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22 de mai. de 2021

SE TENS UM DOM, SEJA!

 

Infelizmente temos um governo pífio, desarticulado, despreparado que não tentou agilizar procedimentos para que conseguíssemos fazer o lançamento da forma devida, não valoriza a vida, não gosta do povo e a pandemia continua matando, desempregando, endurecendo, empobrecendo🥲.
O outro lado da política é: sobrevivemos, produzimos, demos o nosso jeito, resistimos e já já chega a nossa coletânea “Se Tens Um Dom, Seja!”.
Curadoria do queridíssimo e talentoso intelectual orgânico suburbano, multi artista, Bruno Black.
Por essa e outras esse livro é por demais importante! Principalmente pra mim, sendo o meu primeiro registro literário, de fato, em livro.
Que alegria estar nele com a minha escrita de mulher periférica pretíndia em busca de um país decente e digno!


8 de mai. de 2021

O FILHO do PAI






Muita chuva ontem,

forte e persistente.

Chuva pra lavar,

chuva pra limpar,

chuva pra refrescar

Forte e persistente.

Continuaremos a resistir

Temos olhos suficientes

Para mantermos colados

acompanhando a CPI

Tá pensando o que otário?

Sabemos dos esqueletos no seu armário.

Sabemos que essa tragédia foi encomendada

Estratégia pra CPI do seu paizinho dar em nada

A gente sabe pela sua cara de deboche

Que e você que tá governando

Usando esse ex-vice como fantoche

7 de mai. de 2021

FRUTO INESPERADO

 


Quando vim pra cá, tinha dois vasos de árvore da felicidade. Julguei que eram iguais e dei um pra uma amiga. O cachorro dela comeu. O que mantive comigo, minha gata de tanto dormir e brincar matou.

Eu amo pimenta e não sei o quanto ela tem a ver com felicidade, fato é que, peguei umas 3 dedo de moça gigantes, abri e espalhei, sem muita esperança, as sementes nas terras da outrora felicidade. Faz tempo.

Quando morei na Lapa passei o tempo todo lutando por uma pimenteira e a gata da época comendo todas as minhas tentativas. Matando meu sonho na unha.

Esse canteiro resseca mais rapidamente, fica na costa do sol do quintal. A arvorezinha cresceu desajeitada e franzina sempre amarelada de sol. Mas me entregou seu fruto.

Num momento tão difícil o sonho abandonado respira, o desejo esquecido nasce. Meu mostruário de natureza me sorri. A vida é insistente e existirá sempre mesmo que a gente tenha desistido da esperança.

6 de mai. de 2021

Como Apagar Uma Estrela [1]





Estou lendo um livro que tem 49 anos. Exemplar 1061, da editora Sabiá, que virou Jose Olympio, que a Record encampou. Eu leio esse livro porque me identificava com a autora. Eu tinha menos de 8 anos e entendia que escrevia muito parecido com ela ou queria ser ela quando crescesse. Lia sua coluna no jornal às quartas-feiras e enquanto existiu. Alfabetização e letramento literário. Além disso, achava ela linda. E quando ela desapareceu, menos de 10 anos depois, sem morrer, não entendi nada. Por esses dias lendo teorias feministas, reportagens mulheristas, entendi tudo. Mas queria ter certeza...
No mês de março decidi me dar um presente: Todos os seus livros, 9 no total. Até que não fui infeliz na empreitada. Chegaram 7, o oitavo está a caminho e o nono não vai chegar. O único exemplar que encontrei disponível está custando mais de 400 reais naquele transe absurdo do Estante Virtual.
Existe uma grande diferença entre 8 livros entre 4 e 10 reais e um único livro do mesmo gênero a preço extorsivo. Sou capaz de trocar almoço e janta por um livro e um sanduba de pão com ovo, mas alimentar essa perversidade de um mercado de raridades fabricadas levianamente, não rola.
Ela era uma grande cronista, tremenda escritora, vendia livros aos montes. Belíssima. Eu penso que sua carreira declinou a partir de um episódio pessoal e depois disso, nenhuma reedição, nenhum relançamento, nenhuma atenção para o que ela fez depois e total apagamento para o que já estava feito, antes. Ela foi resumida à sua própria tragédia que em verdade era um direito. Direito que nenhuma mulher tinha. Naqueles tempos as mulheres não tinham o direito de falhar, mesmo que brancas, ricas, bem nascidas. O que é lamentável. Somos cruéis com os vencedores e crudelíssimos se forem vencedoras
Se eu não estivesse tão triste falaria mais sobre ela, mas se falo, certamente cairia em prantos. Deixa pra outro dia. 

5 de mai. de 2021

HUMILHAÇÃO

 

Não tenho mais pranto. Não me cabo de revolta que me instiga mais e mais dores.

Nessa pandemia passei o constrangimento de pedir dinheiro para amigos. Quase fiquei sem teto, fiquei sem luz algumas vezes e internet também. Hoje meu coração dispara cada vez que vejo um carro utilitário com escada. Cada laive que entrou no ar com a minha participação foi fruto de uma certa prostituição psicológica que negociei comigo mesma, pedindo aos amigos a chance de não me deixarem desaparecer numa espécie morte social. Dizendo pra mim que eram pessoas de confiança que não me dariam migalhas e ainda sairiam falando como é o normal e vejo muito acontecer na Casa da Vida - Voluntariado Quem menos contribui é quem mais valoriza a contribuição parca e inferioriza nosso trabalho. Foi experimentar um pouco de alguns lugares como o malabares "dos dimenor" nos sinais de trânsito;
a mãe com criança no colo pelas calçadas e ruas da Lapa;
a vendedora de bala na noite pirada.

Tudo isso porque trabalho com Arte e Cultura.

Então quando o Paulo Gustavo caiu com convid19, não tinha como imaginar que sua juventude (que eu não tenho mais), sua possiblidade econômica de tratamento (que eu nunca tive) não pudessem salvá-lo.
Eu rezei, sim e com a certeza que tudo daria certo porque ele tinha o melhor tratamento, a juventude e muitos motivos para lutar como uma garota, como uma mãe, como um pai de verdade.

Alguns dirão: desígnios de deus.
Desculpa, mas deus jamais designaria um político antivacina como desígnio. O desígnio de Deus é a Vida e não a morte que está no nosso encalço com alvará e incentivo do genocida que lidera país.

Amorte do Paulo Gustavo me fez cair a ficha dos tantos que perdi e não deu pra chorar porque tive que fazer lista pro enterro, porque tive que me manter fora do alcance de ter que ser enterrada também. E agora é por todos os meus e todos os nossos, pelos muito mais de 4mil e por esses mortos em vida que vivem hierarquizando os que podem ou não viver.

Eu vou me manter em casa o tempo necessário após a segunda dose. E não importa se tiver que ficar no escuro e sem internet. Não importa nem se ficar sem casa pra ficar.
Não há como prever o que nos acontece ao pegar essa doença e eu não tenho estrutura pra sobreviver a ela e não posso morrer logo agora que descobri o que é viver

O Menino Filho Que Era Mãe e Foi Pai também

 

“Quando uma mãe perde um filho, todas as mães perdem também”,
dizia Dona Hermínia, mãe do Paulo Gustavo que era filha dele também. Num único homem perdemos toda uma família. Perdemos o filho que descobrimos que somos, a mãe que todo mundo deveria ser e que de certa forma, somos.

Esse menino que era um homem e também mãe de si, dos seus filhos e pai porque precisa ser muito homem pra ser pai; pra fazer filho só precisa ser macho e isso só os escrotos são, aqueles que confundem orientação sexual com caráter, religião com deus.

E eu que sempre detestei comédias aprendi a gostar de "Minha Mãe é Uma Peça" tão diferente da mãe que eu tive mas tão igual em todas as coisas que ela dizia

Que no céu do deus branco e vingativo haja um espaço, que você o perdoe e que Dona Hermínia seja voz guia de suas crianças como foi minha.


24 de mai. de 2020

Adia Enem

 

Todos os parlamentares votaram a favor do #AdiaEnem, menos um. Coisas que não deixam dúvida que essa familia que ocupa o poder executa um projeto criminoso, estruturado e bem pensado de enfraquecimento do povo, de obstrução de oportunidades e do acesso à Educação.

Não é possível que seja só por ignorância, ignorantes podem até ser alguns dos pobres de direita que ainda aprovam esse arremedo de monarquia que busca tornar-se ditadura.
Ninguém vai passar 30 anos exercendo preconceitos, por nada. Ninguém se apega ao poder como forma de defender a família de responder por crimes, se não houvessem os crimes.
A reunião é clara, não é reunião, é um conluio, onde cada qual dá sua sugestão de como acabar com o Brasil da maneira mais cruel possível. Botando na cadeia prefeitos e governadores, botando bombas no bolso do funcionalismo público ao sufocá-lo com 2 anos sem aumento de salário, aproveitando a "distração" da imprensa com o covid19 para derrubar toda a proteção da qual dependem Amazônia e o povo originário que nela ainda habita.
Quando o atual presidente votou pelo impeachment, não fez nenhuma declaração que respaldasse sua ideia ou ideologia mas um discurso de crueldade, exaltando o torturador que na sua visão era o pavor de Dilma Roulssef.
Como esses espécimes conseguiram se reunir em torno de uma mesa onde se repastam com a dignidade e vida do brasileiro?

14 de mai. de 2020

MUDAR O MUNDO NÃO É UM IDEAL, É UM SENTIMENTO

De certa maneira é o desejo de mudar o mundo que vem me alimentando e me mantendo iluminada. Isso me faz compreensiva e muito paciente e principalmente me faz ouvinte.
Todas as pessoas poderiam, pelo menos por um dia na vida, desejar mudar o mundo. Não como uma fada e sua vara de condão, mas como um recém-liberto despojado dos grilhões, castigos e dignidade.

Não seria seu primeiro pensamento, roupas de marca ou smart TV com de muitas polegadas. Não correria imediatamente fazer uma selfie segurando seu mcburger. O que será que fizeram os escravizados logo que foram libertados?
Para se desejar mudar o mundo pelo menos uma vez, precisamos de algum tempo de cativeiro, humilhações até que a dignidade se encontre perdida? Talvez sim.
Mudar o mundo não é um sonho, é uma ideia. Não é um ideal, é um sentimento. Não é impossível, só seria se não se tentasse. Começa com a nossa própria mudança no entendimento do que precisa ser mudado. Começa com questionamento, passa pela revolta, se estabelece com as tentativas e insistências.
Quando eu fundo uma ong pelos direitos das crianças soropositivo, eu mundo o mundo. Quando eu busco o direito das mulheres violentadas, eu mudo o mundo. Quando eu me exponho fazendo vaquinhas pra comprar cesta básica e material escolar pras crianças da favela, eu estou mudando o mundo. Quem me ajuda a fazer isso tudo, também.
Parece que é nada, a solidariedade não resolverá o problema mundial. Não, mas é começo da consciência que se deve cobrar políticas públicas para aqueles que efetivamente fazem o país crescer ainda que se afundem cada vez mais sob as botas de um Estado opressor.
Ninguém obriga o coxo a andar, o cego a descrever o que está vendo, o sem-mão jogar a bolinha. Por que então cobramos do iletrado, criado alienado, a postura ideal o posicionamento correto? E penso que em sua maioria fazem tudo muito bem obrigada, levando em conta o peso que carregam nas costas, os riscos que assombram seus dias.
São traídos a cada quadriênio pelos políticos, são esculachados pelos salários que ganham,são vistos como bandidos pelo lugares onde moram, são tratados como inferiores pela cor de pele que possuem, são desvalorizados como seres humanos pelo gênero ao qual pertencem, estão no patamar da escravidão.

29 de mai. de 2018

EVOLUIR NÃO É EMBRUTECER

Não sou saudosista, não tenho tanto apego ao passado, eu só queria que as nossas vidas e também o bom e velho samba não perdessem o lirismo. Lirismo que é muito mais que palavras de amor que se vive ou que de nós se despede gerando lindas palavras de sentimentos musicais. Aquele lirismo que era também gentileza, cordialidade na forma de viver, mesmo daquelas pessoas que viviam em condições "ideais" para serem brutas e ainda assim falavam de forma divina - lírica - dos sentimentos que lhes iam na alma. Gente sem faculdade, com empregos pesados, mãos calejadas eram líricas e por isso lúdicas.
Sinceramente, passo alguns minutos, às vezes horas, pensando como fomos capazes de criar umas gerações tão concretas (pesadas) como indiscretas, duras, sem lirismo algum. Trocam gentilezas entre seus pares, gritam por igualdade mas ao mesmo tempo, só fazem ressaltar as diferenças que têm com os demais. Um excesso de superioridade mesmo quando afirmam fragilidade
Eu sei que no mundo sempre teve gente tosca, rude, soberba eu sei que todo mundo tem um pouco disso, mas acho que passamos muito além da conta do permitido e até do suportável.
Quando eu me apaixonei pela Portela foi por causa do lirismo daquelas canções da Velha Guarda com temáticas tão bem desenvolvidas, de forma tão sucinta objetiva, direta, simples e leve como um dente-de-leão que se desfaz no ar sem desaparecer; Que simplesmente se divide em muitas partes e segue a flutuar virando outra coisa. Tal qual as melodias daquela que amei à primeira audição, a mestra maior do meu coração, Dona Ivone Lara

Quem conheceu isso, vai ter sempre alguma resistência às novas melodias, sonoridades e poemas sem poesia que por mais que sejam diferentes são sempre a mesma coisa.
Eu sei que as coisas evoluem mas onde está o capítulo da vida que diz que evoluir é embrutecer?

27 de mai. de 2018

SERENO















Não temo magia, feitiçaria
Passo longe da patifaria
Briga comigo, não tem escarcéu
Mas ó, quem me guarda tá no céu

Não sou bam-bam-bam
Tenho alma livre,mente sã
Falo sempre:
Com licença, por favor e obrigada
Fui feita de madrugada
Passa o sol, passa a chuva
O calor, o tempo ameno
Mas quem se livra do sereno?

Nota:
Sereno, orvalho ou rocio é um fenômeno físico no qual a água presente no ar se condensa na forma de gotas, ou seja, é o processo inverso da evaporação.

MAR DOCE
















Amo quem me ama
Trago a fumaça
Bebo a chama
Sou de ferro
Sou de fogo
Sou do vento
Venho no tempo
Vivo no ar
Penso noite
Sou energia
Sou um dia
A batucar
Canto ponto
Sem desconto
Vejo o mal se danar
O mar salgado
Pra mim é doce
Uma canção de ninar

ORAÇÃO BRASILEIRA












ORAÇÃO BRASILEIRA
Não tenho medo de nada.
Não me pega a armadilha
Trago aqui, Maria Padilha
Saí por aí
Não me faltou teto nem mocambo
Amadrinhada por Tata Molambo
Ando pra lá e pra cá
Não me enfio em antro
Com a proteção do malandro
Meu amargo é doce
Danço tudo, samba e ie-ie-iê
Sou guardada por Erê
Vivi muito. Errei, sim
Não me estrepei ainda
Tenho muita fé em Vovó Cambinda
Tô aí, ano após ano
Na força de Pai Cipriano
Mal e bem é questão de opinião
Não carrego mal nenhum
Sou protegida por Ogum
Tô aí
Ninguém me pega como posse
Sou filha de Oxósse
Comigo não tem vaia, não tem uuuuu
Tô aqui, guardada por Exu
Não fico dura, tenho sempre algum
Sou amiga de Oxum
Não reclamo, tudo tem um porquê
Tenho meu esquema com Obaluaê
Pensa que me engana?
Já me disse tudo a Cigana
Minha noite é clara como o dia
Sou fiel à Virgem Maria
A ambição não me seduz
Meu exemplo é Jesus

POEMA DO MEU MALANDRO DA CAMISA PRETA














Existe um malandro,
Caminha no meandro
não me bate nem me explora
Cara maneiro, bonito
Me chama de senhora

Elegante, de boas maneiras
Homem de fino trato
Voz rouca, olhar grave
Temos um contrato

Me deu a pena pra escrever o verso
E esse olho que brilha meio disperso
Me deu olhos de poesia
Vem comigo seja noite, seja dia.

Diz que eu mando,
que sou dona da sua vida
Deixa meus dedos amarelos de nicotina
Tá voltando quando tem gente na ida
Me faz feliz como ninguém imagina!

Me botou no samba, me jogou no carnaval
Me trata bem como ninguém faria igual

Ele vai quando tudo está bem
Ele vem quando tudo está mal
Me protege no escuro da madrugada
Me diz: Olha bem mas não diga nada

Ele é sério e educado
Me empresta seu gingado
Diz que não é Zé
Mas posso chamá-lo do que quiser

Seu nome não dá rima perfeita
É o Malandro da Camisa Preta
Onde ele está, não tem "treta"

Fala difícil, complicado
Faltou pouco pra ser advogado
Injustiçado, acabou numa cadeia
Por isso desembaraça qualquer teia

14 de mai. de 2018

SAMBA NO PÉ, MELODIA NAS MÃOS COM CHEIRINHO BOM DE COMIDA NO AR



No retorno da Feira das Yabás após 6 meses, foi a gota de orvalho na suavidade da pétala da flor, pela suavidade das homenagens e também o encontro do fogo com a gasolina, no calor dos sambas e pagodes mais sacudidos, uma poesia bucólica? Antiga? Suburbana? Sei lá... Uma poesia cheia de poesia! Nas cores de uma tarde linda.
Marquinhos de Oswaldo Cruz transmite suavidade e uma certa força orientadora nas suas explicações breves na voz mansa que transmite em gotas bem dosadas o esclarecimento de uma política cotidiana, a importância da ocupação pelo povo do espaço que é seu (do povo). 
Hoje Marquinhos tinha o público nas mãos, era a saudade de estar ali e, finalmente, estávamos de volta. 
A Feira das Yabás é mais que um evento, é mágica, fé, calos, cansaço, samba no pé, melodia nas mãos com o cheirinho bom de comida de mãe no ar. Que Deus proteja esse espaço de alegria, harmonia e paz! Amém.

FORA DE MODA



Sei lá, eu só desejo que as coisas funcionem independentemente de marca, fama, in ou out. Se tenho que vestir roupa, que eu goste dela, pouco me lixo se está na moda, se é fashion. Nem no tempo da minha juventude quando surgiu uma moda de usar boné com a etiqueta pro lado de fora mudei de opinião. E, eu era a rainha dos bonés, tinha mais de 15!
Chapéu panamá (que tinha uns bolivianos ali pela Lapa fazendo e vendendo) usei muito, porque eu gosto de coisas na cabeça, também porque trabalhando em shows e eventos, quando tinha que vender CDs no meio do povo, o artista indicava:
- Aquela moça com chapéu branco...
Até que de repente eram tantos os chapéus "brancos" que ninguém me achava com facilidade.
Parei com o chapéu, mas antes usei os coloridos, só de farra.

Sempre, desde criança quis usar chapéu. Quando moça, logo após conhecer meu pai, ele me deu um chapéu, bem estilo Zé Pelintra. Era preto, aveludado e  ficava bonitinha com ele, mas naquela ocasião era estranho uma mulher de chapéu em Jacarepaguá, então, só usava quando ia pra balada no Centro ou Zona Sul. Um dia fiquei tão aborrecida com o meu pai, que eu só chamo assim para as pessoas entenderem, mas que ele nunca me deu a mínima como filha, que joguei o chapéu fora. Aliás, mais que isso: Sapateei em cima e taquei fogo. Naqueles tempos eu era muito temperamental, explosiva ao extremo. Sempre que tinha essas atitudes intempestivas, me arrependia depois. Não tivesse tantos chapéus similares, sentiria falta daquele, queimado feito bruxa na fogueira e do mesmo jeito que as bruxas, não adiantou nada. O mal não estava no chapéu.

Hoje, de volta ao bairro de origem, nem ligo se as pessoas se "incomodam" com uma mulher de chapéu. Também não me incomodo com a admiração das pessoas pela marca das coisas que uso e assim uso qualquer coisa que eu ache legal.
Sempre pensei que se ganhasse na mega sena, compraria um carro, contrataria um motorista e nunca pensei qual marca teria o veículo, desde que andasse, maravilha. Igual para celular, queria que ele falasse alto e claro, hoje quero que ele não trave. As coisas, pra mim, só precisam funcionar, de preferência, bem! Só isso. Celular uso até pouco. Se estou num lugar que tem conversa, até esqueço do esmartefone. Quando estou na condução, leio livros.
Há anos ando perdida de amores pelos notebooks da Dell porque não me decepcionaram, ainda. Enquanto o Sony Vaio ficou no sonho e o Apple ainda é utopia. Porque entre os meus olhos e a vitrine sempre existe algo chamado preço.

E fico aqui pensando... Por quê as pessoas gostam tão mais do status, das marcas das coisas do que das próprias coisas?  Isso me fez lembrar uma conhecida que tinha a estante mais cheia de livros do bairro mas só lia "Capricho", "Julia" e "Sabrina" ainda que ela achasse que tinha letras demais e fotos de menos...

Por que as pessoas preferem as coisas em detrimento das outras pessoas, se a maioria das pessoas funcionam até bem direitinho? Nenhum celular nunca pagou cerveja pra mim. Nunca que vou dar mais atenção a ele do que a alguém que esteja conversando comigo.
Devo ser alguém muito fora de moda.

RETORNO DA FEIRA DAS YABÁS: COUBE TUDO NA PRAÇA, N.Sa., Preto-Velho, Dia das Mães,130 Anos da Abolição

Tem vídeo.
No retorno da Feira das Yabás após 6 meses, foi a gota de orvalho na suavidade da pétala da flor, pela leveza das homenagens; e também o encontro do fogo com a gasolina, no calor dos sambas e pagodes mais sacudidos. Uma poesia bucólica? Antiga? Suburbana? Sei lá... Uma poesia cheia de poesia! Nas cores de uma tarde linda. Marquinhos de Oswaldo Cruz transmite suavidade e uma certa força orientadora nas suas explicações breves na voz mansa que transmite em gotas bem dosadas o esclarecimento de uma política cotidiana, a importância da ocupação pelo povo do espaço que é seu (do povo). Hoje Marquinhos tinha o público nas mãos, era a saudade de estar ali e, finalmente, estávamos de volta. A Feira das Yabás é mais que um evento, é mágica, fé, calos, cansaço, samba no pé, melodia nas mãos com o cheirinho bom de comida de mãe no ar. Que Deus proteja esse espaço de alegria, harmonia e paz! Amém.

6 de mai. de 2018

O PRIMEIRO SAMBA A GENTE NÃO ESUECE

Vanderlei Santana, Catia Guimarães, Rozzi Brasil, 

Uma experiência inigualável! Olho pra mim e me vejo satisfeita por ter tido a oportunidade de participar de mais esse trecho de tudo o que compõe o samba do Rio de Janeiro. Vai ter textão, esse é só o primeiro. No momento só posso dizer algumas das muitas coisas que aprendi recentemente:
- Não existe escola pequena.
- Nossa Cultura é grande, grande, muito maior que qualquer competição. Inclusive, ela só une. Se alguém se divide, precisa aprender um pouco mais sobre a cultura do samba carioca
- Um enredo bem escolhido chama, aglutina, dá volume ao trabalho da agremiação. Jeronymo Patrocinioo foi uma excelente escolha, sua trajetória rendeu sambas inspirados e lindos. Botou o GRES Arame de Ricardo diante de muitos que o tinha esquecido ou não o conheciam.
- Uma boa sinopse é fundamental para dar brilho à trajetória do homenageado, colorir a história que se vai contar e transmitir o conhecimento "pra geral".
Parabéns, Samir Trindade você fez isso muitíssimo bem!
- Participamos desse concurso levados pelo respeito às cores azul e branca, pelo reconhecimento ao tema do enredo - Jeronymo Patrocinio, para quem fama e sucesso não são equivalentes e cabem em Madureira, sem precisar de AP nos bairros badalados.
- Nossa parceria é nova em trabalho junto, mas certamente vem de uma amizade de outras vidas, tal a sintonia que desenvolvemos. Não somos os mais ricos e por isso mesmo tentamos preencher com talento, carinho e experiência de vida, amizade, respeito e sentimento de equipe todas as lacunas que a falta de grana produz. Agradeço sinceramente a quem vem com a gente!
- Seja qual for o resultado de hoje, só ter aprendido esses itens acima, já nos faz campeões apaixonados pelo samba e pela vida. Claro que eu quero muito cantar esse samba na final, em Oswaldo Cruz, na Portelinha! Mas os fatos da vida não ensinam só pra mim e felizmente tem gente e coisa boas correndo atrás, como nós. Por isso o coração bate na boca mas ele tá tranquilo porque fizemos com alma e nos dedicamos com todo amor que temos!
SEGURA POVO, QUE O ARAME VAI PASSAR!
O MENINO SONHADOR VAI BRILHAR NA PASSARELA!
E ele sintetiza o sonho e a luta de todos nós!
Salve Jeronymo! Dodô! Patrocínio!
Salve o azul e branco do Arame e da Portela!


Uma experiência inigualável

A imagem pode conter: 6 pessoas, incluindo Rozzi Brasil e Vanderlei Santanna, pessoas sorrindo, pessoas em pé


Uma experiência inigualável! Olho pra mim e me vejo satisfeita por ter tido a oportunidade de participar de mais esse trecho de tudo o que compõe o samba do Rio de Janeiro. Vai ter textão, esse é só o primeiro. No momento só posso dizer algumas das muitas coisas que aprendi recentemente:
- Não existe escola pequena.
- Nossa Cultura é grande, grande, muito maior que qualquer competição. Inclusive, ela só une. Se alguém se divide, precisa aprender um pouco mais sobre a cultura do samba carioca
- Um enredo bem escolhido chama, aglutina, dá volume ao trabalho da agremiação. Jeronymo Patrocinioo foi uma excelente escolha, sua trajetória rendeu sambas inspirados e lindos. Botou o GRES Arame de Ricardo diante de muitos que o tinha esquecido ou não o conheciam.
- Uma boa sinopse é fundamental para dar brilho à trajetória do homenageado, colorir a história que se vai contar e transmitir o conhecimento "pra geral".  Parabéns, Samir Trindade você fez isso muitíssimo bem!
- Participamos desse concurso levados pelo respeito às cores azul e branca, pelo reconhecimento ao tema do enredo - Jeronymo Patrocinio, para quem fama e sucesso não são equivalentes e cabem em Madureira, sem precisar de AP nos bairros badalados.
- Nossa parceria é nova em trabalho junto, mas certamente vem de uma amizade de outras vidas, tal a sintonia que desenvolvemos. Não somos os mais ricos e por isso mesmo tentamos preencher com talento, carinho e experiência de vida, amizade, respeito e sentimento de equipe todas as lacunas que a falta de grana produz. Agradeço sinceramente a quem vem com a gente!
- Seja qual for o resultado de hoje, só ter aprendido esses itens acima, já nos faz campeões apaixonados pelo samba e pela vida. Claro que eu quero muito cantar esse samba na final, em Oswaldo Cruz, na Portelinha! Mas os fatos da vida não ensinam só pra mim e felizmente tem gente e coisa boas correndo atrás, como nós. Por isso o coração bate na boca mas ele tá tranquilo porque fizemos com alma e nos dedicamos com todo amor que temos!
SEGURA POVO, QUE O ARAME VAI PASSAR!
O MENINO SONHADOR VAI BRILHAR NA PASSARELA!
E ele sintetiza o sonho e a luta de todos nós!
Salve Jeronymo! Dodô! Patrocínio!
Salve o azul e branco do Arame e da Portela!

3 de mai. de 2018

DE CÃES E GATOS

Resultado de imagem para cão e gato



Desde menina me dá uns trimiliques assim de ficar de "saco cheio" de um monte de coisas e aí dou uma isolada. Tive a fase ir para o cinema meio que compulsivamente, me enfiar em museus às vezes vários num dia, enfiar a cara num livro daqueles bem volumosos tipo romances da literatura russa. Tive a fase de me matar de trabalhar, produzir, criar, inventar e fazer faxina daquelas que a gente limpa o que está limpo e reordena o que já está arrumado.

Quando eu era bem criança dava de conversar com os cachorros da casa que ficavam lá meio isolados com a tarefa de cuidar da casa latindo para os que se aproximassem do portão.
Naquela época achava os cães mais compreensivos que os gatos, pois esses viviam passeando, soberbos esfregando sua liberdade na cara da gente. Chegavam em casa pra dormir, comer e às vezes pedir um carinho que a gente tinha que dar mas que quando eu queria fazer nunca aceitavam. Tinha que ser tudo na hora que eles queriam Mas nunca consegui ignorá-los. A beleza e o charme felino sempre me atraíram irresistivelmente. Aturava então as manhas e manias, mas sabia que quando a barra pesava era o cachorro que ia me ouvir. Sentava-se ereto, atento. Diante de alguns assuntos dobrava uma orelha, balançava a cabeça e as vezes até "falava".

Muito melhor ser compreendida pelos bichos do que incompreendida pelas pessoas. O cão amarrado tinha tempo pra mim, nem por isso cresci achando que deveria prender as pessoas para ter companhia, até porque, tenho uma natureza muito felina pra prender alguém.

4 de jun. de 2017

A SOFRÊNCIA NÃO E ESCOLHA UNIVERSAL DA JUVENTUDE

Considero Tia Surica Da Portela um fenômeno. Ponto. E acho uma maravilha os jovens que vem se voltando para ela com muito respeito e admiração. Eles têm em mãos as mídias alternativas e enxergam que o samba é a alternativa, que os bambas não envelhecem. Admiro a sede de conhecimento dessa galera e a vontade de estar no contexto cultural juntinho com a nossa perene tradição. É lindo isso. Não acha, não?

Na Associação A Rebeldia na comunidade Alto Vera Cruz, Belo Horizonte:

No Samba Independente dos Bons Costumes, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro:

Como disse Pedro Manhães, líder do grupo Samba Independente dos Bons Costumes, após participação de Tia Surica no projeto que tem o mesmo nome:
"Tia Surica, botou todo mundo no colo e levou!"

Entusiasmado, o musico, 24 horas depois do evento ainda não cabia em si. Pensa que deveria ter dado um intervalo depois da participação, mas colhidos pelo furacão Surica, seguiram tocando e rindo com caras de bobos, mesmos.

Foi arrebatadora a cantoria que a pastora portelense ofereceu, carregou geral que não desgrudou da roda. Creio que esses jovens nunca viram algo assim, acostumados a correrem atrás do samba de raiz pra curtir num mercado entupido de pagodinhos insossos, corridinhos com umas vozes gritadas no melhor estilo sofrência atual . 

Acho que além da faixa de Matriarca da Portela, Tia Surica merece mais uma, a de embaixatriz da Portela, do samba, de Madureira, daquelas coisas "goiabada cascão em casca, é coisa fina que ninguém mais acha". Que bom que nós achamos e além de um público que se diverte vimos um público encantado!
Essa é uma das tônicas do Samba Independente dos Bons Costumes, levar samba carioca para os cariocas.
Foi lindo, lindo e inesquecível.

 Antes, Tia Surica vai receber Moção Especial de reconhecimento Cultural pelo mandato do Vereador Reimont e iniciativa do Departamento Cultural da Portela, em sessão solene na Câmara de Vereadores do Município do Rio de Janeiro, às 18h