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20 de jan. de 2022

 


Tô muito de saco cheio. Calor da carálio, ventilador pifado, máquina de lavar escangalhada, me escondendo do carro da Light e se contar vem logo um perguntar:

-Ué mas a Light não conta com duas contas? 

Não sei se querem saber quantas contas eu devo eu é só olho grande mesmo. O fato, ninguém vai ajudar. Eu quero é saber onde foram parar as pessoas legais dessa cidade, faz tempo que só gente cafona vem ocupar a vizinhança.                                                                 Ando panicada sem conseguir sair de casa, irritada pacacete! 

Todo mundo se mudando pro Orum. Bostonauro não se cala, Moro não se manca. Gás tem mas o fogão só funciona uma boca.

Em crise criativa, não consigo escrever uma linha no meu livro. 

Meu senhorio me manda mensagem crente todos os dias no zap, meus vizinhos escutam sertanojo o dia inteiro e tem os que metem só louvor no som alto e o mês de janeiro pelo jeito só vai acabar e junho.

Tô LOKA!!!

Preciso fazer uma viagem urgente! Sempre viajar me tirou do breu.

Somando o cofrinho, o que não tem no banco, o limite di cartão dá pra ir pra Paquetá, bico seco e não voltar .


A aluna mais brilhante do colégio deu fail

2 de set. de 2021

A PROPOSTA


 Era um dos melhores restaurantes do bairro, a decoração era um tanto rústica, a comida excelente e servida em quantidades generosas, sempre bem cheio quase sempre com fila de espera na porta.

Eu namorava uma pessoa que adorava comer e se sentia feliz em me mostrar "o que era comer bem." Fazia dessas incursões gastronômicas um estandarte, é, ela ostentava mesmo. Quem pagava a conta era eu, se não no ato, depois, quando ela me avisava em desespero que o cheque não tinha fundos ou que só dava pra pagar o mínimo do cartão. Nunca me importei muito com isso, lá em casa comer fora era mais ou menos como viajar para o exterior, não cabia no orçamento, um desperdício, quase um pecado. Então eu pagava com prazer aqueles almoços e jantares mesmo porque foi assim que eu comecei a conhecer as coisas boas da vida e as ruins também. Foi o início da minha vida organizada no mundo. Não havia lugar que eu frequentasse que não saísse de lá com um bom amigo ou amiga de infância.
Tornei-me adepta do ritual de comer fora sem precisar de uma data especial para isso. Tornei-me assídua do tal restaurante que tinha um elenco de garçons do Nordeste que eram extremamente simpáticos, respeitadores e que já faziam valer a pena ir ali. Almoçava qualquer bobagem para jantar lá e como o Rio de Janeiro é um ovo, aconteceu que fui trabalhar num escritório de contabilidade que prestava serviço para esse restaurante e eu via o seu dono quase todos os dias.
Um dia, passei lá pra tomar uma caipirinha. Estava sozinha, queria mais pensar do que beber mas a bebida ajuda nos pensamentos. Era uma tarde bonita de um dia lindo desses que a gente imagina que não existe em outro lugar do mundo e meio que se culpa por não estar em condições de aproveitar. Ainda assim, eu precisava pensar. A vida estava estranha, eu não sabia para onde estava indo, percebia que estava sendo levada. Eu e minha caipivodka que poderia ser de rum, não lembro, de cachaça sei que não era, eu não podia beber cana, o santo proibiu. O dono do restaurante chegou sorrindo e perguntou se podia sentar-se pra conversar um pouco. Educadamente disse pra ele que eu estava de saída. Educadamente ele entendeu.
Eu precisava pensar e não queria conversar com um cara que eu conhecia pouco num momento em que me sentia frágil. Eu estava tentando entender porque do nada algumas pessoas da minha família tão radicalmente contra os meus relacionamentos deram pra estender tapete vermelho para a minha namorada. Esse era um assunto que não dava pra perguntar. Por erro meu, talvez, não rolava esse tipo de conversa lá em casa. Sempre fui uma pessoa de momentos e naquele, especificamente, queria conversar comigo mesma e com o meu copo de birita.
O dono da casa se retirou. Não teve a conversa. Ela aconteceu uns dias depois. Ele passou no escritório e me convidou para ir conversar, disse que tinha uma proposta. Eu que já havia conversado com o patrão sobre aumento de salário sem sucesso, certa que era uma pessoa de sorte, imaginei que seria uma proposta de trabalho. Fui pra ouvir ou, como dizia minha avó, "fui assuntar" estava um tanto apreensiva porque até então evitava analisar o que ele mesmo havia me contado, certa vez, que ia ao nordeste e trazia “umas dúzias de homens” para trabalhar no restaurante. Ensinava o serviço porque eram “xucros” e eles dormiam em algum lugar que eu nunca conheci ali, no restaurante mesmo. A situação em si não me chamou tanto a atenção quando foi exposta, só fiquei desconfortável com os termos que ele descrevia aqueles homens que eram da mesma cidade que ele...
Uns risinhos pra lá, uns cerca Lourenço pra cá, quando eu estava distraída e a proposta aconteceu, resumidamente, mais ou menos assim:
Ele era casado (e eu não lembro agora há quanto tempo), amava a mulher e viviam bem, me dizia, mas tinha anseios de pular a cerca e não podia fazer isso de qualquer maneira. O risco era alto, pela posição financeira dele, "perigava de rolar um barraco com uma periguete qualquer" que prejudicasse seu casamento, mas principalmente pelo grande apreço que ele tinha ao seu bilau que "não foi achado no lixo" e mais alguns blá-blá-blás.
Hoje eu tenho vontade de ver que cara eu fazia ouvindo essas coisas que me soavam como atrocidades. De toda a forma, a cara qualquer uma que eu tenha feito não o intimidou. Seguiu falando:
- Eu sei que você namora a fulana, então queria te propor o seguinte: Monto um apartamento pra você, pra gente se encontrar uma ou duas vezes por semana. Um apê bacana, você pode decorar ao seu gosto. Te dou um carro e uma mesada que a gente pode combinar e você não pode arrumar outro cara, tem que ser só eu na parada. Eu sei que você não é chegada mesmo, mas só pra ficar bem esclarecido e outra coisa: Não vou mexer com a sua menina. Se você quiser viajar eu dou um jeito. Conhece o Nordeste?
😮
- Então, rapaz, se você está dizendo que eu "não sou chegada" como me propõe uma coisa dessas?
- Porque eu sou um cara legal, carinhoso, diferente dos caras que você conheceu.
Eu matutava o que ele poderia saber sobre os caras que eu conheci, se é que tinha conhecido algum. Só consegui dizer:
- É?
- É. Não vou fazer nada que você não queira. Tem muito cara mané que não sabe tratar uma mulher. Acaba que você ficou assim.
Eu tentava imaginar o que ele entendia por saber tratar uma mulher, não me parecia um bom tratamento o que eu via ali, ele oferecer à mulher dele.
- Assim como?
- Ah, Roze... Pô, assim. Gostando de mulher. Embora que eu te entendo muito. Porque mulher é bom mesmo...
(Não vou escrever tudo aqui, vou guardar as piores partes pro meu livro).
Como cantava Cazuza, “eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer”. Não conseguia encontrar palavras pra responder à altura. Eu era uma garota romântica mesmo não assumindo isso, não acreditava em contos de fadas, mas aquilo era um pouco demais pra mim. Era meio bobona, tinha uma vida um tanto difícil porque me relacionava com uma pessoa complicada, como disse antes, a vida não estava nenhuma maravilha, mas eu ainda acreditava que tinha jeito, um jeito meu de arrumar as coisas. Não achei as palavras certas, até hoje, acho que não respondi direito.
- Vem cá, você já experimentou propor isso pra sua mãe?
Levantei, peguei minha bolsa e saí sem olhar para trás.

18 de out. de 2019

FELICIDADE


 Vivo a felicidade de viver sempre onde as mulheres quando não são maioria, comandam! 

17 de ago. de 2019

AMIZADE


 Amizade não é o tempo, é o como. 

É chegar como se nunca tivéssemos ido. 

É ir como quem sempre esteve.

29 de set. de 2018

FOTO MANIFESTAÇÃO (3)

Marquei com um monte de gente que não consegui encontrar e encontrei com quem nem pensei em marcar.

FOTO NA MANIFESTAÇÃO ELE NÃO

Jandira, Jandirão #elenão não! não! #Presente! #Presentão!

SE É CARIOCA É ÍNDIO TAMBÉM


Minha ascedência. Como carioca da gema tem que ter sangue indígena nessas veias e preto no coração e o sangue azul só com transfusão portelense
#Cinelandia #elenão #elenunca
#Haddad #Manu

20 de abr. de 2018

POR DE SOL

Um por-de-sol acima das nuvens 💙💙

1 de abr. de 2018

Série Encontros

Um cara que eu admiro pra caramba: Milton Cunha, exemplo de que a dor não mata nem aleja e às vezes nos faz mais fortes e podemos ter um tanto de pimenta e vinagre sem amargar os dias dos outros.

31 de mar. de 2018

PAPOS DE SAMBA

No Sábado de Aleluia, não malhei ninguém, como sempre. 

15 de jun. de 2017

RECIPROCIDADE

A certeza de ser agregadora, parceira, alguém que dividindo multiplica e se empenha em plantar coisas boas. Procuro não dar atenção se todo mundo age diferente. Minha mãe me dizia: "Você não é todo mundo". Não,não sou e jamais serei. 
A arte de sorrir cada vez que alguém me diz não, me puxa o tapete ou só se lembra de mim quando converte minha presença em valor de uma entrada, é algo que hoje tiro de letra. 
O "Samba Independente dos Bons Costumes" é a materialização desse amor à vida a despeito da reciprocidade

4 de jun. de 2017

A SOFRÊNCIA NÃO E ESCOLHA UNIVERSAL DA JUVENTUDE

Considero Tia Surica Da Portela um fenômeno. Ponto. E acho uma maravilha os jovens que vem se voltando para ela com muito respeito e admiração. Eles têm em mãos as mídias alternativas e enxergam que o samba é a alternativa, que os bambas não envelhecem. Admiro a sede de conhecimento dessa galera e a vontade de estar no contexto cultural juntinho com a nossa perene tradição. É lindo isso. Não acha, não?

Na Associação A Rebeldia na comunidade Alto Vera Cruz, Belo Horizonte:

No Samba Independente dos Bons Costumes, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro:

Como disse Pedro Manhães, líder do grupo Samba Independente dos Bons Costumes, após participação de Tia Surica no projeto que tem o mesmo nome:
"Tia Surica, botou todo mundo no colo e levou!"

Entusiasmado, o musico, 24 horas depois do evento ainda não cabia em si. Pensa que deveria ter dado um intervalo depois da participação, mas colhidos pelo furacão Surica, seguiram tocando e rindo com caras de bobos, mesmos.

Foi arrebatadora a cantoria que a pastora portelense ofereceu, carregou geral que não desgrudou da roda. Creio que esses jovens nunca viram algo assim, acostumados a correrem atrás do samba de raiz pra curtir num mercado entupido de pagodinhos insossos, corridinhos com umas vozes gritadas no melhor estilo sofrência atual . 

Acho que além da faixa de Matriarca da Portela, Tia Surica merece mais uma, a de embaixatriz da Portela, do samba, de Madureira, daquelas coisas "goiabada cascão em casca, é coisa fina que ninguém mais acha". Que bom que nós achamos e além de um público que se diverte vimos um público encantado!
Essa é uma das tônicas do Samba Independente dos Bons Costumes, levar samba carioca para os cariocas.
Foi lindo, lindo e inesquecível.

 Antes, Tia Surica vai receber Moção Especial de reconhecimento Cultural pelo mandato do Vereador Reimont e iniciativa do Departamento Cultural da Portela, em sessão solene na Câmara de Vereadores do Município do Rio de Janeiro, às 18h

30 de abr. de 2017

ALUCINAÇÃO


"minha alucinação é suportar o dia-a-dia 
meu delírio é a experiência com coisas reais"

4 de out. de 2016

VERDADES

As minhas verdades eu trago no peito.
Exijo respeito.
Quem não as compreende, tem a obrigação de aceitar.
A gente ama todo mundo, o gostar é questão do admirar.
Vivemos em muitos lugares, respiramos muitos ares,
o nosso lar construímos onde nos deixam ficar.

1 de out. de 2016

FRASES

Acho que já nasci com casca e das grossas. O que a muitos alegadamente traumatizou, a mim apenas moeu.

23 de abr. de 2016

SÃO JORGE CANTORIA



"Nesta casa de guerreiro
Vim de longe pra rezar
Rogo a Deus pelos doentes
Na fé de Obatalá
Ogum salve a Casa Santa
Os presentes e os ausentes
Salve nossas esperanças
Salve os velhos e crianças
Nego veio e ensinou
Na cartilha de Aruanda
E Ogum não esqueceu
Como vencer a Quimbanda
A tristeza foi embora
Na espada de um guerreiro
E a luz no romper da aurora
Vai brilhar neste terreiro".

12 de abr. de 2016

SÓ POR HOJE, NÃO ACREDITE

Só por hoje não vamos acreditar no que pode nos fazer mal. 
O despacho que pisamos sem querer no réveillon, a inveja da vizinha, a maledicência do colega que queria nosso lugar no trabalho, o olho grande da amiga que não entende como a gente tão feinha não fica sozinha, geral que pensa que estamos ricos porque sorrimos com facilidade, gente que nos aplaude porque não tem jeito - são mais de ver a corda da viola arrebentar e o som pifar ligo após o lá lá lá...
Só por hoje não faremos sintonia com o que nos joga pra baixo. 

BOM DIA!

2 de fev. de 2016

SERIEDADE

Foi tenso o dia. Saí de má vontade por pensar na dificuldade de voltar. Mas valeu a pena.
Eu, que estou solteira depois de 36 anos de casada, tenho 2 entidades pra me preocupar: o mundo eu mesma. 

Defendo a mim e preocupo-me com o mundo, no mais, viver a vida, pois cansei de levar tudo tão a sério. Mas que fique claro que a seriedade cai, mas a ética continua