Tá foda. Quando estou me sentindo minimamente feliz ou um pouco satisfeita - com essas coisas todas acontecendo não dá pra ser feliz de verdade nem estar plenamente satisfeita - vem mais um catiripapo.
26 de fev. de 2021
TEREZINHA
Tá foda. Quando estou me sentindo minimamente feliz ou um pouco satisfeita - com essas coisas todas acontecendo não dá pra ser feliz de verdade nem estar plenamente satisfeita - vem mais um catiripapo.
4 de fev. de 2021
O LIVRO E A VÓ
Quando eu era guria e pegava num livro, só o largava quando
terminava de ler. No reino dos livros não existia louça pra lavar, dever
escolar pra fazer, sem culpa no mundo da literatura e tudo era muito bom.
Minha avó enlouquecia, reclama, se queixava para minha mãe
(filha dela), achava absurdo. Minha avó não sabia ler nem escrever e era
imensamente controladora e eu tive que viver muito pra começar a tentar
entender o que ela sentia, pois era um conteúdo, uma experiência que ela não
podia analisar, julgar para controlar, ao mesmo tempo, como entender o que
tantos signos ininteligíveis, para ela, poderiam entreter uma criança por tanto
tempo, ao ponto de ela preferir "aquilo" - o livro, do que a TV ou
brincar na rua?
Era preciso que ela descobrisse o que havia ali, boa coisa
não haveria de ser e como isso não lhe era possível, a sua estratégia passava a
ser me impedir de ler, eliminando o meu prazer.
Nessa idade eu não tinha obrigações domésticas e era
proibida de brincar na rua, lá em casa não tinha outras crianças. Um cachorro amarrado
na casinha, uns gatos que mais desapareciam do que eram vistos, um abacateiro
esguio, umas goiabeiras que limitava sua generosidade ao seus frutos e apenas
isso. Não havia nenhum pé de laranja lima com galho onde eu pudesse sentar como
se fosse sela de um cavalinho. Ainda bem. Certamente eu teria ido parar no
hospício se me desse a esse desfrute.
Três coisas advindas dessa época me ocorrem:
O quanto eu entendia as pessoas que passavam horas na
internet lendo coisas esquisitas;
Meus sobrinhos que não eram muito chegados aos livros mas
amavam uma TV e eu não os incomodava;
e o quanto as pessoas inseguras, infelizes, seja por falta
de oportunidade de vida melhor ou porque são ruins mesmo, podem tentar tirar de
nós coisas simples que nos façam felizes.
O meu tio, filho da minha avó, vivia agarrado com pequenas
brochuras de bolso, quase sempre histórias de far west, as quais ele me
emprestava. Meu tio era um preto bonito, com voz linda que tinha 13 filhos e
muito pouca paciência com criança. Gastava toda a sua paciência jogando cartas
com os meus irmãos nos finais de semana. E como lá em casa não tivesse muita
gente pra conversar era com ele que eu puxava assunto no seu horário de almoço,
servido pela minha avó com farinha e pimenta, água, suco ou refresco e depois
ele ia pra cama tirar uma soneca, precedida pela leitura do livro que acabava
lhe cobrindo os olhos e vedando a luz para que tudo ficasse perfeito. Claro que
ele preferia me emprestar um livro que me mantivesse calada! Foi assim que eu
li o Homem Que Calculava, de Malba Tahan, O Egípcio e muitos livros enormes com
mais de 300 páginas e nenhuma "figura". Foi assim que minha avó passou a
enlouquecer de ciúmes dessa ligação e foi assim que eu entendi que se alguns
tentam nos tirar o prazer que não conseguem compreender, há os que vão nos dar
qualquer prazer para que possam se deleitar em paz.
E eu que cresci achando que tive uma infância estéril e sem
graça.
27 de abr. de 2020
Forum M e Pandemônicas na Pandemia
No momento do isolamento social, ficou nítido o quanto é necessários se estar junto, mesmo que separados.
Aquela tecnologia que afastava de repente passou a aproximar.
Talvez a maior reflexão possa ser das mãos que não se estenderam, das peles que por cor se separaram, dos corpos que por gênero se racharam no momento de não se tocarem, percebem o quanto precisam estar juntas, sôfregas pelo mesmo medo, sedentas da mesma necessidade de sobreviver para poder atingir um viver melhor.
Pandemônicas na Pandemia é uma série de entrevistas e conversas que o Fórum M traz pra você. AO VIVO pra você poder participar!
Venha conversar com algumas das mulheres que lutam (sempre) pelos que ficam em casa, pelos que não podem parar, pelos que não têm casa pra ficar.
Saiba como a população está agindo contra o novo corona vírus
QUINTA-FEIRA - 30/04
14HORAS
Ao Vivo no Youtube:
http://youtube.com/c/forummdasquebradas
20 de abr. de 2020
DIA 389.496
#covid19 #quarentena #fiqueemcasacovid19 #fotografia #selfie #enlouquecendo #bolsonarovaisefude
6 de fev. de 2020
LEI DE INCENTIVO À CULTURA PARA QUEM?
Sabe por que?
O mercado da arte e da Cultura é dependente dos empresários, já que temos tido governos aristocratas de culturas importadas. Somos um país mestiço, amarrado a valores nórdicos, regidos por pessoas que não entendem o que é Cultura. Enfim, o governo lava as mãos, não acha que tenha qualquer obrigação com a Cultura do do povo de um país que lhe paga todos os luxos. Assim, não importa qual seja a lei de incentivo, sempre será um empresário que vai definir o que você assiste. E ele nunca vai escolher você, artista ou produtor suburbano, desconhecido por mais que você seja bom e mereça. Ele vai escolher um renome aclamado midiático famoso, que também não vai mamar nas tetas, apenas vai receber o cachê combinado. A única parte que recebe dinheiro de volta na Cultura é o patrocinador e ele não perde nunca. Ele não investe, ele bota o dinheiro que já tem pra girar tem como objetivo a exposição da marca, então leis de incentivo à cultura pra quem? Lei de incentivo às empresas.
Deixa pra lá.
30 de abr. de 2018
Amores chegam quando estamos a fim
Pra ajeitar gavetas, arrumar o armário de tudo que guardamos?
Nem adivinha que o talento para sorrir pode ser proporcional
ao tamanho da necessidade de sorrir como se tudo fosse normal,
à tristeza da dureza dos espinhos que se tem a enfrentar.
Mas tem gente que é sol ardente sem espaço para chuvas,
Como dizer a elas que estamos no inverno?
Do meu outono, recolho as folhas
Nas minhas mãos, ficaram as bolhas
de um trabalho árduo, pesado
de um coração que se tornou calejado.
Amores chegam quando estamos a fim,
não sendo assim, é somente fim.
28 de abr. de 2018
NATAL
Natal não era professor mas fez do Jeronymo Patrocinio o primeiro bailarino do carnaval. Não era maestro mas fez da Tia Surica a primeira intérprete de samba de enredo campeã na avenida. Acho que não era compositor, tenho certeza que não era musa inspiradora mas proporcionou que Paulinho da Viola compusesse uma das suas pérolas mais lindas.
27 de abr. de 2018
FELIZ PORQUE NÃO TEM OUTRO JEITO
Apesar de não ter o que quis.
Apesar de não chegar onde precisava.
Uma parte de mim me acalentava.
da tendência,
sofrência,
negligência.
burrice,
breguice...
Tudo isso, quem sabe,
esteja em mim também.
Tão-somente,
sem motivo.
Sem felicidade não vivo.
Ela não é de verdade
( Talvez ansiedade )
Mas não é mentira.
Só um artifício -
sem sacrfício.
Sem isso a cabeça pira.
que a mente fabrica
no auge da carência.
Pegar esse monte de bosta,
tentar fabricar estrume pra'quele jardim,
que sei resiste, dentro de mim.
21 de abr. de 2018
QUANDO SE ESTÁ POR CIMA
SE A GENTE ESTÁ ACIMA DAS NUVENS, NÃO CONSEGUE VER O MUNDO. Ainda assim, é uma bela visão, esse tapete de leveza. Mas como é que Deus ve a gente? 😲😒
É tanto tiro no pé...
É de se lamentar que o inicio deste sepultamento venha justamente por intermédio da escola que se diz de Resistência e apontada como "a escola dos enredos bonitos". A cada compositor imperiano, dos baluartes aos que sonham, minha solidariedade.
Lá vem as escolas mais uma vez se descaracterizando, mudando no carnaval o que por ser sua gênese e pilar não deveria ser mudado.
É tanto tiro no pé...
20 de abr. de 2018
17 de abr. de 2018
Obrigada por ter dado à minha vida sem graça, tanta graça de melodia
"Está vendo aquela estrela? Ela a fé. A fé é como um pássaro azul,muitas vezes não o vemos mas sabemos que está lá fazendo as coisas ficarem certas".Daí, que há pessoas que são como essa estrela, como esse canto desse pássaro, a gente precisa saber que estão lá para que tudo esteja certo.
Tiê, tiê, olha lá oxá!
Tiê, tiê, olha nós que ficamos cá.
Vai buscar quem mora longe, sonho meu...
Vai mostrar essa saudade, sonho meu".
Não foi a família portelense que me deixava em casa porque eu era criança demais, o que me levou pro Império assim que eu pude fugir para algum lugar... Foi esse tanto de melodia que eu entendia e aplainou meus caminhos com seus lara-laiás. E no final de tudo a gente cresce perto do que nos traz a alegria e a paz.
Essa porção de mar a inundar os olhos e sonhos meus, vai passar. Mas por enquanto deixa ficar.
Obrigada!
15 de abr. de 2018
ELA PENSAVA
mais de conversar
De papo no bar
Eu também gosto
Mas aposto,
Não é comigo
Que ela quer ficar
A gente se rima
mas não se combina
Mas a gente não acabou
É só um traço-de-união
Que junta separando
o coração...
14 de abr. de 2018
MEU PRIMEIRO SAMBA ENREDO
Ali, o compositor, a sua música tomando a forma que no no seu sonho irá encantar muita gente.
É ali, um certo pedacinho do céu.
Não se pensa em fama, mas na qualidade que por si só é sucesso.
É ali que sem muita teoria a gente sente que faz arte, é ali que o sonho toma forma em comunidade e acontecem atos comunitários, transmissão de conhecimentos, respeito ao saber alheio e se tiver uma figura incensada ou admirada mas acima de tudo competente pra "botar a voz" esse encantamento se multidimensiona e a admiração cresce com o fermento da certeza de que se está com um artista de verdade.
Obrigada, Bruno Ribas Samba por ter entrado em cena hoje com a gente!
Hoje, eu - praticamente um rato de estúdio pelas minha multitarefas, principalmente a de registrar o registro, tive uma experiência inédita e como toda estreia, foi emocionante. Pela primeira vez meu nome estará "escrito" num "som". É demais para quem vive de palavras, ouvi-las em melodia! Que as boas energias iluminem esse caminho. Isso me basta.
12 de abr. de 2018
MEUS AMIGOS CARIOCAS
Riem com os lábios,
Choram com o coração
São poetas natos
De versos insensatos
no meio desse mundo chinfrim
Mas se doam quase inteiros pra mim
Eu os engano com o meu sorriso
Eles dão seus sorrisos sinceros pra mim
A gente se faz feliz desse jeito
Carregando cada um
Sua inspiração no peito.
Tem gente de como vai
Tem gente de mas... Mas?
Tudo o que a gente busca
É um tanto qualquer de alguma paz.
9 de abr. de 2018
CONCURSO PÚBLICO PARA SER POLÍTICO
1) Existe uma lei de obrigatoriedade do cinto de segurança, mas as vans estarão liberadas para transportar passageiros em pé.
Não merecemos!
TODO MUNDO TEM DIREITO ÀS VITÓRIAS, À FELICIDADE E AO PÃO QUE SÓ MATA A FOME
Só que aí, a multidão foi atras dele e ele curou quem estava doente ali. Então, os amigos falaram que era pra ele mandar o povo vazar porque estava tarde, o local era deserto e não tinha comida pra galera, só 5 pães e uns peixinhos merreca.
Jesus falou tipo:
- traz aí essa mixaria.
E multiplicou de um jeito que umas 5000 pessoas comeram de boa.
Não satisfeito, Cristo mandou os amigos entrarem no barco e dar uma volta, só que ele não foi (lembram que ele se retirou pra um lugar ermo a fim de ficar sossegado? Pois é) . Despediu a multidão já de pança cheia e finalmente ficou sozinho pra rezar, meditar, agradecer, enfim, entrar num chat com Deus, o pai dele.
É isso.
#botafogocampeão
#Lulalivre
8 de abr. de 2018
AQUELES QUE DESEQUILIBRAM O UNIVERSO
Pedi para o motorista dar uma paradinha no posto de gasolina, aquele ali perto da Leroy Merlin porque eu sentia que ia precisar de uma barra de chocolate.
Entro na loja de conveniência, dirijo-me ao caixa no balcão onde já tinha uma pessoa à minha frente.
Tenho a atenção despertada por um grito ao estilo bêbado conversando com o mundo sem megafone vindo da outra extremidade do ambiente:
- Por mim, tudo que é sapatão, tinha que morrer! Viado também! MORRER QUEIMADO! Me dá o fogo que eu queimo esses FDP!!!
Como eu, imediatamente após o final da frase, todos "desolhamos".
Todos que olharam no mesmo momento que eu, voltaram os olhares para o que estavam fazendo antes.
Uma concretização do desprezo absoluto.
Lembrei desse ocorrido agora, domingo, dia 08, dia que Lula foi para a república de Curitiba. Quando li uma postagem que dizia:
- "um acidente aéreo seria a glória".
Deletei, bloqueei, esqueci. Taí um boçal em condições de usar smart phone.
30 de abr. de 2017
BELCHIOR - NADA É MAIS CRUEL QUE PERDER AS ESPERANÇAS
Disse um amigo meu num papo num barzinho onde cantávamos MPB das antigas, num protesto íntimo contra a sofrência cachaceira e repetitiva toda animadinha. Respondi com uma pergunta:
- E precisa?
No tempo dos super-heróis, ele era o nosso herói mais destemido porque tinha medo e o cantava desbragadamente. No meio da torcida não cantou a comemoração do gol do atacante, apenas citou a angústia do goleiro na hora do gol, porque a dele era maior. Para angústia grande um sol num quintal é remédio.
Lembro da minha mãe falando do bigode horrível, alguem que dizia que ele parecia banguelo e eu pré-adolescente o achava lindo, cabelos mais bonitos do que do Tarcísio Meira, mãe...
Com o primeiro salário do primeiro emprego comprei o primeiro LP dele que entrou na minha coleção que passei anos fazendo. Alucinação chegou tarde na minha estante, mas não com menos delírio das amigas colegas de trabalho num supermercado. Seus LPs eram expulsos da vitrola lá de casa, o povo preferia Pedrinho Rodrigues, mas as músicas não saíam da cabeça, compuseram minha vida, sedimentaram minha trajetória. Quando todo mundo cantou medo de avião eu ainda preferia aquelas musicas pelo meio do disco que não tocava no rádio.
- Uma música que não dá pra dançar, alguns me diziam. Aprenda a dançar conforme a musica eu respondia e esquecia, deixava pra lá. "Nem leve flores para a cova do inimigo".
E aí o bigodão se vai aos 70 anos e a gente fica aqui com cara de que? Com cara do que deveria ser, mas não foi.
"Tudo poderia ter mudado, sim,
pelo trabalho que fizemos - tu e eu.
Mas o dinheiro é cruel
e um vento forte levou os amigos
para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos,
e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não".
Acho que acabou. Que pena. Nada é mais cruel do que perder as esperanças porque não se tem o que fazer nem como esperar.
Vai na paz Belchior, aquela que parece a gente nunca conseguiu ter.
AMORES CHEGAM QUANDO ESTAMOS A FIM
Desejam ocupar um espaço que você não tem e não sabe o que fazer.
Acho que passamos por coisas que nos ferem o coração deixando-o inchado,
o peito fica apertado,
não dá para acomodar emoções novas.
É questão de tempo, mas vai saber quanto será necessário...
Pra ajeitar gavetas, arrumar o armário
de tudo que guardamos?
Quem chega fresco na nossa vida, não tem noção do nosso tempo.
Nem adivinha que o talento para sorrir pode ser proporcional
ao tamanho da necessidade de sorrir como se tudo fosse normal,
à tristeza da dureza dos espinhos que se tem a enfrentar.
Existem pessoas que chegam como amores e ficam como primavera
Mas tem gente que é sol ardente sem espaço para chuvas,
Como dizer a elas que estamos no inverno?
E quando o sol se abre, arde, já é tarde.
Do meu outono, recolho as folhas
Nas minhas mãos ficaram as bolhas
de um trabalho árduo, pesado
de um coração que se tornou calejado.
Coração mais velho que o corpo de uma alma mais velha do que tudo.
Não me iludo,
Amores chegam quando estamos a fim,
não sendo assim, é somente fim.



















