacionada ao paladar. Algo assim como ” este arroz sabe-me sem sal”. Semânticas, gramáticas e morfologia das palavras à parte, provar, sentir, saborear nos levam ao saber, as experiências podem transformar o tempo em um excelente prato! O ambiente e as parcerias são temperos sim!
Nesses 365 dias e muitas letras depois, posso dizer a vocês que o contato com muitos que jamais vi me tornou uma pessoa melhor. Falar das paixões, das decepções, da fossa, das traições e perdões, das festas, dos encontros e desencontros ajudou a organizar o meu sentimento embora, nem tudo o que escrevi tenha sido vivido por mim, sabemos que podemos aprender com a experiência alheia.
O retorno dos leitores me chegou como carinho e me deu orgulho ser porta-voz de pessoas de várias idades, cores e de muitos lugares, porque este era o objetivo, falar de coisas comuns a todos. Por mais que tenhamos fracionado o mundo, a vida não se divide entre gays, héteros, negros, brancos, religiosos ou não. A vida se divide entre os que viveram, os que morreram e os que os que apenas passam por ela. A vida possui três reinos: vegetal, mineral e animal e se, deixamos o reino animal para sermos humanos, sejamos coerentes, sejamos o que se chama “gente” e lembremos sempre que o tempo conta para todos, mas o ser humano é único que conta o tempo e só “gente de verdade” pode transforma-lo em tempero!
Pra vocês que me lêem por aí, o meu carinho, obrigadíssima! Cc pra galera da redação, o poema mais lindo que Caetano já fez:


Ouve bem o que te digo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Quando o tempo for propício
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
E eu espalhe benefícios
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Apenas contigo e comigo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Num outro nível de vínculo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Nas rimas do meu estilo

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Vou te fazer um pedido
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Entro num acordo contigo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
És um dos deuses mais lindos
Oração ao Tempo, Caetano Veloso (adaptação livre)

VIRTUAL

Encontro na rua um amigo que há tempos não via. Espanto e beijinho. Depois fico surpresa por ele me fazer perguntas diretas demonstrando saber da parte publicável da minha vida e a gente não se via há 1 ano! Agora, sem sair de casa podemos encontrar um amigo, um amor, um afeto, um passa-tempo, uma transa. Viva a modernidade! Ela que também traz até nós “vagabas”, “pistoleiras”, gente “sem-noção”, mentirosos compulsivos ou não. A Internet é uma bênção e também uma maldição! Nela podemos nos encontrar, nos esbarrar, tropeçar, ser feliz até a próxima mensagem/scrap ou nos tornar solitários para sempre. Ficamos bem informados, nem por isso mais próximos.


Quem não tem amigos pessoais que graças a internet tornaram-se virtuais, aperte o shift/delete! Pois se antes vivíamos nos encontrando para por a conversa em dia, hoje o fazemos pelo MSN. O amigo faz aniversário, mandamos um scrap e a missão está cumprida sem abraço, sem bolo, sem parabéns... O presente? Tantos cartões florescentes, piscantes com a musiquinha que sabemos que ele vai gostar e o eu te amo vem escrito lindamente colorido!

-“Viu fulano?”
–“Ta namorando, vi no Orkut”.
Um dia entenderemos que a internet como o telefone, cartas e telegramas e diálogo servem para aproximar e não para dar forma colorida às nossas desculpas. Um dia aprenderemos que a internet é um instrumento para facilitar o acesso e não nos tornar mais distantes. Até lá é mais fácil abordar aquele assunto indigesto por e-mail. Eu fico pensando: o e-mail é para explicar algo rapidamente ou um jeito de despachar aquela pessoa que nos apresenta um projeto que não estamos muito a fim? Não precisamos mais espichar os olhos e fingir que não estamos vendo aquela pessoa assim-assim, basta dizer: “me manda por e-mail”, matar o outro de aflição na expectativa se o e-mail chegou e se será lido e estamos livres!


A internet é um grande barato e o MSN um verdadeiro milagre! Sem eles não daria para conhecer aquela pessoa que mora do outro lado da cidade e nunca vai esbarrar com você na rua. Aquela pessoa que tem tudo a ver contigo mas não circula por onde você anda. Alguns quando se sentem sozinhos vão para uma boate ou um boteco e sabe-se mais aonde, procurando companhia e pode acontecer que, justamente nesse dia, o par perfeito tenha ficado em casa, entediado daquilo que costuma encontrar pela rua, na boate, no boteco.



Talvez seu grande amor esteja cansado e não tenha saído no dia em que você decidiu procurá-lo por aí. Às vezes mentimos para nós mesmos, fingindo que saímos pra dançar, mas se não rola uma paquera a noite não vai ser boa...Às vezes esquecemos que uma saída despretensiosa com um amigo pode trazer surpresas que o monitor nos esconde... Às vezes deixamos de convidar o amigo para uma bela caçada ou um ótimo papo porque ficamos na internet vivendo a vida dos outros ou invertendo a mão da nossa própria vida, iludidos com uma companhia que só acompanha nossa solidão...

Nem todo bom remédio cura, nem toda doença mata... Se nós criamos meios de estarmos próximos dos que amamos, também nos “enrolamos” nas nossas próprias criações.... O que mede o sentimento certamente é a vontade de estar junto e não há mensagem virtual que substitua esta virtude!

ELEIÇÕES

Nunca transferi meu título de eleitor, gosto de rituais. E se vocês estão pensando que vou falar sobre eleições ou espiritualidade, erraram feio! Gosto daqueles rituais que enfeitam a vida e podem tirar nossos olhos da rotina. Votar é uma coisa prática e ir ao bairro da minha infância não é. Dá preguiça de ir e quando chego tenho preguiça de voltar. É longe. Portanto, me obrigo a ir lá com a obrigatoriedade do voto. Alguma coisa boa precisa vir dessa lei absurda! Assim, encontro os amigos. É divertido, é estranho, é sempre uma surpresa.

Eu acho o máximo aquelas pessoas no boteco “dando volta” na “lei seca eleitoral”, o churrasco na calçada colorido pelas bandeiras e panfletos espalhados pelas calçadas. Tudo coisa proibida, feita escancaradamente, mais gente na rua, muito movimento, coisas que lá só acontecem no carnaval.

Revejo muitos dos que fizeram parte de um tempo bom da minha vida e isso é curioso: Hoje vejo o meu passado e acho bom, mesmo as épocas que sei, não foram boas. Hoje, rio das surras, dos castigos e das broncas de infância, dos “coiós” da adolescência. Dos planos que deram errado e dos sonhos que nunca aconteceram... Deve ser porque tudo passou e sobrevivi.

Eu encontro pessoas, que não vejo há séculos e é no rosto delas que percebo a passagem do tempo. Nós mudamos sem nos dá conta, crescemos sem perceber e envelhecemos sem notar. É no corpo do outro que reparamos as rugas, os quilos a mais. É na nossa forma de acolher ou sermos acolhidos depois de uma grande ausência, que entendemos o quanto fomos queridos ou não.

Rever o colega de escola e sentir que ele não mudou nada, ele chegando como se nada tivesse acontecido na vida dele ou nossa, relembra aventuras e desventuras infantis ou juvenis, receber um abraço ou aperto de mão caloroso e aí, percebemos que não deveríamos ter ficado ausentes tanto tempo!

Rever aquele nosso antigo melhor amigo... Ele nos cumprimenta polidamente, nos olha de cima abaixo, se mantém distante e a gente não entende o que tinha em comum com aquela pessoa... Ele diz: “Você não mudou nada!” ou ele diz: “Como você está diferente!” E a gente sorri amarelo, sem saber se é um elogio ou uma crítica, na dúvida, dizemos um “você também”.

É inevitável as comparações entre uns e outros, entre nós e eles. Alguns levam uma vida que damos graças a Deus por não sermos nós que a estamos vivendo. Outros, nos dão uma inveja, independentemente de sermos invejosos ou não!

Certas coisas não têm explicação, o aluno mais brilhante e inteligente está desempregado e acabado. Aquele que era a chacota do bairro se deu bem, tem um carrão, mulherão, casarão.

Numa visita só não consigo saber com certeza quem é feliz, também não consigo adivinhar quem vai falar mal de mim assim que eu virar as costas. Certas coisas na vida apenas podemos deduzir e embora não seja importante certificar, fica no ar a curiosidade, a vontade de ter certeza... Como sou figura rara, sinto o peso da curiosidade deles me encarando, a insistência de alguns olhares que não decifro se brilham me dizendo “coitada” ou “bem feito!”.

Perguntam pelo filho que não tive, pelo casamento que não aconteceu. Perguntam por quem me acompanhava da última vez que souberam de mim. Perguntam e falam e troca olhares entre si como quem diz, “viu?”

Não adianta convidar, eles não irão atravessar a cidade pra me visitar, mas convido assim mesmo. Num canto do meu coração eu sei que essas pessoas são como páginas de um livro, que guardo com carinho ou apenas cuidado, um livro que até posso reler, mas dificilmente reeditar.

Penso: a cada momento estamos escrevendo através dos nossos relacionamentos o livro da nossa vida, cuidemos então, para que seja uma história boa de se reler, boa de se escrever, sobretudo, saudável de se viver e se necessário um dia for possa ser reeditada

FOSSA

Quem tem menos de 40 deve achar esquisito o termo estar na“fossa”. Eu diria que estar na “fossa” é uma maneira elegante de dizer que se está na “M”, quando esse estado se dá por um motivo afetivo, sentimental. Motivações econômicas e práticas embora nos deixem tristes, são uma M e ponto, não dá pra ser elegante!
Então, “fossa” remete a um tempo em que havia uma elegância na forma de manifestar nossas tristezas do coração. Havia uma delicadeza pra transbordar nossa “dor de cotovelo” que vem a ser um eufemismo para inveja mesmo! Naquele tempo tínhamos letras que diziam “quem eu quero não me quer, quem me quer mandei embora”. “Meu mundo caiu e me fez ficar assim.” “Quando você me deixou meu bem/me disse pra ser feliz e passar bem/Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci/Mas depois como de costume, obedeci.”
Era o pessoal da fossa de antigamente os “góticos” ou “emos” ou “darks” de hoje? Não sei. Quem for jovem e entender dessas tribos por favor, mande e-mail pra essa coluna e me atualizem, será um prazer! O que sei é que algumas tristezas de tão tristes se tornam engraçadas. Porque o porre pra ser bom tem que fazer rir depois que passa e, fossa boa é a que passa nos deixando novinhos em folha depois, no maior estilo “reconhece a queda e não desanima/Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima! Quem acompanha o humorismo já deve ter percebido que as grandes piadas nascem de fatos muitas vezes, absurdos, constrangedores e até desastrosos, quem já assistiu espetáculos gays sabe disso. Ver uma Suzy Brasil tirando onda com a sua “belezura”, Uma Desirreé belíssima, mencionando a sua “Jacaré” city, Lorna Washington com as peripécias dos suburbanos e muitas outras grandes personalidades bem sucedidas no que fazem (lembrando que bem sucedido nem sempre é grande fama e fama nem sempre corresponde a um trabalho bem sucedido) pode não ter parado para pensar, mas vai entender do que falo. Certas coisas nos acontecem e doem tanto que ou partimos pro “araquiri”, ou, depois de provar um pouco daquela dor vamos ao riso, que se torna uma ferramenta de sobrevivência social. Resumindo: Quando não tem jeito, resta sorrir, é sorrindo que tudo parece passar ou melhorar, taí o carnaval que não nos deixa mentir sozinhos!
Existe na alma da maioria das pessoas. Uma inconformidade em ser triste, porque a tristeza não atrai e se aproxima é por pouco tempo. O triste em excesso quase sempre vira uma “mala” difícil de carregar, que sempre nos faz lembrar de um compromisso de última hora...
Grandes obras têm seu punhado de tristeza, e percebo que muita gente “fossilda” não é somente e/ou tão triste como a mídia mostra, porque a sobrevivência em meio às grandes tragédias pessoais nos tornam mais experientes e de certa forma inteligentes emocionalmente, quem não evolui não tem bom humor!
Então fossa é ou deveria ser um estado transitório ou com o qual se pode aprender a conviver até sorrindo enquanto não passa. No seu momento inicial (quando a pancada acontece) pode ser uma “deprê, um desespero e se não passar, se torna “baixo astral” e gente baixo astral sai das listas de convidados, passando a ter motivos eternos para a sua eterna tristeza.
A fossa, sua duração e conseqüência, estão relacionadas com a nossa capacidade de lidar com dificuldades, com a nossa habilidade para resolver problemas, mas fundamentalmente com o nosso gosto pessoal. Ficar triste é normal, fazer da tristeza um estilo é pessoal. Pode ser uma escolha, precisamos estar atentos para de um estado de tristeza, não nos tornarmos eternamente tristes se essa não for a nossa praia (praia? Gente triste vai à praia? Vai. Sozinho, quando está vazia, ouvir o som do mar e sofrer romanticamente. Por favor não confundir com gente alegre que não gosta de praia). Ser corno, assim como chorar e sorrir pode ser um ato, um fato, uma ocorrência, uma tragédia, uma experiência ou um prazer. Sim, porque mesmo não sendo agradável,existem pessoas que sempre procuram por isso e, como quem procura acha... É um motivo pra ligar pro amigo, pra se ter assunto, uma desculpa pra se encher a cara, cair na night ou sair chifrando aleatoriamente por aí.
Já que hoje estou didática, vamos a duas linhas de cultura: Elegia na Grécia antiga, era primeiramente um estilo caracterizado pela forma, eram cantos de guerreiros que incitavam à luta! Depois, tornou-se um estilo poético caracterizado pela tristeza dos amores interrompidos pela infidelidade e pela morte. Você não acha muita coincidência?! É, queridos e queridas, tristeza, fossa ou deprê são entidades que não podem viver no nosso corpo muito tempo pra não se transformar em possessão! Tem o momento de curtir, sim, mas a palavra de ordem é “saia desse corpo que não te pertence!”
Vinícius de Moraes, Carlos Drummond e Caetano Veloso produziram vários textos com títulos de elegia. Por exemplo. Elegia Desesperada e Elegia Lírica. E se falamos desses poetas, não estamos falando necessariamente de tristeza eterna. Estamos falando de vida e muito amor. Amor é coração, coração é corpo, corpo é vida e vida às vezes dói, mas por mais que tenhamos motivo de tristeza, a nossa grande alegria é ter todos os dias um dia novo pra viver. E não esqueça: gente baixo astral, é excluída de qualquer lista para coisas boas e a características dos inteligentes é o bom humor!
De que lado você quer estar? Se seu mundo caiu, aprenda a levantar!

22 de jul. de 2008

O Sim e o Não...


Algumas palavras podem ser definitivas na nossa vida. Outras por si só definem tudo e passaremos a vida inteira pronunciando-as ou quem sabe, de um modo ou de outro, tentando evitá-las. Parecem palavras mágicas, pois têm o dom de abrir e fechar portas .Adivinharam quais são? São elas: o SIM e o NÃO. Ficam fortes e tornam-se sábios aqueles que aprendem ao longo da vida a dizê-las na hora certa. Mais fortes e sábios se tornam aqueles que aprendem a ouvi-las da maneira correta.

Há pessoas maravilhosas que se dizem amigas e até são ou parecem ser. Tudo vai bem, uma mão vai lavando a outra, um favor aqui outro ali, até que um dia não podemos colaborar e, basta dizer um não que, não fará tanta diferença quantos “sim” se tenha oferecido, lá se foi a admiração...

Às vezes parece que somos “legais” na proporção que dizemos sim. E somos “ruins de jogo” nos tornando piores a cada não que dizemos...

Se você não é um notívago de carteirinha e sempre recusa convites, você é um chato. Se você não concorda com facilidade com as opiniões que mudam conforme os modismos, você é um careta. Se você é um daqueles que não aceitam qualquer um que esteja a fim de sair com você, você é broxa! A gatinha que dá show na pista em velocidade de 1 a 5 e recusa a cantada do carinha em alto grau etílico é “sapa”. O cara que não pega a guria bonitinha só porque ela lhe “dá mole”, é gay. Tem aqueles colegas prestativos, até o dia que você não tem saída e recusa uma saidinha. Tem o colega de trabalho que te difama porque você não lhe quebrou um galho. Tem até aquele parente que faz fofoca sobre a sua pessoa porque você não lhe emprestou aquela grana...

E o respeito pelo seu não, onde fica? Quantas vezes concordamos sem pensar, levados pelo que fica melhor dizer? E se quando você quiser cinema, o outro preferir teatro? Você: (A) Vai ao teatro de cara feia (B)Torce pra peça ser horrorosa e poder dizer com orgulho: “Eu te disse!Eu te falei!” (C)Rola um “barraco” e vão dormir cada um virado pro seu lado (D)Faz um drama porque nunca ‘ninguém’ te ouve (E) Resta-lhe a resignação mas na 1ª oportunidade faz o discurso “eu sempre faço o que você quer”.(F)Você é inteligente e criativo e tem 1001 motivos para o convencer de que o seu programa é muito melhor

O suprasumo do não é aquele que não damos mas fazemos com que outros o façam por nós. Levante a mão quem nunca fez um servicinho mal feito só pra não ser solicitado outra vez! Atire a primeira pedra quem nunca fingiu não perceber aquele amigo “tão legal” “ arrastando um bonde” por nós...
E quando somos nós que “arrastamos o bonde” por aquela pessoa que insiste em ser apenas amiga e o medo do não nos faz calar, jamais comentar, nunca tentar...

O não é por natureza difícil e ingrato, tanto para quem o diz quanto para quem o recebe. Vamos pensar nisso quando perguntarmos: “Tô feia”? ou “será que engordei”? “Foi bom pra você?”(sic).Tomemos cuidado, pois, se nós temos dúvida pode ser que o outro tenha certeza e pior: o outro pode ser mais sincero que nós... Se existe o ditado “cuidado com o que você quer porque você pode conseguir”, é bom lembrar que devemos ter, cuidado com o que perguntamos, porque podemos ouvir!

E por falar em ouvir, quantas vezes dizemos sim pra não gerar atrito, pra evitar problemas, pra não perdermos o amigo, pra não sermos o “empata”? Quantas reuniões medonhas, aniversários pavorosos,, lugares errados nas horas erradas, caminhadas muito mais longas do que suportaríamos, carreiras nos vícios, festas horríveis, transas sem camisinhas, noites caras em lugares nada a ver, camas péssimas com pessoas menos a ver ainda, papos chatos!

Quando o sim está na boca e o não está na cabeça, nada de bom pode acontecer! Se imaginamos que é respeito pelo outro não lhe negar algo, estaremos na mesma proporção, nos violentando, promovendo nossa própria desordem. Se bancamos o bonzinho com alguém e dizemos sim, é claro que estamos dizendo não para nós mesmos. O respeito nasce do amor, a auto estima também! Ser bonzinho só na aparência, através de uma palavra que não condiz com a nossa verdade, com o nosso pensamento não é nem amor nem respeito, muito pelo contrário, é ainda certamente um problema, que não teríamos, se tivéssemos simplesmente sido coerentes com o nosso próprio pensamento e dito essa palavrinha danada de três letras e um til, para qual só precisamos treinar a forma de dizê-la, afinal, ser autêntico não é ser grosseiro, nem faltar com a educação e ser ético não é lançar mão da covardia. O sim nem sempre é bondade e o não nem sempre é maldade. E não esqueça: também é preciso saber ouvir o som desse til.

6 de jul. de 2008

DESCOMPLIQUE! DIGA EU TE AMO!


Ouvi dizer de pessoas que até hoje duvidam que o homem tenha pisado na lua! Essas pessoas não acreditam no homem na lua e eu não acredito que elas não acreditem. É assim: certos pensamentos de tão deslocados. distantes de nós, nos parecem absurdos e deletamos, tratamos como se não existissem!
Em contrapartida, há coisas tão simples, comuns, sem raridade na nossa vida das quais nos sentimos senhores absolutos. São freqüentes, estão tão perto, são tão mais fiéis e úteis que nem pensamos. Passaram a fazer parte de nós, como a saúde perfeita e os dentes saudáveis, dos quais só lembramos quando adoecemos ou sentimos dor...
Temos pelo menos dezenas de compromissos diários: acordar, escovar os dentes, pegar um determinado ônibus numa determinada hora, fazer barba, cortar o cabelo, fazer as unhas, ir ao cinema, pagar as contas... Onde está anotado dizer te amo? Ah, é? Isso não precisa anotar? Então pergunto: Com que freqüência você diz? Será que na freqüência exata que aquela pessoa especial precisa ou merece ouvir?

No início do relacionamento algumas pessoas se sentem travadas para dizer “eu te amo”, elas não têm certeza ainda... Vai que não seja bem assim e pronto! Serão cobradas pela frase dita num momento de empolgação... Outras pessoas no mesmo início de relacionamento dizem “eu te amo” com uma facilidade de dar inveja! Na semana seguinte elas não estão amando mais, disseram e não mentiram... O amor passou, mas existiu naquele momento.
Há ainda pessoas que amam sim, descobrem o momento de dizer a linda frase, seguem amando numa relação longa, mas aí o amado está tão próximo e a vida tão louca e a luta tão grande que esqueceram onde arquivaram a frase, embora o sentimento esteja vivo e ativo.

Tem gente que ama em atos, faz tudo do jeito que o outro gosta, compra presentes, preocupa-se, protege e acredita que, implícito em cada gesto está gravado o “eu te amo”.
Tem gente que ama, mas ama errado, esquece as datas importantes, chega atrasado, tem uma vida tão corrida que embora ame, não vê o espaço para dizer, não vê o tempo passando...
Temos uma tendência a acreditar que sempre haverá tempo para fazermos as coisas e acreditamos que faremos tudo. É comum pensarmos que algumas coisas precisam de rituais. O “eu te amo” precisa ser dito numa ocasião específica, especial, deve vir acompanhado de flores ou de um jantar, quem sabe nas férias?
Gente, O “Eu Te Amo” É A ocasião especial!. É ele que clareia o dia, melhora uma tarde, salva uma noite e dá notícia de você pro outro!

Eu conheço um casal que de repente, do nada uma vira pra outra e diz:
-“eu já disse alguma vez pra você que te amo?” e a outra responde:
-“não, nunca...”
-“Puxa, como sou distraída! Eu amo você, sabia?” e a outra volta a dizer
–“só fiquei sabendo agora”
É uma brincadeira que pode ter nascido espontaneamente ou que talvez tenha surgido como forma de suprir a ausência desse diálogo que, acreditem pode matar um amor. Há pessoas que acreditam que não são amadas, simplesmente por não ouvirem o quanto são amadas.
Vamos concordar que as palavras sem atos são nulas, mas atos sem palavras trazem dúvidas, afinal, você pode fazer algo de bom pela pessoa amada porque você é legal, porque ela merece ou até porque está com a consciência pesada e está tentando “limpando a barra”...

Perdemos todos os dias tanto tempo com brigas e reclamações, com coisas nada a ver... Porque não perdermos um tempo dizendo que amamos, dizendo o quanto amamos?
Não sabemos exatamente quando um amor começa, sequer supomos quando ele vai acabar, por isso mesmo devemos vivê-lo inteiro, direito, bem do jeito que sonhamos quando éramos crianças e crianças, são terríveis, mas são simples!. Vamos fazer o nosso amor eterno enquanto durar! Vamos viver e viver é aproveitar os minutos que não se repetem. É fazer da vida comum, uma vida especial porque é nossa porque o dia que der errado, fomos felizes e não deixamos nada pendente! Vamos ter histórias pra contar, evitando o quanto pudermos ser escravos do “se”,. Vamos evitar aquelas perguntas sem respostas do tipo: “porque não disse” e se “tivesse ido?”. “Poderia ter sido diferente?”

Não é o “eu te amo” que nos faz sofrer, é justamente a falta dele.
Perder nos empobrece bem menos do que nunca ter. Despedida é triste, não viajar é muito mais! Tentar regular um sentimento é o mesmo que podar chances de ser feliz,é tirar de nós a oportunidade de viver e viver é interagir, ok? Nada de interagir calado!

Dia dos namorados taí, pense: mais que um presente, o que faz uma pessoa feliz é ser amado e ser bem amado nos torna inesquecíveis e faz o nosso amor impossível de esquecer. Prolongue esse dia, aumente sua felicidade, conte pra quem você ama o quanto você ama. Amor, sorriso e felicidade felizmente são contagiosos! Descomplique, fale você vai ouvir de volta!

24 de mai. de 2008

Por que precisamos ser unânimes na aprovação da maioria?





Na fila de uma das cults e incensadas salas do circuito Estação, uma moça vê o cartaz do mais novo filme de Woody Allen e comenta com seu amigo: “-não suporto Wood Allen.” Atrás deles um rapaz comenta com o amigo (dele) “-Essa fila não anda e a gente tem que ouvir isso! Bem, é melhor ouvir do que ser surdo...”.

Woody Allen é um grande diretor, ninguém teria uma carreira tão longa e bem sucedida se não tivesse lá seus méritos, então, isso não se discute. Mas que ele tenha que ser venerado por todos os seres viventes, cinéfilos ou meros freqüentadores das salas de projeção, pode ser digno de controvérsia.

A pergunta que não quer calar é por quê? Por quê precisamos ser unânimes na aprovação da maioria?

Nos anos 80 as academias começaram a ter destaque na vida de ricos mortais e depois de saudáveis-ricos-mortais e de repente de todos-os-mortais ricos ou não, saudáveis ou não. Vamos combinar que usuários de “bombas” e “ratos de academia” estão menos preocupados com a saúde do que com seu perfil estético e o lucro que advém deste perfil estético-atlético-adquirido e essa fugaterapia-ocupacional. Por quê?

A academia que inicialmente era coisa de rico e vídeo de Jane Fonda apareceu na novela de Gilberto Braga. Claro que com essas credenciais tinha que trilhar um caminho de sucesso e depois popularizar-se como a parabólica, o vídeo cassete, o celular e todos os seus filhotes de última geração...

Sabemos onde o gosto alheio surge como uma tendência e vemos como ele se expande como uma moda. Só não conseguimos identificar, onde e como o gosto e a opinião alheia infiltram-se na nossa vida, nos fazendo correr atrás de sonhos e padrões que por natureza não teríamos jamais, ou seja, criam uma necessidade que não temos e transformam-se em imposição.

É bom ser magro? Pode ser que seja, mas não é bom ficarmos tristes por não termos sido abençoados com o dom divino da magreza. Não é legal ficarmos desesperados por não possuirmos a virtude da disciplina de seguirmos uma boa dieta. É péssimo deixarmos de gostar de nós mesmos porque não saímos da mesma forma que gerou a Barbie ou a Suzy ou a Bündchen...

Onde foi que você começou a concordar com a história que a mulher perfeita não tem celulite, tem cabelos progressivamente maleáveis, pernas Hickmann e sabe sambar globelezamente?.

Quando foi que você percebeu que bicha legal é a que não tem pinta?
Que lésbica de nível é a que segue o estilo “lesbian chic”?.

Sucessos de bilheteria e recordes de vendas,elevam pessoas - operárias de seus ofícios- à categoria de gênios. Nem por isso elas deixam de ser questionadas pela galera “do contra”, que por ter outras preferências, abominam o que se torna referência e agrega faturamento. Até parece que não é objetivo de quem trabalha (não importa em qual segmento) obter reconhecimento e por tabela fama e s-u-c-e-s-s-o!

Sucesso é uma coisa interessante, alguns que chegam a ele se tornam intocáveis e são aplaudidos, não apenas pelo que fazem mas também pelo que já fizeram, não importando o que irão fazer. Outros não poderão jamais por o pé fora da faixa... Viram ícone de maldição e o normal é sofrerem o atropelamento constante da crítica.

As novidades instigantes, cobiçadas geradoras de moda, podem ser rebeldes, contestadoras e muitas vezes são contestadas num primeiro momento, mas uma vez abençoadas, copiadas, seguidas à exaustão, caem em desuso, ganham um rótulo de brega, no entanto se tem alma jamais perderão seu valor. Taí o Roberto Carlos, que depois de ser vanguarda com a “Jovem Guarda” e lançar novos artistas,moda em roupas, acessórios, música e também vocabulário, hoje, só deixa de ser brega quando cantado por Eliana Printes, Rita Ribeiro, Isabella Taviani, Simone, Skank,Barão, Bethânia, Ana Carolina e tantos outros bons, cults, modernos e modernosos. Resumindo: Ser desvalorizado por seus contemporâneos, não significa ser desprovido de valor e validade.

A pergunta é: Por quê? Porque alguns dos nossos gostos precisam ser exercitados no escuro, escondido como quem assalta uma geladeira durante o regime?
Por que algumas das coisas fora da nossa preferência precisam ser exaltadas por nós em público como se fossem importantes pra nós?
Assim como uma estante lotada de livros que nunca lemos.
Como “colar” num famoso e parecer íntimo dele.
Como “grudar” naquele ser lindinho pras pessoas acharem que estamos “namorando”.
Como arrebentar o cartão de crédito pra ter uma roupa que só nos faz bem aos olhos dos outros
E já que falamos em roupa, é como entrar inteiro no armário quando é apenas uma parte da nossa vida íntima e pessoal que a sociedade não aprova...

Se temos a oferecer muito mais que o sexo e possuímos conteúdo muito além da sexualidade, pra quê o foco na opção/condição sexual?
Será que isso não amplia o poder “dos outros” num assunto que só a nós diz respeito? Será que isso não nos faz cúmplices do preconceito que tanto combatemos?

É um pouco como passar pela dor-de-corno ouvindo “Detalhes”, ter um “Amigo de fé, irmão camarada” mas dizer pra todos que detesta Roberto Carlos.
Tipo assim: Ter várias prateleiras lotadas de Caetanos antigos que se acha barulhento, Caetanos novos que não se entende picas, ao lado de Miltons que é tudo de bom, mas não conseguimos ouvir todas as músicas de um CD que não seja coletânea.

24 de abr. de 2008

SEPARAÇÃO. É GRAVE QUANDO ATINGE NOSSOS OLHOS E SONHOS



Tento pensar que a separação teria, pelo menos para uma das partes, apenas um lado que seria o da dor... Mas haveria alguém que ainda não o conheça ? O que mais poderia se dizer sobre essa dor?

Há pessoas que passam tanto por certas situações que as superam como se criassem calos no coração. Lançam mão do ditado: “gato escaldado tem medo de água fria,” seguem em frente desconfiadas e dizendo pros amigos que nunca mais se apaixonarão, que encontraram uma vacina para este “mal”. Longe do que se possa pensar, não são adeptas do drama, muito pelo contrário.

Há pessoas que diante de uma dor iminente a precipitam: se tem que ser que seja logo! E não dão qualquer chance para o arrependimento, nem para outro, nem para si mesmas.

Mas vamos combinar que o normal do ser humano é evitar a dor, fugir dela, usar qualquer recurso, qualquer paliativo, cuidar das conseqüências e esquecer as suas causas - em bom português: tapar o sol com a peneira!

Separação é muito mais que a "hora de dar tchau" e me parecem raros os casos em que ambas as partes concordem com ela. Mas existe no ato da separação algo de libertador para ambas as partes.
A vida sempre é o que pode ser, uma vez cientes que fizemos tudo o que podíamos, o ato de separar-se não se torna agradável, mas pode tornar-se menos sofrido, pelo menos depois de algum tempo.
Há pessoas que evitam passar pela separação e depois que ela foi consumada não conseguem abandonar o estágio de dor e sofrimento que ela lhes trouxe e acrescentam a essa dor mais uma: a de ver o outro supostamente feliz.
E se essa pessoa, separada ou abandonada percebesse que teve uma vida, uma história e que está agora com caminho aberto para novas experiências, que podem incluir a felicidade?

E se essa pessoa,conseguisse enxergar que nem sempre a separação acontece por desamor?
Que separar-se é um ato de coragem!
Que entender que uma vida em comum que chega ao final pode ser uma atitude de respeito, contradizendo um viver a dois onde não exista felicidade ou sinceridade ?

Às vezes o que nos dói numa separação é a surpresa, o susto, o choque e depois disso, perceber que a felicidade que o outro não conseguiu manter ao nosso lado, parece ter sido conquistada com outra pessoa...
Mas porque será tão difícil perceber que essa estrada é uma via de mão-dupla e está disponível para nós também? Um ciúme egoísta de ver o outro feliz pode nos impedir de olhar para nós, agora mais experientes e capazes de ter um relacionamento mais verdadeiro com quem vier e com a gente mesmo.

Não deveríamos manter uma união pelo medo do desconhecido ou pelo medo de termos culpa pela tristeza que outro possa vir a ter. Como não deveríamos nos apegar a uma vida solitária por medo do que possa vir... Enfim, não deveríamos nunca ser viúvos de algo que acabou ou de alguém que passou!
Embora sejamos vítimas, não nos cabe a auto-piedade, que tal substituí-la por amor próprio?

Se investimos por amor num mercado futuro de felicidade e não aconteceu, talvez tenhamos errado o banco ou pode ser simplesmente um sintoma de que o prazo para sermos felizes é um pouquinho mais longo - o retorno será mais imediato quanto mais rápido aprendermos a gostar verdadeiramente de nós mesmos.

Toda relação tem vários momentos que valem a pena ser lembrados, mesmo que a princípio nos achemos idiotas ou ridículos por termos vivido...
A separação só é o fim do mundo quando ela não passa.
A dor da separação é sim a maior do mundo, só não pode ser eterna! O mal da separação é grave, pois atinge o coração, mas só é mortal quando atinge os nossos olhos e os nossos sonhos!

Rozzi Brasil
18/03/2008

15 de abr. de 2008

comentário 1

A Crônica desse mês fala sobre a dor da separação.
Ela só estará disponível aqui no blog depois de publicada no site do jornal, mas tenho alguma ansiedade de falar sobre ela, porque quando as pessoas a estiverem lendo, eu vou estar com cabeça na próxima.

Não foi um texto fácil de fazer, nem foi um texto difícil de escrever. Nenhum texto é difícil de escrever por um motivo muito simples: Deixo fluir e pronto! Vou escrevendo "o que me dá telha" e caso o leitor não goste, é muito mais fácil parar de ler do que me interromper quando estou a falar...
Esta crônica que virá publicada em abril foi uma crônica pensada. Teve briefing e uma certa ajuda da minisérie (ou seria minissérie?) "Queridos Amigos", um pitada de experiência pessoal e muito do que eu acho.

O que eu acho não é necessariamente o que eu penso, na maioria da vezes o que eu penso é o que acho que deve ser ou como deveria ter sido...

Raramente as coisas são como eu penso, muitas vezes as coisas acontecem e fico um bom tempo sem saber o que exatamente sei sobre elas, como uma prova de matemática da escola ou do concurso, aquela que você não faz idéia de como se saiu até que se publique o gabarito.

É, talvez viver seja uma coisa meio assim, na velhice a gente vai ver como se saiu pela vida, até que ela, a velhice, chegue, vamos pensando que estivemos certos e não haveria outra forma de ser e, no fundo, sempre temos razão. E é bom que tenhamos, é chato reconhecer um erro, ainda mais uma vida inteira errada...

Eu penso que a gente sempre faz o melhor possível naquele momento, nem sempre temos os melhores recursos e como a vida segue, há que se acompanhar, seguindo, vivendo.
Lutamos com as armas que temos, usamos as estratégias que pressupomos melhores. Difícil sair-se bem "de prima", mais ou menos como num esporte, onde se treina pra caramba, a diferença é que na vida nunca sabemos a data da competição.
Na vida não existe a máxima do futebol em que "treino é treino e jogo é jogo."
Na vida todo treino é oficial e vale medalha, aplausos e vaias... É Uma luta onde por mais que sejamos vencedores, sempre saremos roxos, porrados, cansados.

Adversária inglória a vida! Melhor convidá-la para jogar do nosso lado,no nosso time. Não por acaso no final das contas, ela é a dona da bola, não se pode correr o risco de ver esta bola recolhida por desacordo na brincadeira, que por sinal é sempre muito séria. A vida se leva muito a sério, por mais que ria na nossa cara e deboche de nós.

Bem, até o próximo surto poético parafrásico,

Beijo grande, sucesso sempre!