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14 de dez. de 2017

EU VI: DO COMEÇO AO INFINITO


Papo de fã. Você vai a um show do Roberto Carlos sabendo que vai gostar, sabendo o que vai ouvir com poucas variações no que vai ver e aqui nenhuma crítica ao Rei que amo de paixão.  Prosseguindo com o raciocínio: Eu vou a um show de lançamento da Ana Costa sabendo que vou gostar mesmo sem saber exatamente o que vou ouvir ou ver. Simples assim.

Dia 08 de dezembro desse ano que insistentemente demora a acabar, fui assistir uma das edições dos show de lançamento do novo trabalho da cantora, compositora e violonista, Ana Costa.


Um show com menos músicos e mais música, com menos instrumentos e mais som. 
A leveza contínua, flutuante que repousa na delicadeza de uma sintonia muito perfeita entre voz, bandolim. Fui ouvindo em casa o CD e vejo que a perfeição continua. 
A inserção de "Último Desejo" (Noel Rosa) deu-me a sensação de que eu deveria ter ido nos lançamentos anteriores (no Municipal de Niterói e C.R da Música na Tijuca) porque fiquei com a sensação que cada apresentação jamais será repetida.

E eu acho que Ana Costa é bem isso: Uma artista que jamais se repete, busca mais que inovar, mas um refazimento. numa recriação infinita como se cada dia vivido e cada aprendizado entrasse como filigranas no que ela nos traz. Como não sou crítica digo apenas o que vejo e o que sinto do que ouço. É um show belíssimo e o CD, sim, eu sou do time que baixou as músicas de uma das muitas plataformas onde etão disponíveis mas gosto de pegar, mostrar, acompanhar, seguir com o dedo o que está escrito e que a tia lá da escolinha no século passado dizia que não era legal fazer; Pois bem o CD tem um dos designers mais bonitos que já vi. É o tipo de trabalho que não tem o que se criticar, só curtir e muito!

7 de abr. de 2016

A LETRA DA MÚSICA


Quando o som já era,

Espera!
Quando a melodia enche
Não pule, pense!
É a hora da letra.

31 de out. de 2015

UM BEM CHAMADO MAL DE RAIZ

No quarteirão cultural do Centro do Rio, entre CCBB, CC dos Correios, Centro Cultural da Justiça Eleitoral, tive a oportunidade de ver um tantinho de uma volta ao passado. Não sei há quanto tempo conheço o Celynho Show, passista que é um patrimônio do nosso samba, mangueirense de coração bem quisto por todas as agremiações e que no seu trabalho de passista veste todas as cores e tem essa atitude que eu considero romântica, poética de transitar pelos eventos agora sempre com malandro o mais, nesse dia o Eduardo Teles, distribuindo sua arte, seu trabalho generosamente. Um trabalho que já o levou a vários países.
O grupo Mal de Raiz, do qual sou apreciadora há tempos pela forma como encara o samba e os sambas que compõem seu repertório composto por pérolas que o tempo escondeu, os quais eles trazem à tona e nos apresentam em arranjos delicados como que polidos para que sejam melhores apreciados pelo público não iniciado como novidades.
Músicos, samba e passistas se encontram numa rua antiga e cheia de história e alegram "gregos e baianos", jovens e mais velhos. Corre uma brisa gostosa, o céu está para lá de azul e a gente se sente, em pleno Centro do Rio de Janeiro protegido, tranquilo e por algumas horas, feliz e sem sobressalto.
Eu gostei muito de ouvir muitas das músicas que tocam na programação da Rádio TV Brasil, podendo apreciar malandros do bem, às vezes até parece que o tempo deu uma retrocedida, pra nos dar um pouco de encanto e paz.

25 de out. de 2015

PODEM ME PRENDER, PODEM ME BATER QUE EU NÃO MUDO DE OPINIÃO



A idéia de combinar reunir pessoas para subir a Balaiada (Vem, vem ouvir! O Império tocou reunir) dá certo até quando não combinamos. Dessa vez duas amigas que nunca conseguiam ir - Helena e Bruna, convidadas de última hora, foram! Na esquina da Mano Décio, encontrei com o grupo da Mariana que aguardava outras pessoas, pois comemoraria lá o seu aniversário, assim como Andreia Café. E, como o Rio ainda é uma província, ela esperava por Elisa Lucinda que eu não via há tempos, ou seja, praticamente uma família em comemoração e confraternização!
Tarde linda, clima ótimo. O grupo colocou umas músicas novas no repertório, pelo menos me pareceu, já que estava sem ir há 2 meses. Inclusões no repertório, também de terreiro, porém mais conhecidas daqueles que não frequentam esse tipo de roda com assiduidade e ficou ótimo! Cada vez mais pessoas de fora da comunidade estão indo curtir o som da Serrinha e essas cantam junto conforme o espírito das rodas de samba
Com horário de verão, o hino de encerramento - Heróis da Liberdade ( Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira ) foi ainda com a luz do dia e foi uma novidade. O jongo seguiu pela noite, não até muito tarde, mas o suficiente, ainda que quando estou lá não tenho vontade de voltar. Ainda assim não tem um dia que esteja lá que não me lembre da edição logo após o carnaval. A primeira vez a gente nunca esquece!
A próxima será numa data deslocada pois fará parte das festividades de inauguração da nova Casa do Jongo. Estou ansiosa, tanto tempo aguardando por essa casa.
Vamos lá!

4 de fev. de 2015

Rua Atininga-Jacarepaguá/ foto: Rozzi brasil
A lua vem surgindo cor de prata
No alto da montanha verdejante
A lira de um cantor em serenata
Reclama na janela a sua amante
Ao som da melodia apaixonada
Das cordas de um sonoro violão
Confessa um seresteiro à sua amada...

(Malandrinha /Freire Júnior)

16 de jun. de 2014

O HINO

Cena inesquecível, ainda que (me pareceu) incidental:
Carioca da Gema em peso cantando o hino nacional no show da Ana Costa é emocionante, arrepia e não tem preço. Que flauta é aquela!!!!!

Postei isso no meu facebook e aí aqueles blockeds vão poder ter o prazer ter uma notícia de lá hehehe.

Depois disso descobri que a flauta mágica é do Dirceu Leite. E foi assim que ao final de uma música, entrou a melodia incidental do Hino Nacional Brasileiro, pareceu que seria apenas uma finalização bacana para mais uma canção, no entanto,  o público engrenou a cantar o Hino, com força, veemência e prazer. Ninguém em posição de sentido, ninguém de mão ao peito, ninguém largou o seu copo, mas os olhos brilhavam e é isso que a nossa nação mais que nunca precisa: De olhos que brilhem, de paixão não só por suas cores, mas por seus amores. Olhos que brilhem e tenham fé, acreditando no poder próprio. O bar coalhado de turistas que olhavam e não consegui perceber que expressão faziam, sei que nessas horas a gente se sente brasileiro num grau que encheria de orgulho aquela "tia" que nos ensinou a cantar o hino. Um orgulho que deveria perdurar, para além da copa, para além do questionamento de deveria haver ou não. Meus sais, como assim alguém poder pensar que não teria Copa?? Essa Copa que já esteve no Japão, já aportou na África e até na América do Norte onde o pessoa nem curte bola redonda tanto assim.

Essa Copa sonho de consumo de milhões de pessoas, sonho de milhões de garotos, Como se de repente todos os nossos problemas fosse o futebol e o aborto de uma competição pudesse resolver tudo ou muita coisa. Não sejamos como o corno suicida que não se mata mas culpa a paixa por sua cegueira e falta de jeito. Porque se tem gente usando a Copa pra anestesiar o povo, é fato que há muitos usando a não-copa para amargar os dias de muitos. Para não ter Copa não deveria também haver futebol e para não haver futebol, teria que não haver o talento. Não é de hoje que o povo é acusado pela outra parcela de povo de ser alienado por uma bola, de ser anestesiado por novelas. Aquela coisa pedante de brasileiro que cita o povo em terceira pessoa como se ele fosse ariano ou caucasiano. Aquela hipocrisia nacional de falar mal dos políticos e cometer em menor escala os mesmos delitos seja furando uma fila, seja não se preocupando com a aplicabilidade do dinheiro dos pais. Aquele comportamento preconceituoso de cobrar do povo um comportamento que ele nunca recebeu preparo para ter e se comportar da mesma forma só que falando mais baixo e xingando mais bonito. Emfim que a Copa está aí, a polícia está aí e o quebra-quebra está tentando sobreviver e deixando a política de lado, voltemos à música.

O Carioca da Gema é das poucas casas "fechadas" (aquelas que não dá pra ver nada dentro quando a gente passa na calçada) que frequento na Lapa e isso se deve única e exclusivamente à programação. Quase certo eu surgir por lá quando tem apresentação da Ana Costa, Toninho Geraes, Luiza Dionísio e felizmente eles sempre estão por lá, a Ana mais frequentemente. É uma casa de samba, diferente das outras que oferecem muito pagode e de outra de samba pra turista.

Próxima sexta, a casa comemora aniversário - não faço idéia quantas primaveras, mas devem ser muitas pra uma casa na Lapa, onde as portas fecham com um nome e abrem com outro a cada dia e Ana estará lá regendo a comemoração mega bem acompanhada por seus ases da música, povo como o flautista mágico Dirceu, o maestro do Nívea Samba Alceu Maia e mais galera que a incompetente aqui não decorou o nome, porque demoro um século para associar um nome a uma figura. Mas isso não é tão importante desde que você se tiver sem saber o que fazer, entediado, chateado ou feliz demais passe por lá. Se não gostar, me escreve aqui, providencio sua internação!

Fica na Mem de Sá, 87 - Lapa - Rio de Janeiro. 

22 de set. de 2013

O Silencio das Estrelas | Lenine

Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um Deus e amanheço mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal
Um sinal, uma porta pro infinito irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais
Afinal, feito estrelas que brilham em paz
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um Deus e amanheço mortal
Um sinal, uma porta pro infinito irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais
Afinal, ser um homem em busca de mais

19 de set. de 2013

HOJE É O MELHOR LUGAR

"O tempo vai passar
A ferro, a fogo, a limpo
Toda tristeza que sinto
Minha alegria eu não finjo
Sei que ela vai voltar
................................
O que passou tinha de ser
O que vai ser quem saberá?
Hoje é o melhor lugar
Este exato momento é a única coisa que eu tenho
O resto é resto
O resto é fumaça"
........................
(Ana Costa|Zelia Duncan, em Hoje é o melhor lugar)

31 de mai. de 2013

ANA COSTA ponto ARTE muito BR


Voltando do show da Ana Costa no Rival. O Rival é um teatro com jeito de barzinho, tipo antiguinho, cheio de histórias antigas, caprichando nas histórias recentes, com pinta de casa de amigo que tem pai e mãe metidos à besta mas tudo gente boa apesar de... Aí a gente vai arrumadinho e fica muito à vontade.

Eu já vi bastante Ana Costa e veria muitas vezes mais, quantas vezes ela cantasse por aí. Ana me parece aquela pessoa que estudou e apreendeu tanto que qualquer cantadinha no chuveiro é praticamente in concert. Ela faz tudo certo e faz tudo bem. Apresenta-se com uma simplicidade de envergonhar os que "se acham".

Numa sexta-feira dessas bem recentemente, carregava minha tristeza pelas ruas, voltando pra casa - sim às vezes levo a minha tristeza para passear, para que não se transforme em desarmonia. Graças a la vida, tenho que passar pela porta do Carioca da Gema para chegar à casa. Trazia na mão, o que restava de 500 ml de caipivodka comprada ali, do lado do churrasco no prato, em frente à casa do Tá Na Rua. Não sou de muita birita, mas tomo lá minhas  caipivodcas, sempre de limão, para mostrar à vida o que eu faço com os azedumes que ela me brinda...
Pois bem, passando pela porta do Carioca, ouvi o som da voz de Ana, parei a calçada e fiquei ouvindo. Estava vestidinha de um jeitinho assim assim, tipo, mamãe vou ali pendurar uma faixa no poste. Era sexta e a Lapa fervia de Carolina Herrera, Naturas e afins legítimos e genéricos. As escovas estavam a postos e a mulherada batia cabelo, fazia pose, exibiam as sainhas brilhosas, rendadas, de jeans chique. Osmeninos em ponto de bala puxa-puxa com seus cabelos desastradamente penteados à moda Neymar ou Anderson Silva. Todos lindos e desafiados pela noite de sexta na Lapa.

Ana num dado momento me viu na calçada, pedinte de magia, indecisa como uma pisciana e fez sinal para que eu entrasse. Sabem lá o que é isso? Algo hipnótico, sinais do destino que não podemos ignorar.

Entrei, eu e meus chinelos de couro, minha calça jeans caindo dos 5 quilos perdidos, minha blusa que nem sei qual era e a minha tristeza que em alguma esquina ãome largaria feliz assim pelas ruas fervidas e além disso além da roupa e sentimento, ainda estava eu só - só- somente só, como nenhuma mulher deve atrever-se a estar numa noite de sexta. 
Mas que ali, eu não era uma mulher, eu era uma pessoa portando um copo de meio litro de caipivodca já quase vazio, eu era uma pessoa emergente, relutante, quase louca com um dia que não deu refresco e se desenvolveu erradinho, chatinho, incompreensível.
Entrei na casa cheia naquele dia de, na maioria, de garotada e o bom disso é que quanto mais o tempo passa pra nós menos jovem essa garotada fica. Coincidência do destino, Ana mandou uma sequencia portelense, daquelas boas que eu sabia cantar e fez-se a magia:
De repente eu não estava mais só num espaço tão lotando!
Tinha toda uma vibe de raiz suburbana que imagino sofrida como eu estava naquele dia Era o milagre!
Duas garrafas de água, um samba que só o meu pé tem e uma alegria na voz refinada de Ana Costa e seu repertório tão variado quanto mágico. Saí dali tão nova quanto se estivesse mergulhado na água do Ganges, eufórica como os emergem das pias batismais.

Bastou.
Obrigada Ana!
Que Deus te abençoe, proteja, te guie e te guarde. Que sua estrada seja plana e as paisagens lindas como a noite que você me deu!

Então hoje, saindo do Rival de um dia não menos fácil - é, a vida vem caprichando nas sua lições e eu não devo ser uma boa aluna - missão cumprida, decidi vir pra casa para que nada tirasse dos meus ouvidos a magia de ouvir, um canto animado, brejeiro, quase assanhado, encorpado, bem respirado, alegre, alegre, alegre.
Obrigada de novo!

8 de out. de 2012

Um certo Programa do Jô com Almir Guineto


JÔ: "Precisava 3 pra fazer essa musiquinha"? hahahahahaha
EU DE CASA PRO JÔ: Agora canta aê Jô Soares a música que você fez e tocou em Marte!!!!
CEIÇA SOBRE O JÔ: Jo Soares ta ficando gaga...hauahauaaau
ALESSANDRO SOBRE O JÔ: 
- "O Difícil e fazer o Fácil ! são músicas eternas que estão na boca do povo, agora Almir fez uma fácil dessa e faz uma poesia linda como Lama nas Ruas que vale mais que qualquer livro do Jô!"

SEU PAULO DO MEU FACEBOOK PRO Jô: - " O JÔ é refém da produção. Ele não pode ter emburrecido de repente. Eu acho que ele está blindado pela globo como todos os informativos estão. Eu acredito que ele nem sabe quem é Almir Guineto. Ele ridiculariza o entrevistado e os babacas do auditório morrem de rir, O padrão Global hoje é a maior droga da TV brasileira , começa com o Faustão no domingo e termina no Altas Horas no sábado. O Diretor Geral pediu demissão porque não aguentou a pressão no jornalismo e na baixa qualidade da programação. Em toda a programação , só se salvam alguns fillmes e Gabriela o resto é lixo".

EU, PRO SEU PAULO: - Eu penso que na vida, os desafios são fundamentais, mas hoje, existem situações que entediam e não desafiam e o profissional cansa. Por exemplo, o que poderia desafiar Ronaldinho Gaúcho? O desprezo da torcida carioca. Foi a única coisa que fez com que ele voltasse a funcionar como trabalhador do seu ofício.Certas funções permitem que o cara ganhe grana demais, tenha fama demais numa fase ainda produtiva. Mas aí pra que se ferrar de trabalhar e dar o melhor, com tanta grana e prestígio pra usufruir?O Jô me parece cansado, só não cansou de ser incensado e esse programa com audiência infinita, é perfeito pra isso e, lamentavelmente, se vai no Jô é um carimbo pro sucesso. Vive de uma fama adquirida em outras circunstâncias, assim como os que vc citou, Serginho, Faustão...
ah, cansei de falar sobre a indelicadeza do Jô com o Almir Guinéto.

23 de jul. de 2012

TERRA DE CORONÉIS

Passeando pelo Youtube procurando por Beth Carvalho, encontrei essa preciosidade

Pareceu-me  jingle de programa da TV de antigamente, talvez,  uma segunda parte ou... por que não, uma concorrente da música do Fantástico... 
Só uma ditadura besta de ridícula e burra pra perseguir uma coisa dessas.
Taiguara era um santo! Ou não poderia ser portador desse nome esquisto e musicar essas idéias estranhas... rsrsrsr (adoro ele)

Eu acho que a gente nunca saiu do coronelismo.
No fundo os dirigentes do meu país não tem mesmo cultura pra dividir com o povo, nunca tiveram. Tem apenas os seus valores que na verdade só valem pra eles, então não é valor nem inversão de valores é interesse...
Tudo de repente parece tão mesquinho, a vida pouca.

Aí,  a gente entende que a Severina do João, migrou da seca e vem contar as cabeças de gado que nós deixamos morrer em nós mesmos nessa coisa chamada cidade.
Tivemos Taiguaras, Vandrés.
Um Chico que não se escondia,
um Caetano que ousava no que dizia,
um Raul que praticamente
roteirizava o que vivia, 
todos perseguidos por uma ou outra
palavra que a censura não entedia...
Vai reclamar do Teló e Gustavo?
São produtos como nós...

Benito Di Paula Percussionista

Naqueles tempos, havia ensino de música no antigo ginásio, que era como se chamava a 2ª fase do ensino fundamental. Ginásio era alguma coisa que acontecia logo que a gente conseguia se livrar ops, terminar a 4ª série e deixava as famílias de então cheias de orgulho e nós pirralhos cheios de moral. Bem, a minha professora de música dizia que o piano era um instrumento de percussão, para espanto de todos nós suburbanos que só conhecíamos pandeiro!Foi Benito Di Paula que ensinou na prática, aos meus ouvidos a percussão do piano.Bem, a minha professora de música dizia que o piano era um instrumento de percussão, para espanto de todos nós suburbanos que só conhecíamos pandeiro!Foi Benito Di Paula que ensinou na prática, aos meus ouvidos a percussão do piano.

POXA



"Pra ter o teu amor e te fazer canção".

pra ter o teu amor e te fazer poema

Você não curte barracão

Eu te levo ao cinema, então

"Mulé o teu lugar é no meu coração"

Minha poesia é ruim

Meu coração é quarto sem sala
Mas isso não é o fim
Faço um puxadim
Te dou uma bala!
Ficamos assim

PINGOS DE AMOR



Fala sério, com uma poesia dessas não tem essa de vingança feminina, até porque mulher adora voltar. Mulher adora reconstruir, recuperar, todas são portadoras da salvação.

Voltando ao assunto,  eram letras curtas, mensagens diretas com todo o encanto do arrependimento que ainda serve pra dançar!
Essa voz esganiçada parecendo eternamente saída do fim de uma noitada, embalou muito romance, acredito que nem melhor nem pior, afinal todo romance é diferente, mas como era cult o Paulo Diniz!!

Não sou saudosista, mas o excesso de informação, o estar perto, apesar de longe, via tanta tecnologia de teclas  não está contribuindo para a simplicidade da humanidade...

Pena que nessa idade, naqueles tempo eu não namorava ainda. Tinha só 12 anos, idade em que hoje muitas meninas já são até mães, mas isso é um problema delas que infelizmente acaba sendo nosso.

SONHOS



Quantos anos teria que se ter pra curtir uma música dessas?
Meu sobrinhos com o fio da geladeira ou o bastão de desodorante empunhados orgulhosamente como se fosse um microfone, interpretavam de olhos fechados passando um sentimento digno
s do Piazzola, deixando a família espantada com tanta memória (afinal era uma música looonga) nos intervalos do programa do Chacrinha.
Ai, onde estão as crianças que se mostravam pra gente e queriam nos dar orgulho brincando de arte? Onde está a family que gostava disso tudo?

DEBATE TEMPORAL

Márcio Geyck era vizinho lá da gente ou talvez nem fosse... Crianças se confundem com coisas práticas. Eu lembro que o via quando vinha da escola pra casa.
Namorou uma menina que vinha ser prima das minhas irmãs mais velhas, não minha, crianças não tem primos mais velhos por medida de cautela....
Mas ele era loiro como o Michel Teló, tinhas olhos claros como o Michel Teló e era considerado lindinho como o Michel. Fez um sucesso estrondoso tanto quanto e o pessoal mais tradicional musicalmente falando malhava um pouco. Acho que naquela época tudo o que vinha da juventude não era bem visto logo de cara e tinha a qualidade questionada. Hoje não é mais assim, né?  Cabelos longos no lugar de moicanos estilizadamente espetados de salão, davam o tom de rebeldia. A diferença era a letra. Os antigos falavam sobre perder, os modernos imaginam pegar....

6 de jun. de 2009

NINGUÉM SABE O DURO QUE EU DEI - Wilson Simonal





simonal-ninguem-sabe-o-duro-que-deiFalar sobre o que todos já falaram se não inclui exclusividade é imprescindível emoção. Não há como não se emocionar com o Sr.Casseta que fala sério sobre um tema seriíssimo, sobre uma pessoa que não foi levada a sério e que bem pode comprovar a frase de Pablo Neruda “A verdade é que não há verdade”.
claudio-manoel_e_barbara-heliodoraSabemos nós que toda história tem dois lados, mas esta parece que desde sempre só teve um. O documentário bem feito, sem narrador e com edição cheia de “bossa” tem uns pecadinhos na fotografia em alguns enquadramentos nos rostos dos entrevistados, que até pareceram propositais a fim de privilegiarem a emoção em detrimento da técnica. Com entrevistados ilustres (fiquei surpresa ao ver a crítica teatral, Bárbara Heliodora por lá) mostra que Claudio Manoel escolheu um lado, um daqueles dois únicos lados que Ziraldo diz no seu depoimento que havia na época, dois lados e um punhado de fatos obscuros e sublinhados por comportamentos grifados pela intolerância tanto de um lado quanto de outro.
Talvez naquele tempo, debaixo da nuvem de chumbo, não existisse o excesso de representantes dos Direitos Humanos que vemos em ação hoje em dia. Mas parece que nenhum representante dos DHs, ainda que nascido posteriormente tivesse interesse em apurar e retirar do limbo o grande cantor. Foram tantos os pedidos de desculpas, desagravos e indenizações póstumos, que a mim causa estranheza a permanência do silêncio tempo a fora.
simonal-ninguem-sabe-o-duro-que-dei_elencoO documentário nos faz pensar quando um remédio agride mais que a doença, quando a punição vai muito além do crime praticado, quando o punido é esquecido no exílio, na cela, nas masmorras. Sim, em nenhum momento tive a impressão de que Simonal fosse um poço de virtude e inocência, mas o tempo todo senti um tremendo desconforto por ter eu, um dia me posicionado à esquerda.
Ali vendo aquele documentário bem montado, tive vontade de interromper o Ziraldo e cuspir na cara Jaguar (que jamais ele saiba disso para que não tenha um prazer a mais).Tive noção da grandeza de um Chico Anysio e tive vergonha por ter, como todo ser humano, uma capacidade muito maior para julgar do que para entender...


Independentemente do lado que estiveram os entrevistados, todos artistas de nome e que conviveram com Wilson Simonal, fica claro que todos falam com propriedade e tem lá suas doses de razão, com exceção é claro do Jaguar, que não parece ter tido outra intenção a não ser de fazer o merchandising da “birita” engarrafada com o seu nome no rótulo.
simonal-e-malcon-roberts_ficWilson Simonal se agiganta na telona e se torna muito maior que o filme. Dá um pesar muito grande quando os arquivos que o mostram em ação no palco terminam. Pesa muito saber sobre o tudo que ele poderia ter feito e foi impedido. Faz falta ouvir o depoimento de algum cantor da época e, por não ter nenhum, ficamos com a impressão de que a classe artística não anistiou o cantor do “patropi”. A arte/entretenimento não precisa ter conotações, posicionamentos ou fundamentos morais para divertir e deleitar. Naqueles tempos artistas usavam a arte como forma de passar adiante suas mensagens, seus protestos, discordâncias e indignações contra o regime. Para alguns isso poderia parecer uma finalidade, mas a verdade que as obras eram apenas um meio, um instrumento de subversão, no entanto era entendimento corrente que havia dois lados e todos deveriam ser obrigados a escolher. O problema é que nem todos eram universitários, ocupantes da classe média... Ainda assim, mesmo quem não entendesse das correntes políticas que assolavam nosso oceano, precisava se posicionar. Se você não era artista você tinha que ser platéia, diante do talento do Simonal muitos artistas tornaram-se platéia (Sérgio Mendes e seu Grammy que o digam...) simonal_ficNuma época em que o empate não era permitido, Simonal tinha do seu lado apenas a massa, o povo que cantava “Meu limão, meu limoeiro”, cantasse ele outro tipo de música e estaríamos hoje falando de um herói e jamais de um morto em vida torturado e sepultado pela nossa indiferença. Hoje diríamos que Simonal bateu “palma pra maluco dançar” e dançou. Vendeu muito, era popular coisas que os críticos cabeças não gostavam. E se o povo cantava músicas sem conteúdo político, comprava discos de quem não possuía uma causa e ia aos shows sem palavras de ordem, a culpa é de quem canta...


Diante disso tudo deixa de ser importante as verdades e razões. Chico Anysio quer conhecer qualquer um que tenha sido delatado pelo “Simona”. Boni fala do “espírito de corpo” e pareceu-me que essa expressão quase desvenda todo o mistério. Tenha sido forjada ou não essa grande armação, não houve por parte de ninguém o interesse em apurar as verdades dos fatos. Se Wilson Simonal era o agente de direita, porque o sistema não o protegeu? Porque não lhe pagou uma passagem para fazer sucesso fora do país e posar como referência nacional? Ahn, ele não era exatamente o cartão de visita que interessava aos milicos... han-han.
simonal_showmanTodos no documentário assumem a parcela de covardia social vigente na época e assinam embaixo da ingenuidade do cantor. “Ele não pensava que era o rei da cocada preta, ele ERA O REI DA COCADA PRETA!!!!”. Tanto era que acreditava poder atuar como ponta direita da seleção na copa de 70... E quem de nós, tendo o dom de magnetizar um maracanã, seria diferente disto? Simonal não tinha nada a ver com a política, não tinha posicionamento ideológico, ele era uma pessoa com um talento excepcional para música que ganhava dinheiro com isso e só queria viver a sua própria vida o que não era permitido naquela ocasião. Ele queria gastar o dinheiro que ganhava e ganhar mais ainda, como qualquer mortal de origem humilde que vencesse na vida e se deslumbrasse. O cenário artístico deveria estar abarrotados de pessoas assim... Fosse ele politizado e saberia que naquele tempo era proibido gostar de ser brasileiro. O ufanismo era sintoma de direita e à direita morava a ditadura dos generais que vestiam verde amarelo exilando os brasileiros do direito de ser patriotas. Ele não carregava uma bandeira de movimento negro, tinha uns leves olhares nessa direção em função de ser negro, filho de empregada doméstica, achar que tinha o controle da situação e três Mercedes... A propósito, ele viveu a bizarra experiência de ver estendido para si um tapete vermelho na mesma casa onde, quando criança, ele precisava comer escondido a marmita que a mãe escondidamente lhe preparava....


simonalDisse o Sr. Sérgio Cabral que a Pilantragem nada acrescentou à musica popular brasileira, mas alguém com o talento de Simonal teria acrescentado muito a qualquer .Pilantragem ou movimento musical que surgisse, que ele pudesse criar ou participar como agora finalmente parece que estamos prestes a permitir que ele acrescente. A redenção se não tardia, redenção não é.


Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei. Brasil, 2008. Diretor(es): Cláudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal. Roteirista(s): Cláudio Manoel. Gênero: Documentário. Duração: 86 minutos.