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28 de mai. de 2016

CULTURA DO ESTUPRO - sim ou não ?


Quando a capa de uma revista semanal brasileira, trouxe a matéria com o título "Bela, recatada e do lar", já foi um mau sinal. Um mau agouro. A mulher em questão chegou a posar nua para uma famosa revista masculina a tempo de as fotos serem embargadas pelo namorado mais velho, político famoso, agora em exercício. No entanto, a matéria da revista não informava isso - descobri quando "dei um google" no nome da moça como sempre fazemos com as celebridades recentes ou eternamente obscuras.

É preciso "abafar" o "passado" de uma mulher caso ela figure na lista das respeitáveis. Esse tipo de "passado" se feminino apaga-se, mas se masculino, apregoa-se.
Bela, recatada e do lar para mim, não estudiosa, não especialista,  equivale a "se estivesse em casa lavando louça, isso não teria acontecido"- frase encontrada em diversos comentários de vários casos de estupros, incluindo esse mais recente e de maior visibilidade midiática dado ao impacto referente à  quantidade de criminosos envolvidos em torno de uma única vítima, pois não vou avaliar pelo aspecto do "tamanho" da barbarie, quando penso que todo estupro é uma barbarie, uma selvageria sem tamanho, havendo casos que "apenas" um estuprador destrói fisicamente a vítima, inúmeras vezes levando-a à morte, quase sempre mantendo-a desperta para "reagir"como parte do ritual maligno, patológico que inclui sevícias e espancamentos que a levam a óbito, sem contar os casos em que após servir de repasto ao animal da espécie humana, a vítima é eliminada para não o incriminar. 

No vídeo do estupro acontecido recentemente no Rio de Janeiro, há umas falas mais ou menos assim:
- Essa é a come rato da Barão!
Onde Barão é referência ao nome de uma rua bem conhecida no bairro.
E outro diz assim:
- Olha o buracão dela!
O vídeo, então, passa a mostrar as partes íntimas da menina completamente machucadas. Eles abrem seu genital, como os feitores arreganhavam a boca dos escravos e cavalos a fim de atestar- lhes a boa saúde e idade a fim de justificar o alto preço da mercadoria.
Exibindo a vagina e o ânus da menina, ouve-se:
- Mais de 30 engravidou. Entendeu ou não entendeu? Diz um
- O trem bala passou de marreta. Diz outro
Gargalhada geral.
Então, penso que quando se usa a expressão  "cultura do estupro" não é para magoar a grande maioria dos homens que mesmo trazendo algum traço da nossa cultura patriarcal, é gente boa. Acredito que seja a busca de uma resposta e uma ruptura com o segmento, não só de homens, que avaliam as mulheres por sua quilometragem sexual, para os quais atributos como castidade e pureza fazem essa mercadoria valer mais quando o uso e abuso aumentam o valor das suas machezas proporcionalmente à desvalorização da mulheres abusadas.

Compreendo aqueles que se sentem ofendidos sendo trancafiados num pacote selado com hastag  #culturadoestupro  junto com milhares de maus feitores, abusadores, estupradores. No entanto é preciso falar sobre isso. É preciso aproveitar um momento em que a sociedade machista em parte olha pro feminino ainda com alguma piedade, talvez a mesma que concede à mulher a oportunidade de trabalhar ainda que ganhando menos; de frequentar eventos ainda que com a dúvida se ela não teria uma roupa pra lavar; Permite-lhe usar roupa curta onde o homem não pode tirar a camisa;  paga à mulher um cachê alto pra que ela tire a roupa mas não exibe um traseiro de homem na TV. Essa sociedade que diz proteger as "puras", venera as mães sem valorizar a mulher como igual (talvez coubesse aqui a pergunta a quem realmente esses costumes protege ou visa proteger ? )
Essa visão das mulheres e o tratamento delas  como "coisas", formam o pensamento de um alto número de rebotalho de gente que não se encontra apenas nas periferias e favelas. Não é exclusividade dos frequentadores dos bailes funk ou de qualquer outro movimento cultural do populacho, onde se encontra quem pense que depois de um estupro ou mesmo uma transa a mulher está desvalorizada e outras formas de estupro social e psicológico.
Eu sei que é constrangedor ser citado injustamente. Ninguém melhor do que uma mulher como eu, para saber o que é ser olhada como puta, porque riu alto, anda sozinha, entrou num bar pra comprar cigarros e tem atitudes pouco convencionais porque as convenções resistem em se desfazer. As ferramentas da "cultura do estupro" são variadas e possuem o requinte de crueldade de ter objetivos definidos como o "estupro corretivo" para as lésbicas e o crime de espancamento e assassinato para os gays onde não costuma ser violado sexualmente a menos que com objetos contundentes. Mas isso já é uma outra questão.

Eu  não tenho a menor ligação com nenhum movimento organizado militante dessa causa, mas por ser mulher solteira, solta, sozinha penso que precisamos falar sobre essa parcela de gente que acha normal "fuder" - em todos os sentidos - sem consentimento é normal e acredita que alguém possa fazer por merecer tamanha humilhação.
São várias formas de estupro e abusos que como o papanicolau não é nada demais é para o bem, mas se faz piada com ele bem como com o exame de próstata. É que no final o drama do outro torna-se piada, as tragédias serão utilizadas como exemplos a ilustrar oque deve ou não fazer uma mulher, onde ela deve ir ou não.

Se esses cabras coniventes com a "cultura do estupro" não existissem, Bolsonaro não teria mandato nem seria chamado de mito.
Precisamos urgente, como sociedade, de ajuda. 
Esse texto é originalmente um comentário numa postagem tópico do meu amigo João de Oliveira Jr no Facebook.

Ele como muitas outras pessoas acham demasiado abrangente e agressiva a expressão "cultura do estupro" por envolver TODOS como potenciais praticantes do hediondo crime, servindo como munição para aqueles que sentem prazer em alimentar uma guerra dos sexos objetivando a falar mal dos homens sem parênteses ou exceção. Cometo o abuso de colocar aqui um posicionamento muito bem aceito por ele que expressou melhor o que gostaria de dizer:
"Acredito eu que vivemos muito mais a cultura da impunidade, que do estupro, basta ver as estatísticas.O crime está generalizado em todas as áreas da sociedade. Me preocupo sim, em generalizar, em rotular homens dignos, de bem e penaliza-los pelo simples fato de serem homens" (S.A.S)
Abaixo,  o meu texto original
Quando a capa de uma revista semanal brasileira, trouxe a matéria com o título "bela, recatada e do lar", já foi um mau sinal. Um mau agouro. A mulher em questão chegou a posar nua para uma famosa revista masculina a tempo de as fotos serem embargadas pelo namorado mais velho, político famoso, agora em exercício. No entanto, a matéria não informava isso.
É preciso "abafar" o "passado" de uma mulher caso ela figure na lista das respeitáveis. Esse tipo de passado feminino apaga-se, mas sendo masculino, apregoa-se.
Bela, recatada e do lar para mim equivale a "se estivesse em casa lavando louça, isso não teria acontecido".

No vídeo do estupro tem umas falas mais ou menos assim:
- essa é a come rato da Barão!
Onde Barão é referência ao nome de uma rua bem conhecida no bairro.
Aí, outro diz assim:
- Olha o buracão dela!
O vídeo, então, passa a mostrar as partes íntimas da menina completamente machucadas. Eles abrem seu genital, como os feitores arreganhavam a boca dos escravos e cavalos a fim de atestar- lhes a saúde e idade apta para o uso de justificar o alto preço da mercadoria.

Exibindo a vagina e o anus da menina, ouve-se:
- Mais de 30 engravidou. Entendeu ou não entendeu?
- O trem bala passou de marreta.
Gargalhada geral.
Então, Quando se fala de "cultura do estupro" não é para magoar a grande maioria dos homens que mesmo trazendo algum traço da nossa cultura patriarcal, é gente boa. Acho que é uma resposta e uma ruptura com o segmento, não só de homens, que avaliam as mulheres por sua quilometragem sexual, para os quais atributos como castidade e pureza fazem essa mercadoria valer mais e o uso e abuso aumentam o valor das suas machezas proporcionalmente à desvalorização da das mulheres abusadas.

João, compreendo você se sentir ofendido ao se sentir trancafiado num pacote selado com hastag junto com milhares de maus feitores, abusadores, estupradores, mas é preciso falar sobre isso. É preciso aproveitar um momento em que a sociedade machista em parte olha pro feminino ainda com alguma piedade, talvez a mesma que concede à mulher a oportunidade de trabalhar ainda que ganhando menos; de frequentar eventos ainda que com a dúvida se ela não teria uma roupa pra lavar. Permite que use roupa curta onde o homem não pode tirar a camisa, paga um cachê alto pra que ela tire a roupa mas não exibe um traseiro de homem na TV. Essa sociedade que protege as "puras", venera as mães sem valorizar a mulher como igual.
Sendo vistas como coisas, forma a visão de um alto número de rebotalho de gente.
Eu sei que é constrangedor ser citado injustamente. Ninguém melhor do que uma mulher pra saber o que é ser olhada como puta, porque riu alto, anda sozinha, entrou num bar pra comprar cigarros.

Eu que não tenho a menor ligação com nenhum movimento, mas por ser mulher solteira, solta, sozinha penso que precisamos falar sobre essa parcela de gente que acha normal fuder sem consentimento em todos os sentidos é normal e acredita que alguém possa fazer por merecer tantas humilhações. São varias formas de estupro e abusos que como o papanicolau não é nada demais é para o bem mas que faz piada com ele e com o exame de próstata.
Se esses cabras não existissem, Bolsonaro não teria mandato nem seria chamado de mito. Precisamos urgente como sociedade, de ajuda. Noves fora, exclua os maus radicais.
Ah e continue, sim aseus posts!
Eles mostram que a binaridade não está com nada.

31 de mar. de 2015

A VIDA É JUSTA

1 - A vida é justa
2 - Deus, se existe, está dentro de nós que achamos que somos apenas sua imagem e semelhança e nos desrespeitamos e ainda aos outros;
3 - Não é o outro que nos incomoda, mas aquilo de nós que enxergamos nele e não aceitamos;
Que sejam felizes! 
Que estejam realmente recuperados e que não acabem por matarem-se um a outro numa recaída, porque homofobia, como todo e qualquer preconceito , é doença.

Assassinos de Homossexuais se casam na prisão na Inglaterra

2 de nov. de 2014

Armário: Entrar é péssimo, Sair dá ruim | Crônicas de Nárnia

"Crônicas de Narnia - O Leão, A Feiticeira e o Armário"...
É bem real.
se entra no armário encontra-se uma porta que não se faz idéia onde vai dar.
Quem sai do Armário encontra- monstros enormes e batalhas gigantescas muitas vezes terríveis.
Chato que na vida real nem tudo acaba bem....

11 de set. de 2014

A Nossa Sociedade diz que (Uma Lei pra Chamar de Sua)

Imagem de Paulo Machado, o segundo colocado na 2a edição doConcurso
"Homofobia Fora de Moda | em 2012

Ouço dizer que os gays que são mortos, assim acontece por problemas entre eles. Falam assim como se todo gay estivesse inexoravelmente ligado a prostituição, marginalidade e roubo. 
Exatamente por pensar dessa forma, nossa sociedade também acha que um casal gay não pode adotar crianças.
Nossa sociedade pensa que ser gay é ser bandido, ter envolvimento com os piores comportamentos e isso deve ser escondido das crianças.

Nossa sociedade pensa tão mal de gay que acha que as crianças estão melhores assim, amontoadas em orfanatos e abrigos, jogadas nas ruas sendo exploradas por familiares tão heterossexuais que as puseram no mundo.
Alguns inclusive, são tão heterossexuais que pensam poder julgar, avaliar, interferir na vida alheia
Alguns preferem matar suas crianças por motivos relevantes de heterossexualidade como o menino gostar de lavar a louça ou o menino não querer cortar o cabelo ou simplesmente porque assim uma nova namorada acha melhor.

Enfim, as pessoas precisam entender que há gays que são mortos simplesmente porque são gays, são assaltados porque geralmente precisam (por motivos óbvios) viver mais fora de casa do que dentro.
Já tivemos casos de pessoas mortas por terem sido confundidas com gays. Já tivemos casos de mãe e filhas insultadas em Copacabana porque alguém achou que elas eram gays.

A gente sabe que as delegacias não tratam ninguém bem, mas a gente compreende porque a delegacia se importa ainda menos com uma ocorrência envolvendo um "viado" ou uma "sapatona".

Hoje não vivemos como nos tempos antigos de Roma, uma luta pelo poder, hoje vivemos tempos de lutar por sobrevivência, dignidade, igualdade, liberdade as mesmas que você tem porque paga impostos, é bom cidadão, mantem suas coisas em dia e não porque você é heterossexual.

PS.: O mesmo vale pros negros, mas eles tem uma lei pra chamarem de sua.

10 de ago. de 2014

NINGUÉM TEM QUE SER MORTO POR SER DIFERENTE ou "O QUARTETO de LESBICAS NO ESTILO DISNEY WORLD"

Como estamos no mês comemorativo da Visibilidade Lésbica, queria começar esse texto falando sobre a  recém-falecida novela “Em Família” com o seu quase fantástico quarteto do gênero Clarina / Flanessa> Acontece que assisti o filme  holandês  “Um Grito de Socorro” (Spijt!)  de 2013, sobre um menino gordinho que sofria  bullying todos os dias na escola. 
E o que tem uma coisa a ver com a outra? 
O filme também destaca a (falta) de atitude das pessoas que cercavam o gordinho, pessoas que, no meu modo de ver, não enxergam a vítima para que não exista um algoz. Gente sentada na zona de conforto concedida pela sociedade como prêmio para aqueles que se adaptam à hipocrisia de uma (a)normalidade institucionalizada. Amarrados aos valores trabalhosos demais para serem revistos, "impossíveis de mudar" por ser o certo, por estarem sedimentados. Gente exercendo a mais consistente passividade. Afinal, violência e segregação não tem nada de normal!
Se o bullying começa travestido de brincadeiras e piadas, é a “vista grossa” que veste  os abusos  sofridos e sufoca  sua vítima no saco da invisibilidade, protegendo os agressores/ criminosos,  podendo elevar  as “brincadeiras” = ações odiosas  à potência de crimes de ódio. E, um crime não é crime apenas quando leva sua vítima à morte ou provoca lesões físicas.                                                                                            Crime é um ato que  infringe as leis e agride direitos, como por exemplo,  o tão badalado direito de  ir vir, o direito de manifestar opiniões, o direito de protestar contra contextos  injustos.
 Tanto o bulying (brincadeira que ridiculariza e subjuga um ser humano por questões que na maioria das vezes ele não tem ingerência) quanto o crime propriamente dito,  tem como consequência aleijar  pessoas psíquica e emocionalmente.  
Ambos (bullying e crime) mudam trajetórias de vidas, incapacitando pessoas para o exercício das suas possibilidades, sonhos, aspirações, habilidades, capacidades, competências
A atitude das pessoas ao redor  define a visibilidade ou não dos massacres que acontecem rotineiramente contra muitos segmentos, mas para alguns desses há a preocupação de buscar-se culpados e gerar estatísticas, como  aquelas  relativas à violência que vemos com mais frequência nos noticiários. 
No entanto, se o crime envolve gênero, passa a ser visto com condescendência, tirando da lista de seres humanos e cidadãos a vítima, uma vez que as leis existem para proteger o cidadão e todos são iguais perante a lei...
Em 2012, o “Disque 100”, serviço de denúncia telefônica da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, registrou 6.809 casos de violação dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT). 
Em 2013 o número de mulheres assassinadas por serem homossexuais foi quase cinco vezes maior que a média de assassinatos dos últimos 20 anos.

Pois é, o Brasil, não ganhou a Copa,  mas é campeão mundial em assassinatos por homofobia. 

É o sétimo colocado em assassinato de mulheres e concentra 44% das mortes por homofobia praticadas em todo o mundo e, mais: 
Em quatro anos os casos de estupro cresceram 157% por aqui. Um vexame bem maior que perder de 7x1 para a Alemanha... O poder público, “não produz estudos aprofundados, evitando trazer à luz o nível de violência sofrido pelas mulheres e LGBTs”, subestima esses dados dando sua contribuição para a invisibilidade lésbica.

Falando de minorias, lésbicas, crimes e novela, “Em Família”, criticada do início ao fim, pelo público em geral, penso no comentário do diretor Daniel Filho referindo-se à reação do público diante de antigas produções  que abordaram os  temas  do negro  e relacionamentos  interraciais: “O público recebia melhor quando a dramatização  era apresentada dessa forma”. 
 “Essa forma” era ator branco pintado de preto (Sérgio Cardoso na “Cabana do Pai Tomás), casais interraciais já estabelecidos desde o início da produção (Milton Gonçalves e Suzana Faíni em “Irmãos Coragem”). 
Logo, compreensível  o quarteto de lésbicas no estilo  Disney World, apresentado na novela do Manoel Carlos, um pacote bem embrulhado com tudo o que a sensibilidade da nossa sociedade pode aguentar, modelos que possam ser questionados, invalidados ou mesmo corrigidos.
E por falar em “corrigidos”, Os “estupros corretivos” vêm aumentando. Um absurdo baseado na idéia que “homossexualidade feminina pode ser “curada” pelo estupro", ameaçando a vida de milhares de lésbicas. 
Um crime disfarçado de pensamento,  um  filhote diabólico do machismo com a homofobia.  Esse tipo de pensamento opressor, que subjuga a mulher em sua sexualidade é o que se chama de “invisibilidade lésbica” que dá a noção da carga múltipla de invisibilidade suportada pelas mulheres homossexuais, já que num país machista como o nosso, todas as mulheres são invisíveis, apenas porque são mulheres. No máximo avistam uma bunda aqui, um peito ali....

A importância de ser visível pode ser observada num fato acontecido no meio do ano passado, 2013, quando o deputado federal  Marcos Feliciano  aprovou a “Cura Gay” na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados e milhares de pessoas nas redes sociais e nas ruas protestaram com o “Fora Feliciano” conseguindo com o clamor popular a retirada do projeto. 

Portanto, entrar no armário não é solução para invisibilidade lésbica, mostrem-se meninas, o Brasil precisa mostrar sua verdadeira cara, educar seus ignorantes e punir os verdadeiros bandidos! Ninguém tem que ser morto ou humilhado por  ser diferente.

Fonte das estatística citadas: www.pstu.org.br

1 de nov. de 2013

Pré Flores Raras | Lotta 1

O Aterro do Flamengo, espaço de lazer, esporte e deslumbre visual tal qual conhecemos, poderia ser algo assim, por exemplo, como aqueles canteirinhos safados que dividem as pistas da auto-estrada Grajaú/Jacarepaguá ou a as margens dos rios urbanos de Sampa.  Isso não aconteceu por iniciativa de uma mulher que idealizou transformação dos  7 km de aterro das  margens da  via expressa que ligaria a o Centro à Zona Sul num espaço de lazer que aí está  até hoje. 

Lota Macedo - Maria Carlota Costallat de Macedo Soares, filha do militar Macedo Soares, hoje, nome de escola  em Olaria, foi convida por Carlos Lacerda a trabalhar no projeto do Aterro do Flamengo, sua idéia excelente foi cobiçada pelos burocratas da época, que fingiam desdenhar  e a menosprezavam por   lhe faltar diploma.  Sim,  para os burocratas tacanhos diploma pode significar competência, uma competência que não lhe faltava  na mesma medida que lhe sobrava personalidade e ousadia criativa. 

Entre 1951 e 1965 Lota Macedo  viveu, por 15 anos, assumidamente  com Elizabeth Bishop, sim, aquela mesma dos poemas. Uma Elizabeth Bishop que as amigas de Lota acusavam de arrogante, por confundir  timidez da moça com arrogância. Também faziam pouco dos seus versos que receberam em 1956 o prêmio Pulitzer Prize. Em 1960, muitos de nós ainda não tínhamos nascido e Lota trabalhava no projeto do Parque sem receber nenhuma remuneração (não tinha diploma, lembram?) e Elizabeth Bishop viajava pelo Brasil fazendo reportagens para a Time-Life que resultaram no livro Brazil.


Essa história já contada por Carmem Lúcia Oliveira no livro “Flores Raras e Banalíssimas”, chega aos cinemas em 16 de agosto. Num momento em  que ainda há tantas mulheres disfarçando com baton a sua vontade de dirigir um caminhão, sentindo-se culpada por amar dessa forma e mentindo para si mesmas que não estão se escondendo, apenas tomando cuidado. Acho interessante essa história de amor entre mulheres num tempo em que o preconceito era tão forte que  nem mesmo a posição social elevada  de Lota e seu prestígio junto ao governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, conseguiam fazer com que fosse olhada com respeito por seus pares de trabalho ou mesmo pelas amigas próximas a falarem mal de sua amante, que logo seria considerada uma das maiores poetas da Literatura Inglesa. 

O filme teve dificuldade para a captação de recursos, e coube ao diretor Fábio Barreto mexer no próprio bolso para viabilizá-lo, pois que os patrocinadores não queriam ligar sua marca à homossexualidade. Segundo ele, o filme que retrata o relacionamento da urbanista e arquiteta autodidata brasileira com a poeta inglesa nos  anos 50/60 “não é um filme de amor gay”, mas um filme sobre a “perda”, o que na minha opinião, como diria minha avó “acaba dando na mesma”.



Bem, Elizabeth teve seu centenário em 2011 comemorado pelo mundo todo enquanto que Lota Macedo não tem sequer uma plaquinha no parque que idealizou e pelo qual trabalhou sem nada receber, coisa para quem pode e para quem real e indefectivelmente ama. Resultado de uma conveniente falta de memória e recorrente ausência de reconhecimento.

 E,  lembrando que o filme Crô, personagem vivido por Marcelo Serrado na novela Fina Estampa, encontra a mesma dificuldade de patrocínio.... É  a mesma velha conhecida hipocrisia que ainda leva algumas conhecidas a formarem casais improváveis com meninos com os quais  jamais transariam, hipocrisia brasileira onde nosso dinheiro serve e sofre o assédio midiático, nossa companhia divertida e arrasta alguma multidão, mas não somos bons o suficiente para sermos levados a sério e recebermos incentivos, muito menos, reconhecimento. 

Toda liberdade e liberalidade brasileira pode estar expressa nas frases da personagem de Antônio Fagundes na novela da 21:00: “Eu não tenho preconceito, mas filho gay, eu não quero!” e  “Entra, volta pro casulo!”

Enquanto alguns já morreram,  tem gente apanhando para garantir o sossego das jovens senhoras que se sentem mocinhas a fingir que penas brincam de casinha com aquela menina com jeitinho esquisito....



AGOSTO – MÊS DA VISIBILIDADE LÉSBICA
Texto publicado na Revista S! em agosto de 2013, coluna Vida Urbana


23 de set. de 2013

INTIMIDADE

"Preciso tomar um banho", disse Ella, olhando para Outtra como se fosse um convite.
-"preferia que fosse não fosse junto", respondeu Outtra.
Ella disfarçava um tantinho de decepção com um olhar interrogativo e Outtra complementou:
-"Intimidade... Gostaria de construí-la".
E acariciou delicadamente o rosto de Ella, dando-lhe um tímido sorriso.

28 de jun. de 2013

ORGULHO GAY


Foto: Para os babacas de plantão que vão falar sobre um suposto dia do orgulho hétero: Quando falamos Orgulho gay é a alternativa à vergonha de ser gay. 

Vergonha de ser gay é aquilo que leva as pessoas para dentro do chamado  "armário". 

Armário é o termo figurado que significa  esconder da sociedade a orientação sexual. 

Esse sentimento de vergonha nasce de maus tratos sofridos como por exemplo, risinhos pelas costas, comentários maldosos, piadas sem graças, manifestar o pensamento que um gay não sofre como um heterossexual, até a homofobia explícita. 

Ser gay e adentrar ao "armário" imagino seja similar a ser heterossexual e ter o pau pequeno. A pessoa sabe o que tem, o quanto é capaz, mas esconde aquilo que sabe o mundo não consegue compreender por puro preconceito.
Cansei de explicar. Feliz dia 28/06 pra vocês homofóbicos, frustrados de pau pequeno e gays bem orientados, felizes e posicionados. Para os que ainda estão no armário...
#QuemTahSatisfeitoFicaEmCasaQuemNaumTahVemPraRua

Para os babacas de plantão que vão falar sobre um suposto dia do orgulho hétero: Quando falamos Orgulho gay é a alternativa à vergonha de ser gay. 

Vergonha de ser gay é aquilo que leva as pessoas para dentro do chamado "armário". 

Armário é o termo figurado que significa esconder da sociedade a orientação sexual.

Esse sentimento de vergonha nasce de maus tratos sofridos como por exemplo, risinhos pelas costas, comentários maldosos, piadas sem graças, manifestar o pensamento que um gay não sofre como um heterossexual, até a homofobia explícita.

Ser gay e adentrar ao "armário" imagino seja similar a ser heterossexual e ter o pau pequeno. A pessoa sabe o que tem, o quanto é capaz, mas esconde aquilo que sabe o mundo não consegue compreender por puro preconceito.
Cansei de explicar. Feliz dia 28/06 pra vocês homofóbicos, frustrados de pau pequeno e gays bem orientados, felizes e posicionados. Para os que ainda estão no armário...
#QuemTahSatisfeitoFicaEmCasaQuemNaumTahVemPraRua

COMPARAÇÃO (vinheta)

Ser gay e estar no "armário", imagino seja similar a ser heterossexual e ter o pau pequeno. A pessoa sabe o que tem, não pode mudar isso, sabe o quanto é capaz, mas esconde aquilo que sabe o mundo não consegue compreender por puro preconceito.
(Rozzi Brasil)

12 de jun. de 2013

Procura-se



Procura-se uma namorada. Que goste de conversar mais do que fazer sexo, mas que não converse tanto durante o sexo.
Que goste de dinheiro como gosta de de mim, mas não me venda por qualquer dinheiro e em hipótese alguma sem repassar a minha comissão.
Não precisa ser magra, mas que não me encha com essa história de "to gorda, mô".
Não sou do tipo ciumento, mas chopinho com amigos na noite de sexta sem mim, nem pensar
Pode ter vários defeitos desde que, ao pedir minha opinião não seja para discordar. Sabe aquela coisa de:
- Esse vestido ficou bem?
Aí a gente diz:
- Tá linda!´
E ela responde:
- Ah, não, tô horrível...
Pois é...
E quando me propuser algo, realmente proponha. Por exemplo:
- O que vamos fazer hoje?
- Vamos ao cinema
- Ah, cinema? Queria ir ao teatro
Não precisa ser a mais brilhante e inteligente das criaturas, apenas que entenda que se eu quisesse outra, não estaria li com ela.
Tenho todo o tempo disponível para intermináveis DRs, desde que sejam as nossas, pois tenho o péssimo hábito de já ter discutidos minhas relações anteriores no passado...
Pode amar carros caros e sonhar com diamantes, desde que contente-se com os meus poemas, algumas flores e agradeça meus chocolates. E ao ganhar uma fotografia de presente, não olhe que tem um papinho sobrando ali, e o photoshop não eliminou aquela espinhazinha do mês.
TPM vai bem, é inevitável, me mate todos os meses por alguns dias, masnão precisa contar para as amigas o quanto eu sou" grossa, "insensível e não entendo nada".
Procuro uma namorada que goste de viver e que ache que viver comigo é legal, não porque eu seja legal, mas porque juntas seremos felizes.

23 de jun. de 2012

Alan Turing - Herói de Guerra massacrado pelos seus

Edição especial e extraordinária dese blog que se propõe a colecionar os textos que escrevo para a REVISTA S!

Página de pesquisa do Google sempre os brindando com alguma surpresa, acaba de me surpreender grandemente. Ontem ao acessar dei de cara com essa curiosa imagem:

Marquei com uma setinha vermelha o link que diz: 100º Aniversário de Alan Turing, que nos leva para a página com:   Aproximadamente  65.500.000 resultados  que foram localizados em (0,12 segundos). 
Diante disso cliquei em: Alan Turing, o pai da computação é homenageado por Doodle do Google "

Lendo as informações passei de maravilhada para chocada até sentir-me estarrecida.
        Maravilhada:
  • Nascido em Londres em 23 de junho de 1912, Alan Turing é considerado um dos principais cientistas da computação e tido como um dos responsáveis pela formalização do conceito de algoritmo, tendo desempenhado um papel fundamental na criação do computador moderno".
  • Foi consagrado aos 24 anos de idade "com a projeção de uma máquina capaz de fazer operações matemáticas"
  • Seu amplo conhecimento sobre área fez com que trabalhasse para o serviço de inteligência britânico durante a Segunda Guerra Mundial, onde atuou em um centro especializado em quebrar códigos.
  •  Ainda durante a Segunda Guerra, Turing foi responsável por liderar o projeto que resultou no computador inglês Colossus. Utilizando símbolos perfurados em fitas de papel, o equipamento processava a uma velocidade de 25 mil caracteres por segundo e sua missão era quebrar códigos alemães ultrassecretos.
  • também foi chefe da seção responsável pela criptoanálise da frota naval alemã, chamada de Hut 8. 
  • No período pós-guerra, desenvolveu o ACE, um dos primeiros projetos para um computador de programa armazenado.
  • Já nos Estados Unidos, trabalhou em um projeto de transmissão de dados transatlânticos de forma segura.
  • Criou o  “Teste de Turing”, cujo objetivo era o de testar a capacidade das máquinas em exibirem comportamentos inteligentes.
Bacana, não é mesmo? 
Chocada
"Aos 40 anos, Turing sofreu um processo criminal devido ao seu homossexualismo, ato considerado ilegal no Reino Unido na época. Como alternativa à prisão, submeteu-se ao tratamento com hormônios femininos e à castração química. Dois anos depois, pouco antes de completar 42 anos de vida, Turing foi encontrado morto em sua casa devido a um envenenamento por cianeto. Em 2009, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown desculpou-se publicamente em nome do governo pela maneira com que Turing foi tratado após o fim da Guerra".
Turing foi homenageado pela Association for Computing Machinery (“Associação para Maquinaria da Computação”, em Português) com o Prêmio Turing, concedido anualmente para pessoas que se destaquem por suas contribuções fundamentais e duradouras à computação. A premiação é no valor de US$ 250 mil dólares (R$ 500 mil aproximadamente) e patrocinada pela Intel. 
Estarrecida:
Após esses comentários que foram copiados e colados lá do site de origem (dos quais excluí os nomes dos autores dessas contribuições) tem a minha conclusão, nada brilhante é claro, nem à altura da personagem. Tem também o link para a biografia do Alan Turing que encontrei enquanto pesquisava imagens. Portanto não se perca na profundidade dos comentários abaixo, dêem-me o prazer de ter sua companhia ais um pouquinho.
  • Demais!!!!

  • GRampinas, SP13 horas atrás
    EU CONSEGUIII FAZER, QUE IRADO NO INICIO EU N TINHA ENTENDIDO DPS EU MATEI A CHARADA, ACERTEI TODOS DE PRIMEIRA MENOS O PRIMEIRO, QNDO EU ACABEI APARECEU "ALAN TURING" NO GOOGLE

  • 13 horas atrás
    Lembra manipulação de binarios em assembly

  • 13 horas atrás
    Nossa que maquininha interessante!!

  • hapecó, SC13 horas atrás
    consegui tbm

  • 3 horas atrás
    Fui o Segundo :P

  • 13 horas atrás
    Fiz rapidinho heheh.

  • meira, SP14 horas atrás
    Primeira ! srsrs

    • Ryan Babel13 horas atrás
      Parabens :P

Imaginei que sejam pessoas interessadas na tecnologia e na curiosidade do assunto, provavelmente jovens, mas não consegui me furtar à reflexão da invisibilidade atribuída aos "pequenos detalhes" da biografia do gênio da computação. Sempre navego pela internet  em busca de vídeos, lançamentos, novidades, críticas e resgates musicais e assim fiquei acostumada com alguns jargões de admiração do tipo "moooito foda",  "phodástico", "q issu mano, o cara arrebenta" e coisinhas do gênero... 
Alan Turing mereceu as desculpas póstumas do Primeiro Ministro britânico, mereceu homenagem da Association for Computing Machinery, virou até um generoso prêmio anual (US$250.000,00)  patrocinado pela Intel,  concedido aos que vieram depois se destacando "por suas contribuições fundamentais e duradouras à computação.

Mas não mereceu nenhuma indignação por parte dos comentaristas, na net representantes do pensamento da nossa atual sociedade. Nenhuma menção ao seu final triste, violento, humilhante.  Sua imagem poderia estar estampada nas bandeiras do arco-íris, não como gracioso enfeite, mas quem sabe como um exemplo do que a homofobia é capaz e do quanto podemos ser indiferentes. 
Alguém poderá me dizer que a piedade não é um sentimento bom nem construtivo e eu reponderei para pensar dessa forma quando falecer mais um mito desses que nos deixam dias e dias a lamentar, sofrer sua perda.
Alan, criador de um sistema foi usado, moído e descartado pelo mesmo sistema que ainda hoje sente fome e carece de consciência.

A título de "curiosidade", cabe esclarecer que Turing suicidou, ingerindo uma maçã que ele mesmo banhou numa solução de cianeto de potássio. Ele foi demitido, perdeu todas as suas credenciais secretas, comendas e honrarias. Não deve ser muito fácil para alguém sagrado cavaleiro da coroa britânica, Sir, ver-se condenado a tomar doses cavalares estrogênio e observas seios nascendo em si...
Enquanto escrevo esse texto, busco imagens para ilustrar porque entendo que seja penoso para muitos ler um blog sem figuras. a minha generosidade acaba de me brindar com o texto do André, que não faço a menor idéia de quem seja, mas me pareceu uma pessoa bem mais interessante e interessada que a grande maioria que está desde ontem ciente do aniversário do genial homossexual Alan turing. O link está aqui, ainda não li tudo, mas com certeza será um prazer!
GRANDES NOMES DA CIÊNCIA: ALAN TURING