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27 de jan. de 2015

A INJUSTIÇA DO MUNDO

Na Terra as mãos que colhem não são as mesmas que plantam e as que consomem, 
não colhem nem plantam. Aí está a injustiça do mundo, a raiz do egoísmo, a seiva da escravidão.

13/05/2013

"EU NÃO SOU DIFERENTE, OS OUTROS É QUE SÃO IGUAIS"...


Posso ter defeitos, viver ansiosa e ficar irritada algumas vezes, mas não esqueço que minha vida é a maior empresa do mundo e que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da minha alma.
É agradecer a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Sei que o mundo aqui não é fácil, não é os dos mais justos, compreendo!
Mas mesmo assim não me faltam "tintas", as empresto para quem quiser

13/06/2013


22 de set. de 2014

Toda vez que no Império Serrano é escolhido um samba que não se identifica com a escola, além de um resultado aquém do desejado, ansiado, não restam sequer lembranças. A escola que tem tradição de sambas belos, antológicos cantados mundo afora, fica apenas com a amargura de ter chegado a lugar algum...
Uma coisa que acho muito triste é que no ano em que se homenageou Dona Ivone Lara, tivemos um samba que fora da quadra imperiana, ninguém sabia cantar. Ela merecia mais que isso e nós também.
Não adianta querer mudar a cara da escola na marra, Império é Coroa, nada de plástica. Botox paralisa e impede a expressão.
Não adianta mais uma vez escolher samba por nome e fama... Quem dispensa o chão fica com a cabeça no ar e cabeça aérea, não suporta coroa.
Só isso.

18 de fev. de 2014

Mundo dos Afetos

No mundo dos afetos,
tem bonde que sempre atrasa.
Tem ônibus que nunca chega.
Tem táxi que nunca passa.


No mundo dos afetos é melhor andar a pé.
Pelo menos, se não chegarmos, teremos história pra contar
de paisagem que a gente viu, 

de coisas pra se admirar

31 de dez. de 2013

IGUARIAS

Certas iguarias são excepcionalmente saborosas exatamente por serem raras ou por serem degustadas em pequenas porções...

INVEJA 2

Se conseguirmos filtrar 70% dos puxa-sacos, 
ficarmos impermeáveis a 10% dos elogios que inflam o ego, 
focar 20% no precisamos fazer, 

10% no que temos que fazer, 
70% no que pode ser feito;
em 2014 teremos 99% menos reclamações sobre inveja por aqui...

FRASE 918

Tem gente que vi ontem e estou com saudade. 
Tem gente que vi há muito menos tempo e nem gostaria de saber em que lado da cidade circula...

29 de dez. de 2013

Tia Surica

Nos preparativos para ir Portelar... Que roupa se usa num evento como esse, tão simples e ao mesmo tempo imponente e raro, com o calor que faz hoje por aqui?
Coisa tipicamente de samba isso de "com que roupa"... E são tantos pensamentos que acho que ire com qualquer uma, porque minha alma pensamentos e coração serão os mais bem trajados de todos os tempos.

Passa um filme na cabeça. Tia Surica gravou seu primeiro CD aos 63 anos e levou mais 10 pra conseguir o segundo. Vejam vocês como o nosso contexto cultural e musical são complicados.

Hoje falei com ela ao telefone, precisava extravasar minhas expectativas. Expectativas de sambista adoradora da boa música. Que esse projeto seja um projétil de trajetória longa, longa, linda, interminável e iluminada, desejei-lhe no nosso papo rápido, expressão cristalina do meu pensamento. A gravação desse DVD hoje é um registro mais do que importante pro nosso samba. Tia Surica, como diz Bia Alves, na intimidade da amizade portelense de todas as horas, "uma destrambelhada", uma adorável destrambelhada, um grandioso coração, uma voz cristalina, uma figura representante de um tempo que se vai, quando as pastoras mandavam nos sambas nas quadras.
Acima de tudo uma amiga e que esse dia se eternize nas imagens e sons na bela quadra da Portela.
É isso.

PORTELANDO


Nos preparativos para ir Portelar... Que roupa se usa num evento como esse, tão simples e ao mesmo tempo imponente e raro, com o calor que faz hoje por aqui?

Coisa tipicamente de samba isso de "com que roupa"... E são tantos pensamentos que acho que ire com qualquer uma, porque minha alma pensamentos e coração serão os mais bem trajados de todos os tempos.

Passa um filme na cabeça. Tia Surica gravou seu primeiro CD aos 63 anos e levou mais 10 pra conseguir o segundo. Vejam vocês como o nosso contexto cultural e musical são complicados.

Hoje falei com ela ao telefone, precisava extravasar minhas expectativas. Expectativas de sambista adoradora da boa música. Que esse projeto seja um projétil de trajetória longa, longa, linda, interminável e iluminada, desejei-lhe no nosso papo rápido, expressão cristalina do meu pensamento. A gravação desse DVD hoje é um registro mais do que importante pro nosso samba. Tia Surica, como dizBia Alves, na intimidade da amizade portelense de todas as horas, "uma destrambelhada", uma adorável destrambelhada, um grandioso coração, uma voz cristalina, uma figura representante de um tempo que se vai, quando as pastoras mandavam nos sambas nas quadras.
Acima de tudo uma amiga e que esse dia se eternize nas imagens e sons na bela quadra da Portela.
É isso.

Uma emoção

Ontem quando eu vi a Velha Guarda da Portela chegando sob aquelas luzes e aplausos a emoção escorreu-me pelo rosto, não era choro porque meus lábios não paravam de sorrir...

12 de dez. de 2013

O QUE NÃO CONHECEMOS, NÃO EXISTE




















Ela nunca teve uma mochila e jamais usou um par de tênis e naquela roda informal de conversas e brincadeiras  entre amigas isso fazia dela uma “legítima” heterossexual.  A brincadeira da ativa e passiva, um mistério para aqueles que  tentam  entender a sexualidade a partir do  modelo  onde necessariamente “tem que “ haver um homem e uma mulher ainda que numa relação entre duas mulheres,  a mim parece apenas um  rasgo de preconceito além de muito interesse dos heterossexuais  e  curiosidade “ voyer” daqueles   que necessitam  ver  ainda que com a imaginação por sob as tintas dos ensinamentos impostos, uma expressão sexual que afinal não lhe causa tanto horror assim. Horror  temos das cenas de filmes de terror, das fotos de  animais estropiados que postam  nas redes  sociais,  pois essas fotos,  sim, nos indignam e aquelas  cenas nos fazem tapar os olhos em vez de espichar o pescoço e aguçar nossa imaginação.

Não costumamos ter curiosidade a respeito do que não nos interessa, tenho uns poucos amigos heterossexuais tão desprovidos de preconceito que jamais me fizeram qualquer tipo de pergunta nesse sentido, os mesmos que vão sem medo às minhas  festas de comemorações pessoais sem perguntar se “aquele pessoal” estará lá. Para eles nunca fez diferença a minha atividade íntima, são esses que realmente lamentaram quando os meus casamentos se desfizeram, foram com esses que eu pude contar a cada contrato de trabalho vencido,  quando perdi meus familiares mais chegados  e sempre parte deles as idéias para os open house a cada casa nova.  São eles que me pedem exemplares dessa revista e tem orgulho de mostrar os “meus bons textos”, sem nenhum constrangimento pelo público alvo dela.  Convidam-me  para os seus eventos familiares e quando estou  com namorada apresentam-na   de forma simples e  objetiva como uma amiga ou mesmo companheira.  Comportamento que me remete à célebre frase enfadonhamente disseminada na internet onde “simplicidade é o que há de mais sofisticado”. No geral são pessoas bem resolvidas, que não se prevalecem da sua situação econômica nem aguardam uma  fragilidade  e emocional para tirarem proveito daquela pessoa que em “estado normal” jamais lhe cederia um momento romântico ou erótico. São pessoas que tratam bem os homossexuais, melhor do que muitos da classe tratam os seus iguais. São pessoas que entendem que um casamento gay não mudará o fluxo do seu universo, se nele não há  esse tipo de desejo.

Você pode me perguntar porque esse tema em pleno mês de natal, é que  sendo essa a data de aniversário de um Cara que amou e protegeu uma prostituta por ela ser uma pessoa, curou pobres e leprosos, andou com todo tipo de minoria da sua época, sem recusar a ela seus milagres, me levam a pensar na hipocrisia dos festejos das  confraternizações sociais e
exortações religiosas.
Quero fazer essa simples homenagem a essas grandes pessoas, minhas amigas, muitas sem religião, alguns ateus, bastante deles  afrorreligiosos e todos tão cristãos! Sei que certamente se angustiam com a equação o orçamento x presentes para tanta gente e o sapatinho na janela para as suas crianças, mas uma angústia que nunca será maior do que a simplicidade e sinceridade  do amor que tem  em seus corações. Nada representa mais o amor do que  o respeito diferentemente de todos os discursos que ecoam por aí. 
O amor verdadeiro não está predisposto ao uso ou abuso. Quem se ama não depende de ostentar seu dinheiro e artigos que ele compra, quem  se ama não se importa com a falsidade, porque simplesmente não se preocupa com o que não carrega em si, uma vez que partimos das nossas vivências para avaliar o outro e o que não conhecemos, não existe.
Eu não tenho esperança que a humanidade se torne melhor, assim, voltada para o consumo, vaidade e vantagem disseminados em massa, mas eu acredito nas pequenas luzes que nos salvam de grandes escuridões.  Que nesse natal possamos lembrar e estar com aqueles que contribuem para que sejamos vistos mais como pessoas que somos e não uma projeção e alvo daquilo que desconhecem e sem saber desejam. Feliz Natal!

Quando o Povo Somos Nós

Muitos dizem que é feio falar em terceira pessoa e eu concordo. Direto ao assunto?  
Se não houvesse as inssurreições, passeatas e manifestações certamente estaríamos colônia de algum país poderoso, vivendo como escravos. O progresso chegou ao Rio de Janeiro graças à fuga de Dom João VI e sua Família Real e foi parar lá no Centro Oeste, longe do mar  tentando levar habitantes àquelas terras...  
O poder faz-se acompanhar do progresso ou vice-e-versa. Poderosos precisam de conforto, a maioria ama ostentação e quem pode manda... Sendo assim, quem vai pensar em primeiro lugar no povo? Ninguém que o cite em terceira pessoa. 
Lula | Haddad | Maluf

Ouvimos que o povo brasileiro não lê, tem mau gosto, é avesso à cultura, é ignorante, só quer saber de birita e futebol, é vagabundo e não sabe votar. 
Ouvimos isso em bom português brasileiro, de pessoas indiferentes  à nossa história, falta de oportunidade de pessoas que se espremem em coletivos que enriquecem o empresário, e passam horas me trajeto casa x trabalho. Comparados à Europa, somos um país jovem e nosso desenvolvimento social e político é um processo lento, nossa cultura, a mais rica do mundo  formada pelos sons e cores de três raças, desenvolve-se movida à globalização, atropelada pelas influências externas que nos “salva” de nossa própria brasileirice. 
Quem fala mal do povo, tem vergonha de ser brasileiro e apesar do discurso, não se move do assento pra melhorar o país. 
Políticos agem à moda dos pioneiro extrativistas que trocavam seus espelhos pelo nosso ouro. Partidos políticos se empenham em alianças onde o importante é abocanhar cadeiras e criam um saco de gatos que não há presidente que consiga administrar. Governar torna-se a arte de  matar a fome  de poder de quem lá está e a fome do povo que fique  pra depois.

Vejo alguns jovens duvidarem que tenha havido uma ditadura e aí, só me resta aplaudir os que não se perdem nessas questões e vão para as ruas, como muitos de nós fomos um dia. 
Era um tempo que a TV mostrava o que deixavam, hoje mostra o que querem. De 1 milhão caminhando nas ruas, mostra 300 quebrando patrimônios e surge a legenda Black Blocs que não é  um movimento, mas um instrumento, uma tática de viés anarquista, descentralizada, que se põem a serviço de causas que simpatizem expostas nas manifestações . São anticapitalistas e para chamar a atenção para o que é reivindicado, atacam os símbolos do capitalismo. Não surgiram ontem, nem são organizados internacionalmente. Representam aquele “dia de fúria” quando palavras e protestos não são suficientes. Eles pertencem ao povo, porque o povo é formado por nós todos brasileiros. 
O povo brasileiro não é apenas o miserável e iletrado. O “mauricinho” e patricinha da Zona Sul são brasileiros e tem todo o direito de estar nas passeatas, assim como o classe média alta, o nordestino e o nortista, sulista e as mulheres, os gays e os religiosos. Todo mundo que é brasileiro e que tenha o que reivindicar que na situação atual, não é pouco.

Manifestações fazem parte de um processo, percorremos todo um longo trajeto, para que

tivessem o direito de acontecerem. Não argumentemos que elas nada mudarão, todo processo muda alguma coisa e a direção dessa mudança vai depender da nossa atitude. É a passividade que não muda nada e ainda propicia que outros mudem por nós e foi assim que todos os males se deram. Vivemos tão engessados na má política e atados em ditaduras que à moda dos militares criticamos e selecionamos o que deve estar expresso nas manifestações e quem pode fazê-las... 
Estamos tão acomodados na nossa zona de conforto permitindo que homens decidam sobre o aborto que jamais farão, religiosos imponham a prática da sua fé  nas leis que afetarão todos nós; heterossexuais digam sobre nossos direitos legais e legítimos enquanto cidadãos pagadores dos impostos mais altos do mundo. 
Os "blocs" se movem e se eles não te representam, faça-se presente onde todos deveríamos estar ou os políticos dessa política continuarão a agir por nós sempre contra nós.

Black Block na Mesa Lá de Casa

Ia começar esse texto dizendo que somos árvores, acontece que nem todo vegetal é uma árvore e muitos de nós não possuímos a envergadura de um jequitibá... 
Mas todos nós ao modo das plantas,  temos raízes.  Raízes que em determinado momento nos darão de beber e fortalecerão determinados pensamentos que culminarão em atitudes e decisões. 

Nascemos com uma carga genética herdada e seguimos registrando conhecimentos, idéias, manifestações  e orientações de terceiros. Processamos tudo conforme nós mesmos a partir de certas individualidades mas é fato que somos “produzidos” por muitas “mãos”, ficando  sob nossa responsabilidade o credenciamento, o nosso certificado de autenticidade , gerado por nossas  reações diante das experiências da vida. 
 Um cidadão do mundo, por mais expandidas que traga suas raízes, terá sempre uma origem e esta é inexorável. Cortá-las é deixar morrer-se, enxertar-se é enriquecer. 

Pensando dessa forma entendo porque,  seja tão mal visto o discurso em terceira pessoa. Fala-se na terceira pessoa do singular quando tecemos a nós os elogios que os outros não fazem ou quando desejamos criticar  o segmento do qual fazemos parte e de certo modo rejeitamos ou vislumbramos imperfeições, por exemplo quando um brasileiro decide falar mal do “povo brasileiro”, sempre ignorante, preguiçoso, que não sabe votar e por aí vai.


Recentemente na mesa redonda da cozinha aqui de casa que é quadrada, perguntaram-me se eu era a favor dos Black Blocs e respondi que sim. Espanto geral, abriu-se um discussão interminável. Antes de falar sobre esses BBs, preciso dizer que discordo de todos aqueles que citam o povo brasileiro em terceira pessoa.  Povo brasileiro  não são os miseráveis, pobres, 'desaculturados', ignorantes e tudo o mais que rejeitamos. Povo brasileiro somos nós e todos nós somos mestiços que como cidadãos temos milhares de obrigações e algumas dezenas de direitos. 
Povo brasileiro são também os ricos, os “mauricinhos” e patricinhas” da zona sul e eles tem tanta culpa de serem o que são quanto o menino pobre oriundo de uma comunidade. O que faz a diferença, tem origem na herança política podre que recebemos junto com a certidão de nascimento e o destino dos que não migram em definitivo para outros países: A falta de oportunidade. Não se pode cobrar de um povo aquilo que não receberam condição de pensar e perceber; como não se pode cobrar de uma semente  não plantada o seu desabrochar... A classe média e/ou alta , por ter oportunidade e na maioria das vezes uma aprendizagem desviada da sensibilidade,  expandida em torno do próprio umbigo e vício de farinha pouca meu pirão primeiro, não é menos nem mais povo brasileiro que qualquer deserdado da "sorte"

Nosso país tem o vício de resolver questões sob a caneta da lei,  leis que quase sempre são punitivas contexto de um sistema nada educativo.  Nossos governantes  detem o poder com mão de ferro e sorriso acrílico através de alianças deformadas numa engrenagem torta. Temos muitos resquícios da monarquia valendo até hoje, percebi  isso  ao ver candidatos pré-históricos apresentando sua continuidade através dos seus herdeiros.
Num país onde o povo conhece o candidato e  desconhece os partidos.  Onde voto já foi negociado  à base de troca  tal qual  exploradores portugueses negociaram com os índios seus espelhos em troca do nosso  ouro, qual a dúvida que a educação seja a única solução?


Na mesa da cozinha aqui de casa, colocamos as palavras na mesa. Aqueles contra as manifestações só me ouviram quando disse que elas fazem parte de um processo e expressam um desagrado, muito parecido com o daqueles que se expuseram lutando contra a escravidão num tempo em que personalidades da Maçonaria eram influentes e a política era feita entre quatro paredes. Claro que as manifestações do nosso desagrado, são necessárias, sem ela  estaríamos até hoje  escravos habitando uma imensa de extração.  O que mudou, é que hoje a rua tem voz, mas demorou para que o povo percebesse isso. Com horário marcado, jornada de trabalho longa, tempo de trajeto maior ainda, prensado nos transportes públicos ineficientes que enriquecem seus concessionários, o legítimo  povo carioca da gema, enxerga as manifestações como um transtorno. Vivem o dia-a-dia, exatamente aquela parte do pão nosso de cada dia.
Quantos pensadores do povo desapareceram ao longo dos 40 anos de ditadura militar  e quantos deixaram de florescer nas  as sucessivas intervenções nos setores da educação e cultura? Quantos deixaram de pensar, acreditando que se “deu no jornal”  e “falou na emissora famosa é verdade absoluta e indiscutível?
Não se cobra carinho, direitos para um povo quando sentimos vergonha de estar ao lado dele.
Assim, não acho justo dizerem que as manifestações não genuinamente populares por abrigarem meninos de classe média alta, pois que eles são povo também. 
Não acho certo no meio de 1 milhão de pessoas a ênfase ao que fazem 300. 
Não  acho certo as câmeras insistirem na depredação que acontece ao final das manifestações sem mostrar famílias, crianças e idosos que também marcham engrossando o coro dos descontentes.



Portanto nenhuma novidade e a pergunta que eu me faço, não é mais fácil deter um mascarado do que alguém sem máscara?            

Nossos militares tem uma nódoa feia no currículo, quando em 31 de abril de 1981, no show em comemoração ao Dia do Trabalhador, no Riocentro, um sargento e um capitão (atualmente coronel) tentaram explodir duas bombas no local imputando a responsabilidade à esquerda, com o objetivo de paralisar a anistia em andamento e desencadear uma nova onda de repressão política.
Muitos dos nossos jovens afirmam que jamais houve ditadura no Brasil, a maioria de nós afirma não gostar de política e delega aos políticos tudo o que diz respeito a ela. Parece-nos normal um partido de esquerda fazer aliança com um partido de direita, o saco de gatos resultante disso é o trabalho que o governante terá pela frente, dividindo cadeiras no poder como se vivêssemos no tempo das Capitanias Hereditárias. O povo que cedo abandonou a escola, alguns que nem entraram nela, outros que não entende que minorias não existem, que se preocupam mais com a ida para o trabalho e o retorno dele são os que definem  aqueles que dirigirão o nosso país.
O nosso país é o lugar onde vivemos e nele está a nossa vida, nele muitos perderam a vida por discordarem da prepotência e autoritarismo que levou à falência do ensino público, a censura das manifestações artísticas, que não permitiu a continuidade das liberdades adquiridas com a Abolição, Independência, Proclamação da República e tantos outros retrocessos. O Brasil PE grande mas não PE um universo distante e política é o que fazemos desde a hora que acordamos até o momento que vamos dormir. Política é a nossa relação com as coisas com as possibilidades.  Tivemos um presidente que se elegeu dizendo que não daria o peixe mas ensinaria o povo a pescar... Política é interpretar propostas, promessas,  resultados e principalmente o que nos dizem os informativos dos jornais e Tvs.
Texto não publicado na Revista S! por ter ultrapassado o espaço

2 de dez. de 2013

SAMBA - origem

Em meados do século XIX, a palavra samba definia diferentes tipos de música introduzidas pelos escravos africanos, sempre conduzida por diversos tipos de batuques, mas que assumiam características próprias em cada Estado brasileiro, não só pela diversidade das tribos de escravos, como pela peculiaridade de cada região em que foram assentados. Algumas destas danças populares conhecidas foram: bate-baú, samba-corrido, samba-de-roda, samba-de-chave e samba-de-barra-vento, na Bahia; coco, no Ceará; tambor-de-crioula (ou ponga), no Maranhão; trocada, coco-de-parelha, samba de coco e soco-travado, no Pernambuco; bambelô, no Rio Grande do Norte; partido-alto, miudinho, jongo e caxambu, no Rio de Janeiro; samba-lenço, samba-rural, tiririca, miudinho e jongo em São Paulo.

♪♫♪ “Quem não gosta de samba bom sujeito não é É ruim da cabeça ou doente do péEu nasci com o samba no samba me crieie do danado do samba nunca me separei”♫♪
O Samba e um gênero musical que surgiu no Brasil, mas que tem suas raízes na África. Acredita-se que o termo “samba” foi uma corruptela de “semba” (umbigada), palavra de origem africana – possivelmente oriunda de Angola ou Congo, de onde vieram a maior parte dos escravos para o Brasil.

O Semba era um tipo de dança de roda praticada em Angola e em várias regiões do Brasil, principalmente no recôncavo na Bahia. No centro de um círculo e ao som de palmas, coro e objetos de percussão, o dançarino solista, em requebros e volteios, dava uma umbigada num outro companheiro a fim de convidá-lo a dançar, sendo substituído então por esse participante.
(fonte: Professor Web)


 O samba veio de uma série de misturas de estilos musicais tanto de origem africana como de origem brasileira. O samba ainda é tocado com instrumentos de percussão, contando com tambores, surdos e também timbau. Isto acompanhados por violões e cavaquinhos. Normalmente o samba e suas letras contam a vida bem como o cotidiano de quem mora nas cidades, e na maioria das vezes tem um destaque para as populações mais pobres. Com isto o termo samba nada mais é do que de origem africana e deverá ter o seu significado ligado diretamente a todas as danças típicas e tribais do nosso continente.

Como raízes do samba temos a época do Brasil Colonial com a chegada de toda a mão de obra dos escravos vindos da África.
Sinhô foi quem gravou o primeiro samba no Brasil.  “Pelo Telefone” no ano de 1917, a letra deste samba foi escrita por Mauro de Almeida e Donga. Essa música, um samba carnavalesco era cantada por o nome " O Roceiro"

Por muito tempo depois o samba começou a tomar as ruas e se espalhar aos poucos pelos vários carnavais do Brasil.
E durante este período, temos como principais sambistas Sinhô, 
Heitor dos Prazeres, Ismael Silva- que mudaria a estética do samba para que melhor se adaptasse aos desfiles de rua, criando a antológica onomatopéia "bumbum-praticumbum-prugurundum" e Heitor dos Prazeres.


Durante a década de 30, as estações de rádio em plena difusão pelo Brasil, disseminam vários sambas pelos lares de compositores da época como Noel Rosa autor de "Conversa de Botequim"; Cartola de "As Rosas Não Falam"; Dorival Caymmi de "O Que É Que a Baiana Tem?"; Ary Barroso, de "Aquarela do Brasil"; e Adoniran Barbosa, de "Trem das Onze".

Na década 70 e 80 começou a surgir uma nova geração de sambistas, podemos destacar vários expoentes como por exemplo Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc. 

Tornam-se mais conhecidos, alcançando sucesso os sambas do Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo
Com isto o samba baiano recebe influências do lundu e do maxixe com letras no geral, bastante simples, com  balanço rápido e ainda um ritmo considerado repetitivo.
A lambada vem neste estilo porém tem como diferenciação o maxixe.
Os sambas de roda por sua vez surgiram na Bahia durante o século XIX apresentando diversos elementos culturais afro-brasileiros, marcado por  palmas e cantos característicos, os dançarinos normalmente dançam dentro de uma roda, e o som deverá ficar por conta de um conjunto musical que usa  viola, atabaque, chocalho e  pandeiro.

No Rio de Janeiro o Samba vem ligado à vida existente nos morros, também nas áreas mais distantes à medida que eram habitadas  pelos mais pobres, descendentes dos escravos e alijados do Centro devido as obras de reformulação da cidade. Era o samba a distração e desabafo desses cidadãos marginalizados por sua condição econômica e suas  letras acabam falando da vida urbana dos trabalhadores e das dificuldades da vida de uma forma  mais amena e muitas vezes com um pouco mais de humor. 

Entre os paulistas o samba passava a ganhar uma conotação de misturas de raças, vindo de da influência italiana e o sotaque dos bairros exclusivamente de trabalhadores ganha um espaço maior no estilo de samba de São Paulo.
Samba-Enredo:
Surge na cidade do Rio de Janeiro durante a década de 1930. Até então, reinava o samba sincopado com influência do Maxixe, utilizado nos salões, até que Ismael Silva e sua turma do Estácio, que se reuniam nas imediações de uma escola, criaram a terminologia "Escola de Samba" e mudaram a estética vigente do samba, com a onomatopéia "bumbum praticumbum prugurundum, adequando o ritmo aos desfiles pelas ruas.
Samba-enredo segue um tema proposto pela escola de samba para o seu desfile no carnaval, que definirá a coreografia e cenografia utilizada durante o seu desfile.


Pagode:
É um estilo de samba. Tem suas origens no Rio de Janeiro entre o final da década de 1970 e início da década de 1980, a partir da tradição das rodas de samba feitas nos "fundos de quintal".
O termo "pagode" está presente na linguagem musical brasileira desde, pelo menos, o século XIX. Inicialmente, era associado às festas que aconteciam nas senzalas e, mais tarde, se tornou sinônimo de qualquer festa regada a alegria, comida, bebida e cantoria.
Com o passar do tempo, o termo "pagode" começou a ser usado como sinônimo de samba, por causa de sambistas que se valiam deste nome pra suas festas, ou, seus pagodes.
Como vertente musical, o pagode nasceria exatamente dessa manifestação popular completamente marginal aos acontecimentos musicais dos grandes meios de comunicação brasileiros.
A partir do surgimento de nova geração de sambistas no Rio de Janeiro nos anos oitenta, oriunda desses pagodes e que inovaria a forma de se fazer samba, o termo "pagode" batizar espontaneamente o novo estilo musical derivado do samba.



Samba canção:
é um subgênero musical originário do samba, que surgiu no final da década de 1920 no seio da modernização do samba urbano do Rio de Janeiro, quando este iniciava seu processo de distanciamento do maxixe.

Também chamado de "samba de meio de ano" (sambas feitos fora da época de Carnaval) em linhas gerais, o samba-canção faz uma releitura mais elaborada na melodia - enfatizando-a - e possui um andamento mais lento centrado em temáticas de amor, solidão e na chamada "dor-de-cotovelo".
O samba-canção desenvolveu-se a partir de músicos profissionais que tocavam em teatros de revista cariocas. "Linda Flor (Ai, Ioiô)", do compositor Henrique Vogeler e dos letristas Marques Porto e Luís Peixoto, é considerado o marco inaugural desse estilo de samba.

Praticado por autores tão diversificados, o samba-canção teria seu apogeu nas décadas de 1940 e 1950.5 Entre intérpretes que se destacaram nesse estilo, estão Jamelão e Elizeth Cardoso, que gravaram canções de Lupicínio Rodrigues, Maysa, Ângela Maria, entre outros.
Outros grandes compositores de samba escreveram samba-canção, como Noel Rosa ("Pra que mentir"), Cartola ("As rosas não falam"), Nelson Cavaquinho ("A flor e o espinho", com Guilherme de Brito), Ataulfo Alves ("Boêmios").

O ambiente da década de 1950 estimulou a expansão desse gênero no mercado nacional, mas com transformações dentro do estilo - o que levou alguns estudiosos a marcar uma diferenciação do samba-canção clássico, expressas nos termos (que podem ou não ser considerados como subgêneros, de acordo com cada autor) sambalada e sambolero durante os anos cinquenta.

As melodias eram marcadas por influências de gêneros musicais estrangeiros - como a balada estadunidense e o bolero cubano, especialmente enfatizado por orquestras. No que diz respeito às letras, uma interpretação pessimista das propostas ligadas à filosofia existencialista (que traduzem um forte desencanto com o mundo).

Esse conteúdo melancólico mais tarde incorporaria a palavra "fossa" para o subgênero.
Com o surgimento da Bossa Nova, no final da década de 1950, o samba-canção perderia terreno dentro da música brasileira, mas manteria um vasto e rico acervo de obras em permanente processo de regravações.




Samba Carnavalesco:
Temos como o samba carnavalesco todas as marchinhas e sambas  de andamento mais acelerado, feitos para animar os bailes de carnaval. Como exemplos podemos contar com músicas de grande sucesso como Ô Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras várias bastante conhecidas.



Samba-Exaltação:

Tem letras  patrióticas, ressaltando as maravilhas do Brasil, acontecimento ou personagem da história, com arranjo especial para acompanhamento por orquestra e grande introdução, como por exemplo "Aquarela do Brasil" composta por de Ary Barroso que foi gravada no ano de 1939 por Francisco Alves.
Diz-se também do samba-enredo que exalta as qualidades e feitos da escola, passagem ou personalidade histórica, como o samba-enredo "Exaltação a Tiradentes", de 1949 da GRES Império Serrano de autoria de  
Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado



DIA NACIONAL DO SAMBA - origem

Paulo da Portela
02/12 é Dia Nacional do Samba:
surgiu nos anos 50, por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Ary já tinha composto seu sucesso "Na Baixa do Sapateiro", mas nunca havia posto os pés naquela cidade. Esta foi a data que ele visitou Salvador pela primeira vez. 

Anos mais tarde, em 1962, durante a realização no I Congresso Nacional do Samba, no então Estado da Guanabara, o deputado estadual Frota Aguiar conseguiu aprovar um projeto de lei que tornou a comemoração um evento nacional. Desde 1972, a data é celebrada nas ruas das duas cidades.

No Dia Nacional do Samba no Rio, o trem da Central do Brasil que partem com destino a Oswaldo Cruz fica repletos de pagodeiros. Cada vagão transporta um grupo de sambistas famoso ou não, que vai tocando e cantando até chegar ao bairro onde nasceu Paulo da Portela. O trem só pára na estação de Mangueira para a Velha Guarda da Verde-e-Rosa entrar, e segue em frente. Em Oswaldo Cruz, todos desembarcam, e se formam várias rodas de samba que vão se espalhando até tomar conta de todo o bairro.

O Pagode do Trem foi criado na década de 20 por Paulo Benjamin de Oliveira, um dos fundadores da Portela.
Naquela época, o objetivo não era comemorar o Dia Nacional do Samba. Os sambistas eram perseguidos pela polícia e a Portela ainda não tinha uma sede. Assim, os sambistas da escola iam ao encontro de Paulo na Estação da Central, e partiam rumo ao subúrbio. Da Central até Oswaldo Cruz, o vagão onde eles se reuniam transformava-se na sede provisória da Portela. Os sambas eram cantados, escolhidos e animadas rodas de samba eram formadas com o trem em movimento. Tudo o que se referia à escola de samba era acertado ali.

Hoje o Trem do Samba faz parte do calendário oficial da cidade e tem estado cada ano mais cheio.É uma verdadeira maratona.
O trem vai direto para Oswaldo Cruz, fazendo apenas uma parada na Mangueira para pegar a velha guarda verde e rosa. Chegando, você verá a maior concentração de rodas de samba já feita.
No trem, vai todo mundo em pé no vagão lotado. Se não ficar perto dos músicos é até difícil escutar algo. A festa é ótima e divertidíssima, mas não vá esperando grande coisa na parte musical. O melhor é mesmo a bagunça

fonte: Samba Choro; Jornal do Brasil

27 de nov. de 2013

É melhor ser bom do que ser original

            Quando eu percebi que não conseguiria ser cantora de rock, pensei seriamente em tornar-me arquiteta, numa época  em que calculadora era luxo. 
Formada professora de nível fundamental,   pra alimentar 2 coelhos numa cumbuca só :  livrar-me das "Exatas" e realizar o sonho da minha mãe (ter uma filha professora), descobri que precisaria fazer um curso pra "pilotar" uma HP... Quem lembra das calculadoras HP?

Apaixonada pelos casarios antigos, coloniais do Rio, o calçamento antiquado, as ruas estreitas - vivia imaginando como as sinhás e suas saias cabiam em tão pouco espaço e concluía que mesmo os escravos da casa grande viviam uma vida que não valia a pena... Enfim, que nessa fase, pra sacramentar toda a minha contraditória alma, eu não achava graça nos estilos modernos. porém gostava muito de uma cristaleira... Sofás enormes e camas imensas. A antiguidade nos oferecia espaço, a modernidade nos jogava uns por cima dos outros. Mas foi avaliando a possibilidade de ser arquiteta que conheci, através de revistas e livros (não tinha Google, ok?) Ludwig Mies. Ele dizia coisas como : "Menos é mais", "Deus está nos detalhes". Usava cimento e aço e deve ter sido o precursor da auto ajuda quando mandou frases como "É melhor ser bom do que ser original" e "Eu não quero ser interessante. Eu quero ser bom".

Bem, certamente que a originalidade carrega pesado ônus, além de alimentar os bons e os que se acham bons, pois que é possível sim, construir-se toda uma vida muito original a partir de modelos copiados...
Nos tempos atuais é tão importante ser bom quanto ser original, embora eu reconheça que o reconhecimento da cópia seja mais imediato, me surpreendo pensando que eu quero ser interessante, porque o meu trabalho é bom e tem originalidade suficiente, para ser copiado. Coisas da vida, os melhores passaram por isso!

Não fiz Arquitetura, intuitivamente percebi que tinha outras formas de criar, construir unindo o prazer ao trabalho, a beleza à funcionalidade, a criação ao resultado, parti pra Pedagogia onde menos é mais que demais!
Deixei o Rock na infância, tive uma adolescência castigada pela ausência de músicos, dourada pelo sal e sol da Barra que ainda não era filhote de Miami, embalada pela Disco Music, que tinha lá seus bons sons, mas carecia de humanidade. O samba encontrou-me mulher feita, mesmo depois de ter me assediado inúmeras vezes sem que nunca eu dissesse não, porém hesitante em dar-lhe um sim. Hoje percebo que o samba me queria desde sempre e eu sempre ansiei por ele, no entanto precisávamos nos compreender para que vivêssemos assim, como vivemos hoje cordas e percussão, harmonia pura.

14 de nov. de 2013

A Festa Que Nâo Houve | Homenagem a Délcio Carvalho



Délcio Carvalho e eu fazíamos aniversário na mesma data, obviamente, eu  tinha um tremendo orgulho disso. Quando nos encontrávamos eu falava sobre comemorarmo juntos e ele, generoso que só concordava e achava bacana, era "só combinar certinho"!
Sou do tipo que comemora niver o ano todo, no entanto, festa, comemoração oficial, só de vez em quando... Quando lembro, quando estou 
a fim, principalmente quando tenho uma boa idéia a tempo e isso é raro - não a boa idéia, mas o "a tempo", claro.

Pelo que me lembro, minha última comemoração foi no extinto "Tabuleiro da Baiana" uma festa linda, em que os melhores presentes foram a casa lotada, boa parte da minha família presente e as incríveis palavras de Eliane Faria somadas a um set imperiano que me deixou estática rindo com muitas lágrimas nos olhos, lá se vão uns 4 anos ou talvez tenha sido em Madureira, numa certa "casa portelense, quarta-feira de cinzas com amigos poucos - isso que dá ter amigos sambistas - passando por Ipanema, terminando no Catete com parabéns de isqueiro num pedaço de torta generosamente oferecido por Vera Aurélio e fartamente distribuído entre os 3 "cachaceiros" da mesa em festa já raiando o dia.

Depois, teve uma ocasião que a vaca estava de dieta e emburrada, . Houve o ano em que estava de cama com pneumonia, o ano que programaram uma festa e esqueceram, então, tentei ir pro Rio Scenarium ver Ana Costa mas sem reservas, as amigas de salto fino cortaram o clima. Aconteceu ainda. o ano que eu mesma esqueci e só lembrei com o primeiro telefonema... Alguma vezes marquei luau na praia e choveu, mas na maioria das vezes fico cansada só em pensar em organizar, afinal, são tantas festas que organizo, dá um trabalhão e tenho certas preguiças de ter trabalho comigo, além de sonhar com festas, não necessariamente surpresas que eu não tenha que pagar nada e principalmente não lavar a louça ou mesmo não me preocupar se vai alguém...

Faz tempo que não rola de fazer um festança 0800 pra galera, sei lá porque a galera aumenta em razão diretamente proporcional ao encolhimento da grana... Daí, pensar num local bom pra todos, com preços honestos e tratamento pelo menos próximo da decência, banheiro que não assuste, localização que não espante e tantos detalhes que a gente nem pensa quando vai ao samba, mas acaba sendo comentado quando é uma festa de caráter particular só que público...

Então no meu último encontro com seu Délcio, lá no pagode do Marcos Diniz, na Toca do Gambá, mais uma vez falei da comemoração, ele curtiu e brincou com a idéia : Meus 75, seus 50, a gente até pode trocar isso daí e eu comentei que justamente o objetivo era que junto com ele, eu não precisaria falar a minha idade. Ele já estava num tratamento sofrido, mas estava elegante e bonito como sempre, com aquele sorriso que só quem nasce no dia 9 de março possui, que ele nunca deixou de nos oferecer junto com sua imensa generosidade.

É fato que haverá dia 9 de março em 2014 e talvez eu faça realmente 50 anos, se vai ter festa é um enigma, mas onde rolar de comemorar esse poeta estará presente.