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12 de ago. de 2021

A PRESSA

 

Como se não bastasse, enquanto civilização, não termos uma postura decente em relação à morte; Sermos hipócritas ao ponto de tentarmos viver por aqui como se fôssemos merecedores do paraíso e juízes do merecimento ou não do outro a ter de uma vida digna.

Não satisfeitos em não avaliar que a cerimonia de cremação é de uma frieza e cafonice que tira a oportunidade de exaltar o único patrimônio que levamos, única riqueza que deixamos no mundo: o jeito como seremos lembrados, as histórias que nos substituirão na vida.
O ritual que precede a cremação deixa muito a desejar se comparado aos velórios suburbanos e gurufins dos sambistas.
Cada vez mais parece que o mundo tem pressa de se livrar de nós de modo que não reste muitas lembranças e isso é uma afronta tão grande à nossa ancestralidade no que diz respeito à oralidade que deve ser mantida e transmitida.
Deve ser muito ruim não ter um túmulo onde se possa fazer as pazes com quem partiu apressadamente ou que só se fez notar o quanto amado era ao se ir assim sem agenda para o acerto afetivo de contas... Algumas vezes fui ao túmulo da Odetinha pedir graças e saí com milagres e agora nem podemos chegar no céu com essa reivindicação.
Toda vez que morre alguém querido fico pensando na morte e nos paliativos que me tornem menos triste e dolorida. Ter uma referência do que sobrou da vida é muito apaziguador quando não temos certeza de outros níveis de existências. E a sociedade me soa como uma coisa ruim impondo costumes que não são para o nosso bem mas para o progresso dela.

De modo que quero deixar dito que se me cremarem, vão ter os pés puxados e corações acelerados de susto todos os dias, pois eu virei a cada noite, assombrar quem mandou me cremar, quem cremou e quem não impediu.
Quero velório com muita música do samba à Madonna e Michael Jackson, bastante samba mesmo, muito rock BR, sem sofrência e nenhum arrocha que isso tenho tido mais do que mereço em vida. Muita birita e fartura nos belisquetes. Quero todo mundo contando histórias minhas sejam boas ou más, de preferência divertidas e, eu sei que essas são poucas.
Quero bandeiras sobre o meu caixão porque acho lindo quem sabe recolhê-las já dobrando (Império, Portela Botafogo) E aí sim, deixarei todo mundo em paz, porque, sem herdeiros, vou ficar matutando, concentrando energia num jeito de fazer florescer um pé de pimenta no meu último cafofo. É que roseira é coisa de santa, né? Cada um conforme sua vida e merecimento.
- - - - -
Na foto: Abelardo e Heloisa. Que continuariam separados se tivessem sido cremados

5 de mai. de 2021

O Menino Filho Que Era Mãe e Foi Pai também

 

“Quando uma mãe perde um filho, todas as mães perdem também”,
dizia Dona Hermínia, mãe do Paulo Gustavo que era filha dele também. Num único homem perdemos toda uma família. Perdemos o filho que descobrimos que somos, a mãe que todo mundo deveria ser e que de certa forma, somos.

Esse menino que era um homem e também mãe de si, dos seus filhos e pai porque precisa ser muito homem pra ser pai; pra fazer filho só precisa ser macho e isso só os escrotos são, aqueles que confundem orientação sexual com caráter, religião com deus.

E eu que sempre detestei comédias aprendi a gostar de "Minha Mãe é Uma Peça" tão diferente da mãe que eu tive mas tão igual em todas as coisas que ela dizia

Que no céu do deus branco e vingativo haja um espaço, que você o perdoe e que Dona Hermínia seja voz guia de suas crianças como foi minha.


29 de abr. de 2021

SOBREVIVENTES

 


As redes sociais começam a me mostrar lembranças de um tempo que nem acabei de viver ainda. Fotos do início da pandemia. Parece que foi no milênio passado. Parece que a vida que eu tinha antes, de tapa nas costas, beijo na boca, abraço suado, afogamento num mar de gente nas quadras de samba, em volta das rodas nos terreiros, espremida nos espaços indecentes da Lapa nunca existiu.

Quando eu lembro desses momentos parece que foi sonho, imaginação, alguma coisa há tanto tempo que pode não ser verdade. Duvido de mim. Só quem viveu o que eu vivi, poderia se tornar a pessoa que eu sou. Sempre dá pra melhorar. Ninguém melhora sem entregar.

No início dessa vida isolada questionei todos os meus valores e pesquisei todas as minhas capacidades, como quem vai pra fila de emprego, munida do recorte de jornal, da carteira de trabalho, carregando o que sabe fazer vindo de uma experiência não comprovada e que o empregador não quer saber.
Os empregadores brasileiros têm alma de bicheiro: Só vale o que está escrito...

A carteira de trabalho de uma produtora cultural, é a memória do público que assistiu suas produções. É o rastro de construção dos espaços por onde passou. É o carinho dos artistas que conseguem continuar com carinho depois de trabalhar junto, uma atividade mais íntima do que casamento, de maneira que, o falar mal de alguém diz muito mais sobre quem fala mas o falar bem, já é outras coisas. Produção é preenchida por valores ancestrais, quanto mais horizontais, mais próxima da perfeição.

Foi numa outra vida que eu trocava com Dona Ivone Lara, vivia no cafofo da Tia Surica, fotografava com Marquinhos de Oswaldo Cruz, entrevistava Marquinho Sathan, Papeava com Neide Sant'anna, me encantava com Aluisio Machado, bebia na fonte Monarco, paralisava diante de Cristina Buarque - por mais que ela tenha achado a cabine para se transformar em Maria Christina Ferreira e o escaninho para tentar arquivar seu traje encantado-encantador. Não querida, mestres não se aposentam, e você é mestra. Aceita pra não doer nada.

Foi nessa outra vida que eu enchia a cara na porta do Portelão, sem ter um puto de um tostão e ria como se fosse milionária porque bêbada ri à toa, abraça por nada e beija todo mundo. E eu sou uma bêbada fácil, de baixo investimento, baixo custo, baixa renda mas de muita inspiração etílica. Qualquer 6 latinhas jogam minha pose pra baixo da mesa e empurram a minha criatividade pro patamar do céu é o limite.

Eu vivi um mundo de ícones de carne e osso, construtores de uma cultura que tentam jogar no bueiro. Parece sonho, às vezes pesadelo.

Entendo as pessoas que não conseguiram passar pelo processo de isolamento. Parece que a gente vai envelhecer sem nunca mais fazer coisa alguma. Sensação de cadeia.

Acho que as fotos de hoje são mais velhas que as do ano passado. Parece que todo mundo engordou. Até os jovens estão mais velhos. Somos testemunhas de um crime que não assistimos mas por tabela praticamos, agora temos que esconder o corpo, o nosso. Vítimas e réus concomitantemente (eu sempre soube que um dia poderia usar essa palavra ridícula mas sensacional num texto!).  Se quisermos em algum momento, continuar respirando em plenitude. Vivos. Velhos. 
Vivos. Gordos. Vivos. 
Sobreviventes. Vivos

17 de abr. de 2021

Incompatibilidade

 


Acabei de arrancar um feixe de trevo do vaso do saião.                                          Ele estava minguando muito com essa companhia que nem trevo de 4 folhas era. Como nós, as plantas têm suas incompatibilidades. Aquele bicão folgado que toma nosso espaço e suga nossa energia sem retorno ou alegria. Sejamos jardineiras de nós!

☘️


#horta #saião #minhahorta #plantasmedicinais #canteiro #rozzibrasil

16 de mai. de 2020

A FICHA CAIU | PÓS PANDEMIA NOS SHOWS


O mundo nunca será o mesmo, talvez nem parecido. O mundo não vai mudar para melhor. Um mundo melhor pressupõem pessoas melhores e mudança para melhor inclui... Mudanças!

Ainda nos comportamos como pessoas diante da expectativa de um retorno à normalidade o que significa que aguardamos o momento de voltarmos a ser iguaizinhos ao que éramos antes.

As empresas patrocinadoras comportam-se com o mesmo padrão bozolístico de retomar as atividades para seguirem com as explorações, apropriações. Seguem o padrão da audiência - cliques importantes para as marcas. Investem num arremedo de responsabilidade social, sem transparência. O melhor marketing não deveria ser a entrega da arrecadação para o público selecionado? Não consegui ver ainda nada disso, mas como ando meio afastada da internet, posso não ter visto por culpa do meu isolamento.

Se no início da quarentena, que já é uma sessententena, as pessoas brincavam dizendo que passariam dias nas ruas sem voltar para casa, agora a ficha cai que talvez nunca mais possamos nos aglomerar como antes, nos abraçar, beijar e agarrar como sempre podíamos. Como canta o Lulu, "ainda vai levar um tempo", muito tempo.

Por isso, já não sabemos quando "Amor de Mãe" poderá ser gravada e exibida de novo, eu não sei quando poderei retomar as filmagens do meu curta A/Corda e ninguém sabe do que poderá voltar a fazer, se poderá concluir seus projetos.

Mas tudo continua numa tentativa de manter igual, na virtualidade, a antiga realidade, numa aposta que isso vai passar logo.

Não, não vai.

No máximo poderá ser reduzido o risco de contaminação e morte. Não mudou a realidade que os "bucha" são os descapitalizados.

Quem são as pessoas que podem se manter em isolamento físico? - porque socialmente ninguém está isolado, muito pelo contrário.

As pessoas estão aprendendo a se mostrar na internet, cantando à capela, cozinhando receitas, fazendo edições dos seus vídeos. Todos estão se adaptando à nova realidade e isso ninguém vai esquecer ou deixar de fazer por mais que o mundo volte a ser o que era, o que já é o suficiente para percebermos que jamais seremos os mesmos outra vez.

Então que continua-se a manter a postura de elevar o já elevado, oferecendo o bônus da preguiça de adaptação que os incensados midiáticos, só eles, podem ter.

- Como assim Rozzi Brasil?
 Respondo:

As lives que começaram espontâneas e no improviso da reclusão obrigatória e necessária, virou show pocket, a visibilidade voltada para quem já tem (muita) visibilidade.

Não seria o momento de os patrocinadores darem oportunidade para os talentos? Remunerando-os por seus serviços? Sem encher casa de artistas com produção expondo a todos?

Quem sabe faz ao vivo e quem faz no improviso faz muito mais.

Continuamos vivendo em bolhas excludentes pelo princípio de quem tem, continua tendo e quem não tem, fica com a oportunidade negada e nunca vai ter. Não importa o talento, a capacidade, a genialidade ou originalidade.

Eu era criancinha ainda, mas lembro dos (grandes) festivais que trouxeram à luz dezenas de grandes artistas que atravessaram o tempo, trouxeram mensagens muito importantes e obras magníficas e quando findaram com os festivais, como um talento era descoberto? Como ele era trazido pras grandes cenas públicas?

Nenhuma empresa interessada em um grande festival de música que revelasse, um pouco que seja, dos milhares de talentos não aproveitados pelas raras oportunidades? Agora que tudo se tornou por força da circunstância minimalista, transmitido por celular, exigindo investimento mínimo. Nem assim o capital valoriza arte cultura artista. São todos Regina Duarte!

Ainda vamos continuar vivendo com o cenário artístico pontual, receptivo aos que já fizeram seus nomes? (e que talvez nem estejam em dificuldade financeira tanto assim)

Vamos continuar com a mídia que lança o artista, quase sempre desfigurando sua arte e que após o investimento recuperado, quase sempre por um período curto, caixa encerrado, dinheiro ganho e eles sumindo na mesma velocidade em que apareceram?

Vamos continuar deixando no ostracismo o povo da nossa cultura, do nosso samba?

Invisibilizando mulheres? Porque não são lindas ou jovens ou magras ou qualquer coisa que acham que é o que o povo gosta de ver?

Negando a validade da nossa Cultura com argumentos idiotas de que "é disso que o povo gosta"?

Não senhores! O povo não gosta de lixo. Veneram lixo porque vocês o impõem goela abaixo. Clementina de Jesus não tinha o padrão de beleza que vocês exigem para tornar uma mulher famosa e ela fez história. Grandes sambistas, gravaram tarde e foram abraçados por um grande público e vocês continuam cegos de ver o que o povo gosta.

Parem! Apenas parem! Refaçam-se. Reinventem-se porque a nossa parte, estamos fazendo, aliás, nunca deixamos de fazer.

Na foto: Imagem de uma ostraca, objeto em que se escreviam os nomes dos condenados ao ostracismo. Essa é a ostraca em que foi escrito o nome de Themistocles, estadista e general grego

14 de mai. de 2020

MUDAR O MUNDO NÃO É UM IDEAL, É UM SENTIMENTO

De certa maneira é o desejo de mudar o mundo que vem me alimentando e me mantendo iluminada. Isso me faz compreensiva e muito paciente e principalmente me faz ouvinte.
Todas as pessoas poderiam, pelo menos por um dia na vida, desejar mudar o mundo. Não como uma fada e sua vara de condão, mas como um recém-liberto despojado dos grilhões, castigos e dignidade.

Não seria seu primeiro pensamento, roupas de marca ou smart TV com de muitas polegadas. Não correria imediatamente fazer uma selfie segurando seu mcburger. O que será que fizeram os escravizados logo que foram libertados?
Para se desejar mudar o mundo pelo menos uma vez, precisamos de algum tempo de cativeiro, humilhações até que a dignidade se encontre perdida? Talvez sim.
Mudar o mundo não é um sonho, é uma ideia. Não é um ideal, é um sentimento. Não é impossível, só seria se não se tentasse. Começa com a nossa própria mudança no entendimento do que precisa ser mudado. Começa com questionamento, passa pela revolta, se estabelece com as tentativas e insistências.
Quando eu fundo uma ong pelos direitos das crianças soropositivo, eu mundo o mundo. Quando eu busco o direito das mulheres violentadas, eu mudo o mundo. Quando eu me exponho fazendo vaquinhas pra comprar cesta básica e material escolar pras crianças da favela, eu estou mudando o mundo. Quem me ajuda a fazer isso tudo, também.
Parece que é nada, a solidariedade não resolverá o problema mundial. Não, mas é começo da consciência que se deve cobrar políticas públicas para aqueles que efetivamente fazem o país crescer ainda que se afundem cada vez mais sob as botas de um Estado opressor.
Ninguém obriga o coxo a andar, o cego a descrever o que está vendo, o sem-mão jogar a bolinha. Por que então cobramos do iletrado, criado alienado, a postura ideal o posicionamento correto? E penso que em sua maioria fazem tudo muito bem obrigada, levando em conta o peso que carregam nas costas, os riscos que assombram seus dias.
São traídos a cada quadriênio pelos políticos, são esculachados pelos salários que ganham,são vistos como bandidos pelo lugares onde moram, são tratados como inferiores pela cor de pele que possuem, são desvalorizados como seres humanos pelo gênero ao qual pertencem, estão no patamar da escravidão.

29 de mai. de 2018

EVOLUIR NÃO É EMBRUTECER

Não sou saudosista, não tenho tanto apego ao passado, eu só queria que as nossas vidas e também o bom e velho samba não perdessem o lirismo. Lirismo que é muito mais que palavras de amor que se vive ou que de nós se despede gerando lindas palavras de sentimentos musicais. Aquele lirismo que era também gentileza, cordialidade na forma de viver, mesmo daquelas pessoas que viviam em condições "ideais" para serem brutas e ainda assim falavam de forma divina - lírica - dos sentimentos que lhes iam na alma. Gente sem faculdade, com empregos pesados, mãos calejadas eram líricas e por isso lúdicas.
Sinceramente, passo alguns minutos, às vezes horas, pensando como fomos capazes de criar umas gerações tão concretas (pesadas) como indiscretas, duras, sem lirismo algum. Trocam gentilezas entre seus pares, gritam por igualdade mas ao mesmo tempo, só fazem ressaltar as diferenças que têm com os demais. Um excesso de superioridade mesmo quando afirmam fragilidade
Eu sei que no mundo sempre teve gente tosca, rude, soberba eu sei que todo mundo tem um pouco disso, mas acho que passamos muito além da conta do permitido e até do suportável.
Quando eu me apaixonei pela Portela foi por causa do lirismo daquelas canções da Velha Guarda com temáticas tão bem desenvolvidas, de forma tão sucinta objetiva, direta, simples e leve como um dente-de-leão que se desfaz no ar sem desaparecer; Que simplesmente se divide em muitas partes e segue a flutuar virando outra coisa. Tal qual as melodias daquela que amei à primeira audição, a mestra maior do meu coração, Dona Ivone Lara

Quem conheceu isso, vai ter sempre alguma resistência às novas melodias, sonoridades e poemas sem poesia que por mais que sejam diferentes são sempre a mesma coisa.
Eu sei que as coisas evoluem mas onde está o capítulo da vida que diz que evoluir é embrutecer?

28 de abr. de 2018

NATAL

Fico lendo as coisas, ouvindo as pessoas e penso umas coisas meio doidas.
Natal não era professor mas fez do Jeronymo Patrocinio o primeiro bailarino do carnaval. Não era maestro mas fez da Tia Surica a primeira intérprete de samba de enredo campeã na avenida. Acho que não era compositor, tenho certeza que não era musa inspiradora mas proporcionou que Paulinho da Viola compusesse uma das suas pérolas mais lindas. 

21 de abr. de 2018

QUANDO SE ESTÁ POR CIMA


SE A GENTE ESTÁ ACIMA DAS NUVENS, NÃO CONSEGUE VER O MUNDO. Ainda assim, é uma bela visão, esse tapete de leveza. Mas como é que Deus ve a gente? 
😲😒

9 de abr. de 2018

CONCURSO PÚBLICO PARA SER POLÍTICO


1) Existe uma lei de obrigatoriedade do cinto de segurança, mas as vans estarão liberadas para transportar passageiros em pé.
2) As vans substituirão as linhas extintas o que significa que a população vai continuar sem ter condução, pois sem fiscalização os motoristas só andam com carro cheio, no horário que eles querem trabalhar, param a cada meio metro, atravancam os pontos de ônibus e se não tem passageiro, trocam o itinerário na maior cara de pau.
Já tô achando que político tinha que fazer concurso como os funcionários públicos, evitaria esses tontos que não sabem nada, não conhecem nada e só fazem coisas que não adiantam nada! E ainda tem o Crivella com essa cara de morto-vivo, fantasma sem ópera..
Não merecemos!
3) Cadê as merdas dos ônibus? Foram pra sucata?

TODO MUNDO TEM DIREITO ÀS VITÓRIAS, À FELICIDADE E AO PÃO QUE SÓ MATA A FOME

O cara posta a vitória do Fogão, aí outro aparece desqualificando o campeonato, o time e a torcida. O campeonato só é válido pro time dele. Uma dificuldade de saber perder. Uma incapacidade de ver comemoração alheia. "Igualzin" na política...
Aí me dá um orgulho de ser o que sou, de crer no que creio, de vir da onde venho. Esse comportamento que não sei como classificar - nem tento, só desaprovo para minha conduta e que não me venham muito pra perto com ele - dá um efeito contrário em mim. Sentia-me, como muitos contemporâneos meus, traída pelo PT, tinha deixado de votar (já contei aqui essa história), estava de mal com o Lula. Ardia num arrependimento umbralino por nunca ter sido brizolista, já que pelas minhas condições e história de vida, pertencer à direita - mesmo direita, é pra mim tão impossível quanto torcer para outro time. De modo que, tudo como está acontecendo, torto, para um lado só, claramente sombreando a democracia que eu ja achava que era franzina e meio fingida, me faz fazer as pazes com Lula, sim.
Então, eu que não sou evangélica, apenas procuro viver de acordo com o Evangelho porque sou muito fã de Cristo, tenho o costume, hábito ou mania de abrir esse livro (já muito roto porque vem de outras gerações) aleatoriamente para tentar ao longo do dia praticar o ensinamento que "cair".
Hoje foi aquela passagem que Cristo triste com a condenação e morte de João Batista (que ele dizia, era maior profeta que ele) foi "dar um tempo" num local deserto.
Só que aí, a multidão foi atras dele e ele curou quem estava doente ali. Então, os amigos falaram que era pra ele mandar o povo vazar porque estava tarde, o local era deserto e não tinha comida pra galera, só 5 pães e uns peixinhos merreca.
Jesus falou tipo:
- traz aí essa mixaria.

E multiplicou de um jeito que umas 5000 pessoas comeram de boa.

Não satisfeito, Cristo mandou os amigos entrarem no barco e dar uma volta, só que ele não foi (lembram que ele se retirou pra um lugar ermo a fim de ficar sossegado? Pois é) . Despediu a multidão já de pança cheia e finalmente ficou sozinho pra rezar, meditar, agradecer, enfim, entrar num chat com Deus, o pai dele.
Tempão depois, o barco com os amigos estava lá no meio da água e ele vai, a pé, encontrar com a turma. Todo mundo amigo mas quando viram o Cara andando sobre as águas, se borraram todos achando que era fantasma😲😂😂
- Calmaí, gente! Sou eu!
Aí, Pedro metidinho que só, já quis também surfar sem prancha... Affff
- Vem, Pedro!
Pedro foi. Quando sacou a parada, sentiu que estava mó ventania e ele em cima da água, amarelou e começou a afundar 😩 Jesus deu a mão a ele e claro, um esporro:
- Homem de pouca fé, duvidou por que?
Ah, gente, como eu queria ver a cara do Pedro nessa hora! 😆😅
É muito ensinamento em 10 versículos e sempre que leio surge uma coisa nova.
... Confiar na vida, correr atrás (povo que seguiu ele pelos cafundós);
... Ter fé e ser paciente (Ele precisando de sossego por causa da morte do JB e ainda mais do jeito que foi) atendendo aquela multidão necessitada e, olhe bem que não era só pobre que procurava Cristo porque desde aqueles tempos "a gente não quer só comida" e as outras tantas necessidades, como saúde por exemplo, nos igualam ou inferiorizam por mais grana que agente pode ter, felizmente tem muita coisa que o dinheiro não pode comprar;
... A generosidade de multiplicar e repartir o pão (porque os" apóstolos iam "segurar" o que tinham e ainda Cristo que deveria mandar o povo ir embora);
... Compartilhar o prazer, a diversão (andar sobre as águas deve ser bom pra caramba e ele compartilhou essa onda com Pedro e nem precisaria se não fosse pra ensinar algo);
Tudo isso ⬆️⬆️⬆️⬆️⬆️ eu já tinha percebido em outras leituras porque essa passagem sempre "cai" pra mim. Hoje meditei que:
Cristo andou sobre as águas e isso pode ser uma dica pra gente entender que tem que andar sobre a água pura ou sobre a lama e sem dúvida dessa capacidade de flutuar sob pena de afundar nela;
A gente tem que passar pelas perdas doloridas e graves sem perder a paciência com os egoístas, insanos e toscos porque talvez eles não saibam ser diferentes disso ou quem sabe, o nosso momento difícil pode ser o único em que ele vai ter oportunidade pra se livrar de algo que o aflija. Sim eu sei, a gente não faz milagre, mas tem que ter paciência, viu? E fé, muita fé.
Então, sejamos generosos e pacientes e não percamos a fé, se entendemos que devemos repartir o pão e a Vida, o Saber e a Alegria, estamos muito mais próximos do Bem do que imaginamos
É isso.
#botafogocampeão
#Lulalivre

8 de abr. de 2018

AQUELES QUE DESEQUILIBRAM O UNIVERSO


Sexta-feira, 06 de abril de 2018, eu vinha de Madureira a bordo de um 99POP, tendo 4 latões mais meia garrafa de 600ml de cerveja correndo pela corrente sanguínea.

Pedi para o motorista dar uma paradinha no posto de gasolina, aquele ali perto da Leroy Merlin porque eu sentia que ia precisar de uma barra de chocolate.

Entro na loja de conveniência, dirijo-me ao caixa no balcão onde já tinha uma pessoa à minha frente.

Tenho a atenção despertada por um grito ao estilo bêbado conversando com o mundo sem megafone vindo da outra extremidade do ambiente:

- Por mim, tudo que é sapatão, tinha que morrer! Viado também! MORRER QUEIMADO! Me dá o fogo que eu queimo esses FDP!!!
Como eu, todos olharam.
Como eu, imediatamente após o final da frase, todos "desolhamos".
Todos que olharam no mesmo momento que eu, voltaram os olhares para o que estavam fazendo antes.

Uma concretização do desprezo absoluto.
Imediatamente pensei que se ele em vez de gritar na asséptica lojinha, postasse no Facebook, receberia curtidas, comentários e quem sabe, com um tanto de sorte, encontraria até quem brigasse com ele com posts tão agressivos quanto a sua fala. Mas era apenas mais um ignorante, sem condições de usar um smart phone.
Peguei, paguei, esqueci.
Lembrei  desse ocorrido agora, domingo, dia 08, dia que Lula foi para a república de Curitiba. Quando li uma postagem que dizia:

-  "um acidente aéreo seria a glória".

Deletei, bloqueei, esqueci. Taí um boçal em condições de usar smart phone.
Não quero que pensem como eu, mas certos pensamentos (como o desejo de morte e pra piorar, sofrida e dolorida para alguém ou ainda que fosse um animal) faço questão de ignorar que possam existir, são miasmas que desequilibram o Universo.



2 de abr. de 2018

ME DEIXE CHORAR EM PAZ


As pessoas compram discursos conforme suas tendências. Há anos o extermínio da população jovem-negra-pobre-das-e-nas-comunidades vem sendo denunciado e quem apoia ou se comove?
Agora se a denúncia ou reclamação envolver gente preta é "mimimi", como a luta dos LGBTs para terem os mesmos direitos (porque pagavam e pagam impostos) foi chamada de "ditadura gay" por uma rede de imbecis que lucram muito espalhando boatos e inventando teorias que distorcem a realidade com um único objetivo: Manter a Casa Grande e Senzala.
Se você, após 15 dias da morte de Marielle e tantos debates, não foi capaz de perceber as diferenças entre crime violento e atentado político e quer que eu me comova mais pela morte do policial ou da moça-loira-heterossexual-mãe-de-família, isso me faz pensar que você está incomodado com o "sucesso póstumo" de uma negra.
No fundo você acha que ela não é merecedora das homenagens e comoção porque você não está ou não se acha incluído nos grupos que Marielle lutava para defender da morte, do desrespeito, da indigência, essa mesma indigência que você quer impor à ela (sua memória e seu legado) ao trocar a foto de Marielle por outra qualquer mais ao seu gosto, ignorando as milhares de vidas perdidas anteriormente, principalmente as negras por serem em maior número.
Me faz um favor, me convide pra suas campanhas e me deixa chorar em paz.

31 de mar. de 2018

JESUS NÃO ESTAVA NAS LOJAS AMERICANAS

Sexta-feira santa caminhando pela Estrada do Portela, reparei a Lojas Americanas aberta e já passavam das 18 horas. Acreditam que fiquei chateada?

Lembrei de um professor de OSPB que tive na sexta série. Moreno, alto forte, barbudo, de cabelos cacheados, lindo, lindo, encantador feito um cigano, Professor Pedro. Foi dele que ouvi pela primeira vez os conceitos de capitalismo e direita mas foi só uma lembrança rápida e vaga. Depois pensei que é assim que se soterra uma tradição, que se "descredibiliza" 😲    | uma fé.


Vi aos montes nas minhas redes sociais, pessoas mencionando memórias de uma Sexta-Feira Santa que era muito mais que um mero feriado. Nos relatos havia vivência em família, costumes respeitosos às coisas que de verdade ninguém sabia direito, como as consequências de se falar um palavrão, fazer bagunça, brigar com o irmão, mas como quase toda sexta da Paixão chovia, a gente não insistia...

A gente ia à missa pra pegar o raminho do Domingo de Ramos, minha avó colocava na porta e quando tinha tempestade ela queimava um tantinho das folhas. Meus irmãos passavam a madrugada de sexta pra sábado montando judas com roupas velhas do pai e escrevendo os nomes dos cornos, dos fofoqueiros, dos políticos; até lembro que o Negrão de Lima sempre entrava no pasquim do judas. Nessas sextas, o café era preto, sem leite e o pão só com um pouquinho de manteiga. O som não podia ser alto, minha mãe colocava chorinho, um LP do Waldyr Azevedo que era a música erudita lá de casa. Até meio dia tentávamos ser calmos, discretos, silenciosos, contemplativos. Eu gostava da parte de não precisar varrer a casa e o quintal pela manhã. Minha avó contava histórias de crianças que responderam mal aos mais velhos e o chão se abriu engolindo elas e suas falta de modos. A ansiedade pelos ovos de Páscoa, a gente disfarçava na sexta-feira santa e esquecia no sábado de aleluia mediante a euforia da malhação de judas e a expectativa da reação das pessoas que tinham os nomes citados no boneco. 

Uma vez, minha mãe que teve uma infância difícil contou-me que já trabalhava aos nove anos de idade e na casa dos patrões, "esqueceram" dos ovinhos de páscoa para ela, vendo como ela ficou triste ao ver os filhos dos patrões recebendo seus ovos, alguém lá da casa (grande) cozinhou uns ovos de galinha, tingiu-os com anilina, escondeu no quintal e mandou que ela procurasse. Ela sempre falava da alegria de ganhar esses ovos coloridos, eu ouvia como mais uma das histórias, mas hoje choro quando a lembrança me traz sua voz e seu rosto contando essa barbaridade.


O Cristo que andou com "galera", mudou água em vinho, perdoou as prostitutas e delas foi amigo, expulsou os vendilhões do templo, deixou um único mandamento de amor, não estava na Lojas Americanas de Madureira, ontem sexta-feira, dia 30 de março de 2018 e dificilmente estará nas nossas vidas dessa forma amiga e de paz. Não haverá alguém sensível o suficiente para consolar uma criança com ovos de galinha tintos de anilina.

O patrão e provavelmente na história de minha mãe, a patroa - como no filme "Que horas ela volta" transmigrou pro atacado e varejo e anuncia com orgulho que no feriado destinado à reflexão e quem sabe oração, funcionará em horário normal, afastando tantas pessoas da família, da possibilidade de reflexão, oração....

O judas que não se malha mais, se alojou numa sombra de alma arrependido com o que fez de nós e os patrões nos põem a trair a nós mesmos em troca de umas moedas prateadas e poucas notas azuis, que mal confortam o estômago muito menos o coração.

É, Professor Pedro esse capitalismo vai acabar com a nossa humanidade, sim.

F E L I Z   P Á S C O A, queridos amigos!

QUANDO CAMINHAMOS POR MONTANHAS














Fiz silêncio, muito silêncio. 
Jejuei, pensei. Fui à missa.
"Essa é sua casa Senhor,
Nela viveremos com alegria".

Tomei banho de ervas.
Manjericão, louro, alecrim, macaçá
Fazem a tristeza passar
Tudo verde bem quinado
um banho bem gelado.

Conversei com Vovó Cambinda, 
queria saber onde ela estava no tempo que Cristo vivia, ainda
Defumei a casa depois de meio-dia, porque aí, podia.

Rezei um terço inteiro.
Fazia silêncio dentro de mim.
Ouvi Kitaro todo tempo, 
ele me deixa assim.

Lembrei da infância e descobri que não foi feliz, mas nela havia pessoas boas, então não foi de todo ruim.
As pessoas boas nem sempre têm tempo para bondades.
Olhei para trás e só vi montanhas. 
Em algum lugar, lá muito longe, 
distante com certeza, 
tinha uma janela.
Passei foi por ela,
Eu, e a minha coroa de princesa
A menina que corria pela casa, andava aos saltos rindo de nada e para tudo e se achava feroz, jamais teve uma porta por onde passar ou se teve as ignorou, porque ouvia música. Trazia sempre o dedão do pé, sem a pele, esfolado de topadas.
Tinha sempre um bicho pra conversar e nenhum adulto pra ouvi-la. Era um tempo que os adultos comandavam, ordenavam, ditavam o que nem sempre era fácil entender ou fazer.
O quadro de São Jorge, de gesso, esculpido em alto relevo, lá alto, muito alto, quase chegando ao teto da sala,
de frente pra porta, como deve ser, com a lampadinha vermelha eternamente acesa jogando no fio de contas brancas e verdes sua cor de sangue... 

Pedra de raio, pedra de rio, pedra de mar.
São João e seu carneirinho olhando pra baixo a me vigiar.

O cheiro de defumador atravessou minha mente,
defumou minha infância inteira, esclareceu meu coração, me elevou. Assim, percorri todas as montanhas que eu nunca percebi que eram os meus caminhos.
Não se sobe uma montanha sem descer de outra. 

Altos e baixos como a água que um dia 
mora na poça, no rio, no mar;
No outro, é nuvem pra anjo brincar;
Mais tarde é louca, é vida é chuva 
e em cima de nós vai se jogar. 

Tudo o que fazemos, recebemos.

Mirra, alecrim, assafete, arruda, patuá
Quando Cristo andava pelo mundo
Vovó já estava por lá.

Foi um dia intenso, não tenho mais sono
No entanto tenho muito, muito, muito sonho.
A menina ainda tem um andar estranho
Sorri pra tudo e todos de qualquer maneira
Mas traz no pé a cabeça do seu dedão inteira.

E quando Cristo morreu, por onde andava, Vovó?
Ela era jovem não tinha toco, 
não tinha tronco, me olhava, não me deixava só.


18 de jun. de 2017


Prazeres engarrafados, 
alegrias tabeladas,
Sorrisos precificados...
Esperanças congeladas
E o que se diz?
Sem isso ninguém é feliz.

17 de jun. de 2017

Desprezo à Liberdade

No fundo, no fundo, todos desprezam tanto a liberdade quanto aqueles que mais próximo dela chegam.
O ser humano gosta de ser prisioneiro, de arrastar suas correntes e conduzir seus múltiplos chifres.

15 de jun. de 2017

RECIPROCIDADE

A certeza de ser agregadora, parceira, alguém que dividindo multiplica e se empenha em plantar coisas boas. Procuro não dar atenção se todo mundo age diferente. Minha mãe me dizia: "Você não é todo mundo". Não,não sou e jamais serei. 
A arte de sorrir cada vez que alguém me diz não, me puxa o tapete ou só se lembra de mim quando converte minha presença em valor de uma entrada, é algo que hoje tiro de letra. 
O "Samba Independente dos Bons Costumes" é a materialização desse amor à vida a despeito da reciprocidade

7 de jun. de 2017

O PREÇO DO QUE NÃO SE COMPRA MAS SE ACEITA




A incompetência, acintosamente manda a conta para nós, cidadãos brasileiros, povo do Brasil. Pagamos e muito caro por jamais termos rompido a inércia, por nunca termos promovido a ruptura com o colonialismo, o feudalismo institucional. Pagamos por termos comemorado a Abolição da escravatura, sem termos deixado de ser escravos, libertos sem reconhecimento pelos serviços prestados às riquezas constituídas de roubo, farsa, morte, sangue e hipocrisia.
Pagamos pela ignorância da preguiça ou incapacidade de pensar pela própria cabeça e acatar os desmandos dos políticos que se sentem patrões, agem como reis nababos porque assim o vemos, dessa forma os aceitamos, esse poder conferimos a eles. A insegurança ou o medo de decidir, a incompetência de pensar, lutar ou reagir, nos fez entregar a qualquer um as decisões mais importantes das nossas vidas. Aceitamos como se fosse normal não sermos protagonistas das leis que regem nossa sociedade.
Temos funcionários mal formados, péssimos profissionais, gente que a honestidade só dura o tempo em que falte oportunidade de se praticar o ilícito. Temos bons profissionais, dedicados, idealistas que não nos convencem pela competência porque damos mais valor à marca do tecido, ao corte da roupa e do cabelo, à cor da pele, ao gênero, à elegância externa - "por fora bela viola, por dentro pão bolorento"...
A gente sabe que no comando estão os corruptos e a gente não faz nada a não ser assistir e ainda acreditar no que dizem na TV. Como se não fosse do nosso lombo que saem os pagamentos disso tudo.
A gente já viu que religiosos no poder misturam as coisas todas, facilitam pro clero, pro bispado mas a gente não se importa. 

A gente vê manifestantes e lutas de classes e ainda que seja a nosso favor, a gente não luta, não apóia, nem se abate e ainda critica. Se condói pela vidraça quebrada do banco, aquele mesmo banco que não deixou você abrir uma conta porque seu salário é ridículo, porque você não tem holerit, porque você tem jeito de pobre e é pobre mesmo, porque você é preto, nem é famoso. Aquele mesmo banco que apita e tranca a porta giratória porque você é mal vestido. E te humilha te fazendo ir e voltar e colocar todos os seus parcos pertences, até aquele
celular ainda não pago pro guarda olhar com cara de tédio e nojinho.
As universidades públicas, as únicas que nossos filhos poderiam estudar, estão um lixo e a gente fica achando que não é problema nosso. Que greve é preguiça de professor. A gente não se importa que o dinheiro da manutenção esteja todo nos bolsos, nas malas, nas contas de políticos vagabundos que nunca trabalharam pra valer. Viraram políticos pra não ter justamente que trabalhar.
A gente está tão egoísta que acha que pode ser bom ter no comando do país um homofóbico, racista, religioso de araque que tem irmão mamando nas tetas públicas; e o filhote dele no governo do estado. A gente nem percebe que eles ganham simpatia porque falam mal de pobre, de preto, de gay e desconsideram a mulher como gente.
A gente não faz e ainda fica puto com os que tentam fazer. A gente aplaude a continuidade da ditadura que nunca se foi e ainda expandiu suas formas de tortura e seus torturados. Ela não precisa mais de quartéis e porões.
A gente só perdeu nessa coisa de só ter transição em detrimento da revolução.
Aplaudimos nosso pacifismo porque não somos violentos como os estrangeiros e não vemos que matamos muito mais, aos poucos, na unha, permitindo que o preconceito retire a cidadania, o status de pessoa de alguém que de vítima, passa a ser simplesmente alguém que merecia a tragédia que sofreu.
A gente virou hiena? Tá rindo de quê?
Por quê, Brasil?