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2 de set. de 2017

CURUMIM


Eu te amei tanto
De riso e pranto
Que de tanto amor
Olhei e não te achei
A vida,
o céu
O dia
As estrelas, 
a lua
O sol e seu amanhecer,
Frio e calor,
Eram teu nome.
Mas você curumim, só brincava
Com os astros, com  a vida
Comigo


18/07/1992

16 de abr. de 2011

DIA D

Chega um dia que a gente não consegue mais sentir-se notado pelas críticas.  Não entende o esporro por afeto nem como manifestação de preocupação e cuidado. Um dia a gente cresce tanto que deixa de ser o caçula por mais que possua irmãos mais velhos…
A covardia desbotada que nos impede de tomar decisões, cai por terra e embora frágil, surge o poder de pagar pra ver, de enfim escolher o diferente daquilo que sabemos todos esperam.
Tem sempre um dia de enguiço na cabine do super-herói e o grande barato da história é sentir-se  gostando de estar sem máscara. Um verdadeiro super poder!

3 de abr. de 2011

O NOVO CASO DO MEU AMIGO

Meu amigo está de caso novo.
“Caso” porque talvez ainda não seja namoro. A cada dia nomear os relacionamentos se torna mais complicado. As pessoas insistem que ter um nome para que se pregue um rótulo.


Difícil visualizar  a linha que separa  o “namorar” e  o “conhecer”;  Entre o “xavecar” e o “ficar”. Esses limites que são apenas uma palavra balaio de vários verbos quasempre todos com a mesma intenção. O conhecer tem muito a ver com  a ” intenção de matar” : por mais óbvia, impossível acusar, sem chance de punição, condenando-nos por ausência de provas.


O mundo, tem hoje necessidade de coisas múltiplas e o “ficar” é bom  porque pode-se “ficar” com muitas pessoas numa noite ou, com uma, sem a obrigação de manter-se  com ela numa outra noite qualquer. Se a “ficada” se prolonga,  podemos dizer que estamos “conhecendo”, algo mais íntimo e que não tem a cobrança dos namoros.
O mundo anda com uma necessidade de leveza e as pessoas necessitando  de uma certa  irresponsabilidade consentida por mais que saibamos que a cobrança virá no fim ou no meio, porque no início todo mundo concorda com qualquer coisa que não lhe deixe só.

Namoros, noivados, casamentos tiram das nossas mãos o controle sobre nossos relacionamentos. Existem posturas recomendadas para casados, para noivos e noivas, para namorados.  Depois  que oficializamos, com títulos reconhecidos os nossos relacionamentos, parece que o mundo inteiro adquire direitos sobre eles.
Então que o meu amigo que está de caso novo e  comentou algo  a respeito de apresentar o seu affair  à família, o que me gerou algumas  reflexões, afinal  ele passou anos com um namorado que levou algum (talvez muito)  tempo até que soprasse sobre a família os ventos da tolerância, essa  palavra que pode ser tão desagradáveis quando pensada: Tolerância, onde tolerar =  aturar, suportar.  Suportar porque não resta outra alternativa.

Uma coisa era tolerar o namorado, outra coisa era aceitá-lo ou gostar dele, eis aí um  complicador. Além de se aceitar um familiar homossexual, precisa aceitar-se que ele tenha um namorado e precisa-se aceitar a  pessoa desse namorado.

Enfim, aceito, amado ou tolerado,  esse namorado ficou na vida do meu amigo e da família deste por mais de 10 anos. O que gerou uma incômoda comodidade, afinal,  após tanto tempo  todo mundo se acostuma com tudo e não há mais comentários.

Meu amigo terminou o relacionamento antigo, engatou uma primeira, acelerou e já está de bofe novo. A família anda tonta com as lamentações  e telefonemas  do agora “ex” e logicamente não quer saber de conhecer ninguém novo,  afinal não quer mudar de problemas.
O pobre ex  não se “manca” que toda paciência familiar chega ao final quando o romance, normalmente por falta de paciência, ao final chega.
Talvez ele avalie que depois de tantos anos possa contar com uma família também.

Talvez ele pense que realmente foi amado por todos esse tempo todo. Pagando de bicha burra e também presunçosa,  não percebe que para as famílias  ser gay é uma doença e o parceiro apenas sintomas da sua gravidade, o gatilho que dispara o caminho da agonia.

Fico a me perguntar por que diabos meu amigo tem que apresentar a novidade para a família. Em determinados clãs ser gay é como ser casado, onde o casamento é consumado com a família e  o namorado ocupa o lugar que seria de uma amante.
As pessoas desconfiam, mas como uma esposa dedicada, não querem se certificar, pois  isso incluiria tomar um posicionamento.
Qual mulher com anos de casamento estaria disposta a largar o casamento porque o marido arranjou outra?
Uma mulher que percebesse nisso a oportunidade de ter uma vida nova, oras!
Uma mulher que não estivesse satisfeita com a vida e o marido atuais, talvez.

No caso da família do meu amigo,  todos estão satisfeitos com a vida tranquila e falta de paixão que assolava o casamento dele e que fazia com que ficassem por ali divertindo-se (ou aborrecendo-se) com a família. Não havia a paixão avassaladora e desejo de privacidade  que os levassem a querer ira para Tegucigalpa ou qualquer lugar onde ele pudessem dar vazão à libido. Pra falar a verdade ultimamente, cada ficava na sua casa nos fins de domingo, numa tentativa de não multiplicar o tédio por 2… 

Família é troço muito esquisito mesmo!
Qualquer mau humor, recalque ou infelicidade num presumido celibato é melhor do que alguma felicidade.
Sabemos todos nós que dificilmente o ser humano estará sorridente, completo e feliz sem romance e nenhum romance torna alguém sorridente, completo e feliz sem sexo.
Se alguém deseja a fama de bom moço, basta que não deixe perceptível o seu desejo. Todo gay é ótimo se leva uma vidinha famíliar, cuidando dos sobrinhos ou se preocupando com os poodles da vovó.
Todo mundo que casou várias vezes recebe ainda que veladamente o julgamento de ser promíscuo, mesmo que tenha sido um casamento de cada vez. Mas isso é outra história.


Voltando ao casamento do meu amigo,  é fato  que depois de arrancar-se da família a tolerância para com a condição homossexual, a aceitação de cada parceiro  era uma luta nova.
Hoje, imagino que ao final de cada de relacionamento o que as famílias mais desejam seja o milagre do disco virado, ignorando-se o lançamento do CD.
Cada pessoa que vem a seguir é  como  o tal  já mencionado  sintoma de uma doença, daqueles que a gente fica feliz quanto menos incomodativo seja. Imagino que o  julgamento deve ter valores semelhantes aos de uma avaliação bastante lógica e compreensível:  “É melhor ter uma gripe do que câncer. Antes perder um dente que uma perna”. “Esse não é grande coisa mas não usa droga”. “Aquele não era  simpático mas era discreto”.

Logo,  para o meu amigo conseguir apresentar com sucesso um novo parceiro à família aconselharia que se mostrasse imensamente infeliz,  extremamente impaciente, fazer algo que eles não gostam para que o novo “amigo” seja visto como alguém que veio somar à harmonia familiar.
Claro que ouvi em silêncio e em silêncio permaneci. Vida dura essa!

3 de out. de 2010

TEMPOS BICUDOS

Quando eu tinha constantemente a companhia de amigos gays, vez por outra alguma menina reclamava da imensa quantidade de homens nas baladas e da  falta de ambientes com um número expressivo de mulheres, eles respondiam que as casas para o público feminino só tinham uma semana de duração porque as lésbicas se casavam no terceiro encontro e não saíam mais de casa. Tudo acabava em gargalha e íamos impávidos e colossais sabe lá deus pra onde, com intenções individuais muito bem definidas. Eram tempos bicudos,  não podemos dizer de chumbo porque a juventude colore, ilumina e aquece tanto as doces bobagens quanto os humores ácidos e consequências amargas. O jovem é dono tempo, é imortal, tem a seu favor o futuro onde ele imagina que terá tempo suficiente para tudo resolver, tornar-se importante, “ser alguém” e ser feliz, assim, como se no futuro fosse possível viver várias vidas de uma única vez. O maior tesouro da juventude está muito bem guardado numa única palavra: a-m-a-n-h-ã.
Se é verdade ou não que as lésbicas  se casam no terceiro encontro, não se pode afirmar, quando eu era apenas imortal, basicamente me casava no primeiro e tenho nisso motivo de orgulho.  Quantas pessoas podem ter a certeza de ter encontrado a pessoa certa logo de cara, na primeira olhada? Quantas pessoas têm peito para se arriscar assim num amor à primeira vista? Ir em direção ao túnel escurésimo só porque avista (ou pensa ter avistado) uma luzinha colorida bem lá no final ou porque ouve sininhos e imagina uma explosão solar do outro lado daquilo que é incerteza e insegurança? Coisas para deusas, benhê!
Qual seria a diferença substancial entre a paixão de um namoro que não deu certo e a paixão de um casamento que não deu certo? Papelada, filharada, família, burocracia e vergonha de encarar os que foram contra e que depois que a vaca foi ao brejo,  disfarçam a satisfação mas não conseguem evitar  o golpe de misericórdia: “eu te disse, eu te avisei”.

Mas eu estou falando de um tempo em que ser gay era descobrir-se amando, interessado ou envolver-se  com pessoas do mesmo sexo e por isso estar automaticamente expulso de casa, abandonado pela família , ser olhado como potencial suspeito por todos os crimes nas redondezas.  Ser lançado num túnel escuro era default para qualquer pessoa que se declarasse gay ou que tivesse trejeitos e atitudes que levantassem tais suspeitas e isso independia do modelo escolhido para o relacionamento. Ddescobrir-se gay era sentir-se a caminho do abismo. Namoro ou casamento implicavam nas mesmas consequências sociais e com relação ao sentimento todos sabemos que o nome atribuído ao relacionamento é o que menos importa. Se você era gay, não era sério, não obtinha respeito.
Assim, nunca compreendi inteiramente as críticas sofridas pelas pessoas que tomando um “pé na bunda” naquela fase inicial de um  romance, que hoje é chamada de “estamos nos conhecendo”,  enchem a cara e cortam os pulsos da mesma forma que aquelas que passam por este processo (de pé na bunda) na fase do namoro ou de “casamento” já consolidado.  Quando a entrega é verdadeira, dói igualzinho, a diferença é prática: para onde levar os cacarecos, objetos e pertences pessoais  e, principalmente,  onde enfiar o corpinho naquelas horas entre o trabalho e a balada. É nessas horas que amo os novelistas que criam um mundo onde uma pequena mala com meia dúzia de roupas pegas aleatoriamente  são suficientes para se viver tanto debaixo da ponte quanto num apart hotel, numa casa de vila ou um apê em Paris. Todas as pessoas sortudas estão nos folhetins com seus amigos que sempre têm para oferecer para o sem-casa, sem-amor ou sem-vergonha uma confortável solução de moradia e emprego.

A vantagem  do gay  de entrar e sair dos relacionamentos pela ausência de vínculos legais  lhes rendeu a fama de promíscuos. O submundo oferecido ao gay para se divertir e se relacionar lhe deram a fama de marginal. A “pegação” gay em vias públicas não me parecia muito diferente da busca heterossexual por prostitutas, mas a “liberalidade” marginal do gay rendeu para os héteros presos na legalidade ou consequência dos seus relacionamentos  um tremenda inveja. Inveja essa que o povo gay jamais percebeu, por encontrar-se invejando a tribo heterossexual pelo  seu direito de atracar-se em público, beijar em público, paquerar em público e porque não, transar em lugares públicos ou pelo menos ter lugares à margem (abençoada peleas vistas grossas de todo mundo) para isso.
Bordéis nunca foram bem vistos pela  sociedade e eram pessimamente vistos pelas esposas que casadas tinham o direito de cuidar da prole, das refeições da família, manter a pose de felizes debaixo de uma saraivada de muitas  outras obrigações,  dentre as quais para a grande maioria delas não estava assegurado o direito de ter orgasmo. Os frequentadores de bordeis para lá se dirigiam na intenção de conseguir diversão e orgasmos mais elaborados diante de parceiras com  atitudes mais “descoladas”, mas também não estava convencionado para as mulheres de lá dos bordéis  que elas  poderiam ou deveriam ter  orgasmo.  O ser humano que vive em sociedade precisa trabalhar, mas não necessariamente sua atividade precisa ser prazerosa. O salário não precisa ser bom,  embora devesse ser, precisa existir e ser o suficiente para liquidar as continhas do fim do mês ou dar margem de negociação para elas.

Mas eu estou falando de tempos bicudos onde atitude era um diferencial para o modo de viver, e essa atitude não precisava ser clara ou declarada, atitude era sinônimo de escolha mas nem sempre de afronta em se assumir-se uma postura. 
Nesse tempo, quando eu ainda era humana,  até as imposições eram frutos de escolhas,  (embora sempre afrontasse) haja vista a expressão “opção sexual”. O termo opção abrangia tudo aquilo que era diferente e por conseguinte desaprovado pela sociedade. Havia a “opção pelo casamento”,  numa época em que a mulher  que não se casasse adquiria um estigma quase como uma tatuagem em lugar visível que gerava repugnância,  receio ou desconfiança.  Se  você que  está lendo isso tem menos de 20 anos vou dar uma breve explicação:
A mulher que não se casava, ficava “pra titia” , talvez porque restava-lhe uma boa participação nos cuidados com os sobrinhos, afinal nunca se desvinculou da mulher o papel de mãe. Ela era obrigatoriamente tia solteirona. Para a mulher que se descasava por atitude própria ou porque não tinha jeito mesmo (pé na bunda na fase casamento) havia o desquite – naquela época não existia divórcio.  

Desquite era a legalização burocrática do descasamento, da separação mediante a qual os desquitados (homem ou mulher ) não podiam casar-se de novo. Um dos problemas do desquite era que muitos homens o evitavam, pois isso poderia incluir pagamento de pensões para os filhos menores e para a mulher, não se assuste por isso, naquele tempo não era comum mulheres trabalhando fora, mulheres ativas no mercado de trabalho tinham para si o mesmo olhar social  que tinham as mulheres que fumavam (cigarros), que bebiam  (social e moderadamente) ou que tinham a sorte de encontrar um ambiente social onde pudessem exercer qualquer ato semelhante à diversão.

Explicado isso, socialmente a mulher separada (com desquite ou não) equivalia às prostitutas. A opção da mulher pelo casamento começava quando desde  meninas tinham como brinquedos infantis bonecas e miniaturas de utensílios domésticos, brinquedos doutrinários muito instrutivos e liberadores da imaginação das crianças de sexo feminino. Despertavam a criatividade da criança para que ela pudesse sonhar em casar, ter filhos, cuidar de uma casa. Realmente o casamento era a grande “opção” da maioria das mulheres. Ok, vou  fazer uma breve observação, muito pessoal é claro, sobre casamento nesses tempos:
Se as mulheres usavam roupas recatadas (calças compridas não eram recomendadas) e não iam à lugar algum, como encontrariam a tampa-da-sua-panela?  
Se a prescrição era casar-se virgem e manter-se esposa pudica, como conseguir uma vida sexual  satisfatória?  
Quando o casamento era de conveniência para mulher isso significava, ter um provedor e escapar do risco de ficar pra titia. 
Quando era de conveniência para a família isso poderia significar agregar o nome familiar a um outro  sobrenome tão respeitável ou acumular mais poder, pouco importando o que pensava a noiva ou como ela se sentia ou o que ela pensava  a respeito do futuro noivo e futura família que se tornaria a sua família (dela) . 
Bem, essa explicação renderia uma outra postagem, portanto vamos resumir que restava às mulheres beijar o sapo com dedos cruzados para que virasse príncipe e ponto.

Tempos bicudos em que se caminhava para o abismo ou túnel escuro sonhando com um dia radioso de primavera lá embaixo (do abismo)  ou lá do outro lado (do túnel). Como nos contos de fadas, o príncipe que nunca se viu mais gordo e quando se via não se pegava,  faria a mulher  feliz assim mesmo, pois naquela época acreditava-se (não me pergunte quem, mas posso deduzir que mulheres mal amadas, frustradas, rindo por fora doloridas por dentro por sacrificar desejos em nome da burca moral e social na qual a enfiavam)  o amor “vinha com o tempo” e homem bom era aquele que não deixava faltar nada em casa ou aos filhos dos quais poderia até acontecer dos pais mal saberem as idades das pequenas criaturas ou a série que estariam cursando na escola.

E o gay nessa história toda? Ah, o gay podia ser um desses maridos de família que casava porque lhe era conveniente para ampliar o seu armário e ter uma chance de exercitar sua sexualidade sem “encheção”. Também podia ser um desses filhos de casamentos sólidos e bem construídos ou desfeitos, que podia “optar” por arranjar uma esposa e frequentar o armário com mais “liberdade”.
Eu não quero dizer que as regras sociais guardavam as piores partes para as mulheres, mas digo que as regras da moral e bons costumes serviam as suas piores partes paras as mulheres que eram tão enclausuradas, sem espaço e sem direitos quanto os  gays. Seria consequências da época em que Avalon se perdeu nas brumas e a Grande Deusa Mãe, foi deposta num golpe de estado pelo deus cristão?

 Sim, talvez você com menos de 20 anos não saiba mas diz a lenda (e lenda é um boato que ficou muito, muito velho sem ter conseguido testemunhas) que muito antigamente, o mundo tinha outra regência e por isso outra história. Deus não era macho,  a Terra era  fêmea e  mãe generosa que provia seus filhos que lhe habitavam  com tudo necessário para a sua sobrevivência e tinha como porta-voz sacerdotisas. Vivia-se num império feminino regido por uma Deusa-Mãe. Onde foi que a mulherada errou? Imagino que no dia que achou gostoso levar uma porretada no crânio e ser arrastada pelos cabelos para uma caverna e lá ficar procriando e aguardando pelo alimento fruto da caçada e pelo do dono do porrete.



21 de jul. de 2010

CASAMENTO - parte 1

Se você é mulher e tem como orientação sexual outra mulher jamais se case enquanto não assimilar alguns itens básicos ou case-se justamente para que possa aprendê-los.
Casar com uma mulher,  se você é mulher, é muito mais que transportar  o modelo de casamento heterossexual para uma versão feminina, isso não funciona… Assim como o modelo de casamento entre seus pais jamais daria certo se adotado por você ao se casar com um homem.
Hoje podemos questionar por que casar ou não casar. Em remotas eras, casar era um destino e um desabonador de conduta para aqueles que não se comprometiam. Quem pode lembrar-se da tia solteirona? Da figura e fama dos solteirões inveterados? Não existia vida inteligente ou normal para os eternamente solteiros. Nesse tempo jurássico, em que casamento era default, ser solteiro significava ter sido reprovado, carregar algum defeito. Não havia compreensão para a escolha da solidão. Sim,  nesses tempos antigos, não ser casado significava ser solitário.
Felizmente isso acabou! As famílias deixaram aos poucos de interferir, barganhar, contratar casamentos. A idade para casar foi aos poucos sendo postergada e hoje pode-se casar com qualquer idade.  Talvez tenha havido um consenso por parte da sociedade que casamento antes de ser uma solução tornara-se um problema. Talvez as famílias tenham percebido que além de não se livrarem da filha, ainda precisavam agregar o marido dela e filhinho deles. Vai saber? Isso é assunto para antropólogos, sociólogos,  pensadores pesquisadores autorizados a falar sobre este aspecto do tema. Não é o meu caso.

O que percebo é que hoje ninguém mais precisa de casamento para ser feliz, mas ele ainda é o sonho de consumo de pelo menos 9 entre 10 mulheres mortais. A boa notícia é que além de não existir uma idade padrão para o casamento, embora existam idades mais recomendáveis, também não há obrigação para tal e uma vez que se escolha o casamento como modo de vida, ainda que algumas rugas e rusgas podemos escolher o sexo do nosso príncipe encantado.  A má notícia é que por ser uma realidade aleatória e inexistente, quando encontramos o príncipe encantado mesmo que ele jure que você é a princesa,  cada vez mais o orçamento das pessoas ficam muito distante da realeza.  Se antes era preciso posses e dotes para um casamento, hoje casa-se muito mais justamente pela falta deles.
A mulher ao se casar com um homem, vê-se e sente-se como uma princesa mas ela já descobriu que esse título é temporário, a realeza vai-se extinguindo à medida que o tempo passa, que o colágeno se ausenta e o ventre aumenta. Homens, príncipes ou não, terão sempre maior interesse nas princesinhas que nas rainhas, por dois  motivos muito simples:  
1-      1- se é rainha já é reino conquistado
2-      2- é da natureza masculina o interesse por tudo o que é novo, fresco, rijo e que possa fazê-los sentirem-se príncipes novamente! O  que mudaria essa realidade? O amor! Mas se os casamentos nos primórdios erma uma negociação de família, não precisa-se de muito tutano pra entender que casamento e amor não foram criados um para o outro.
Se eu disser que o amor entre um casal, foi uma ilusão criada a partir do mesmo princípio que os homens criaram Deus pra superar tudo aquilo que parecia que não iam aguentar estarei sendo herege? Cínica? Rude?
Analisemos:
Você tem 2 anos de idade e antes de nascer sua família já tratou com uma outra o seu casamento. Você cresce e suponhamos que seja uma moça boazinha, aceita casar-se e não são raros relatos antigos de moças que conheceram o marido no dia das núpcias. Em que momento você começará a amar essa pessoa que entra na sua vida como se fosse um professor que você não pôde escolher?  Sendo obrigatório estudar, sendo você alguém com algum juízo e por isso percebendo que é preciso estudar, é certo que procurará ver no mestre o maior número possível de valores que possam diminuir a sua situação de suplício.
Assim sendo, como falar que casamento é um ato de amor?
Casamento é um ato político, estratégico comercial que se tornou uma instituição tomando-se  por base interesses diversos que quase nunca seriam os das pessoas envolvidas. Ou seja, você viveria para o resto da sua vida com alguém que não pôde escolher, tinha que formar a partir disto uma família honrada, equilibrada, harmoniosa e feliz. Não nos esqueçamos que tudo isso era por tempo ilimitado, até que a morte tivesse pena dos que eram infelizes e acabasse com a brincadeira que de certo não favorecia às mulheres.
Milhares de romances foram escritos, falando da traição feminina, pois desde que o mundo é mundo e mesmo antes da humanidade saber escrever, o que desperta interesse, rende mídia é aquilo que não pode ser. E os homens sempre puderam dar suas escapadas, ter suas amantes, frequentar os seus prostíbulos, abastecidos por meninas sem juízo, iludidas, azaradas ou tudo isso junto não necessariamente nessa ordem.
Em resumo, é uma total hipocrisia falar de casamento e amor, como se fala de violão e música. O histórico do casamento em si,  mostra o longo caminho percorrido pela nossa sociedade para que ele seja hoje dependendo do ponto de vista, a expressão e a necessidade dos que realmente se amam ou um antigo negócio sob nova direção, com outros focos, mas ainda um negócio e ainda pode ser um ato de interesse mútuos, como dizem por aí, algo que pode unir o útil ao agradável. Felizmente, não mais compulsório, embora  o ranço histórico e preconceituoso ronde aqueles que não se casam: são gays ou são loucos !
Um dos poucos sinais que temos de que o  terceiro milênio chegou é a possibilidade de casamento entre iguais, embora ainda no terreno da coragem e jurisprudência, mas o cara que inventou a roda deve ter passado pelo mesmo processo. Algumas iniciativas e descobertas por mais óbvias e necessárias que sejam,  não são aceitas sem luta. Há sempre alguém confortavelmente instalado sobre aquilo que machuca e destrói somente a quem está lá embaixo…
Assim temos:
  • Pessoas que casam porque se amam tanto que não conseguem ficar sem a outra, inclua-se nesse caso as situações de paixões avassaladoras e caprichos intempestivos;
  • Pessoas que se casam porque é uma forma de dar o fora da casa dos pais. Neste caso como os pais capazes de incomodar a convivência dos filhos no lar por motivos de educação disciplinadora e ética moral estão  em extinção, esses casos são mais remotos mas não de todo inexistentes
  • Pessoas que se casam porque dividir despesas é  mais barato do que os custos incidentes no namoro, ainda que se dividam igualmente as despesas entre o casal, isso reduz muito as oportunidades de encontros com finalização completa, digamos assim quando não se e rico mas não tão pobre que se aceite o desconforto e o risco de uma trepada em local público
  • Pessoas que se casam para limpar a barra mesmo e mostrar ao mundo a sua heterossexualidade quando não a possuem numa escala tão ampla e relevante quanto ele próprio gostaria.
  • Pessoas que se casam porque não conseguem viver sós.

Havendo outras categorias conto com a colaboração de você leitor que não desistiu no primeiro parágrafo.

27 de jun. de 2010

AQUELES QUE RESOLVIAM OS PROBLEMAS DO MUNDO

Há tempos falo coisas que as pessoas não entendem ou gostariam de não entender.  Há algumas categorias de pessoas: As que são e gostam do que são;
As que são e não gostam do que são;
As que são e tem medo do que são;
As que são e não tem coragem de ser;
E as que nem sabem o que são, quem são, para onde vão.

Perceber a vida, perceber o mundo é algo dolorido e que leva à solidão.  Eu sempre gostei de barzinho ainda que não consumisse álcool e sempre achei que as melhores turmas eram as dos beberrões. Pessoas que entre um gole e outro tramavam tomar o poder, conspiravam contra o Estado, criavam soluções para os problemas do país e da humanidade e zoavam interminavelmente com as suas próprias caras e dos outros também. Esse tipo de bêbado está extinto, devem ter morrido todos de cirrose ou de desgosto vendo a humanidade perder o humor. Pode ser que os sobreviventes tenham se regenerado e quem sabe, agora casados e separados se equilibram na tentativa de pagar a pensão. Pode ser que tenham se convertido a alguma seita que exclui o álcool dos seus dias

Aos bêbados de hoje faltam sensibilidade e preocupação mas não por isso deixou-se de resolver os problemas nos bares é que ao longo do tempo os malucos deixaram de ser beleza, ficaram doidos apenas. Os bêbados atuais não tem cultura ou educação suficientes para dizer que Marx poderia salvar e se acham que “só Cristo salva”, não frequentam bares. Ficam por aí aprendendo dancinhas estranhas, cultivando músculos, reclamando do mundo como se não fizessem parte dele.
O ser humano comum ficou refém das notícias sobre celebridades. Comentam sobre reality show do qual jamais poderão participar, pois que pessoas comuns eles são.

Vivemos uma época árida onde não há comunismo e todos de uma forma ou de outra tornaram-se reacionários, porque parece que só há o consumismo e o único regime amplamente conhecido e divulgado tem como sinônimo a dieta.

Assim sou uma pessoa reclusa que sai de casa todos os dias por força da obrigação no entanto, não me encontro com ninguém. Um ou outro jornalista, algumas pessoas lúcidas me sinalizam que se não tenho razão posso ter concordância, mas a luta é algo tão antigo que desbotou-se e não é mais uma alternativa.

1 de jul. de 2006

SEM TÍTULO 1

 

De certo perdi a paz                                                                                                          Não é certo que ganhei um amor.

Possivelmente esteja fascinada...
Meu demônio me diz:
- Que bom!
O meu anjo me fala:
- Que nada!

Faz tempo meu coração secou
Minha alma buscava, incerta
insegura, triste, penada!
Sempre vivi bem
com o coração seco
Sempre virei-me bem
com a minha alma depenada
Minha mente concorda,
discorda, antenada
Faz acordos,
alia,
negocia,
aninha,
articula
Minha mente
não fica sozinha,
Seu pecado:A gula
gula de ser, de conhecer, de saber
Troca as idéias que o coração nega
Troca palavras que a alma descarta
Acredita no deus que peca
contra o coração
Acredita no deus que a alma perdeu
Por crer num louco e desvairado deus
Levou alma e coração pro abismo
dos braços seus...

Deusa Urbana

4 de mar. de 2006

POEMA DO ORKUT

 

Mensagem de corrente,

Gosto não gosto, depende.
Aquela foi legal...
Cuidar bem do nosso amor...
Seja quem for
Tem que ter amor pra cuidar
Tem que gostar pra cuidar
Tem que gostar de cuidar
Mas tem que amar!
E tem que saber que ama no momento que se ama...
Se não, não há cuidado.

Curitiba é fria?
Rio de Janeiro é quente?
Em curitiba é frio?
No Rio de Janeiro faz calor?
Curitiba é arrumadinha,
Rio de Janeiro é largadão?
Sei não...
Sei que a gente vive
calor,
frio
arrepio
Ondas de felicidades
Brisas de tristezas
Cidades são apenas cidades
Mas pessoas precisam ser gente.
Arrumada, despojada,
elegante,destoante,
combinada, volátil, permanente
Vamos dando um jeitinho
de ser permanentemente,
GENTE!

04/03/2006

5 de jun. de 1994

SEM TÍTULO 2/94

 Dentro do que posso farei 

todo o impossível.

Dou o meu sangue,
Mas quero meu coração
Dou minha vida,
Mas quero a minha alma
Dou meus nervos,
Mas quero minhas idéias
Não quero mais ser irrestrita,
Pago o preço,
Mas levo a mercadoria



05/06/1994