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7 de abr. de 2016

CORAÇÃO SALGADO


















Fiquei de longe olhando seu mundo naufragar,
Você não percebia,
Eu sabia
Que minha vida se afogava junto.
Você não se desfaz
Daqueles que joga ao mar.
Tubarão não come
Carne de apaixonado
É sina viver maltratado,
Jogado, naufragado, atordoado, 
afogado, atormentado de amor.
Salgado

22 de mar. de 2016

LAÇOS DESFEITOS (estendido)

Um ou dois aspectos que fazem de mim uma criatura estranha é que talvez eu me entristeça mais pelo que nunca tive do que por aquilo que perdi. Ninguém perde o que não tem. Há coisa mais triste que não ter? Não ter o sentimento, não ter a visão de uma flor que brotou, de uma criança que sorriu, não ter um amigo... O que perdemos nunca estará perdido, comporá a nossa experiência, no mínimo será uma história a contar. Quem teve, quando perde, só perde em parte. 
A minha tendência à alegria foi construída, o meu espírito de luta também. Tristezas em mim agem como combustível. Por natureza seria eu um ser "com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar", mas acontece que a vida não "me deu mole", a zona de conforto que ela me oferece é menor que quitinete de Copacabana e quem de nós, vez por outra, não precisa se espalhar ainda que só um pouquinho? 
Frustrações me abatem, eu sempre levanto vôo mais uma vez, quase sempre em nova direção e as conquistas se sucedem. Decepções me prostram mas a quitinete da vida é por demais pequena e aí preciso ir à rua tomar sol, ver o mar - não, não, pela janela não vale! E nem sempre nossa janela oferece uma paisagem edificante.

Dói-me em proporção muito maior partir do que apenas dar adeus, minha vida começou com despedidas. Na partida, eu sei o que estou deixando e não sei o que vou encontrar. No mais, já cheguei a esse mundo tendo de dar adeus e talvez não tenha os braços longos para os adeuses que falava o poeta Vinicius. Aliás, quando nasci meus bracinhos eram curtos e cresceram na proporção da minha vontade de não me despedir.
Sim, tenho mais dificuldade para dizer o não do que para acolhê-lo de quem o distribui. Não carrego a responsabilidade pelo entendimento alheio e compreendo o desentendimento, entendo que ele faz parte, como sei que é preciso muitas vezes conversar para que não mais faça parte, o desentendimento de nós. Quando alguém se vai por desentendimento ou mau entendimento, me diz não com facilidade, sem aviso ou explicação, tomo ciência da pouca importância que ali me cabia. Eu compreendo que no mundo tem muita gente importante e que nem todos são importantes para todo mundo. Não deveria ser assim, mas é assim que é, portanto, se em algum momento não somos importantes para alguém, paciência, tem muita gente no mundo.Na terapia aprendi a simplificar, eu sei que sempre terei pele e jamais terei casca. Sempre terei rosto e jamais usarei máscara. A nossa cara não é para bater, mas se a gente apanha, que fique feliz por ter por perto compressa de gelo. Afinal tudo passa, inclusive os outros e também nós.


8 de ago. de 2015

POR EXEMPLO


Durante anos mantive que não tinha pai. Até hoje acho que não tenho. Durante a infância era a incompreensão do não entendimento, na adolescência o entendimento me revoltava, afinal eu tinha dois, como poderia não ter nenhum?
Por fim, todos os demais pais que diziam serem meus, incluindo as mães, se foram. Restou o biológico, que não cuidou de mim, nem da gente. Não me deu direito a herança, permitiu que eu aprendesse pelas ausências e indiferenças.
Mas se me deixou essa genética de ser gorducha, cara redonda e solitária por natureza, deu-me também o gosto pelo samba, sobrancelhas eternamente feitas, covinhas marcantes e o sorriso que todos elogiam. É o suficiente para amanhã eu estar com ele, mostrar-lhe que aprendi o que ele certamente não sabia para nos ensinar. Ainda que tenha tido oportunidades e se recsou a aprender.
A vida é um dia depois do outro e me surgiu de algum lugar. Na falta de consideração, respeito ou amor (que para mim é tudo uma coisa só) devemos fazê-los os melhores dias possíveis. Se não tenho bom exemplo, tive que ser um exemplo de alguma coisa boa que uma história ruim possa gerar. Vivi o suficiente para compreender finalmente que pirraça não constrói.
Feliz Dia dos País!!!

7 de dez. de 2014

TRITURA MAS NÃO MÓI














Sou acostumada com algumas aceitações e grandes rejeições. 
Não me acostumo, mas aceito o que não tem jeito, atravesso
as decepções
No pagode, tímida, enquanto sorrio, calada, verso.
Tenho calos que me protegem, confortam. 
Por isso rio, mesmo quando dói.
Incomoda-me a indiferença dos que não se importam.
A vida me tritura, mas não me mói
Fecho os olhos aos que provocam e não suportam.
Todos os muros, vidraças, torres e carapaças que construí,
Ruíram na primeira necessidade de um amigo,
no primeiro sorriso de criança
Não é na segurança que me abrigo.
Todas as ordens, conceitos e defesas caíram
Quando abaixei para pegar um animalzinho abandonado qualquer.
Tenho o peso das ordens e a leveza da desordem. Coisas de mulher.

5 de jun. de 2014

Com graça nunca de graça

E quando finalmente aprendi que a vida é próspera para aquele que divide seus dons e talentos INCLUSIVE consigo mesmo, proferi uma frase que confesso, no passado achava coisa de mercenário. 

A nossa sociedade tende a gerar uma relação hipócrita com o dinheiro como se fosse feio gostar dele ou pelo menos assumir essa necessidade, fabrica uma relação hipócrita com as pessoas, camuflando como amizade o desejo de conquistar ou interesse no sucesso que elas fazem.

A frase de certa forma promoveu uma mudança no meu cenário que apesar de dolorosa foi bastante benéfica, quase uma profilaxia. Abriu novos caminhos e saneou as águas paradas. Afinal as coisas são ou não são e as pessoas estão ou não estão.
Qual é a frase?
"Continuo fazendo tudo com graça mas não faço mais nada de graça".
Porque tudo que eu consegui, teve um preço a pagar, ainda que eu não tenha preço. Porque tem gente até hoje tentando saber quanto eu custo. Porque Algumas pessoas na impossibilidade de nos incorporar como se fossemos um impreendimento imobiliário, tentam nos adquirir, portanto, amigos, cuidado.

9 de abr. de 2014

QUANDO FUGIR É FICAR
















É por aqui que eu vou fugir. 
Pelo azul infindo, indescritível do céu.
Não eu não vou voar!
Eu vou planar, levitar,
manter-me à superfície do ar 
como quem boia,
intrépida como quem navega.

Manter-me à superfície, desconsiderando o egoísmo e a esperteza.
O excesso de vaidade, espontaneidade, alegria e falta de singelza
Continuarei acreditando, e de pé, pois que o reais, não caem nunca.
A dor do poeta, não implode,
ela explode sempre nos ombros da poesia.
Faz tempo que não poemo.
As rimas raras são raras no entendimento.
As rimas fáceis cansativas, um tormento.
Ignorarei, os nomes que as pessoas dão às coisas, vivê-las-ei somente assim, como sempre foi,
o impacto dessas tantas coisas no meu coração.

Nomeiam-se atos, atitudes como  se fosse filho ao nascer,
Como se dele fossemos donos até o entardecer.
Nomeiam-se intenções como se políticos fossem,
como se eles fossem nossos donos até anoitecer.
Não, não quero saber o nome de nada!
A vida é canção, vara a madrugada,
atinge em cheio meu peito repleto,
açoita meu sentimento discreto
e o que importa é que tudo isso vai passar.

8 de abr. de 2014

Pessoas-Projetores

Eu aprendi que:
Às vezes na vida somos levados a tomar certas atitudes que jamais tomaríamos, por conta de atitudes nefastas de pessoas que falam uma coisa e fazem outra.

Tem gente que acredita tanto no seu próprio carisma, que esquece que o outro tem valor. Enrolam rapidinho pra conseguirem o que querem, certos de que mais à frente dará um novo jeitinho. E assim o tempo passa...

No rastro dos que vivem apenas de aparência estão as sombras de pessoas, na maioria crédulas e em-intencionadas usadas como objetos. À frente, novas pessoas, aduladas para que sejam seus novos utilitários.

Não adianta rogar aos santos, pedindo milagres quando não fazemos a nossa parte. Não podemos proteger aqueles que só concordam com a gente quando estão precisando.

Essas pessoas cultuam as aparências dizendo que são ótimas e que suas vidas são lindas, mas são projetores  de imagens fictícias e ilusórias e essas imagens desaparecerão assim que se fizer a luz.

7 de abr. de 2014

PORTA-VOZ NAS ESTRADAS....MEU CAMINHO É DE PEDRA COM POSSO SONHAR?

Sinto uma coisa muito esquisita quando vejo o Diogo Vilela de garoto-propaganda governamental municipal.
Nessa parte sobre o Parque de Madureira, vai lá...
(Foi e está sendo mais ou menos assim. Uma diversificação de diversão, de opção de lazer, porque Madureira sinalizava isso através das improvisações criativas para suas manifestações culturais e espaço de lazer. É Charme na porta dos botecos, debaixo do viaduto, samba pelas calçadas e tudo o que a gente sabe. Faltava não ter que sair de Madureira para curtir coisas diferentes e durante o dia.
Mas no segmento da saúde, cantar as UPA(S) em prosa e verso, como se servissem aos objetivos, resolvessem o problemas e não fosse fonte de reclamações?)
Passei até mal.

É fod@ essa parada de ter que ganhar dinheiro... 
Que deus me mantenha, como até aqui, capaz de recusar o que não acredito.
(Embora isso vá me manter assim pobrinha até o fim dos tempos)

23 de nov. de 2013

PORÇÕES ANIMAIS


O meu lado masculino é leve e desencanado 
Passa longe de mim aquela porção cadela que não divide espaço, 

Meu lado masculino é cão macho que respeita o cio,
Por ele aguarda se não o provoca,
enquanto que as cadelas
evitam a cruza em seu domicílio…
O meu lado feminino  está mais pra leoa que caça pro leão 
e pra ele oferece a primeira porção.

Você foi a cadela que protegeu seu quintal,
sua casa, seu PC, sua vida e seus amigos. 
Eu tão ao contrário disso cansei de ser expulsa 
por coisas que nem valorizo. 

De tudo o que você tem, eu só queria você. 
E de tudo o que eu te dava, 
você queria sempre o que eu não possuía.

É certo que indo buscar é um risco encontrar…
Eu nunca quis seus amigos, 
não me importei em dar os meus pra você.

Eu nunca tive ciúmes, 
mas não me livrei do medo de perder.
Eu não acho nada demais ter uma vida cafona 
se ela pudesse ser verdadeiramente minha 
e fingidamente sua. 
E daí, se você não soube o que fazer com ela?
E eu que te amava tanto,
um dia acordei com medo de você.
E esse amor que era tudo na minha vida, uma vez me perguntou:
-Por que? 
Pra que?

17/05/2009

A ÁRVORE





























Que eu sempre amei a pessoa, 
não se discute.
Que este amor relute em sair de mim, 

é o certo.
Que ele foi malsucedido como planta em via pública,

é real.
Aquela árvore plantada em via pública 
no dia 20 de abril, 
com banda e faixa. 
Foto, placa e muitos aplausos. 
Um dia tornou-se apenas parte da paisagem, 
gritando sem que ninguém possa ouvi-la.
Você um dia era o gari 
que vinha e podava 
e logo já ia para outro lugar 
varrer novas ruas.
17/05/2009

De amor, poemas e mortes

























Como se morre quando começamos a viver?
Como não ser idiota por motivos de amor?
Como se faz quando aquele velho amor pra nós é tão novo
mas se torna uma velha canção enfadonha ao ouvido do amado?
Como reverter a impaciência em energia nova, feito flores que voltam a cada estação?
Ou buscar o dom de perdoar feito um verdadeiro cristão?
A verdade é que não se foge das rimas baratas, vulgares pois na dor todo peito sangra
Não há como ser poeta diante da tragédia comum.
Eu perdi o dom da poesia quando encontrei o caminho da implosão,
os mais belos poemas explodem em risos de morte
Deboches da sorte, dormências, semências e dor.
Foi só um castelo de areia que que o mar levou…
Poetas não calam, poetas exalam, aquilo que engolimos
fingindo provar.
Nosso amor foi como morrer, daquelas mortes que chegam sem dizer
sem bilhete nem explicação.
Aquela morte que nos acolhe no meio do dia,
que interrompe um sonho na noite
daquelas sem tempo pra se despedir
Daquelas que ao se saber não se entende porque.
Mas ainda assim posso dizer meus melhores momentos
foram com você.
23/11/2010

16 de out. de 2013

O MEU PESO e a SUA MEDIDA


Apesar  de tantas ou algumas coisas tristes ou talvez apenas sofridas  que passei contigo, não quero, não devo e não posso te querer mal. 
Contraditoriamente quero-te muito bem, pois ainda sorrio por antigas alegrias que se foram para sempre, mas ficaram nas (des)construções e me compuseram feito essa canção que penso eu me tornei hoje em dia.

A sua leveza insustentável tal e qual  o meu filme predileto durante anos, manteve-me leve com nariz à superfície. Respirando e eu  sobrevivi. Sobrevivi às minhas derrotas, às supostas perdas e aos danos irreparáveis. É certo que eu me danifiquei, como produto com anos a fio 
de uso e alguns desusos

Contabilizando perdas e danos...
O que perdi é irrecuperável,
mede-se em  
anos. 
O que ganhei é incalculável,
diz respeito aos planos.

E isso é apenas uma rima boba.

Eu te agradeço, eu não sabia que tinha glamour, que era uma gracinha, que tinha lá minha sensualidade. Que conseguia ser sutil falando a verdade.
Eu te agradeço às boas doses de coragem que você me emprestou sem ter para si mesma.
Agradeço ter me desencravado da rocha como se eu fosse minha própria espada mágica da minha salvação.
Agradeço por ter-me ensinado como comportar-me  com alguém tão mais linda e chamativa.
Com você aprendi mais sobre mim mesma, do que tantos anos de terapia puderam me ensinar. Aprendi que amadureci antes de crescer, como os frutos que enclausuramos embalamos para precocemente poder comer.
Aprendi a sorrir mais, falar menos, calar muito e até acho que calei pouco demais.
Aprendi a enfrentar os seus bicho-papão e a esquecer os meus.
Foi você quem me ensinou o valor de uma festa.  A empinar o nariz, estufar a bunda, rebolar e não sorrir para os assobios desavisados.
Obrigada por gostar dos meus passos de samba limitados que me tiraram da frente do espelho e me levaram tão longe.

Se com você eu me perdi, foi contigo que encontrei meu estilo e potencializei-me como estilosa, aprendi a ficar prosa e na sua admiração deixei uns dois dedinhos da minha famosa de desacreditada timidez. Peguei em  microfone e falei, daqui pra frente conseguirei r cantar.

Eu vivia numa concha, que nem era do mar e por isso não emitia som. 
Eu tinha preguiça de viajar, eu tinha arestas na alma e umas tantas rugas no coração. Ficar agora com umas poucas que você me deu, não é nenhuma danação.
Você me deu coragem quando eu precisava te proteger. Protegi, jamais permiti que falassem mal de você, evitei todo o mal que podiam te fazer, só não consegui te proteger de você...
Você sempre foi mais forte que eu e sei que não sou fraca, portanto cuidado, não acredite mais assim tanto em você, mas acredite em todos que confiam no que você diz..

Você não resiliente, nem resistente, no entanto, chegou a hora da troca de guarda. Talvez eu tenha dormido em serviço ou quem sabe não trabalhei mais do que devia, dando mais do que você queria.... Eu errei quando troquei os meus valores pelos seus, quando compus nosso sistema híbrido de informações.

Houve um equívoco seu, minha alma de criança pobre não cresceu. Continuo aceitando as desculpas esfarrapadas de um papai noel que sei, não existe, mas vejo que está ali de marmita na mão e por isso acredito. Perder o presente já é dor suficiente. Insistirei em sonhar, não vai ser difícil,  desde criança confecciono meus próprios brinquedos. Hoje, de  um fio de arame eu faço cerca, afinal,  que são dores de amor diante de uma vida inteira de amor errado, carinho subjugado?
Eu já cheguei moída na 
sua vida e não tenho medo de virar pó, apenas evito.
Sim, você me reciclou!
Depois de tanto viver sem elevar o olhar, você me deu olhos pra ver que a vida não começa quando nascemos, a vida é presente para os que insistem e renascem. Esse mistério filosófico de ensinarmos o que não sabemos, muito me espanta!

Você tinha idéia e eu a realização.
Você feito louca endiabrada ia pela estrada que nenhum santo se aventuraria ir.
Eu fui criada por vampiros, jamais entrando onde não tinha permissão.
Você, uma pomba-gira que bebia coca-cola e emitia suas luzes, expressas em estrondosas gargalhadas.
Eu um anjo, ao lado dos derrotados com minhas lindas asas elegantemente aparadas, não  e feito instrutor de paraquedistas, foi  com um pé na bunda que você me fez voar.
Não foi por mal, não foi por bem, apenas foi porque é assim. "A gente é pro que nasce" e eu que não nasci,  apareci, não me escondo nem me mostro, eu vou seguindo. Espero com sinceridade que você siga também.

Gostaria de ter sido tão boa para você quanto você foi pra mim. Não quero jamais pra você o mal que você me deu.
Encaro como fim de festa e estou no auge da faxina, logo meu salão estará pronto de novo e eu vou fazer o que mais gosto e sei fazer: 
Produzir! Organizar, dar broncas com jeitinho, receber com sorrisos e carinho.
Andávamos em paralelas e podíamos nos tocar, mas nunca estivemos no mesmo universo. 

Foi bom contar  pra você as histórias dos livros que  você tinha  preguiça de ler. 
Foi legal fazer por você o que você não gostava de fazer.
Foi bom te apresentar o Charlie Brown Jr meu mundo organizadamente devasso e discutir novelas que eu nunca conseguia ver e todos aqueles dramas que na defensiva conseguíamos fazer.

Te agradeço pela Bibi Ferreira, pela Marília Pera e todos os programas legais que os seus amigos com o seu consentimento ou a sua isenção me barravam. O Universo teria se movido se algum dia você dissesse não e eu não sei se isso seria bom. Tinha que ser assim, eu que nascia nova todos os dias, mudei de vez e você segue sua linha de insensatez, mas faz sentido pra você tudo o que não funcionou pra mim.

E eu continuo saindo do cinema com a cabeça fervilhando de idéias, prolixa, verborrágica e creio que ainda ache lindo sua forma de fazer as boas direções caberem numa unica expressão: mmm-a-r'avilhooso !!!

Não podia ser de outra forma,  de tanto amor, faltou cumplicidade, mas tínhamos amizade, que jamais romperá o meu véu do passado. Nada será como antes, meti o pé na estrada, mas não mais sou guerrilheira, nem atiro a esmo. Estou aprendendo a pensar antes que uma emoção me devaste ou me atire abaixo dessa escada caracol que é viver nessa nossa linda cidade!

Obrigada pelos seus sonhos que você me deu! Morei
 onde sempre sonhei, mudei-me é fato, mas os átomos dos ares locais impregnam-se e vão onde quer que eu vá. A magia está comigo e devagar, muito aos poucos volto a acreditar. Eu sei que você não acha mais graça, 
em peixe frito e vozerio na praça, mas não conta pra ninguém.

Eu te trouxe para Madureira, eu troquei a cor da minha bandeira e você indecisa. Mas quem é grande não precisa de passaporte, basta um pouquinho de sorte. Só os cafonas não se modificam, só os tolos não acreditam e você me fez acreditar.


Te agradeço aquela Nikon que paguei mas jamais compraria. 
Obrigada pelo Dell tão sagrado que demorei quase  6 meses para conseguir usar, sim eu sei, não foi presente, foi um carnê a mais e uma imposição a menos, o que talvez você não saiba que com eles vieram o manual de mim e a garantia de que eu era boa no que fazia. 

Desculpa eu jamais ter-me sentido expert, é que vejo como construção inacabada, gosto de aprender todos os dias, não quero a responsabilidade de liderar porque as marchas de um jeito ou de outro acabam com os sonhos e se isso alguém dia acontecer comigo, não busco outra padaria, aprenderei a me virar com um bom  pão doce.
Não ter nascido pra Xuxa é uma tristeza, mas não ser Mara Maravilha é um alegria!
Te agradeço por nunca ter investido em mim mas ter me obrigado a fazer isso.
O lado ruim das coisas tristes passou. Não esqueci, mas não quero lembrar, tristeza não sedimenta, não baseia, não é bom alicerce e tudo  que faço é me reconstruir a cada dia que inicia, a cada lua que me beneficia. Mais do mesmo para quem já nasceu tão triste, acabei me alegrando de tanto brincar de alegria e ignorar minhas dores até que é uma boa profilaxia.

Já me perguntaram algumas vezes se ainda te amo. As pessoas querem sempre saber o que jamais saberemos. Sei que te odiei uns dias e a mim por tempo dobrado. Depois o ódio passou e ficou o resultado.

30 de set. de 2013

CARÊNCIA

Acho que estou num momento de carência e a minha não me move nem não causa movimento. Assume um estado entre o espanto e o deixar estar.
Queria não fazer nada, ficar parada, aguardando o próximo movimento pra ver o que vai dar.

4 de set. de 2013

MUDAR

 
 Então que decidi mudar.
Nem para melhor, nem para pior.
Preciso ser diferente
Não, não, não...
Claro que não vou adotar o Salgueiro!!
Apenas mudar, de uma forma que você não me reconheça.
Eu não mais perca a cabeça e as pessoas possam ao menos,
enganar-me menos...

25 de ago. de 2013

Memoria semanal de uma cinefila distraida 1 - FLORES DO ORIENTE

Fui atropelada por Flores do Oriente (Zhang Yimou , 2012). Numa fase de vida que tudo descomplica, focada em ângulo reto para uma semi-nova atividade profissional, atraída pelas sempre perfeita e exuberante fotografia dos filmes do diretor chinês, lá  fui eu, num  feriado chuvoso, religioso e deveras frio pro Odeon Br (Cinelândia - Centro- RJ),  que nos feriados não abre seus  preciosos espaços terceirizados (imagino eu) privando os clientes do conforto do bebida quente ou da birita gelada e agraciando os mesmos com o pleno desconforto de um banheiro que só se pode usar durante ou após a sessão, isso porque o funcionário que libera a entrada, verifica o bilhete é o mesmo que cuida para que nenhum retardatário permaneça para a sessão seguinte... 

E pensar que eu desprezo do fundo do meu coração os cinemas de shoppings, apenas por estarem dentro de um shopping... Bem feito pra mim! 


Pois bem, animada com o diretor que gosto pela exuberância das suas cores, incentivada pelo comentário de uma amiga no Facebook, sem ler nenhuma resenha previamente, embalada pelo lirismo do nome traduzido, temerosa de que a insistente chuva tornasse mais uma daquela enchentes cariocas, decidi encerrar minha tarde no cinema mais próximo. Gostei do filme, mas não o suficiente para aprovar sua duração, não precisava ser tão longo, período em que passei pela  aflição, tensão e cheguei a desespero, coisas que sp filme baseados em fatos reais são capazes de fazer com os meus nervos.



Existem 2 gêneros de filmes que não assisto nunca: Filmes de guerra e de escravidão. E eu tinha que parar  justamente num cinema com um filme sobre o "massacre de Nanquim", num dia de feriado santo quando tudo o que eu sonhava era me distrair. Tarefa inútil diante da narração de um fato que não adianta torcer, o herói não vai vencer! A leitura retardada das críticas me fizeram compreender que toda profissão/função tem seus truques e atalhos e, certamente críticos de cinema não devem ser diferentes ou não encontraria explicação para tanta frieza nos comentários.Concordo que as personagens são esterótipos, que o longa se ocupa de um fato com desfecho conhecido e já outras vezes retratados na telona, mas nada disso impediu-me de ter  coração acelerado nas cenas de perseguição das mulheres e crianças para serem mortas ou estupradas. A burocracia apontada pelos críticos não me tirou o ímpeto de torcer pelo oficial sobrevivente nem abrandou minha decepção com o seu destino.

Zhang Yimou, imagino, dirige para o público, arrebata-o e o seduz com suas ambientações precisas, com suas cores envolventes onde a direção é o filme e os atores compõem a história que a câmera, suas cores e movimentos contam.
Pelo meu momento pessoal,  saí do cinema satisfeita com o filme,  mas triste por uma história que não deveria jamais ter sido verdadeira, sentindo que não fui feita, como boa cultuadora de super heróis ainda que animações,  para histórias pouco generosas com os mais fracos...


FRASE DE AMOR


O amor não é uma coisa para pessoas comuns, nem é um sentimento pra quem deseja pouco.
O amor foi criado para pessoas como você.

samba (1)

Quer saber de mim? 
Nem precisa ir à macumba. 
Sei lá porque fiquei assim
sem tempo ruim, sem penumbra
Pense num samba legal
Castelo, Lapa, Gamboa,
perto da região central
Vou pro samba e a vida fica boa
23/07/2012

CRIANDO ASAS

Um dia desses acordei com a certeza absoluta que certas brigas não valem a pena. Principalmente com pessoas que não valeram a pena. Instantaneamente, alguns pesos saíram da minha alma ou talvez fosse mais correto dizer coração?

Não temos como evitar as decepções, mas desvincular-me  delas tornou-me mais capaz  e tive a sensação de ir muito mais à frente do que pensava que poderia ir antes.
Não deu, não deu... Fica com o seu , que eu fico com o meu!

E todos aqueles problemas acabaram.
A gente pensa, medita, se vira, tenta, mas maturidade é como crescer fisicamente: não vemos, quando percebemos estamos grandes...
Existe o momento em que o esforço é nosso, no entnto,  a "casca grossa" se faz sem a gente ver. Achei bacana, que isso não tenha interferido no meu modo de ver o futuro. E não é que a gente consegue se tornar "escaldada" sem se tornar depenada?!
Não sei como foi, mas em algum momento a corrente que eu arrastava ficou pra trás e só percebi quando me vi voando...
Não vai dar pra escrever um manual de auto ajuda, mas posso ajudar... rs

A experiência que aparentemente não deu certo, mostrou-me que tudo sempre dá certo. A isso estou chamando de paz.
Embora tenha batalhado, não sei exatamente o momento exato em que a paz se fez. Certas coisas parecem que nunca mais vão me incomodar, talvez pela falta de surpresa, talvez porque seja esse o resultado do dito popular "o que vem debaixo não me atinge". 
Um passinho à frente, um pequeno degrau acima... A
liberdade essa bandida fingida, está definitivamente nas coisas pequenas. As que conseguimos. A felicidade também. 


MANUAL

Acho que a gente não gosta de aprender, a gente gosta de sair fazendo. Conheço poucas pessoas que leem os manuais dos aparelhos que compram. Frequentemente, não usam um terço das funções dos dito cujos aparelhos, fazendo cara de assombro quando alguém faz alguma coisa que nem sonhavam que aquela maquininha fosse capaz.

Quando vou explicar a algum colega de trabalho como se utiliza um determinado programa de informática, a primeira coisa que me perguntam é: 

- "... mas você vai deixar eu fazer ou vou ficar só olhando"?  
Alguns anotam cada explicação no caderninho, dizendo que é para não esquecer, mas como esquecer o que ainda não se sabe?

 Prevalece nas pessoas o sentimento que só a prática permite expertise e faz sentido se considerarmos a prática, no entanto para se praticar há de se contar com alguma teoria, são necessário os conceitos. Não fosse assim, todos saberíamos onde anda aquele manual do brinquedinho tecnológico que acabamos de adquirir quando nos surge alguma dúvida... 

O grande problema é que na documentação de aparelhos novos, não vem nenhum aviso sobre a capacidade dos manuais desaparecerem, por mais que sejam guardados em locais de fácil acesso para uma emergência. Alguns deles aparecem surpreendentemente quando vendemos o objeto e queremos mostrar para o comprador o quanto ele tem pouco uso e o quanto cuidamos bem deles; outros são do tipo que se desintegram antes mesmo que mostremos nossa nova aquisição para os amigos... Talvez por isso alguma empresas produzam manuais com cerca de 300 páginas que vem num CD ou que devemos baixar on line... A ecologia agradece, enquanto que o termo pedagógico é um adjetivo que vai se tornando cada vez mais pejorativo.

Como o ser humano é extremamente incoerente, exige-se diplomas que demandam enorme tempo de estudo para se conseguir um trabalho onde alguma  prática seria o suficiente, contraditoriamente é comum que recrutadores torçam o nariz para quem se denomine autodidata. Todo autodidata se considera próximo da genialidade, muitas vezes ignorando ou omitindo a boa ajuda de quem lhes passou aqueles conceitos básicos, contudo eles são sempre alvos da admiração, o que não significa que serão alvo da contratação...  


Por exemplo, admiro extremamente o sujeito que "aprendeu a tocar de ouvido", mas sinceramente e perdoem-me a ignorância, não sei na prática como isso acontece, pois nunca acompanhei esse processo de aprendizagem, mas imagino que no caminho desse autodidata teve muita observação e algumas pessoas experientes que lhe transmitiram conhecimentos. 
Tocar de ouvido é não ter conhecimento de teoria musical. Isso me lembra os antigos tempos da informática, quando a datilografia se tornou pré-histórica e havia uma profusão de cursinhos de digitação. 
É lindo ver alguém digitando sem olhar as teclas, é maravilhoso se digitar com todos os dedos, é espantoso quando não há erros e assombroso quando a velocidade vem junto. 
Mas quem faz curso de digitação hoje em dia, quando crianças manipulam aparentemente com maestria um smart fone antes que antes que lhes nasçam as unhas?

Como uma coisa puxa a outra... Será que o jornalista não precisa mesmo ter um diploma? Aprendemos pela dor ou pelo amor,  é certo que o autodidata apanhe bastante para chegar num nível de trabalho que desperte respeito, no caso dos estudantes, esse olhar respeitoso começa a partir do nome da instituição de ensino assinalada no seu currículo.

Numa época em que muitos acham a psicanálise dispensável e inócua e a psiquiatria coisa de maluco, mas todos acham excelente o Prozac e o Rivotril, a reflexão seria que vivemos por resultados e nem está mais em questão se esses são bons, basta que pareçam satisfatórios, fica fácil entender porque a falta de ética é sempre dos outros. 


Centenas de vezes ouço no jornal da líder de audiência no país expressões como: "a casa dela", "a saúde dele" e lembro da Tia Leila que quando falávamos algo do gênero perguntava: "e a boca dela?"