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28 de mai. de 2021

SAMBA E PANDEMIA

 


Na boa? A gente tem um governo que não auxiliou em nada os trabalhadores. Num momento de pandemia, exigir projeto para poder remunerar? A gente precisa de ajuda humanitária.

Preciso dizer que temos um imenso contigente de trabalhadores nas artes que não são artistas?
Que temos artistas que não fazem a menor ideia do que seja elaborar um projeto?
Que a essas alturas temos gente que não tem mais internet, casa, familia, juízo, paciência, raciocínio, saúde mental ou vida? Ponto.
De maneira, que essa decisão de liberar roda de samba é mais cruel que as aglomerações promovidas pelo bolsonaro..
Parece mais uma etapa do projeto de eugenia contra a população do samba.
Quem não entendeu pergunta, porque eu tenho certeza sobre o que estou falando.
Tô deprimida de ver a postura de tantos amigos e amigas do meio do samba ou que aproveitaram a pandemia pra pendurar crachá de sambista no peito...
Percebendo o quanto são sambistas de carreira, de ocasião. Muitos estarão de 88 a 60% protegidos, sem querer saber do resto.
Eu só pergunto se os espaços que vão fazer samba, (muitos deles não forneciam nem o papel higiênico e água na pia do banheiro) vão bancar o teste rápido de todos que vão participar e se em caso, testando positivo, vão dispensar a criatura.
Hipocrisia do caráleo. Tem que botar pressa na vacinação em nada mais. Vacinar todos e rápido essa é a prioridade, tudo mais é média eleitoreira, disfarçando a indiferença pela vida do povo.

26 de fev. de 2021

TEREZINHA



Tá foda. Quando estou me sentindo minimamente feliz ou um pouco satisfeita - com essas coisas todas acontecendo não dá pra ser feliz de verdade nem estar plenamente satisfeita - vem mais um catiripapo.

Dessa vez a porrada tem nome, sobrenome, digina e um pouco de história, que eu não tenho muita (história) porque diante dos relatos da Cristina Buarque, Tia Surica e talz, eu entendo que cheguei no samba na hora da xepa, mas uma xepa de samba é sempre muito melhor que o auge de um pagodez ou qualquer outra fase de sofrência.
Ela era número baixo. Tinha 87 ou seria 82? Não lembro. Eu não tenho memória privilegiada como ela tinha, seja lá com quantos oitentetantos sejam.
Tomava café da manhã na padaria: Uma Brahma bem gelada de dormida no gelo a noite toda e um sanduba de carne assada, considerado o segredo da sua longevidade e "inteirabilidade", pois que a danada da "Borboleta" lia sem óculos e sem ter que apertar os olhinhos. Eu morria de inveja disso.
Foi a criadora, fundadora e primeira presidenta (ou seja lá que nome tenha o cargo) do Departamento Feminino da Portela (e eu nem sei se outras escolas já tinham departamento feminino - corre o risco de mais um pioneirismo da águia), oportunidade oferecida pelo Carlinhos Maracanã, que ela chamava de Seu Carlos.
Me contou ela, que sempre teve paixão inexplicável e absurda pela Portela. Moradora da Tijuca, num tempo de casamentos feudais, ela atormentava o marido que não entendia bem a diferença entre Portela e Salgueiro, pra conseguir vir pra Madureira e muitas vezes veio escondida e sempre na marra.
Seu sonho era sair da Tijuca e morar perto da quadra da Portela.
Um dia a Portela ia pro Japão e ela foi proibida de ir pelo marido, que acabou na quadra ouvindo a solicitação do Seu Carlos para que permitisse que ela viajasse. E assim ela foi. Sempre reclamava da colega que pegou suas fotos do Japão emprestadas e nunca devolveu.
A Tia do Café. Minha parça de ir fumar um "cigarrinho ali fora". A parceirinha da Tia Surica de assistir Jequiti no cafofo nos dias de entre safra do samba, a porta estandarte do Bloco da Perereca Murcha Mais um baú de histórias periféricas portelenses, mais um monte de narrativas sem registro.
Eu tenho foto mas não tenho ânimo nesses momentos de catá-las. Eu fico mal comigo mesma porque ela estaria no Procuram-se Mulheres, mas não coube, era muita história e eu só tinha até 20 minutos. Procurei focar nas mulheres com carreira em andamento acreditando que o filme poderia de alguma forma ajudá-las e decidi deixar Tetê, para uma outra fita junto com a Verinha que foi a Primeira locutora, relações públicas e mestre de cerimônias de uma escola de samba, além cantora e compositora. Veio a pandemia, parei tudo porque essa minha gente é por demais presencial, mal tem redes sociais e estão em idade de risco relacionado à covid.
Enfim, agora não sei se fiz bem.
E pensar que quando eu tiver um pouco de normalidade e puder retornar aos meus espaços, vai ter muito vazio de ausências esperando pela alegria do meu retorno.
Que panorama é esse, onde até as coisas boas são emolduradas por coisas tão difíceis?
Não ver nossa Terezinha na quadra vai ser um aperto no peito e um ressalto para tantas ausências.
Tia Tetê, vai logo! Seja Luz!
Eu me viro.
E a gente vai te amar pra sempre.

18 de set. de 2020

ANIVERSÁRIO DE SAMBA

 

Nesse mês de setembro aniversaria a minha vida de sambista. Foi por esse mês que fiz minha primeira produção de samba no João Caetano, num dia de segunda-feira completamente chuvosa o dia inteiro mais o final de semana. Eu olhava pela janela e meus olhos choviam junto. Pensava que fracassaríamos. Só que nada dá errado no mês de setembro. Mês de Erê, Ibeji, Bejada, Criança. Mês do meu Colibri Azul de Oxossi (ainda que o dia dele seja em outubro 😏! Colibri a melhor parte de mim. A casa lotou! Ponto. E eu que vinha alegremente blueseira de fim de semana, apaixonada pelo baixo e guitarra, começo a frequentar Madureira, mais precisamente, Cafofo da Tia Surica e quadra da Portela. E deu-se a desgraça! 😆 Talvez devesse dizer Oswaldo Cruz pra evitar polêmicas e implicâncias mas a nomeação das parcelas não alterariam o resultado seria só mesmo pra evitar implicâncias e polêmicas. Estudei no Carmela Dutra e odiava Madureira. Eu vinha do bucolismo e da excentricidade de Jacarepaguá. Fui criada com cheiro de eucalipto, canto de passarinhos. Com sino da igreja tocando 4 vezes por dia pra gente “tomar bença”. Diante disso, Madureira era o inferno e o que inferno era, virou tentação e evoluiu pra pecado. Ninguém passa pela Portela impunemente. Ninguém frequenta o Cafofo da Surica e sai de lá incólume, sendo a mesma pessoa. Não sei onde perdi o meu baixo de 4 cordas afinadas em EADG. Não sei como vivo com os cachês indecentes propostos aos sambistas (eu ganhava dinheiro de verdade com o rock and blues). Mas eu sei que me tornei uma pessoa mais feliz! Tocando nada, fazendo coro na roda, batendo palmas. Todo ser humano no fundo, no fundo, de verdade "mermo", só quer ser aceito. Na minha trajetória de rejeições e perdas, majestades me aceitaram e me deram a chance de virar esse jogo. Com certeza, me amam e lealmente retribuo, com amor agradeço e rezo todos os dias aos meus infinitos Orixás. Deus nos abençoe e que o samba permaneça raiz por mais que a política tente e o capital atente! Mas como se bebe com máscara?????

16 de mai. de 2020

A FICHA CAIU | PÓS PANDEMIA NOS SHOWS


O mundo nunca será o mesmo, talvez nem parecido. O mundo não vai mudar para melhor. Um mundo melhor pressupõem pessoas melhores e mudança para melhor inclui... Mudanças!

Ainda nos comportamos como pessoas diante da expectativa de um retorno à normalidade o que significa que aguardamos o momento de voltarmos a ser iguaizinhos ao que éramos antes.

As empresas patrocinadoras comportam-se com o mesmo padrão bozolístico de retomar as atividades para seguirem com as explorações, apropriações. Seguem o padrão da audiência - cliques importantes para as marcas. Investem num arremedo de responsabilidade social, sem transparência. O melhor marketing não deveria ser a entrega da arrecadação para o público selecionado? Não consegui ver ainda nada disso, mas como ando meio afastada da internet, posso não ter visto por culpa do meu isolamento.

Se no início da quarentena, que já é uma sessententena, as pessoas brincavam dizendo que passariam dias nas ruas sem voltar para casa, agora a ficha cai que talvez nunca mais possamos nos aglomerar como antes, nos abraçar, beijar e agarrar como sempre podíamos. Como canta o Lulu, "ainda vai levar um tempo", muito tempo.

Por isso, já não sabemos quando "Amor de Mãe" poderá ser gravada e exibida de novo, eu não sei quando poderei retomar as filmagens do meu curta A/Corda e ninguém sabe do que poderá voltar a fazer, se poderá concluir seus projetos.

Mas tudo continua numa tentativa de manter igual, na virtualidade, a antiga realidade, numa aposta que isso vai passar logo.

Não, não vai.

No máximo poderá ser reduzido o risco de contaminação e morte. Não mudou a realidade que os "bucha" são os descapitalizados.

Quem são as pessoas que podem se manter em isolamento físico? - porque socialmente ninguém está isolado, muito pelo contrário.

As pessoas estão aprendendo a se mostrar na internet, cantando à capela, cozinhando receitas, fazendo edições dos seus vídeos. Todos estão se adaptando à nova realidade e isso ninguém vai esquecer ou deixar de fazer por mais que o mundo volte a ser o que era, o que já é o suficiente para percebermos que jamais seremos os mesmos outra vez.

Então que continua-se a manter a postura de elevar o já elevado, oferecendo o bônus da preguiça de adaptação que os incensados midiáticos, só eles, podem ter.

- Como assim Rozzi Brasil?
 Respondo:

As lives que começaram espontâneas e no improviso da reclusão obrigatória e necessária, virou show pocket, a visibilidade voltada para quem já tem (muita) visibilidade.

Não seria o momento de os patrocinadores darem oportunidade para os talentos? Remunerando-os por seus serviços? Sem encher casa de artistas com produção expondo a todos?

Quem sabe faz ao vivo e quem faz no improviso faz muito mais.

Continuamos vivendo em bolhas excludentes pelo princípio de quem tem, continua tendo e quem não tem, fica com a oportunidade negada e nunca vai ter. Não importa o talento, a capacidade, a genialidade ou originalidade.

Eu era criancinha ainda, mas lembro dos (grandes) festivais que trouxeram à luz dezenas de grandes artistas que atravessaram o tempo, trouxeram mensagens muito importantes e obras magníficas e quando findaram com os festivais, como um talento era descoberto? Como ele era trazido pras grandes cenas públicas?

Nenhuma empresa interessada em um grande festival de música que revelasse, um pouco que seja, dos milhares de talentos não aproveitados pelas raras oportunidades? Agora que tudo se tornou por força da circunstância minimalista, transmitido por celular, exigindo investimento mínimo. Nem assim o capital valoriza arte cultura artista. São todos Regina Duarte!

Ainda vamos continuar vivendo com o cenário artístico pontual, receptivo aos que já fizeram seus nomes? (e que talvez nem estejam em dificuldade financeira tanto assim)

Vamos continuar com a mídia que lança o artista, quase sempre desfigurando sua arte e que após o investimento recuperado, quase sempre por um período curto, caixa encerrado, dinheiro ganho e eles sumindo na mesma velocidade em que apareceram?

Vamos continuar deixando no ostracismo o povo da nossa cultura, do nosso samba?

Invisibilizando mulheres? Porque não são lindas ou jovens ou magras ou qualquer coisa que acham que é o que o povo gosta de ver?

Negando a validade da nossa Cultura com argumentos idiotas de que "é disso que o povo gosta"?

Não senhores! O povo não gosta de lixo. Veneram lixo porque vocês o impõem goela abaixo. Clementina de Jesus não tinha o padrão de beleza que vocês exigem para tornar uma mulher famosa e ela fez história. Grandes sambistas, gravaram tarde e foram abraçados por um grande público e vocês continuam cegos de ver o que o povo gosta.

Parem! Apenas parem! Refaçam-se. Reinventem-se porque a nossa parte, estamos fazendo, aliás, nunca deixamos de fazer.

Na foto: Imagem de uma ostraca, objeto em que se escreviam os nomes dos condenados ao ostracismo. Essa é a ostraca em que foi escrito o nome de Themistocles, estadista e general grego

6 de set. de 2019

GUAJUPIÁ - SAMBA DAS GUERREIRAS


 O bonito é se mostrar por cima da carne seca com grana pra bancar tudo, o que nem sempre é possível para todos.

Esse ano a Portela traz uma reflexão a partir de um paraíso perdido, real, concreto com as tintas da mitologia mais nacional que o nosso país possa ter.
A raiz indígena que todo "Karioca" tem em sua naturalidade como um termo de posse desse paraíso que se perdeu mas que continua sendo nosso. É preciso lançar mão da poesia para que consigamos lidar com certos aspectos da realidade...

Samba das Guerreiras Presente
 que marcou lindamente presença na disputa de enredo em 2019, não poderia deixar de se apresentar, embora não tenha sido uma decisão fácil por todas e tantas dificuldades tão sabida de todos. Mas ESTAMOS! E humildemente, com a garra de quem perdeu o paraíso na Terra - Guajupiá - contamos com a sua torcida e se possível apoio para irmos onde nos for permitido ir nessa caminhada! 

12 de out. de 2018

Tia Surica leva todos nós na sua voz

Nesse momento tosco, cinzento e praticamente infeliz, só ela pra fazer nossa alma sorrir. Foi lindo o show de Tia Surica. Foi tocante a participação de Cristina, a Buarque. Foi de gala a intervenção da Tabajara do Samba. Um show sem gordura, marcado pela simplicidade e ausência de mirabolâncias, exatamente como um show de samba deve ser. Repertório preciso, grupo cirúrgico, flauta beirando à excepcionalidade. Tudo encaixadinho porque todos que ali estavam pareciam felizes, satisfeitos por ali estarem.

Pela segunda vez na vida, eu senti lágrimas nos olhos enquanto um deles estava ali fixo no visor da câmera. A primeira vez foi na quadra da Portela, filmando Nelson Sargento cantando "Agoniza mas Não Morre" junto com Wilson Moreira e nessa ocasião, um cara teve a cara de pau de chegar pertinho e perguntar (quase afirmando com cumplicidade) no meu ouvido:
- Você é mangueirense, né?
Eu, vestida de portelense até nas peças íntimas, olhei séria e aborrecida pela interrupção do meu "momento-sei-lá-me-deixe", porque não sei até hoje, respondi séria, seca e com olhos molhados:
- Não.
A segunda vez foi ontem ouvindo Cristina Buarque interpretando Portela na Avenida. Porque Cristina sempre me emocionou, desde lá, quando ela era só uma voz no rádio, cantando algo que, naquela idade minha, eu não identificava como samba - era apenas música (sim, pessoal houve um tempo que tocava samba de terreiro nas rádios, samba bom com gente cantando bem). Acontece que eu tive a honra, glória e bênção de entrar no mundo que os sons do rádio daquele tempo, década de 70 me trazia. E aí, as músicas se revestiram da minha própria história.e vivência nuns quintais e quadras e terreiros.

Quando você conheceu uma música como Portela na Avenida na voz vigorosa de Clara Nunes, anos depois passa a vivê-la no vigor e tons de ansiedade e respeito, ali na arena do "esquenta", na própria avenida, ela se transforma, sim, em mais do que uma música ou hino, é "feito uma reza um ritual"; você descobre a historia da música e fica embasbacado com essa história, você ouve repetidamente a música fazendo parte do coro de centenas (milhares) de vozes na quadra, que te faz pular e praticamente entrar em transe. Daí, uma noite, vem aquela voz da infância, delicada, afinada como poucos hoje em dia no samba conseguem ser e é muita historia somada àquelas notas e tantas outras histórias e o nome disso é Cultura, viu?

Normalmente Tia Surica é uma artista emocionante, mediúnica, aquela entidade que com sua roupa de show, se transforma e ressignifica tudo: A cozinha, os temperos, a luta de uma vida inteira. É a voz da vendedora jovem numa banquinha ali, na frente da quadra, da operária, da artesã no barracão torcendo pena de ema, da baiana que arrumava a fantasia pra sair mais bonita nos desfiles, da conselheira. É a voz do colo e ombro amigo, da simpatia paciente, da falta de paciência impaciente, da pessoa com valores de samba antigo, da artista com muito menos espaço que o merecido, da preta mulher baixinha que largou um noivo pra se casar com o samba da sua escola, num momento que era o casamento com um homem que dava respeito de verdade às mulheres.

Tia Surica leva todos nós na sua voz.

A voz de Surica nos conduz a um mundo que era bom viver, ainda que não fosse fácil

A voz que sabe dizer não, a voz que muitas vezes diz sim. A voz que melhor interpreta Candeia, a intérprete que faz questão de citar nome a nome dos autores que canta porque a interpretação vem na forma de homenagem e pedagogia que informa: são autores da minha Portela querida.

Quando Surica vai pro palco, ela deixa de lado tudo de batalha, sofrimento e dor que viveu trazendo unicamente a alegria de estar ali fazendo aquilo que ama fazer: Cantar. Cantar para um público predominantemente de amigos que sabem o quão rara é essa ocasião, que ela não distingue e a ele agradece à medida que lá de cima, agora transformada numa gigante, ela vai reconhecendo os rostos. Acontece que na beleza do figurino de artista e da satisfação de estar no palco, vem na voz a pungência de quem tanto sofreu mas decidiu dar valor ao que tem valor. Surica é mulher de luta que das dores fez um pódio do qual sacode a bandeira do samba.

Ontem, numa cidade ameaçada por si mesma, onde o verdadeiro carioca anda fazendo falta e o Estado Laico é depredado por seitas e ideias falsas do evangelho dos vendilhões do templo e da Constituição, eu pude esquecer dos receios e assombros das nuvens negras da indiferença e me sentir embalada nesse colo gostoso que essa voz de pastora traz pro palco e generosamente nos entrega. E pra ela que o tempo todo agradece a presença de todos e à dela também que eu quero dizer: Obrigada Tia Surica, você me representa, se eu não fosse sua amiga, ainda assim eu continuaria sendo sua maior fã.
BOM DIA!

29 de mai. de 2018

EVOLUIR NÃO É EMBRUTECER

Não sou saudosista, não tenho tanto apego ao passado, eu só queria que as nossas vidas e também o bom e velho samba não perdessem o lirismo. Lirismo que é muito mais que palavras de amor que se vive ou que de nós se despede gerando lindas palavras de sentimentos musicais. Aquele lirismo que era também gentileza, cordialidade na forma de viver, mesmo daquelas pessoas que viviam em condições "ideais" para serem brutas e ainda assim falavam de forma divina - lírica - dos sentimentos que lhes iam na alma. Gente sem faculdade, com empregos pesados, mãos calejadas eram líricas e por isso lúdicas.
Sinceramente, passo alguns minutos, às vezes horas, pensando como fomos capazes de criar umas gerações tão concretas (pesadas) como indiscretas, duras, sem lirismo algum. Trocam gentilezas entre seus pares, gritam por igualdade mas ao mesmo tempo, só fazem ressaltar as diferenças que têm com os demais. Um excesso de superioridade mesmo quando afirmam fragilidade
Eu sei que no mundo sempre teve gente tosca, rude, soberba eu sei que todo mundo tem um pouco disso, mas acho que passamos muito além da conta do permitido e até do suportável.
Quando eu me apaixonei pela Portela foi por causa do lirismo daquelas canções da Velha Guarda com temáticas tão bem desenvolvidas, de forma tão sucinta objetiva, direta, simples e leve como um dente-de-leão que se desfaz no ar sem desaparecer; Que simplesmente se divide em muitas partes e segue a flutuar virando outra coisa. Tal qual as melodias daquela que amei à primeira audição, a mestra maior do meu coração, Dona Ivone Lara

Quem conheceu isso, vai ter sempre alguma resistência às novas melodias, sonoridades e poemas sem poesia que por mais que sejam diferentes são sempre a mesma coisa.
Eu sei que as coisas evoluem mas onde está o capítulo da vida que diz que evoluir é embrutecer?

14 de mai. de 2018

SAMBA NO PÉ, MELODIA NAS MÃOS COM CHEIRINHO BOM DE COMIDA NO AR



No retorno da Feira das Yabás após 6 meses, foi a gota de orvalho na suavidade da pétala da flor, pela suavidade das homenagens e também o encontro do fogo com a gasolina, no calor dos sambas e pagodes mais sacudidos, uma poesia bucólica? Antiga? Suburbana? Sei lá... Uma poesia cheia de poesia! Nas cores de uma tarde linda.
Marquinhos de Oswaldo Cruz transmite suavidade e uma certa força orientadora nas suas explicações breves na voz mansa que transmite em gotas bem dosadas o esclarecimento de uma política cotidiana, a importância da ocupação pelo povo do espaço que é seu (do povo). 
Hoje Marquinhos tinha o público nas mãos, era a saudade de estar ali e, finalmente, estávamos de volta. 
A Feira das Yabás é mais que um evento, é mágica, fé, calos, cansaço, samba no pé, melodia nas mãos com o cheirinho bom de comida de mãe no ar. Que Deus proteja esse espaço de alegria, harmonia e paz! Amém.

6 de mai. de 2018

O PRIMEIRO SAMBA A GENTE NÃO ESUECE

Vanderlei Santana, Catia Guimarães, Rozzi Brasil, 

Uma experiência inigualável! Olho pra mim e me vejo satisfeita por ter tido a oportunidade de participar de mais esse trecho de tudo o que compõe o samba do Rio de Janeiro. Vai ter textão, esse é só o primeiro. No momento só posso dizer algumas das muitas coisas que aprendi recentemente:
- Não existe escola pequena.
- Nossa Cultura é grande, grande, muito maior que qualquer competição. Inclusive, ela só une. Se alguém se divide, precisa aprender um pouco mais sobre a cultura do samba carioca
- Um enredo bem escolhido chama, aglutina, dá volume ao trabalho da agremiação. Jeronymo Patrocinioo foi uma excelente escolha, sua trajetória rendeu sambas inspirados e lindos. Botou o GRES Arame de Ricardo diante de muitos que o tinha esquecido ou não o conheciam.
- Uma boa sinopse é fundamental para dar brilho à trajetória do homenageado, colorir a história que se vai contar e transmitir o conhecimento "pra geral".
Parabéns, Samir Trindade você fez isso muitíssimo bem!
- Participamos desse concurso levados pelo respeito às cores azul e branca, pelo reconhecimento ao tema do enredo - Jeronymo Patrocinio, para quem fama e sucesso não são equivalentes e cabem em Madureira, sem precisar de AP nos bairros badalados.
- Nossa parceria é nova em trabalho junto, mas certamente vem de uma amizade de outras vidas, tal a sintonia que desenvolvemos. Não somos os mais ricos e por isso mesmo tentamos preencher com talento, carinho e experiência de vida, amizade, respeito e sentimento de equipe todas as lacunas que a falta de grana produz. Agradeço sinceramente a quem vem com a gente!
- Seja qual for o resultado de hoje, só ter aprendido esses itens acima, já nos faz campeões apaixonados pelo samba e pela vida. Claro que eu quero muito cantar esse samba na final, em Oswaldo Cruz, na Portelinha! Mas os fatos da vida não ensinam só pra mim e felizmente tem gente e coisa boas correndo atrás, como nós. Por isso o coração bate na boca mas ele tá tranquilo porque fizemos com alma e nos dedicamos com todo amor que temos!
SEGURA POVO, QUE O ARAME VAI PASSAR!
O MENINO SONHADOR VAI BRILHAR NA PASSARELA!
E ele sintetiza o sonho e a luta de todos nós!
Salve Jeronymo! Dodô! Patrocínio!
Salve o azul e branco do Arame e da Portela!


Uma experiência inigualável

A imagem pode conter: 6 pessoas, incluindo Rozzi Brasil e Vanderlei Santanna, pessoas sorrindo, pessoas em pé


Uma experiência inigualável! Olho pra mim e me vejo satisfeita por ter tido a oportunidade de participar de mais esse trecho de tudo o que compõe o samba do Rio de Janeiro. Vai ter textão, esse é só o primeiro. No momento só posso dizer algumas das muitas coisas que aprendi recentemente:
- Não existe escola pequena.
- Nossa Cultura é grande, grande, muito maior que qualquer competição. Inclusive, ela só une. Se alguém se divide, precisa aprender um pouco mais sobre a cultura do samba carioca
- Um enredo bem escolhido chama, aglutina, dá volume ao trabalho da agremiação. Jeronymo Patrocinioo foi uma excelente escolha, sua trajetória rendeu sambas inspirados e lindos. Botou o GRES Arame de Ricardo diante de muitos que o tinha esquecido ou não o conheciam.
- Uma boa sinopse é fundamental para dar brilho à trajetória do homenageado, colorir a história que se vai contar e transmitir o conhecimento "pra geral".  Parabéns, Samir Trindade você fez isso muitíssimo bem!
- Participamos desse concurso levados pelo respeito às cores azul e branca, pelo reconhecimento ao tema do enredo - Jeronymo Patrocinio, para quem fama e sucesso não são equivalentes e cabem em Madureira, sem precisar de AP nos bairros badalados.
- Nossa parceria é nova em trabalho junto, mas certamente vem de uma amizade de outras vidas, tal a sintonia que desenvolvemos. Não somos os mais ricos e por isso mesmo tentamos preencher com talento, carinho e experiência de vida, amizade, respeito e sentimento de equipe todas as lacunas que a falta de grana produz. Agradeço sinceramente a quem vem com a gente!
- Seja qual for o resultado de hoje, só ter aprendido esses itens acima, já nos faz campeões apaixonados pelo samba e pela vida. Claro que eu quero muito cantar esse samba na final, em Oswaldo Cruz, na Portelinha! Mas os fatos da vida não ensinam só pra mim e felizmente tem gente e coisa boas correndo atrás, como nós. Por isso o coração bate na boca mas ele tá tranquilo porque fizemos com alma e nos dedicamos com todo amor que temos!
SEGURA POVO, QUE O ARAME VAI PASSAR!
O MENINO SONHADOR VAI BRILHAR NA PASSARELA!
E ele sintetiza o sonho e a luta de todos nós!
Salve Jeronymo! Dodô! Patrocínio!
Salve o azul e branco do Arame e da Portela!

28 de abr. de 2018

NATAL

Fico lendo as coisas, ouvindo as pessoas e penso umas coisas meio doidas.
Natal não era professor mas fez do Jeronymo Patrocinio o primeiro bailarino do carnaval. Não era maestro mas fez da Tia Surica a primeira intérprete de samba de enredo campeã na avenida. Acho que não era compositor, tenho certeza que não era musa inspiradora mas proporcionou que Paulinho da Viola compusesse uma das suas pérolas mais lindas. 

21 de abr. de 2018

É tanto tiro no pé...


É de se lamentar que o inicio deste sepultamento venha justamente por intermédio da escola que se diz de Resistência e apontada como "a escola dos enredos bonitos". A cada compositor imperiano, dos baluartes aos que sonham, minha solidariedade.
Lá vem as escolas mais uma vez se descaracterizando, mudando no carnaval o que por ser sua gênese e pilar não deveria ser mudado.
É tanto tiro no pé...

17 de abr. de 2018

Obrigada por ter dado à minha vida sem graça, tanta graça de melodia

                                                         
       Eu era bem jovem e os meus sobrinhos não eram muito mais novos que eu, como ainda não são. Eu sempre curti levá-los ao cinema porque tinha para com crianças uma paciência para as coisas que ninguém lá em casa tinha. Lembro que fomos assistir Bernardo e Bianca dos Estúdios Disney, num tempo que desenho animado não era chamdo de  "Animação", não tinha volume, não existia 3D, era só desenho animado mesmo.
De toda a história do Bernardo e Bianca, foi a cena final que nunca me saiu da cabeça. Bernardo abraçado à bianca, depois de duas horas de peripécias, olhavam o céu azul noturno onde luzia uma linda estrela e surgia a frase inesquecível:
"Está vendo aquela estrela? Ela a fé. A fé é como um pássaro azul,muitas vezes não o vemos mas sabemos que está lá fazendo as coisas ficarem certas".
Daí, que há pessoas que são como essa estrela, como esse canto desse pássaro, a gente precisa saber que estão lá para que tudo esteja certo.
O consolo não é apenas aconchego contra o desespero, mas também um alívio pra dor porque saudade dói, o vazio das noites em nuvens assusta, ainda que as coisas estejam certas. Que nos console a melodia da voz doce desse pássaro negro, lindo de canto verde e alma alva.
Tiê, tiê, olha lá oxá!
Tiê, tiê, olha nós que ficamos cá.
Eu sei da bênção nossa e dela por sua vida plena, sua melodia vasta, seu sorriso lindo, seu querer demais além do concedido no seu tempo. A realização dos seus sonhos, a transformação das pedras nos caminhos em relva doce, fresca, macia. Sua alegria e seu carinho. Eu sei, mas meus olhos não secam nem adoçam, estão inundados de mar. Vai passar e o bom é que o melhor vai ficar.
Eu era muito criança e ainda não tinha sobrinho, meu tio às vezes fazia seresta, samba e chorinho na varanda ao contrário lá de casa. Eu era tão criança que não conseguia ainda entender Candeia, mas gostei de música, fui feliz por entender tudo no dia que alguém cantou: 
"Sonho, meu! Sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu...
Vai mostrar essa saudade, sonho meu". 

Não foi a família portelense que me deixava em casa porque eu era criança demais, o que me levou pro Império assim que eu pude fugir para algum lugar... Foi esse tanto de melodia que eu entendia e aplainou meus caminhos com seus lara-laiás. E no final de tudo a gente cresce perto do que nos traz a alegria e a paz. 
Dona Ivone Lara, foi sempre colo e alegria e a ave se faz estrela de verdade para que tudo fique certo. 
Obrigada, rainha imperiana. Obrigada!
Essa porção de mar a inundar os olhos e sonhos meus, vai passar. Mas por enquanto deixa ficar. 
Obrigada por ter dado à minha vida sem graça, tanta graça de melodia. Dá um beijo no Seu Délcio, tenho saudade dele também.
Obrigada!

14 de abr. de 2018

MEU PRIMEIRO SAMBA ENREDO

Quando se está num estúdio de gravação o mundo para. É melhor que seja assim.
Ali, o compositor, a sua música tomando a forma que no no seu sonho irá encantar muita gente.
É ali, um certo pedacinho do céu.
Não se pensa em fama, mas na qualidade que por si só é sucesso.
É ali que sem muita teoria a gente sente que faz arte, é ali que o sonho toma forma em comunidade e acontecem atos comunitários, transmissão de conhecimentos, respeito ao saber alheio e se tiver uma figura incensada ou admirada mas acima de tudo competente pra "botar a voz" esse encantamento se multidimensiona e a admiração cresce com o fermento da certeza de que se está com um artista de verdade. 

Obrigada, Bruno Ribas Samba por ter entrado em cena hoje com a gente!
Hoje, eu - praticamente um rato de estúdio pelas minha multitarefas, principalmente a de registrar o registro, tive uma experiência inédita e como toda estreia, foi emocionante. Pela primeira vez meu nome estará "escrito" num "som". É demais para quem vive de palavras, ouvi-las em melodia! Que as boas energias iluminem esse caminho. Isso me basta.
Obrigada Vanderlei SantannaCatia Guimarães, gente cheia de estrada, por essa oportunidade de compartilhar o talento de vocês!

1 de abr. de 2018

Série Encontros

Um cara que eu admiro pra caramba: Milton Cunha, exemplo de que a dor não mata nem aleja e às vezes nos faz mais fortes e podemos ter um tanto de pimenta e vinagre sem amargar os dias dos outros.

14 de dez. de 2017

EU VI: DO COMEÇO AO INFINITO


Papo de fã. Você vai a um show do Roberto Carlos sabendo que vai gostar, sabendo o que vai ouvir com poucas variações no que vai ver e aqui nenhuma crítica ao Rei que amo de paixão.  Prosseguindo com o raciocínio: Eu vou a um show de lançamento da Ana Costa sabendo que vou gostar mesmo sem saber exatamente o que vou ouvir ou ver. Simples assim.

Dia 08 de dezembro desse ano que insistentemente demora a acabar, fui assistir uma das edições dos show de lançamento do novo trabalho da cantora, compositora e violonista, Ana Costa.


Um show com menos músicos e mais música, com menos instrumentos e mais som. 
A leveza contínua, flutuante que repousa na delicadeza de uma sintonia muito perfeita entre voz, bandolim. Fui ouvindo em casa o CD e vejo que a perfeição continua. 
A inserção de "Último Desejo" (Noel Rosa) deu-me a sensação de que eu deveria ter ido nos lançamentos anteriores (no Municipal de Niterói e C.R da Música na Tijuca) porque fiquei com a sensação que cada apresentação jamais será repetida.

E eu acho que Ana Costa é bem isso: Uma artista que jamais se repete, busca mais que inovar, mas um refazimento. numa recriação infinita como se cada dia vivido e cada aprendizado entrasse como filigranas no que ela nos traz. Como não sou crítica digo apenas o que vejo e o que sinto do que ouço. É um show belíssimo e o CD, sim, eu sou do time que baixou as músicas de uma das muitas plataformas onde etão disponíveis mas gosto de pegar, mostrar, acompanhar, seguir com o dedo o que está escrito e que a tia lá da escolinha no século passado dizia que não era legal fazer; Pois bem o CD tem um dos designers mais bonitos que já vi. É o tipo de trabalho que não tem o que se criticar, só curtir e muito!

4 de out. de 2017

O RISCO DO QUE É INESQUECÍVEL

No carnaval de 1964 eu não havia nascido mas eu sei que "Aquarela Brasileira" de Silas de Oliveira do Império Serrano tido como um dos 3 melhores sambas de enredo de todos os tempos  não atingiu a nota máxima, perdendo 2 pontos na avaliação do julgador do quesito letra. Teve nota máxima no quesito melodia. Jornalistas publicaram sua indignação em veículos de grande expressão na época como a revista Manchete, Jornal Última Hora e O Globo. Lideranças de outras escolas de samba manifestaram-se contra o absurdo da falta de sensibilidade de um jurado especializado que não sabia reconhecer uma obra-prima. Silas de Oliveira ainda era pouco conhecido, não tinha o nome na mídia e o Império Serrano ficou, se não me falha a memória do que eu não vivi, com um quarto lugar muito desmerecido.

Em 2004, eu não só já tinha nascido, como presenciei a reedição do samba que fazia como eu, 40 anos. A LIESA comemorava 20 anos de fundação e o Sambódromo completava seu vigésimo carnaval,  permitindo que a escola da Serrinha reeditasse o samba de Silas que Martinho da Vila colocou à luz da mídia quando o gravou no seu LP Maravilha de Cenário 29 anos antes.

Eu não só me empolguei com a possibilidade de estar na avenida ao som desse hino brasileiro como fiquei louca de alegria ao ver que o Império Serrano apresentava ali um formato de desfile  como era lá antigamente. Sem as filas ao estilo militar, componentes soltos, átomos de alegria, energia e emoção disparados por toda a Sapucaí que eu nunca vi cantar tanto um samba como daquela vez e ainda com coreografia de braços elevados e mãos indicando "este céu azul de anil, emolduram em aquarela meu Brasil"...

Daí, que foi feita a justiça ao samba-letra-e-melodia de Silas mas ficou  faltando emoção, compreensão nas notas à Serrinha que não voltou nas campeãs amargando um nono lugar. Se tem uma escola que é diferente das outras é o Império Serrano. Ela tem jeito de povo, garra de povo, sua história é costurada pela garra, determinação comuns às gentes do povo. Nos desfiles mais recentes, no Acesso, lá, antes da Sapucaí fazer a curva, eu olhava as arquibancadas vazias e me dava um frio no estômago. Como assim, o Império vai passar com tão pouca gente pra ver? Gente de fora, agarrada nas grades, berravam na minha orelha:
- Canta, porra! Isso é império serrano
- Vai Império!
- Eu amo o Império!
- Minha escola
- Sou escola X mas adoro o Império!
E por aí, ia.
Quando finalmente eu botava a cara na entrada do Setor 1, as lágrimas desciam e o sorriso brotava abundante, as arquibancadas estavam cheias de gente pra curtir a escola da Serrinha. Ah, isso é  mais inesquecível que qualquer foto que tenha saído em algum site, revista ou jornal!

Aquele povo vestido com simplicidade, lata de cerveja na mão a gritar Impéééério, os que ficam na "arquibancada do fedor", os que transitam à margem do sambódromo nas barracas e botecos que nos cumprimentam quando saímos da Avenida e perguntam como foi o desfile ou simplesmente dizem que foi maravilhoso. Esse povo que se junta à frente das TVs com recepção péssima de imagens de uma transmissão duvidosa, comentários aleatórios de profissionais que não conhecem o riscado, cortesia dos barraqueiros e condescendência da Casa Grande para a Senzala, é muito, em parte, boa parte do povo que só tem direito a isso mesmo da nossa cultura que é deles, isso e poder assistir aos ensaios técnicos gratuitos porque o desfile há muito tem preços para eles inacessíveis.

NÃO ROUBEM DO POVO O DIREITO DE VER SUAS ESCOLAS! ENSAIO TÉCNICO JÁ!

2 de jul. de 2017

UMA COISA É UMA COISA OUTRA COISA É OUTRA

Dividindo uma coisinha ou outra do samba que se bebe, absorve e vive. A parte da batucada será tão mais importante na medida que o tempo passe. Ao viver, não só estamos cumprindo nossa trajetória, mas escrevendo a história. Viver no samba, viver de samba, ir ao samba, fazer samba, cantar samba, se aproveitar do samba, são coisas muito distintas

21/07/2015

28 de jun. de 2017

VOCÊ JÁ FOI À FEIJOADA DA PORTELA?


Vem aí a edição de julho da melhor Feijoada do Brasil!

A próxima edição da Feijoada da Família Portelense acontecerá no dia 1º de julho e contará grande apresentação da tradicional Velha Guarda Show da Portela e um show completo do cantor e compositor Toninho Geraes e sua banda, com o lançamento do CD "Estação Madureira". A abertura ficará por conta dos grupos Na Linha do Mar e Tempero Carioca. O encerramento fica por conta do Elenco Show da Portela, com a Bateria da Portela - Tabajara do Samba, intérprete oficial Gilsinho e demais segmentos.

Serviço:
Edição de julho da Feijoada da Família Portelense. 
Atrações: Na Linha do Mar, Tempero Carioca, Velha Guarda Show da Portela, Elenco-Show da Portela e show completo de Toninho Geraes e banda
Data: Sábado, dia 01 de julho de 2017
Horário: A partir das 13h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira, Zona Norte do Rio

Preço: R$ 20 (primeiro lote antecipado limitado).
Prato da feijoada: R$ 25
Mesas para 4 pessoas: R$ 140,00 (já contempla 4 ingressos)
Camarote superior para 15 pessoas: R$800,00
Camarote inferior para 15 pessoas: R$650,00

Classificação etária: Livre
Informações e vendas na bilheteria da quadra, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Tel (21) 3256-9411

Vendas online www.ingressocerto.com/portela

Sócio-Torcedor do plano Majestade do Samba não paga entrada e ganha o prato de feijoada grátis. Associe-se em www.aguianocoracao.com.br e aproveite essa vantagem!
Participe deste grande evento!

15 de jun. de 2017

RECIPROCIDADE

A certeza de ser agregadora, parceira, alguém que dividindo multiplica e se empenha em plantar coisas boas. Procuro não dar atenção se todo mundo age diferente. Minha mãe me dizia: "Você não é todo mundo". Não,não sou e jamais serei. 
A arte de sorrir cada vez que alguém me diz não, me puxa o tapete ou só se lembra de mim quando converte minha presença em valor de uma entrada, é algo que hoje tiro de letra. 
O "Samba Independente dos Bons Costumes" é a materialização desse amor à vida a despeito da reciprocidade