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2 de set. de 2021

A PROPOSTA


 Era um dos melhores restaurantes do bairro, a decoração era um tanto rústica, a comida excelente e servida em quantidades generosas, sempre bem cheio quase sempre com fila de espera na porta.

Eu namorava uma pessoa que adorava comer e se sentia feliz em me mostrar "o que era comer bem." Fazia dessas incursões gastronômicas um estandarte, é, ela ostentava mesmo. Quem pagava a conta era eu, se não no ato, depois, quando ela me avisava em desespero que o cheque não tinha fundos ou que só dava pra pagar o mínimo do cartão. Nunca me importei muito com isso, lá em casa comer fora era mais ou menos como viajar para o exterior, não cabia no orçamento, um desperdício, quase um pecado. Então eu pagava com prazer aqueles almoços e jantares mesmo porque foi assim que eu comecei a conhecer as coisas boas da vida e as ruins também. Foi o início da minha vida organizada no mundo. Não havia lugar que eu frequentasse que não saísse de lá com um bom amigo ou amiga de infância.
Tornei-me adepta do ritual de comer fora sem precisar de uma data especial para isso. Tornei-me assídua do tal restaurante que tinha um elenco de garçons do Nordeste que eram extremamente simpáticos, respeitadores e que já faziam valer a pena ir ali. Almoçava qualquer bobagem para jantar lá e como o Rio de Janeiro é um ovo, aconteceu que fui trabalhar num escritório de contabilidade que prestava serviço para esse restaurante e eu via o seu dono quase todos os dias.
Um dia, passei lá pra tomar uma caipirinha. Estava sozinha, queria mais pensar do que beber mas a bebida ajuda nos pensamentos. Era uma tarde bonita de um dia lindo desses que a gente imagina que não existe em outro lugar do mundo e meio que se culpa por não estar em condições de aproveitar. Ainda assim, eu precisava pensar. A vida estava estranha, eu não sabia para onde estava indo, percebia que estava sendo levada. Eu e minha caipivodka que poderia ser de rum, não lembro, de cachaça sei que não era, eu não podia beber cana, o santo proibiu. O dono do restaurante chegou sorrindo e perguntou se podia sentar-se pra conversar um pouco. Educadamente disse pra ele que eu estava de saída. Educadamente ele entendeu.
Eu precisava pensar e não queria conversar com um cara que eu conhecia pouco num momento em que me sentia frágil. Eu estava tentando entender porque do nada algumas pessoas da minha família tão radicalmente contra os meus relacionamentos deram pra estender tapete vermelho para a minha namorada. Esse era um assunto que não dava pra perguntar. Por erro meu, talvez, não rolava esse tipo de conversa lá em casa. Sempre fui uma pessoa de momentos e naquele, especificamente, queria conversar comigo mesma e com o meu copo de birita.
O dono da casa se retirou. Não teve a conversa. Ela aconteceu uns dias depois. Ele passou no escritório e me convidou para ir conversar, disse que tinha uma proposta. Eu que já havia conversado com o patrão sobre aumento de salário sem sucesso, certa que era uma pessoa de sorte, imaginei que seria uma proposta de trabalho. Fui pra ouvir ou, como dizia minha avó, "fui assuntar" estava um tanto apreensiva porque até então evitava analisar o que ele mesmo havia me contado, certa vez, que ia ao nordeste e trazia “umas dúzias de homens” para trabalhar no restaurante. Ensinava o serviço porque eram “xucros” e eles dormiam em algum lugar que eu nunca conheci ali, no restaurante mesmo. A situação em si não me chamou tanto a atenção quando foi exposta, só fiquei desconfortável com os termos que ele descrevia aqueles homens que eram da mesma cidade que ele...
Uns risinhos pra lá, uns cerca Lourenço pra cá, quando eu estava distraída e a proposta aconteceu, resumidamente, mais ou menos assim:
Ele era casado (e eu não lembro agora há quanto tempo), amava a mulher e viviam bem, me dizia, mas tinha anseios de pular a cerca e não podia fazer isso de qualquer maneira. O risco era alto, pela posição financeira dele, "perigava de rolar um barraco com uma periguete qualquer" que prejudicasse seu casamento, mas principalmente pelo grande apreço que ele tinha ao seu bilau que "não foi achado no lixo" e mais alguns blá-blá-blás.
Hoje eu tenho vontade de ver que cara eu fazia ouvindo essas coisas que me soavam como atrocidades. De toda a forma, a cara qualquer uma que eu tenha feito não o intimidou. Seguiu falando:
- Eu sei que você namora a fulana, então queria te propor o seguinte: Monto um apartamento pra você, pra gente se encontrar uma ou duas vezes por semana. Um apê bacana, você pode decorar ao seu gosto. Te dou um carro e uma mesada que a gente pode combinar e você não pode arrumar outro cara, tem que ser só eu na parada. Eu sei que você não é chegada mesmo, mas só pra ficar bem esclarecido e outra coisa: Não vou mexer com a sua menina. Se você quiser viajar eu dou um jeito. Conhece o Nordeste?
😮
- Então, rapaz, se você está dizendo que eu "não sou chegada" como me propõe uma coisa dessas?
- Porque eu sou um cara legal, carinhoso, diferente dos caras que você conheceu.
Eu matutava o que ele poderia saber sobre os caras que eu conheci, se é que tinha conhecido algum. Só consegui dizer:
- É?
- É. Não vou fazer nada que você não queira. Tem muito cara mané que não sabe tratar uma mulher. Acaba que você ficou assim.
Eu tentava imaginar o que ele entendia por saber tratar uma mulher, não me parecia um bom tratamento o que eu via ali, ele oferecer à mulher dele.
- Assim como?
- Ah, Roze... Pô, assim. Gostando de mulher. Embora que eu te entendo muito. Porque mulher é bom mesmo...
(Não vou escrever tudo aqui, vou guardar as piores partes pro meu livro).
Como cantava Cazuza, “eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer”. Não conseguia encontrar palavras pra responder à altura. Eu era uma garota romântica mesmo não assumindo isso, não acreditava em contos de fadas, mas aquilo era um pouco demais pra mim. Era meio bobona, tinha uma vida um tanto difícil porque me relacionava com uma pessoa complicada, como disse antes, a vida não estava nenhuma maravilha, mas eu ainda acreditava que tinha jeito, um jeito meu de arrumar as coisas. Não achei as palavras certas, até hoje, acho que não respondi direito.
- Vem cá, você já experimentou propor isso pra sua mãe?
Levantei, peguei minha bolsa e saí sem olhar para trás.

15 de nov. de 2019

QUEBRADAS INTEIRAS, FILME

 

Último dia de set de filmagem de Quebradas Inteiras. Nada como o planejado mas tudo melhor que o sonhado. O filme que falaria sobre as mulheres com mais de 50 que vão se buscar nos estudos, de repente abrigou os 10 anos da 

Universidade das Quebradas, 
 , ameaça fugir da Academia, inundado que se encontra de ressignificação e afeto. É o estado de coisa que não tem preço, mas muito valor. Que a Deusa me guie!

29 de set. de 2018

FOTO MANIFESTAÇÃO (3)

Marquei com um monte de gente que não consegui encontrar e encontrei com quem nem pensei em marcar.

FOTO NA MANIFESTAÇÃO ELE NÃO

Jandira, Jandirão #elenão não! não! #Presente! #Presentão!

SE É CARIOCA É ÍNDIO TAMBÉM


Minha ascedência. Como carioca da gema tem que ter sangue indígena nessas veias e preto no coração e o sangue azul só com transfusão portelense
#Cinelandia #elenão #elenunca
#Haddad #Manu

30 de set. de 2017

LEMBRANÇAS LÁ DE CASA

Quando eu era menina me atracava com um livro e só conseguia deixá-lo quando chegava ao final. Alguns livros ainda me tomavam algum tempo após a leitura porque eu ficava parada de olhos no ar lembrando de algumas passagens e com saudades das personagens. Louco, não? Mas era como se aquelas "pessoas" me tivessem feito companhia e sentia alguma tristeza por não poder conhecê-las ou "reencontrá-las". De certa forma era um luto.

Do outro lado da casa minha avó resmungava, arrastava os chinelos, fazia reclamações, xingava. Não entendia como eu tinha a "cachimônia de passar tantas horas sem fazer nada". Sim, ela entendia que a leitura era todo o nada que eu, alma geneticamente preguiçosa fazia.  Minha avó não sabia ler, embora fosse boa nas contas e, jamais errava ou deixava que errassem num troco. Ela queria que minha mãe arrancasse-me o livro das mãos, me desse uma boa bronca, quem sabe uma surra e me obrigasse a fazer aquilo, que na concepção dela, era a minha obrigação.

Minha mãe depois que passou a trabalhar fora, viciou-se em palavras cruzadas e caça-palavras depois, passou a ler aquelas publicações em brochuras que tinham nomes de mulher. Era Karina, Sabrina, Júlia e coisas assim. Eram romances que muitos diziam não ter valor literário algum. Jamais abandonou as revistinhas de palavras cruzadas e ainda trazia pra mim as de nível fácil e uma direcionada às crianças que tinha o nome de "Picolé". Eu procurava  sempre ficar por perto fazendo a minha palavra cruzada enquanto ela fazia a sua. Com o tempo dividíamos as brochuras e trocávamos impressões sobre essas publicações. Mesmo quando eu crescida já sabia da reputação da ausência de valor literário (ora, bolas!)

Acho que minha mãe sempre teve gosto pela leitura mas a vida dura não lhe dava tempo, tempo para ler e tempo para conhecer o que gostaria de ler. Trabalhando fora, tinha na ocasião, pelo menos duas  horas de condução, intervalo na hora do almoço e claro, passava pelas bancas onde pôde conhecer algo pra ler e fazer isso nas folgas.

Meu tio era filho da minha avó, irmão da minha mãe. Ele sempre tinha um livro no bolso traseiro da calça jeans. Trabalhava próximo da nossa casa onde ia almoçar e tirar um cochilo de sesta. Nunca soube se ele se deitava para ler e cochilava ou se cochilava porque se deitava para ler depois da primeira parte  do seu expediente num trabalho cansativo para o qual acordava muito, muito cedo. Ele era gari e naquela época a carrocinha de lixo, de madeira e pesada, trazia a sigla DLU - Departamento de Limpeza Urbana. Mesmo quando as carrocinhas se tornaram mais leves e ele deixou de empurrá-las porque fora promovido a inspetor, ainda quando a sigla da carrocinha mudou para Comlurb, ele continuava indo almoçar lá em casa e fazendo sua sesta sem jamais abandonar seus livrinhos. Eram pequenos almanaques, 1/4 de uma folha A 4 quase sempre com histórias de faroeste.

Minha avó não implicava com a leitura do meu tio, nem com a sua deitadinha para ler. Muito pelo contrário, esquentava-lhe a comida, colocava no prato e ia servi-lo onde ele estivesse - porque ele às vezes lia na poltrona da sala e ali mesmo, livro sobre o rosto para quebrar a luminosidade, roncava um pouco.

Hoje, uma tarde chuvosinha e preguiçosa dei de lembrar isso e pela primeira vez "atinei" que diferentemente do que pensei a vida toda,  não era por não saber ler que minha avó implicava com a minha leitura. Com a leitura da minha mãe, eu sei, ela não implicava porque era ela a provedora da casa. Trabalhava numa escala pesada de 12 x 36, às vezes 24 x 48, longe, muito longe da nossa casa num serviço muito cansativo. Talvez implicasse comigo porque eu era criança e não podia me defender, pois estávamos no tempo "cala a boca".  Talvez repreendesse meu hábito de ler pelos mesmos motivos que pessoas letradas criticam obras  e desprezam a leitura alheia. Talvez ela tentasse me dar a educação que recebeu e nela não estava incluído ler e escrever. Minha avó era do tempo que se aprendeu a andar e falar já tinha que trabalhar. O povo lá de casa vinha das lavouras e criações. Pra comer tinha que plantar e criar porque as opções de comércio eram raras e caras. Os críticos da leitura dos de poucas posses não sabem o que é isso, se soubessem louvariam todo tipo de leitor e não se oporiam à brochuras dos jornaleiros.

Mesmo quando a minha mãe ainda não havia desenvolvido o hábito da leitura, comprava-me revistas em quadrinhos e eu tinha preferência por aquelas publicações com apelidos de meninas. Eram Bolota, Brotoeja, Tininha. Gostava também do Riquinho, Horácio, Turma da Mônica. Menos do Chico Bento. Implicava com o sotaque caipira, achava feio e às vezes não entendia. Achava chato o Chico Bento pela forma de ele falar e não apreendia as mensagens que seu gibi passava.


Acho que a gente tenta pegar o que não entende e aprisionar na rigidez dos limites  da nossa ignorância.

24 de set. de 2016

AQUARIUS - FILME: O OUTRO NUNCA TEM RAZÃO


Acho que quase todo mundo já viu “Aquarius” (Kleber Mendonça Filho). Eu esperei porque não queria tanto ruído político, influenciando a minha percepção. Optei por tentar ver o que os meus olhos enxergariam e o que vi? Que se pode ser qualquer coisa desde que não sejamos exemplo do que somos. Aquele mosquito que assobia na orelha de quem planejou dormir e descansar.

Tivemos revolução sexual? Sim, tivemos, mas como foi incompleta! Se ela trouxe  à mulher o direito aos novos comportamentos, não permitiu a naturalidade  para exercitá-los.  A família vê as suas senhorinhas, tias tias mães, como seres assexuados e mais sobre isso não se fala. Só Tia Lucia  não deixa passar a omissão da revolução sexual dos anos 60, 70 no texto lido pelas crianças, mesmo estando nos anos 80, não se colocava na lista de feitos de vida de uma mulher o seu grande amor casado com outra, afinal tem crianças Amar um homem casado, não é um grande feito  e aquele aparador  rústico, cheio de histórias pra contar segue mudo pelo tempo. Poder pode, mas que fique no armário e como Tia Lúcia soube usar o tal armário!.

 Aquarius dá uma lavada na alma das mulheres maduras ou amadurecidas, mostra alguns (ou muitos) tipos de câncer que se tem de superar se não quiser ter uma etiqueta com um preço, bem ali o lugar do coração e dignidade e também o quanto está em desvantagem perante o mundo quem faz escolhas em desacordo com o poder:

 * A hesitação da mulher madura para utilizar um amante profissional -  um reflexo da cobrança da aura de santidade que a sociedade ainda espera que as mulheres apresentem.    
* Difícil exercer a sexualidade plenamente depois que o tempo passa e se há facilidade para conquistar uma mulher,
 há uma dificuldade para lidar com ela;

* A filha pentelha, onde a mulher é a maior crítica da mulher;

* A força da opinião de grupo que restringe a liberdade de escolha e descamba para as ameaças, dizendo com clareza
 que nem sempre a maioria significa democracia, que guiada pelos interesses pode ser muito autoritária;

* A expectativa de que sejamos sempre e integralmente aquilo que não descartamos por corresponder a uma parte – as jovens jornalistas não teriam como entender uma garrafa no mar sem a experiência de naufrágio, do mesmo modo que é difícil para a geração digital, amealhar as sentimentalidades que a parte material dos discos agrega às músicas.




Talvez eu esteja encontrando sutilezas demais,  no entanto nem acho tão sutis assim, apenas listei o  que não li em outros comentários.

Clara (Sonia Braga) é uma aposentada querendo curtir seus discos e livros no local onde construiu e viveu com eles sua história e isso não pode, porque aqueles que não tem tantas histórias, decidem por novas paredes. É complicado não encontrar conforto em nós mesmos, mais ainda quando todo o coletivo está a serviço das suas próprias individualidades. Se me perguntassem na saída do cinema sobre o quê é esse filme, creio que eu diria ser sobre o egoísmo em conjunto ou em separado, sobre o mundo nada ideal onde não há perguntas ou diálogo, apenas a necessidade de que se cumpra aquilo que vai favorecer ao jogador do lance imediato.

É interessante como a maioria ao seu redor é de homens. Não à toa o filme acaba com “pau sobre a mesa”. Pau ruído, mas dando trabalho.

21 de set. de 2016

JUSTIÇA: FÁTIMA x ELISA

Aqui, agora conjecturando comigo mesma,  vejo o quanto essas personagens das histórias apresentadas pelo seriado Justiça (TV Globo 2016) nos mostram sobre conhecimento. O conhecimento é a ventura da vida que faz com que viver valha a pena. 
De todas as histórias não avaliei, com exceção da Fátima, nenhuma personagem que buscasse justiça em vez de vingança. A amargura que ocupa o espaço deixado por uma perda e que move o ser para o desejo de que o outro seja infeliz por ter imposto uma infelicidade. 

A resiliência talvez seja o único  instrumento que realmente faça a diferença entre aqueles que passam pelas grandes tragédias das perdas. Na outra história, veiculada às segundas-feiras, Elisa perde a filha assassinada por um playboy embriagado, machista, ciumento que começava a ficar pobre. Treinou tiro por 7 anos, tempo que Vicente ficou preso, no qual ela  acalentou o desejo de matar o assassino, porque não via justiça suficiente no tempo da pena. No entanto é preciso mais que talento para  matar alguém premeditadamente, é preciso vocação, índole.  Vicente, o assassino de Isabela, filha de Elisa, como ela mesma não tinham essa índole. 

Elisa era mãe, não aquela mãe de subúrbio como Fátima e essa era mais uma diferença entre essas duas personagens. Fátima era resiliente e tinha um objetivo concreto de cuidar da família, ser injustiçada não provocou mudança nesse objetivo nem em seu sentimento. Conhecer melhor Douglas, o responsável pelos 7 anos que ficou na cadeia por conta de um crime que ela não cometeu, deu-lhe ciência do erro que praticou: matar o cachorro ainda que tenha sido em defesa do seu filho a quem o cachorro mordeu. Fátima, a empregada doméstica, uma pessoa simples aparentemente com pouca instrução tinha a capacidade de aprender com a vida, com os erros e acertos. Tinha também uma ética que ficou muito claro quando deixa o trabalho de empregada doméstica na casa de Elisa por não querer participar do envolvimento da patroa com Vicente, pois era amiga da esposa dele. Que personagem bacana, dá pena, saber que não era real. Talvez por isso tenha merecido o final feliz que a autora lhe proporcionou, quem sabe, uma recompensa por tantas qualidades de caráter e por sua  luta por reunir novamente sua família e mantê-los no caminho da honestidade e dignidade?


Elisa conheceu mais profundamente o ex-noivo e assassino da sua filha e mesmo encontrando um homem carcomido pelo remorso, arrependido, empobrecido, buscando uma nova oportunidade de viver de maneira diferente, consciente que estava de ter sido uma péssima pessoa,  isso não foi o suficiente para o perdoar. 
Perdão diferentemente dos crimes de assassinato pode ser aprendido e praticado, mas certamente também depende da índole. Elisa não era afeita ao crime, nem perdão. Não perdoava nem a ela mesma. As mentes vingativas não são resilientes, o perdão é a principal estrutura que move nosso pensamento para o mesmo formato após uma tragédia.

Dividida entre as lembranças do seu relacionamento com a filha - e quem sabe se sentindo devedora - acusando a si própria por não conseguir executar a ação que para ela seria justiça, foi incapaz de se afastar de Vicente como era incapaz de esvaziar o quarto da filha. Arrastava correntes torturada. Elisa era uma mulher torturada, sem encaixe nela mesma que não se importava com as outras pessoas, sua solidariedade era a conta do chá, como fez quando Fátima foi tentar recuperar o emprego. Logo, permitir a morte de Vicente, vê-lo morrer lentamente, era a justiça que ela poderia praticar conforme o seu sentimento, apesar de se advogada e considero isso mais uma bola dentro da série. Uma faculdade pode não alterar os nossos valores, no máximo nos empresta conceitos que viveremos até a hora de praticá-los.  Fátima e Elisa eram diferentes por natureza e caminhos de vida, diferentemente da esposa do Vicente que era outra face da mesma moeda de Elisa.

Incrível esse seriado!

NO FINAL DE JUSTIÇA, HISTÓRIA DE FÁTIMA, SÓ RESPIREI QUANDO ACABOU

Assisti o último capítulo da história da Fátima no seriado Justiça com o coração se não aos saltos, bem apertado. Sabia, tinha certeza que ia acontecer uma tragédia, afinal, era o tom da série. Quando os policiais a sequestram achei que ela mataria um deles e acabaria na cadeia. Quando a dupla foi atrás pensei que o namorado seria morto. Enquanto ela escolhia o cachorro, imaginei que a Kellen ia estrangular o bichinho. Quando o seu antigo algoz e agora vizinho amigo se preparava para viajar já visualizava a dupla de policiais famintos invadindo a casa e  promovendo a chacina. E, por aí, a minha agonia não tinha fim.


A história das terças era a minha preferida e a que mais me fez sofrer, a quem mais me deu revolta porque era a única personagem realmente inocente, porque teve o marido morto, os filhos abandonados por  causa de... Nada!  Claro que as outras histórias são contundentes, mas 100% inocente ninguém era. Fátima é realmente a boa pessoa, bem aquelas mães de subúrbio que estão com fabricação limitada, rara ou fora de linha. Um instinto maternal fora de controle dando-lhe uma capacidade de perdão incompreensível, uma ética que se dividida em pacotinhos faria muito bem aos nossos políticos. Enfim que eu torcia para que ela tivesse um final feliz o que achava impossível acontecer num seriado como esse que mostrou exatamente o cerne das questões dos seres humanos: Farinha pouca meu pirão primeiro, segundo e terceiro.

Até os créditos aparecerem na tela eu estava realemtne sem sossego esperando uma tragédia, tanto que nem tive tempo para achar brega a festinha no quintal, a musiquinha de Roberto, pelo contrário, achei tudo lindo. E que bom, consegui respirar!

20 de set. de 2016

E A SAIA DO PEDRO II CAIU


Quando Adão e Eva fizeram a cagada, cobriram a genitália com folha de parreira, certo? Não teve style nem gênero. Não foi, ela, com uma folha de figueira e, ele com uma folha de parreira. Então por que homem não pode usar saia?
Ninguém nasce vestido e tudo mais é coisa da sua cabeça.


Acho justo, já que as meninas podem usar calças. Chato é que os homens estão sempre facilitando o xixi deles...

17 de set. de 2016

A MALDADE HUMANA NÃO TEM LIMITES MAS MODERNIZOU-SE




(continuação)  Eu gosto daquele quadro "As meninas do Jô", principalmente quando está lá a Lúcia Hippólito, porque quase sempre quando ela lá está o Jô faz perguntas e quando perguntas são feitas nós nos informamos através das respostas ou quando já temos conhecimento do assunto, discordamos da resposta ou não.  Na quarta-feira, ela não estava e além das presenças constantes no programa eu não saberia dizer agora, porque o tempo passou e eu não anotei, os nomes das outras. Mas posso dizer que de tudo o que todos disseram, tiro o meu chapéu para a Lilian Wittefibe, porque, apear de ser  nevrálgica, passional, tendo várias vezes demonstrado irritação e impaciência com o antigo governo, foi a única que demonstrou ponderação quanto a questão "se seria o fim da linha para carreira política de Lula", não dando como favas contadas a aceitação da denúncia pelo juiz, nem como certa sua condenação e levando em conta eleições com voto popular, lembrando que o povo votou no Collor. De certa forma, a reação da Lilian é a de qualquer pessoa que pense viver num país onde o ônus da prova é de quem acusa e que saiba que após tantos governantes, o PMDB nunca teve um eleito pelo povo e que há sim, carência de liderança carismática no cenário político brasileiro.

Para quem não está situado, dia 14 foi o dia da apresentação da denúncia dos procuradores da Operação Lava Jato de Curitiba, contra o Lula ex-presidente, retratado na denúncia como o "comandante maior" da corrupção no país. A pauta do programa seria a cassação do Eduardo Cunha, que mediante o estrondo da denúncia ficou para trás. E o que eu queria dizer sobre o programa, era o meu espanto diante do "debate", entre aspas, porque quando todos concordam não é um debate, correto?


Eu assisti pela TV a denúncia elevada ao status de atração televisiva. E como num programa, aguardei ansiosa, a comprovação de todas aquelas  acusações, a apresentação das provas que em 2 anos após tantas investigações, conduções coercitivas, delações, apreensões e prisões e tantos outros termos policiais e jurídicos que nós vamos aprendendo como num curso intensivo. No entanto, as provas não foram apresentadas e a explicação pelo que eu entendi, é que elas não existem.

Num dado momento foi dito algo como - o que comprova que o tríplex é do Lula é a ausência de documentação da propriedade em seu nome.
"não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade"
Achei curioso. No meu raciocínio bobo, porque sou carioca boboca e adoro fazer piada com as tragédias que preciso digerir, pois com riso é mais palatável do que com choro, cheguei a pensar que posso dizer que alguma cobertura na Delfim Moreira é minha, entrar, morar e em caso de interpelação, respondo que a ausência do meu nome nas escrituras é o que comprova que ela sempre foi minha. 

Poucos minutos depois desse "programa" que não sei se policial, jurídico ou político, as redes sociais explodiam em memes gerados a partir dos slides em power point que ilustrou a apresentação e viralizava-se a frase "não temos provas, mas temos convicção" dos procuradores e aí, no Programa do Jô, vieram as meninas comentar o ocorrido aplaudindo com entusiasmo a correção da acusação. Elas não sentiram falta da apresentação de provas, nem estranharam o power point. Não apresentaram, nem mesmo num nível de debate, o fato de acusarem uma pessoa com base na montagem de um "quebra-cabeça" onde a ausência de provas é considerada prova. Tudo normal para elas que demonstravam reações de alívio por um dever cumprido.
 Faz tempo que nossa imprensa não se preocupa com tantas coisas que são conteúdos de uma caixa de Pandora. Jô Soares que admiro - ora amando, às vezes odiando, elogiava oratória do procurador, orgulhava-se pelos seus (dele) estudos em Harvard e principalmente seu tom "messiânico" - uma das coisas que eu mais estranhei e que imaginei, houvesse prova cabal para sustentar as acusações, talvez ele não usasse aquele tom tão inquisitorial. 

Então é assim que funciona? Lembrei de um professor que tive no Fundamental. 
Ele dizia: 
- "amigo meu não tem defeito, inimigo meu, só tem defeito" e eu o interpelei certa vez: 
- Mas professor, a frase é "inimigo meu, se não tiver defeito, eu boto". Ao que ele me respondeu:
- "Eu não boto, eu encontro. Mesmo que não o tenha".


No twitter, rede do bullying e desvario vi a frase que mais me traduziu:
"Vocês não têm medo de viver num país em que seu nome pode aparecer no Jornal Nacional por que alguém não tem provas, mas tem convicção?"  (rog_marcus)

Fiquei apatetada vendo o programa e lamentei que não tivesse alguma interatividade. As coisas hoje funcionam assim: Se eu gosto ou participo, está certo e se estiver errado, não tem problema, é só ignorar. Se eu não gosto, discordo, não participo e tenho raiva; não importa o feito ou não feito, é preciso que se castigue. Mais: que se elimine, não importa quais os motivos ou intenções. Foi assim com as panelas na Zona Sul do Rio, com as manifestações na orla carioca e Avenida Paulista que se bateram (justa e dignamente) contra a corrupção, com as luzes que piscavam a favor do impeachment mas se apagaram e calaram diante da manutenção de um governo provisório também corrupto e repleto de elementos  indiciados por crimes diversos. 
Daí pra frente estabeleceu-se a insanidade. Quem realmente tinha apenas opinião contra a corrupção passou a ser ofendido e xingado de petista, ainda que não tivesse partido ou convicção política, ainda que a corrupção aprisione o país desde os tempos da Colônia - deu-se de falar que ela começou com o governo do PT - ainda que quase todos os partidos brasileiros estejam envolvidos em algum escândalo de corrupção, ainda que ser contra a corrupção seja uma questão de raciocínio lógico, ombridade, saúde mental, juízo.


Eu sou uma pessoa comum, uma cidadã e vivo como tal e, foi assim que fiquei com a minha cabeça cheia de perguntas como por exemplo: O que aconteceu para que de repente esses procuradores tenham resolvido abrir a denúncia? Teriam desistido de buscar as provas? As denúncias não prescindem de investigação e investigações não correm sob sigilo? 

Foi só mais uma sequencia de perguntas como na ocasião que surgiram os áudios do Sérgio Machado envolvendo o Sarney, o Aécio e mais uns outros que eu como apenas uma cidadã ocupada com a minha vidinha besta não consegui guardar os nomes. Também tive um surto de perguntas quando surgiu não sei de onde uma denúncia contra Fernando Henrique Cardoso, que ele teria uma amante e um apartamento em Paris dentre outras coisas pagas com dinheiro de corrupção ou de falcatrua envolvendo inclusive uma poderosa emissora de TV. Não sei bem, essa notícia ficou pouco tempo em alta e não sou rápida o suficiente para acompanhar tudo - eu tenho muitas coisas para ler e trabalho para fazer, infelizmente não tenho o tempo que gostaria para me dedicar com profundidade a essas coisas. Mas que eu acho estranho, isso eu acho!


Tantas coisas acontecem mostrando porque a Justiça no nosso país nunca funcionou. Porque fomos os últimos a libertar os escravos que uma vez libertos, competentes na lida que sempre exerceram não tiveram chance de empregabilidade. Porque apesar da morte de Tiradentes a "Derrama" continuou e terminado o ouro os impostos jamais baixaram. Porque o filho do milionário atropela, mata e segue em liberdade e o menino que carregava um frasco de "Pinho Sol" está preso até hoje.

Essa coisa brasileira de julgar pela cara, essa justiça que liberta os perfumados. Esse modo brasileiro de ter dois pesos e duas medidas.

Uma coisa que eu percebi e não comentei, mas até hoje me deixa, como dizia minha avó, encafifada:
Sobre as manifestações contra o impeachement, vi nas redes sociais pessoas perguntando, algumas, até me perguntaram quem as financiava. Um dado importante, uma vez que sendo financiadas por uma instituição qualquer que fosse, estariam essas manifestações sem legitimidade popular, deixando de ser espontâneas. A quem me perguntou respondi que não há como se promover qualquer evento mesmo que na rua, com estrutura sem financiamento. Existe um protocolo, existem leis. Alguém precisa conseguir a autorização, alguém precisa informar as autoridades, afinal, a rua é pública e sua função é o trânsito, precisa-se providenciar as estruturas necessárias no que diga respeito à segurança das pessoas, carro de som e tudo aquilo que a gente vê e que chamamos "produção do evento", logo, algum financiamento haveria de ter e voluntários também. Depois da fase perguntativa as redes sociais diziam que eram feitas por militantes que se vendiam pelo preço de um pão com mortadela mais trinta reais. Como se não tivéssemos no Brasil, no Rio de Janeiro, pessoas capazes de atuarem como voluntárias em causas das mais diversas, o que seria quase aceitável não tivéssemos tantos eventos nos quais os voluntários foram a espinha dorsal do sucesso alcançado. No entanto, quando surgiram as manifestações na orla de Copacabana, elas eram  ditas espontâneas e ninguém quis denegrir os voluntários da Paulista com seus pixulecos, patos de borracha e lanchinhos de filé mignon, nem notou-se curiosidade por saber quem financiava aquilo tudo. Sabe o que eu cheguei a pensar? Que se vender por pão e mortadela não podia nem era digno, mas por carne de primeira já era outra história.

Então, essa forma de pensar que a justiça é boa ainda que injusta se ela está procedendo conforme nossos desejos ou caprichos é uma coisa tão complicada que eu fico aqui pensando se sempre fomos assim ou só agora estamos tendo a oportunidade de expor o nosso pior. Se também a nossa justiça não foi mais uma cópia trazida da Europa com o objetivo de emprestar ao nosso paísm silvícola por natureza, uma aparência de justo, civilizado, honesto. 
Vejam a figura abaixo. Peguei da postagem no facebook de uma amiga que compartilhou:

Adicionar legenda




            




A morte do ator Domingos Motagner foi um outro fato que atropelou outros fatos. Repentino, brutal, doloroso, nem por isso capaz de despertar solidariedade em algumas pessoas. É incompreensível atrelar fatos da vida com opção política, o que tem a ver uma coisa com outra? É verdade que depois de ver tantos que julgam pessoas tomando por base sua sexualidade, cor de pele e status econômico, deveria ter-me acostumado. Para piorar tem gente que acha que o posicionamento político das pessoas é o suficiente para torná-las assassinas, ladras, loucas, bandidas e quem alimenta esses pensamentos não consegue perceber o crime que comete. Certamente não sabe qo que é crime, mas percebe  que sendo branco, de direita (de preferência rico)  não existe crime. Acima de tudo, essas pessoas precisam de tratamento e ser denunciadas também.

A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO

Há uns dias querendo escrever algumas coisas, como nos tempos que eu escrevia à mão, com caneta num caderno espiral e depois  reescrevia quando eram poesias, reescrevia até que ficassem rimadas e metrificadas e quando eram textos em prosa, reescrevia, guardava por um tempo até não lembrar  e relia depois para ver se, caso eu fosse outra pessoa e lesse, se conseguiria entender  o mais próximo possível do que tentei escrever e então, datilografava, antes quando mais jovem, passava a limpo num caderno que não tivesse espiral porque cadernos espirais sempre me pareceram perfeitos para rascunhos, afinal, não deixa de ser mágico, eliminar folhas sem deixar sinais, sem danificar a estrutura do caderno. Era assim o meu processo criativo no tempo do papel e da caneta. 



Um tempo quando parecíamos ter mais tempo ou tempo parecia render mais. As notícias chegavam mais devagar e tínhamos mais tempo para as dores, amores, travessuras, mentiras e verdades. Sabíamos que a consequencia de um ato viria e sabíamos quando poderia vir. Era simples. Mentíamos para os nossos pais e enquanto eles não descobrissem, tínhamos um tempo para viver o motivo da nossa mentira. 

Quer um exemplo?  Combinávamos uma reuniãozinha em qualquer lugar, à tarde e, dizíamos que iríamos estudar na casa de um colega. Até nossos pais descobrirem, dava tempo de curtir. Alguns pais levavam semanas, meses e até anos para descobrir e claro, alguns jamais descobririam se não contássemos às gargalhadas anos depois em reunião de família. 
Quando eram rápidos sabíamos que era questão de arcar com as consequencias ao chegarmos à casa. 
Hoje, as coisas galopam numa velocidade tão absurda que muitas vezes não há tempo de tomarmos providências. Eu, pelo menos não consegui escrever sobre o que queria. Em 24 horas milhares de coisas aconteceram e, como numa pauta de  um veículo da imprensa, o assunto ficou para trás.



Vivemos no ritmo da informação e não podemos dizer que antes não era assim, porque era, era exatamente assim.  Só não eram tão anônimas, era mais difícil para as fontes manterem-se desconhecidas por muito tempo. Éramos analógicos e personalizados, no máximo um apelido, nada de login ou nick name. As informações demoravam a chegar, a se distribuírem formando, mudando, transformando conceitos, mudando idéias, provocando julgamentos, ocasionando discórdias. Essas e tantas outras coisas que são tão inerentes ao ser humano que até entraram na bíblia. "Não julgueis para não serdes julgados";  "Não levantarás falso testemunho";  "Não matarás". Curioso, numa época em que a bíblia nunca esteve tão na moda, suas palavras são chicote no lombo alheio e os mandamentos ficam na teoria dos que deveriam dar testemunho na prática.



E o que afinal eu queria escrever? Uma coisa simples de tão complexa e que observei no Programa do Jô na quarta-feira, 14 de setembro de 2016 (continua) 

16 de set. de 2016

PENSANDO NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DO RIO - CARLOS OSÓRIO

Alguns amigos queridos, amados pra valer, sabendo  da minha dificuldade para escolher um  candidato para prefeito, me falaram sobre o Osório. Que o cara é bacana, do bem e ouras coisas. Aí, "guguei" o prefeitável e vi que ele foi secretário de Transportes da atual gestão municipal do Rio. Foi dele a indéia "incrível" de extinguir as vans da Zona Norte e Oeste.e teve participação nesse redesenho ou reengenharia ou renovação ou sei lá que nome tem esse procedimento que culminou nessa coisa de "alimentador" e "troncal". Depois teria saído do PMDB, partido do prefeito por que o indicado a candidato não seria 
ele. 

Então, lembram daquela postagem em que eu queria saber se havia um local  que tivesse tudo o que o eleitor deveria/gostaria de saber mas tem vergonha de perguntar? Pois é, ainda não encontrei, mas achei melhor não votar nesses candidatos que se filmam nas ruas, tem escritório na rua e quando tem uma oportunidade, fazem coisas que demonstram que nem andam nas ruas.
O que queremos saber sobre política e temos vergonha de perguntar, vamos descobrir assim, xeretando pra saber e olhando o que fizeram efetivamente esses candidatos e se foi bom pra gente para escolher.
Dos zilhões de candidatos que aparecem na TV rápido ou devagar raros são os que se apresentam como sendo autores de alguma lei "decente" Esse, por exemplo não falou que foi autor do projeto que tirou as vans tão necessárias em bairros imensos, onde os ônibus desaparecem em certas horas do dia porque parece até que existe uma lei que exige que os coletivos só podem andar superlotados. 

Não sei se foi ele o gênio, que bolou as  o percurso das linhas alimentadoras que não 
circulam em todos os locais onde antes haviam as vans e até Kombis. Sobre isso até, tenho a dizer que conheço muitas pessoas que gastaram o que tinham e o que não tinham trocando suas Kombis velhas por vans ou comprando Kombis novas, legalizando, adesivando para trabalharem por exigência (justa, justíssima) da prefeitura, mas que logo após as eleições foram surpreendidos pela supressão das linhas e proibição de circularem.

Não sei quem foi o genial que por ter BRT da casa do KCT até a PQP, desculpem, vou melhorar: BRT ligando áreas longínquas da cidade, ignorou as adjacências e permitiu que se pegue até 3 conduções para um trajeto de menos de 20 minutos, onde nem sempre tem "Alimentador" para tornar uma ou duas passagens gratuitas. Ok, está parecendo "mimimi" mas entendam que esse novo traçado da maneira como foi elaborado gerou verdadeiras ruas fantasmas, e tivemos uma explosão de assaltos, roubos, furtos porque a segurança não acompanhou a "evolução", aumentando as áreas de riscos para transeuntes, sem contar as várias lojas de bairro que ficaram com acesso mais complicado com os "cercadinhos do Paes" (como gosta de uma grade!) e passarelas desertas e sem policiamento.

Também não sei se ele soube que por conta disso tem um coletivo intermunicipal que para algumas áreas é a melhor opção sendo que ele que custa de R$6,05 a R$7,40 para ir-se da Freguesia à Madureira sem passar pelo transtorno de pegar vários ônibus e ainda não poder colocar no Riocard o valor que achamos necessário. 

Enfim, sem chover no molhado, Jacarepaguá é um bairro penou por décadas sem condução e quando finalmente tinha, ficou sem. (E daí? Vários outros bairros, inclusive da ZS também, eu sei, eu sei). Pelo período em que esse "desmonte" aconteceu aqui em Jacarepaguá, Valqueire, Rio das Pedras e etc coloco esse meu drama (que sei não é só meu) na conta do PMDB, do prefeito atual e dele também. Essa propaganda de escritório na rua e nem sabe que ficou um monte de gente a pé na rua? Me poupe!
Meus amigos que me desculpem, mas Osório? Não!

PS.: Sem contar que não posso votar no PSDB por uma questão de vergonha na cara. Mas isso se alguém quiser detalhes, eu explico depois.

15 de set. de 2016

A LIÇÃO DE VIDA NOSSA DE CADA DIA NOS DAI HOJE

 
A vida é como  o café:
Você pode colocar todo açúcar que for, 
mas se quiser adoçar você deve mexer a colher. 
Parado nada acontece.
Alex Zanardi, foi  duas vezes campeão de Cart em 1997 e 1998, esteve por algumas temporadas na Fórmula 1 entre 1994 e 1999 e também pilotou na Fórmula Indy. Em setembro 2001 sofreu um gravíssimo acidente no autódromo de Lausitzring,  Alemanha e teve as duas pernas amputadas acima dos joelhos.
Em 2003, Zanardi retorna à mesma pista com um carro adaptado para completar simbolicamente as 13 voltas que não havia concluído em 2001 e se fosse uma classificatória estaria na quinta posição no grid de largada.

Entre 2004 e 2009, Zanardi participou do campeonato europeu de turismo e do WTCC obtendo quatro vitórias. Em novembro de 2012, testou um carro da DTM e em 2014 participou do campeonato Blancpain GT Series com um BMW adaptado.
Desde 2007 dedica-se ao handcyling e conquistou  duas medalhas de ouro nas Paraolimpíadas de Londres.
Em março de 1996 Alessandro Zanardi conquistou sua primeira pole position na Fórmula Indy no Autódromo do Rio de Janeiro, onde hoje está o Parque Olímpico e bem próximo, a 15 Km,  Zanardi ganha a medalha de ouro na categoria Contrarrelógio Masculino H5, aos 49 anos, um dia antes de completar 15 anos do acidente no qual perdeu as pernas.

13 de set. de 2016

DESCONFORTO PARAOLÍMPICO

Claro que eu me senti desconfortável pra caramba vendo o rapaz jogando bocha com uma haste na cabeça e pimba, acertou! Medalha de prata.. 
Eu não consigo enfiar uma linha na agulha...
Depois, basquete em cadeira de rodas. Tem noção do tanto de coisas que esses atletas fazem ap mesmo tempo? Impulsionar a cadeira, direciona-la, prever a jogada, conduzir a bola, livrar-se da marcação... Muita informação pra mim que ainda procuro pela aliança quando tem que virar à esquerda.
Gente, realmente ser deficiente físico não é pra qualquer um... :O Tem que respeitar!

PENSANDO NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DO RIO - ALESSANDRO MOLON


Eu gosto do Molon, do que vi da sua postura. Até pensei em votar nele, mas o que que ele tinha que se enfiar nesse Rede? E agora com Marina Silva  pedindo voto pra ele não rola mesmo. 
Essa senhora tem a mesma postura do ex-interino, sempre volta atrás em tudo o que fala quando  não repercute bem na opinião pública. Mais aquilo tudo que a gente jpa viu no passado. Xá prá lá, nem é preciso comentar. Infelizmente, Molon está fora das minhas opções de voto para a prefeitura do Rio. É pouco para evitar Marina em 2018 mas é a parte que me cabe

TCHAU QUERIDO!

Feliciano é Fiel...

25 de set. de 2015

VALORES ATRIBUIDOS


O problema não é o rock ou o samba. 
O problema é o camarada pagar 300, 400 reais para um show de rock e exigir lista amiga numa apresentação de R$20,00. Ligar pra produção ou para o cantor em nome da velha amizade pedindo gratuidade. Ainda fica aborrecido quando não ganha.

24 de set. de 2015

O RELEASE

Entre o Samba de Raíz e o que o metiê comercial midiático denominou "pagode" existe Marquinho Sathan. Um intérprete, compositor e produtor que não veio "mudar a história do samba" mas acrescentar um capítulo a ela. 
Marquinho é o que todo menino com sonho de ser sambista, quis ser um dia: Vencedor e reconhecido. Competente e sincero. Perene e bem sucedido. Simples assim. É admirado por muitas pessoas da minha geração, como Jorge Aragão também o é, é da mesma comunidade que deu caminho ao Luiz Melodia.
Pensem como fiquei, recebendo uma ligação encomendando um release para um evento importante, significativo - os 32 anos de Carreira do MS, onde estarão esses 3 ícones! 

Sim, o release, essa coisa chata que apresenta o que já é conhecido e fala bem do que já estamos loucos para assistir nasceu aqui nesse tecladinho castigado por essa mente que ama falar de samba.
ACONTECEU:
DIA 08/10 no Teatro Rival Petrobras, GRAVAÇÃO do DVD CONVITE PRA SAMBAR, o novo trabalho de Marquinho Sathan com participações de Luiz Melodia, Jorge Aragão da Cruz. 

Com direção artística de Haroldo Costa.
Direção musical de Ivan Paulo e músicos do naipe de Dirceu Leite, Fernando Merlino, Carlinhos 7 Cordas, José Luiz Maia e Márcio Hulck
Os ingressos já estão à venda.
É muito luxo, gente!

22 de set. de 2015

OS FILHOS DO HOJE

Eu fico pensando umas coisas que às vezes tenho receio de falar. Por exemplo, "antigamente" quando as crianças iam para a escola, levavam consigo um mínimo de orientação, educação de casa. Respeito às autoridades, à figura "do mais velho", "do professor". O papel da escola era ensinar, a educação era obrigação dos pais, da família. Quando um "responsável" era chamado à escola por mal comportamento, era motivo de vergonha para esse responsável, não tinha pai e mãe dando esporro na professora por ter chamado atenção do pirralho.

Estudei a vida inteira em escolas públicas - na verdade uma durante o primeiro grau e outra onde cursei o Normal - naquele tempo o bacana era frequentá-las porque era dito que ali o "ensino era forte", assim, nessas escolas estudavam juntos o filho do militar, do funcionário público, do comerciante emergente e daqueles quase nenhum dinheiro, crianças que se beneficiavam da antiga "Caixa Escolar". Essa diversidade dava "rolo"? Claro que dava! Tinha uma tal de "hora da novidade" às segundas feiras quando os alunos contavam pra turma o que tinha acontecido no final de semana. Rolava de tudo, criança que viajava, criança que fazia festinha, com sarau em casa e criança  que apanhava porque fazia merda ou porque os pais bebiam e a porrada "comia" mesmo.

Tinha criança rica que ia com tênis caro "da hora" e simplesmente eram repreendidas e em caso de reincidência não poderiam assistir a aula pois não estavam corretamente uniformizadas. A gente que não tinha essas coisas ria, claro. Era a nossa vingança, pelos patins e skates e barbies que elas viviam ostentando. A gente sofria o que hoje chamam de bullying mas a gente fazia nossos bulings também, não permitindo que aqueles "riquinhos metidos" participassem das nossas brincadeiras. Desde criança convivi com todo tipo de pessoas, pessoas às vezes irritantes que se "achavam" porque tinham mais dinheiro, no entanto na minha casa ouvia que tinha de acatar o que os professores pediam, mandavam ou ordenavam. Tinha que dar bom dia, boa tarde até para as mães daqueles amiguinhos insuportáveis. Minha pasta era supervisionada e em casa de objeto estranho encontrado, era o bicho. Essa história de privacidade valia para os momentos de ir ao banheiro desde que eu não demorasse mais do que o necessário.

Conforme eu crescia ouvia os papos lá de casa sobre o filho do professor tal, vizinho muito  conhecido, sono de escola no bairro que andava envolvido com gente errada, o outro filho do arquiteto que andava "puxando carros". Eram ricos, não precisavam praticar esses atos. Por que praticavam? Minha avó, quase uma bruxa hispânico-italiana falava logo: - "A mãe não cria, quem cria é a babá" e sentenciava: "Essas mães vivem no cabeleireiro, não dão uns tapas para não quebrar as unhas, é isso que dá".

Dentre os meus colegas de classe, alguns dos amigos pobres vacilaram, se abraçaram à manguaça, mas nada digno de cadeia. Dentre os colegas ricos tiveram também os que deram certo. A índole pode ser determinante principalmente quando falta a educação, aquela que deveria vir de berço.
O meio influencia principalmente aqueles que não receberam orientação consistente. Nos dias de hoje estamos lidando com gente que mesmo tendo alguma coisa, ou tendo muita coisa, não tem nada, principalmente princípios, gente que não aprendeu. A babá eletrônica falhou e feio.