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26 de fev. de 2021

TEREZINHA



Tá foda. Quando estou me sentindo minimamente feliz ou um pouco satisfeita - com essas coisas todas acontecendo não dá pra ser feliz de verdade nem estar plenamente satisfeita - vem mais um catiripapo.

Dessa vez a porrada tem nome, sobrenome, digina e um pouco de história, que eu não tenho muita (história) porque diante dos relatos da Cristina Buarque, Tia Surica e talz, eu entendo que cheguei no samba na hora da xepa, mas uma xepa de samba é sempre muito melhor que o auge de um pagodez ou qualquer outra fase de sofrência.
Ela era número baixo. Tinha 87 ou seria 82? Não lembro. Eu não tenho memória privilegiada como ela tinha, seja lá com quantos oitentetantos sejam.
Tomava café da manhã na padaria: Uma Brahma bem gelada de dormida no gelo a noite toda e um sanduba de carne assada, considerado o segredo da sua longevidade e "inteirabilidade", pois que a danada da "Borboleta" lia sem óculos e sem ter que apertar os olhinhos. Eu morria de inveja disso.
Foi a criadora, fundadora e primeira presidenta (ou seja lá que nome tenha o cargo) do Departamento Feminino da Portela (e eu nem sei se outras escolas já tinham departamento feminino - corre o risco de mais um pioneirismo da águia), oportunidade oferecida pelo Carlinhos Maracanã, que ela chamava de Seu Carlos.
Me contou ela, que sempre teve paixão inexplicável e absurda pela Portela. Moradora da Tijuca, num tempo de casamentos feudais, ela atormentava o marido que não entendia bem a diferença entre Portela e Salgueiro, pra conseguir vir pra Madureira e muitas vezes veio escondida e sempre na marra.
Seu sonho era sair da Tijuca e morar perto da quadra da Portela.
Um dia a Portela ia pro Japão e ela foi proibida de ir pelo marido, que acabou na quadra ouvindo a solicitação do Seu Carlos para que permitisse que ela viajasse. E assim ela foi. Sempre reclamava da colega que pegou suas fotos do Japão emprestadas e nunca devolveu.
A Tia do Café. Minha parça de ir fumar um "cigarrinho ali fora". A parceirinha da Tia Surica de assistir Jequiti no cafofo nos dias de entre safra do samba, a porta estandarte do Bloco da Perereca Murcha Mais um baú de histórias periféricas portelenses, mais um monte de narrativas sem registro.
Eu tenho foto mas não tenho ânimo nesses momentos de catá-las. Eu fico mal comigo mesma porque ela estaria no Procuram-se Mulheres, mas não coube, era muita história e eu só tinha até 20 minutos. Procurei focar nas mulheres com carreira em andamento acreditando que o filme poderia de alguma forma ajudá-las e decidi deixar Tetê, para uma outra fita junto com a Verinha que foi a Primeira locutora, relações públicas e mestre de cerimônias de uma escola de samba, além cantora e compositora. Veio a pandemia, parei tudo porque essa minha gente é por demais presencial, mal tem redes sociais e estão em idade de risco relacionado à covid.
Enfim, agora não sei se fiz bem.
E pensar que quando eu tiver um pouco de normalidade e puder retornar aos meus espaços, vai ter muito vazio de ausências esperando pela alegria do meu retorno.
Que panorama é esse, onde até as coisas boas são emolduradas por coisas tão difíceis?
Não ver nossa Terezinha na quadra vai ser um aperto no peito e um ressalto para tantas ausências.
Tia Tetê, vai logo! Seja Luz!
Eu me viro.
E a gente vai te amar pra sempre.

4 de fev. de 2021

O LIVRO E A VÓ

 


Quando eu era guria e pegava num livro, só o largava quando terminava de ler. No reino dos livros não existia louça pra lavar, dever escolar pra fazer, sem culpa no mundo da literatura e tudo era muito bom.

Minha avó enlouquecia, reclama, se queixava para minha mãe (filha dela), achava absurdo. Minha avó não sabia ler nem escrever e era imensamente controladora e eu tive que viver muito pra começar a tentar entender o que ela sentia, pois era um conteúdo, uma experiência que ela não podia analisar, julgar para controlar, ao mesmo tempo, como entender o que tantos signos ininteligíveis, para ela, poderiam entreter uma criança por tanto tempo, ao ponto de ela preferir "aquilo" - o livro, do que a TV ou brincar na rua?

Era preciso que ela descobrisse o que havia ali, boa coisa não haveria de ser e como isso não lhe era possível, a sua estratégia passava a ser me impedir de ler, eliminando o meu prazer.

Nessa idade eu não tinha obrigações domésticas e era proibida de brincar na rua, lá em casa não tinha outras crianças. Um cachorro amarrado na casinha, uns gatos que mais desapareciam do que eram vistos, um abacateiro esguio, umas goiabeiras que limitava sua generosidade ao seus frutos e apenas isso. Não havia nenhum pé de laranja lima com galho onde eu pudesse sentar como se fosse sela de um cavalinho. Ainda bem. Certamente eu teria ido parar no hospício se me desse a esse desfrute.

Três coisas advindas dessa época me ocorrem:

O quanto eu entendia as pessoas que passavam horas na internet lendo coisas esquisitas;

Meus sobrinhos que não eram muito chegados aos livros mas amavam uma TV e eu não os incomodava;

e o quanto as pessoas inseguras, infelizes, seja por falta de oportunidade de vida melhor ou porque são ruins mesmo, podem tentar tirar de nós coisas simples que nos façam felizes.

O meu tio, filho da minha avó, vivia agarrado com pequenas brochuras de bolso, quase sempre histórias de far west, as quais ele me emprestava. Meu tio era um preto bonito, com voz linda que tinha 13 filhos e muito pouca paciência com criança. Gastava toda a sua paciência jogando cartas com os meus irmãos nos finais de semana. E como lá em casa não tivesse muita gente pra conversar era com ele que eu puxava assunto no seu horário de almoço, servido pela minha avó com farinha e pimenta, água, suco ou refresco e depois ele ia pra cama tirar uma soneca, precedida pela leitura do livro que acabava lhe cobrindo os olhos e vedando a luz para que tudo ficasse perfeito. Claro que ele preferia me emprestar um livro que me mantivesse calada! Foi assim que eu li o Homem Que Calculava, de Malba Tahan, O Egípcio e muitos livros enormes com mais de 300 páginas e nenhuma "figura". Foi assim que minha avó passou a enlouquecer de ciúmes dessa ligação e foi assim que eu entendi que se alguns tentam nos tirar o prazer que não conseguem compreender, há os que vão nos dar qualquer prazer para que possam se deleitar em paz.

E eu que cresci achando que tive uma infância estéril e sem graça.

27 de abr. de 2020

Forum M e Pandemônicas na Pandemia

E de repente um vírus miudinho, com cara de mamona parou o mundo desencadeando uma guerra entre o álcool gel e o perdigoto .mas acima de tudo convidando a raça humana a refletir, a se redescobrir, a se reinventar.

No momento do isolamento social, ficou nítido o quanto é necessários se estar junto, mesmo que separados.
Aquela tecnologia que afastava de repente passou a aproximar.

Talvez a maior reflexão possa ser das mãos que não se estenderam, das peles que por cor se separaram, dos corpos que por gênero se racharam no momento de não se tocarem, percebem o quanto precisam estar juntas, sôfregas pelo mesmo medo, sedentas da mesma necessidade de sobreviver para poder atingir um viver melhor.

Pandemônicas na Pandemia é uma série de entrevistas e conversas que o Fórum M traz pra você. AO VIVO pra você poder participar!

Venha conversar com algumas das mulheres que lutam (sempre) pelos que ficam em casa, pelos que não podem parar, pelos que não têm casa pra ficar.

Saiba como a população está agindo contra o novo corona vírus
QUINTA-FEIRA - 30/04
14HORAS
Ao Vivo no Youtube:
http://youtube.com/c/forummdasquebradas

20 de abr. de 2020

DIA 389.496

Quarentena - Dia: 389.496. Já consigo manter distância de mim mesma pra não me contaminar e me especializei em selfie sem mãos.

#covid19 #quarentena #fiqueemcasacovid19 #fotografia #selfie #enlouquecendo #bolsonarovaisefude 

6 de fev. de 2020

LEI DE INCENTIVO À CULTURA PARA QUEM?

 

Teste de som do curta Procuram-se Mulheres no Sesc Bauru

Quando eu era só produtora artística, era um nó na garganta, frio no estômago toda apresentação. De medo. Não era para ser assim. Quem vive da arte vive experimentando o medo, a indiferença, dormindo com gosto de caos na boca, mas acordando a cada dia com o sabor da esperança na saliva.

Os trabalhadores da Cultura, são sensíveis, não merecem além das incertezas de mercado, humores do artista, deslumbre dos agregados, ainda ter que conviver com o patíbulo do comportamento governamental.
Sabe por que?
O mercado da arte e da Cultura é dependente dos empresários, já que temos tido governos aristocratas de culturas importadas. Somos um país mestiço, amarrado a valores nórdicos, regidos por pessoas que não entendem o que é Cultura. Enfim, o governo lava as mãos, não acha que tenha qualquer obrigação com a Cultura do do povo de um país que lhe paga todos os luxos. Assim, não importa qual seja a lei de incentivo, sempre será um empresário que vai definir o que você assiste. E ele nunca vai escolher você, artista ou produtor suburbano, desconhecido por mais que você seja bom e mereça. Ele vai escolher um renome aclamado midiático famoso, que também não vai mamar nas tetas, apenas vai receber o cachê combinado. A única parte que recebe dinheiro de volta na Cultura é o patrocinador e ele não perde nunca. Ele não investe, ele bota o dinheiro que já tem pra girar tem como objetivo a exposição da marca, então leis de incentivo à cultura pra quem? Lei de incentivo às empresas.
Deixa pra lá.

30 de abr. de 2018

Amores chegam quando estamos a fim


Às vezes as pessoas entram na sua vida e você não sabe o que dizer. 
Desejam ocupar um espaço que você não tem e não sabe o que fazer.
Acho que passamos por coisas que nos ferem o coração deixando-o inchado, o peito fica apertado, não dá para acomodar emoções novas.
É questão de tempo, mas vai saber quanto será necessário...
Pra ajeitar gavetas, arrumar o armário de tudo que guardamos?
Quem chega fresco na nossa vida, não tem noção do nosso tempo.
Nem adivinha que o talento para sorrir pode ser proporcional
ao tamanho da necessidade de sorrir como se tudo fosse normal,
à tristeza da dureza dos espinhos que se tem a enfrentar.
Existem pessoas que chegam como amores e ficam como primavera
Mas tem gente que é sol ardente sem espaço para chuvas,
Como dizer a elas que estamos no inverno?
E quando o sol se abre e arde, 
já é tarde.
Do meu outono, recolho as folhas
Nas minhas mãos, ficaram as bolhas
de um trabalho árduo, pesado
de um coração que se tornou calejado.
Coração mais velho que o corpo de uma alma mais velha do que tudo.
Não me iludo,
Amores chegam quando estamos a fim,
não sendo assim, é somente fim.

28 de abr. de 2018

NATAL

Fico lendo as coisas, ouvindo as pessoas e penso umas coisas meio doidas.
Natal não era professor mas fez do Jeronymo Patrocinio o primeiro bailarino do carnaval. Não era maestro mas fez da Tia Surica a primeira intérprete de samba de enredo campeã na avenida. Acho que não era compositor, tenho certeza que não era musa inspiradora mas proporcionou que Paulinho da Viola compusesse uma das suas pérolas mais lindas. 

27 de abr. de 2018

FELIZ PORQUE NÃO TEM OUTRO JEITO














Hoje amanheci feliz.
Apesar de não ter o que quis.
Apesar de não chegar onde precisava.
Uma parte de mim me acalentava.

Amanheci feliz apesar da violência,
da tendência,
sofrência,
negligência.
Sorri pra tolice,
burrice,
breguice...
Resignada disse amém,
Tudo isso, quem sabe,
esteja em mim também.
Hoje amanheci feliz,
Tão-somente,
sem motivo.
Sem felicidade não vivo.
Ela não é de verdade
( Talvez ansiedade )
Mas não é mentira.
Só um artifício -
sem sacrfício.
Sem isso a cabeça pira.
A tal da resiliência
que a mente fabrica
no auge da carência.
Tem que ser assim,
Pegar esse monte de bosta,
tentar fabricar estrume pra'quele jardim,
que sei resiste, dentro de mim.

21 de abr. de 2018

QUANDO SE ESTÁ POR CIMA


SE A GENTE ESTÁ ACIMA DAS NUVENS, NÃO CONSEGUE VER O MUNDO. Ainda assim, é uma bela visão, esse tapete de leveza. Mas como é que Deus ve a gente? 
😲😒

É tanto tiro no pé...


É de se lamentar que o inicio deste sepultamento venha justamente por intermédio da escola que se diz de Resistência e apontada como "a escola dos enredos bonitos". A cada compositor imperiano, dos baluartes aos que sonham, minha solidariedade.
Lá vem as escolas mais uma vez se descaracterizando, mudando no carnaval o que por ser sua gênese e pilar não deveria ser mudado.
É tanto tiro no pé...

20 de abr. de 2018

POR DE SOL

Um por-de-sol acima das nuvens 💙💙

17 de abr. de 2018

Obrigada por ter dado à minha vida sem graça, tanta graça de melodia

                                                         
       Eu era bem jovem e os meus sobrinhos não eram muito mais novos que eu, como ainda não são. Eu sempre curti levá-los ao cinema porque tinha para com crianças uma paciência para as coisas que ninguém lá em casa tinha. Lembro que fomos assistir Bernardo e Bianca dos Estúdios Disney, num tempo que desenho animado não era chamdo de  "Animação", não tinha volume, não existia 3D, era só desenho animado mesmo.
De toda a história do Bernardo e Bianca, foi a cena final que nunca me saiu da cabeça. Bernardo abraçado à bianca, depois de duas horas de peripécias, olhavam o céu azul noturno onde luzia uma linda estrela e surgia a frase inesquecível:
"Está vendo aquela estrela? Ela a fé. A fé é como um pássaro azul,muitas vezes não o vemos mas sabemos que está lá fazendo as coisas ficarem certas".
Daí, que há pessoas que são como essa estrela, como esse canto desse pássaro, a gente precisa saber que estão lá para que tudo esteja certo.
O consolo não é apenas aconchego contra o desespero, mas também um alívio pra dor porque saudade dói, o vazio das noites em nuvens assusta, ainda que as coisas estejam certas. Que nos console a melodia da voz doce desse pássaro negro, lindo de canto verde e alma alva.
Tiê, tiê, olha lá oxá!
Tiê, tiê, olha nós que ficamos cá.
Eu sei da bênção nossa e dela por sua vida plena, sua melodia vasta, seu sorriso lindo, seu querer demais além do concedido no seu tempo. A realização dos seus sonhos, a transformação das pedras nos caminhos em relva doce, fresca, macia. Sua alegria e seu carinho. Eu sei, mas meus olhos não secam nem adoçam, estão inundados de mar. Vai passar e o bom é que o melhor vai ficar.
Eu era muito criança e ainda não tinha sobrinho, meu tio às vezes fazia seresta, samba e chorinho na varanda ao contrário lá de casa. Eu era tão criança que não conseguia ainda entender Candeia, mas gostei de música, fui feliz por entender tudo no dia que alguém cantou: 
"Sonho, meu! Sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu...
Vai mostrar essa saudade, sonho meu". 

Não foi a família portelense que me deixava em casa porque eu era criança demais, o que me levou pro Império assim que eu pude fugir para algum lugar... Foi esse tanto de melodia que eu entendia e aplainou meus caminhos com seus lara-laiás. E no final de tudo a gente cresce perto do que nos traz a alegria e a paz. 
Dona Ivone Lara, foi sempre colo e alegria e a ave se faz estrela de verdade para que tudo fique certo. 
Obrigada, rainha imperiana. Obrigada!
Essa porção de mar a inundar os olhos e sonhos meus, vai passar. Mas por enquanto deixa ficar. 
Obrigada por ter dado à minha vida sem graça, tanta graça de melodia. Dá um beijo no Seu Délcio, tenho saudade dele também.
Obrigada!

15 de abr. de 2018

ELA PENSAVA

Acho que ela pensava que eu fosse mais rica.
Acho que eu pensava que ela gostasse
mais de conversar
Ela gosta de birita
De papo no bar
Eu também gosto
Mas aposto,
Não é comigo
Que ela quer ficar
Ela não sonha e gosta de se preocupar.
A gente se rima
mas não se combina
E a gente se afastou
Mas a gente não acabou
É só um traço-de-união
Que junta separando
o coração...

14 de abr. de 2018

MEU PRIMEIRO SAMBA ENREDO

Quando se está num estúdio de gravação o mundo para. É melhor que seja assim.
Ali, o compositor, a sua música tomando a forma que no no seu sonho irá encantar muita gente.
É ali, um certo pedacinho do céu.
Não se pensa em fama, mas na qualidade que por si só é sucesso.
É ali que sem muita teoria a gente sente que faz arte, é ali que o sonho toma forma em comunidade e acontecem atos comunitários, transmissão de conhecimentos, respeito ao saber alheio e se tiver uma figura incensada ou admirada mas acima de tudo competente pra "botar a voz" esse encantamento se multidimensiona e a admiração cresce com o fermento da certeza de que se está com um artista de verdade. 

Obrigada, Bruno Ribas Samba por ter entrado em cena hoje com a gente!
Hoje, eu - praticamente um rato de estúdio pelas minha multitarefas, principalmente a de registrar o registro, tive uma experiência inédita e como toda estreia, foi emocionante. Pela primeira vez meu nome estará "escrito" num "som". É demais para quem vive de palavras, ouvi-las em melodia! Que as boas energias iluminem esse caminho. Isso me basta.
Obrigada Vanderlei SantannaCatia Guimarães, gente cheia de estrada, por essa oportunidade de compartilhar o talento de vocês!

12 de abr. de 2018

MEUS AMIGOS CARIOCAS











Meus amigos cariocas tem cheiro de poesia,
vozes de rima, olhar de samba-canção.
Riem com os lábios,
Choram com o coração
São poetas natos
De versos insensatos
Alegria sem fim
no meio desse mundo chinfrim
Não me dão nada
Mas se doam quase inteiros pra mim
Eles não sabem do que eu preciso
Eu os engano com o meu sorriso
Eles dão seus sorrisos sinceros pra mim
A gente fica bem assim
A gente se faz feliz desse jeito
Carregando cada um
Sua inspiração no peito.
Tem gente de olá
Tem gente de como vai
Tem gente de mas... Mas?
Tudo o que a gente busca
É um tanto qualquer de alguma paz.

9 de abr. de 2018

CONCURSO PÚBLICO PARA SER POLÍTICO


1) Existe uma lei de obrigatoriedade do cinto de segurança, mas as vans estarão liberadas para transportar passageiros em pé.
2) As vans substituirão as linhas extintas o que significa que a população vai continuar sem ter condução, pois sem fiscalização os motoristas só andam com carro cheio, no horário que eles querem trabalhar, param a cada meio metro, atravancam os pontos de ônibus e se não tem passageiro, trocam o itinerário na maior cara de pau.
Já tô achando que político tinha que fazer concurso como os funcionários públicos, evitaria esses tontos que não sabem nada, não conhecem nada e só fazem coisas que não adiantam nada! E ainda tem o Crivella com essa cara de morto-vivo, fantasma sem ópera..
Não merecemos!
3) Cadê as merdas dos ônibus? Foram pra sucata?

TODO MUNDO TEM DIREITO ÀS VITÓRIAS, À FELICIDADE E AO PÃO QUE SÓ MATA A FOME

O cara posta a vitória do Fogão, aí outro aparece desqualificando o campeonato, o time e a torcida. O campeonato só é válido pro time dele. Uma dificuldade de saber perder. Uma incapacidade de ver comemoração alheia. "Igualzin" na política...
Aí me dá um orgulho de ser o que sou, de crer no que creio, de vir da onde venho. Esse comportamento que não sei como classificar - nem tento, só desaprovo para minha conduta e que não me venham muito pra perto com ele - dá um efeito contrário em mim. Sentia-me, como muitos contemporâneos meus, traída pelo PT, tinha deixado de votar (já contei aqui essa história), estava de mal com o Lula. Ardia num arrependimento umbralino por nunca ter sido brizolista, já que pelas minhas condições e história de vida, pertencer à direita - mesmo direita, é pra mim tão impossível quanto torcer para outro time. De modo que, tudo como está acontecendo, torto, para um lado só, claramente sombreando a democracia que eu ja achava que era franzina e meio fingida, me faz fazer as pazes com Lula, sim.
Então, eu que não sou evangélica, apenas procuro viver de acordo com o Evangelho porque sou muito fã de Cristo, tenho o costume, hábito ou mania de abrir esse livro (já muito roto porque vem de outras gerações) aleatoriamente para tentar ao longo do dia praticar o ensinamento que "cair".
Hoje foi aquela passagem que Cristo triste com a condenação e morte de João Batista (que ele dizia, era maior profeta que ele) foi "dar um tempo" num local deserto.
Só que aí, a multidão foi atras dele e ele curou quem estava doente ali. Então, os amigos falaram que era pra ele mandar o povo vazar porque estava tarde, o local era deserto e não tinha comida pra galera, só 5 pães e uns peixinhos merreca.
Jesus falou tipo:
- traz aí essa mixaria.

E multiplicou de um jeito que umas 5000 pessoas comeram de boa.

Não satisfeito, Cristo mandou os amigos entrarem no barco e dar uma volta, só que ele não foi (lembram que ele se retirou pra um lugar ermo a fim de ficar sossegado? Pois é) . Despediu a multidão já de pança cheia e finalmente ficou sozinho pra rezar, meditar, agradecer, enfim, entrar num chat com Deus, o pai dele.
Tempão depois, o barco com os amigos estava lá no meio da água e ele vai, a pé, encontrar com a turma. Todo mundo amigo mas quando viram o Cara andando sobre as águas, se borraram todos achando que era fantasma😲😂😂
- Calmaí, gente! Sou eu!
Aí, Pedro metidinho que só, já quis também surfar sem prancha... Affff
- Vem, Pedro!
Pedro foi. Quando sacou a parada, sentiu que estava mó ventania e ele em cima da água, amarelou e começou a afundar 😩 Jesus deu a mão a ele e claro, um esporro:
- Homem de pouca fé, duvidou por que?
Ah, gente, como eu queria ver a cara do Pedro nessa hora! 😆😅
É muito ensinamento em 10 versículos e sempre que leio surge uma coisa nova.
... Confiar na vida, correr atrás (povo que seguiu ele pelos cafundós);
... Ter fé e ser paciente (Ele precisando de sossego por causa da morte do JB e ainda mais do jeito que foi) atendendo aquela multidão necessitada e, olhe bem que não era só pobre que procurava Cristo porque desde aqueles tempos "a gente não quer só comida" e as outras tantas necessidades, como saúde por exemplo, nos igualam ou inferiorizam por mais grana que agente pode ter, felizmente tem muita coisa que o dinheiro não pode comprar;
... A generosidade de multiplicar e repartir o pão (porque os" apóstolos iam "segurar" o que tinham e ainda Cristo que deveria mandar o povo ir embora);
... Compartilhar o prazer, a diversão (andar sobre as águas deve ser bom pra caramba e ele compartilhou essa onda com Pedro e nem precisaria se não fosse pra ensinar algo);
Tudo isso ⬆️⬆️⬆️⬆️⬆️ eu já tinha percebido em outras leituras porque essa passagem sempre "cai" pra mim. Hoje meditei que:
Cristo andou sobre as águas e isso pode ser uma dica pra gente entender que tem que andar sobre a água pura ou sobre a lama e sem dúvida dessa capacidade de flutuar sob pena de afundar nela;
A gente tem que passar pelas perdas doloridas e graves sem perder a paciência com os egoístas, insanos e toscos porque talvez eles não saibam ser diferentes disso ou quem sabe, o nosso momento difícil pode ser o único em que ele vai ter oportunidade pra se livrar de algo que o aflija. Sim eu sei, a gente não faz milagre, mas tem que ter paciência, viu? E fé, muita fé.
Então, sejamos generosos e pacientes e não percamos a fé, se entendemos que devemos repartir o pão e a Vida, o Saber e a Alegria, estamos muito mais próximos do Bem do que imaginamos
É isso.
#botafogocampeão
#Lulalivre

8 de abr. de 2018

AQUELES QUE DESEQUILIBRAM O UNIVERSO


Sexta-feira, 06 de abril de 2018, eu vinha de Madureira a bordo de um 99POP, tendo 4 latões mais meia garrafa de 600ml de cerveja correndo pela corrente sanguínea.

Pedi para o motorista dar uma paradinha no posto de gasolina, aquele ali perto da Leroy Merlin porque eu sentia que ia precisar de uma barra de chocolate.

Entro na loja de conveniência, dirijo-me ao caixa no balcão onde já tinha uma pessoa à minha frente.

Tenho a atenção despertada por um grito ao estilo bêbado conversando com o mundo sem megafone vindo da outra extremidade do ambiente:

- Por mim, tudo que é sapatão, tinha que morrer! Viado também! MORRER QUEIMADO! Me dá o fogo que eu queimo esses FDP!!!
Como eu, todos olharam.
Como eu, imediatamente após o final da frase, todos "desolhamos".
Todos que olharam no mesmo momento que eu, voltaram os olhares para o que estavam fazendo antes.

Uma concretização do desprezo absoluto.
Imediatamente pensei que se ele em vez de gritar na asséptica lojinha, postasse no Facebook, receberia curtidas, comentários e quem sabe, com um tanto de sorte, encontraria até quem brigasse com ele com posts tão agressivos quanto a sua fala. Mas era apenas mais um ignorante, sem condições de usar um smart phone.
Peguei, paguei, esqueci.
Lembrei  desse ocorrido agora, domingo, dia 08, dia que Lula foi para a república de Curitiba. Quando li uma postagem que dizia:

-  "um acidente aéreo seria a glória".

Deletei, bloqueei, esqueci. Taí um boçal em condições de usar smart phone.
Não quero que pensem como eu, mas certos pensamentos (como o desejo de morte e pra piorar, sofrida e dolorida para alguém ou ainda que fosse um animal) faço questão de ignorar que possam existir, são miasmas que desequilibram o Universo.



30 de abr. de 2017

BELCHIOR - NADA É MAIS CRUEL QUE PERDER AS ESPERANÇAS

Belchior foi o cara que deu nome aos sentimentos da nossa geração. Pôs melodia nos nossos sentimentos. Escreveu com clareza nossos amores, dores, frustrações. "Apenas um rapaz latino-americano. Gritou com verdade nossa realidade.- "Fazia tempo que ele não fazia nada".
Disse um amigo meu num papo num barzinho onde cantávamos MPB das antigas, num protesto íntimo contra a sofrência cachaceira e repetitiva toda animadinha. Respondi com uma pergunta: 
- E precisa?
No tempo dos super-heróis, ele era o nosso herói mais destemido porque tinha medo e o cantava desbragadamente. No meio da torcida não cantou a comemoração do gol do atacante, apenas citou a angústia do goleiro na hora do gol, porque a dele era maior. Para angústia grande um sol num quintal é remédio.
Lembro da minha mãe falando do bigode horrível, alguem que dizia que ele parecia banguelo e eu pré-adolescente o achava lindo, cabelos mais bonitos do que do Tarcísio Meira, mãe...
Com o primeiro salário do primeiro emprego comprei o primeiro LP dele que entrou na minha coleção que passei anos fazendo. Alucinação chegou tarde na minha estante, mas não com menos delírio das amigas colegas de trabalho num supermercado. Seus LPs eram expulsos da vitrola lá de casa, o povo preferia Pedrinho Rodrigues, mas as músicas não saíam da cabeça, compuseram minha vida, sedimentaram minha trajetória. Quando todo mundo cantou medo de avião eu ainda preferia aquelas musicas pelo meio do disco que não tocava no rádio.
- Uma música que não dá pra dançar, alguns me diziam. Aprenda a dançar conforme a musica eu respondia e esquecia, deixava pra lá. "Nem leve flores para a cova do inimigo".
E aí o bigodão se vai aos 70 anos e a gente fica aqui com cara de que? Com cara do que deveria ser, mas não foi.
"Tudo poderia ter mudado, sim,
pelo trabalho que fizemos - tu e eu.
Mas o dinheiro é cruel
e um vento forte levou os amigos
para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos,
e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não".
Acho que acabou. Que pena. Nada é mais cruel do que perder as esperanças porque não se tem o que fazer nem como esperar.
Vai na paz Belchior, aquela que parece a gente nunca conseguiu ter.

AMORES CHEGAM QUANDO ESTAMOS A FIM

Às vezes as pessoas entram na sua vida e você não sabe o que dizer. 
Desejam ocupar um espaço que você não tem e não sabe o que fazer.
Acho que passamos por coisas que nos ferem o coração deixando-o inchado, 
o peito fica apertado, 
não dá para acomodar emoções novas.
É questão de tempo, mas vai saber quanto será necessário...
Pra ajeitar gavetas, arrumar o armário 
de tudo que guardamos?

Quem chega fresco na nossa vida, não tem noção do nosso tempo.
Nem adivinha que o talento para sorrir pode ser proporcional
ao tamanho da necessidade de sorrir como se tudo fosse normal,
à tristeza da dureza dos espinhos que se tem a enfrentar.

Existem pessoas que chegam como amores e ficam como primavera
Mas tem gente que é sol ardente sem espaço para chuvas,
Como dizer a elas que estamos no inverno?
E quando o sol se abre, arde, já é tarde.

Do meu outono, recolho as folhas
Nas minhas mãos ficaram as bolhas 
de um trabalho árduo, pesado 
de um coração que se tornou calejado.

Coração mais velho que o corpo de uma alma mais velha do que tudo.
Não me iludo, 
Amores chegam quando estamos a fim, 
não sendo assim, é somente fim.