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14 de ago. de 2016

PAI, MÃE? SOCORRO!


Se preparássemos nossos meninos para serem pais, como há uns tempos preparávamos nossas meninas para serem mães, seria talvez um desastre menor ou quem sabe, o mesmo, porém com proporções reduzidas.

A modernidade vem trabalhando pela liberdade masculina, proporcionando que os homens larguem alguns pesos, se tornem mais leves. Eles contam com o apoio da mulher, agora liberada que ao contrário com a liberdade agregou pesos, responsabilidades.


A evolução é um processo lento onde as seus segmentos não caminham na mesma velocidade. Num país falho na arte de educar seus cidadãos, é uma tarefa altamente complexa, onde a globalização tem um papel destacado que nos leva por caminhos enviesados. Não tivemos meio-termo, sociedade jovem que somos, não aprendemos a nos conhecer enquanto povo e assim não sabemos nos valorizar. Nosso elo está perdido, escondido em algum lugar. Enxertados culturalmente por tantas influências, o brasileiro é um surfista sem prancha, tomando caixote, jogado ao mar de um mundo que não facilita as coisas, regido por políticos que dificultam o entendimento e sabotam o pensamento crítico.

Toda evolução feminina, malgrado os movimentos feministas nacionais, se deu à custa da necessidade, de a mulher sair da condição de planta - ficar onde foi colocada, dependente do básico para sua sobrevivência, recebendo como favor o fato de existir e ocupar um espaço. De modo que o crescimento humano por aqui é quase que à base da "geração espontânea", por exemplo, a mulher abandonada, desquitada, posteriormente divorciada, que fora criada para ser esposa e mãe, teve de dar seu jeito para sobreviver e em muitos casos criar os seus filhos com uma dignidade que a sociedade não lhe dava direito de ter.

O descaso público com a educação formal, a dificuldade de acesso aos desfavorecidos a ela não colabora para que tenhamos uma boa evolução em tantos nichos e quesitos. O sistema capitalista que alinha as descobertas tecnológica na prateleira com a etiqueta "tem que ter" nos põe a correr quando mal conseguimos andar. Precisamos ter tantas coisas e para isso precisamos de salários generosos, que sem qualificação, educação não conseguimos.

Voltando ao ponto, coube às mulheres dentro da sua liberdade recém adquirida as responsabilidades de continuar a cuidar dos filhos, da casa, numa cultura que cada vez mais cobra beleza e "boa aparência", num contexto em que negras não estão enquadradas no padrão de beleza e lá foi a mulher trabalhar fora, orientar os deveres escolares dos filhos, levá-los ao médico, cuidar da casa e atender aos novos apelos mundiais, ser linda, ser magra, ser jovem pra sempre, ter cabelos lisos, se impor como pessoa se negra for.  No mínimo cansativo. Problemático e ela é casada com u homem que faz sobrancelhas e ainda precisa dividir com ele o shampoo.


Não é fácil lidar com o julgamento calcado em pensamentos e leis tão antigos diante de tanta evolução.

Não é fácil viver um dia dos pais (desculpem, é apenas o calendário da vez, num país onde quase tudo que é respeitado é cópia ou livre inspiração) onde apesar de  toda a nossa sentimentalidade brasileira, sabemos que é uma data copiada ou inspirada no evento americano quando uma filha quis homenagear seu pai veterano de guerra que a criou e aos irmãos sozinho após a morte da esposa, enquanto aqui foi uma idéia de um publicitário diretor do jornal e da rádio pertencente ao maior grupo de mídia do pais. Portanto, se você tem um pai legal dê todo amor e carinho pra ele porque a  nossa sociedade não contribui muito para ele ser assim. Se você é um pai dos bons meus parabéns! Mas não tenhamos ilusões, tratemo-nos bem todos os dias que são dias de todos nós.



9 de ago. de 2016

RAFAELA SILVA NOS SERVIU LIMONADA. MERECEMOS?

Ontem, 08/08/2016 vendo noticiários sobre o feito da Rafaela Silva, percebi uma pergunta recorrente: " como você se sente, agora que é referência para as crianças de comunidade"? 
- Basicamente a pergunta era essa, com pequenas variações. Então, ocorreu-me, como a nossa sociedade, digamos assim, transfere a responsabilidade para aqueles aos quais deveu apoio e não deu, deve apoiar mas não apóia.
A moça de 24 anos nos deu MAIS um exemplo de superação, não só teve que superar todas as dificuldades inerentes à sua condição de mulher nascida em pobreza extrema, negra mas esse exemplo já tinha sido dado desde o momento em que ela não virou número nas estatísticas ruins que vendem jornais e reparte lucro através de cliques e nos municia com toda sorte de preconceito.
Em Londres ( e quantos de nós já fomos a Londres?) ela foi desclassificada, segundo análise dos comentaristas, injustamente, por possível perseguição de um árbitro (ontem ele quase a desclassificou de novo) e ela não recebeu nenhum consolo ou incentivo pelo simples feito de ter se classificado e lutado com honra e garra. Pelo contrário, recebeu comentários racistas que fomentaram ainda mais sua vontade de provar ao mundo seus valores. Teve que provar valores que já estavam expostos....  Nem todos possuem o mesmo "estofo" na personalidade. Para quem nasceu pobre e negra num país que enxerga essas características como suspeitas, críticas que na verdade quase sempre são bullying, podem destruir potenciais vitórias - como destrói vidas e pessoas cotidianamente. No entanto Rafaela fez do limão a limonada e serviu pra nós e eu nem sei se merecemos.
Calma! Não é uma crítica generalizada no sentido de sermos todos racistas, é um pensamento que nos envolve por conta do nosso silêncio e indiferença mediante aos absurdos brasileiros.
E se os repórteres perguntassem para as pessoas da nossa sociedade (nós todos):
Como você sente recusando-se a aceitar ajudar projetos sociais?
Como você se vê ao concordar com quem diz que paga impostos e não tem que sustentar vagabundos através de benefícios sociais?
Como você se sente ao ter medo de ser assaltado ao visualizar um negro ou pobre na rua?
Consciência, solidariedade seriam os maiores legados olímpicos. O verdadeiro orgulho de ser brasileiro. Seguir cantando o hino depois que o CD pára, não é nada.

8 de ago. de 2016

RAFAELA SILVA - OPORTUNIDADE

Não tem como ser complacente com quem fala mal do povo brasileiro quando a gente olha a expressão da Rafa Silva no pódio. Primeira medalha de ouro brasileira no Rio.
Carioca, da CDD, de projeto social, de cabelo sarará. Gente que só precisa de uma oportunidade pra vencer.

CATAPULTAS DO ESPORTES

Vibrando com os resultados positivo dos nossos atletas. 
Há tempos deixei de acompanhar muita coisa, inclusive a dificuldade deles de conseguirem patrocínio, verba, apoio, grana, recursos para poderem viajar, participar das competições e conquistarem o direito de representar o país em eventos como estes que ora aporta no nosso litoral. Imagino que as coisas tenham melhorado muito, mas penso que devam permanecer difíceis. Nada nesse país é fácil.

Sem nenhuma pesquisa, percebo que os projetos sociais, sejam por iniciativas pessoais de ex-atletas com suas fundações, sejam por ações de Ongs dedicadas à melhoria da qualidade de vida de jovens através de práticas esportivas, trouxeram resultados e garantem alguns "brotos" para uma safra de futuros competidores. Também as forças armadas voltaram a embasar e estimular o bom desempenho de atletas que vimos conquistar medalhas - desde a primeira medalha de ouro na Antuérpia em 1920, passando por João do Pulo (anos 70) até a linda porta bandeira da Rio 2016 muitos atletas são militares.


O que ainda não consigo entender é o desacerto no futebol masculino. As meninas que não conseguiram times para jogar no exterior, já que aqui futebol definitivamente é esporte para homem, treinam na estrutura da CBF e a iniciativa mostra ter sido uma coisa boa. Poderiam fazer uma peneira com os "lekes" (meninos, piás, garotos, moleques)  que são dispensados aos montes pelos clubes, proporcionar que fossem  tão bem como se tratam os cavalos competidores (e talvez nem vai ser preciso tanto luxo) tendo assim,  em casa, uma seleção olímpica masculina. Por que não?


Agora, impressionante mesmo é essa tal de Formiga! Lembro dela no Radar do século passado - para ela em sentido figurado porque o tempo parece não ter passado pra ela, para mim no exato sentido da expressão porque me acabei com a passagem do século....

VAMOS FALAR DE AMOR (6) E SEXO (1)

Amor e sexo para mim sempre foram coisas distintas. De amor eu ouvia falar desde cedo nas novelas e histórias infantis, de sexo demorou muito para eu poder ouvir ou falar. Na casa da minha infância casa não habitavam as pessoas mais românticas do planeta, nem eram as mais delicadas, de modo que a palavra amor não era recorrente, era rara e isso era muito comum no universo em que cresci, onde a palavra de ordem era educação no sentido de comportamento e fazia parte da boa educação (bom comportamento) não falar de sexo, de modo que para entender sexo como parte do  conjunto biológico natural normal do ser humano , incluindo saúde, demorou muito.  

Quando se falava em sexo,  os adultos lá da casa sabiam do que se tratava, eu aprendi na escola com "aquela aula da Tia Leila" que explicava como eram gerados os bebês , só fui saber como eles eram feitos, muito tempo depois. É que as informações de uma bolinha com um rabinho, virando criança dentro de uma mulher, foi algo tão espetacular que não me ocorreu perguntar como ela conseguiu entrar lá dentro. Na turma havia 42 alunos e ninguém fez essa pergunta. 

Hoje fico pensando que sexo durante tanto tempo para mim teve a conotação de vida, enquanto para os mais velhos lá de casa, era relação sexual mesmo. Já amor entrou em contato comigo fantasiosamente, através das histórias ridículas de príncipes e princesas, dragões,  bruxas e maçãs, torres gigantescas, jardins de espinhos intransponíveis, feitiços que faziam dormir por 15 anos. 

A minha história predileta era a Bela e a Fera, mas hoje sou obrigada a reconhecer que fui a Bela Adormecida, aquela que acordou tendo que estar pronta para um amor que na verdade seria “apenas” uma trepada



7 de ago. de 2016

A ESTROFE DO HINO QUE ESTÁ FAZENDO FALTA

E se...
Cantasse o Hino Nacional Brasileiro todinho pra esses garotos explicando o significado das palavras?
Contasse pra eles como viviam -> quanto ganhavam os jogadores da época do antes do Pelé?
Brasil 0 X Iraque 0 | ‪#‎dia2‬ ‪#‎Rio2016‬ |

6 de ago. de 2016

COMO UMA BRASILEIRA DECENTE

Sim, assisti à abertura olímpica impactada pelas coisas legais que eu via, tinha deposto o meu espírito crítico por aquelas horas, a minha ansiedade era pela vaia.
Não assisti à abertura olímpica como o falso nobre que torce para que tudo dê errado, nem como o espírito de porco que assiste às corridas desejando ver um acidente. Assisti como uma brasileira decente, torcendo para a maior vaia do mundo. E quando aconteceu, fiquei de pé e vaiei com alegria pra ter mais energia.
Os vizinhos não sabem a diferença entre um vereador e um senador, acharam estranho mas na dúvida vaiaram também.

A PIRA DO POVO


O povo tem pira!
O povo pira
Pira, povo

5 de ago. de 2016

Rio de Janeiro e Brasil são família da gente. 
A gente reclama mas ama e só a gente pode reclamar. Ponto. 
Dão orgulho sim.

LIBERDADE, LIBERDADE! NADA COMO UM FINAL FELIZ

Antes era a Muralha ( exibida em 2.000) agora é Liberdade Liberdade, ainda que na reta final tenha me parecido que de repente foi acelerada à base de cortes, foi uma produção primorosa. Ter tido uma adaptação livre, abrindo as compotas do romance ficou palatável porque essa história do nosso país é dura, doída, difícil de aceitar, principalmente se analisarmos que o Brasil ainda tem os mesmos comportamentos sociais, políticos e (des)humanos. 

Sim, Tiradentes deixou um filho - João de Almeida Beltrão e uma filha, sabemos que ela não teve essa vida repleta de aventuras e romances como mostrou a minissérie e talvez nem de perto fosse uma figura apaixonante,  mas a tirania que regeu esse período da nossa história, recheada de pobreza sempre estruturada e embasada na crueldade regados pela falta de higiene, estavam lá muito bem delineados, a ponto de nos constranger. O povo de aparência maltratada  a aplaudir enforcamentos, crendo piamente nas palavras das autoridades e políticos por medo de vir a viver ainda pior. 

O povo maltrapilho se acotovelando para assistir à passagem do cortejo real, as calúnias, prisões injustas, a homossexualidade como pecado nefando e crime a ser punido com a pena de morte, condenações sem julgamentos, apegos ao poder, puxadas de tapetes, conspirações ainda que sejam apenas recursos de dramaturgia, por que será não nos pareceram estranhos ou absurdos?

Ao  final, contente pelo final feliz, só fiquei a me perguntar o que foi feito da mãe de Xavier e como um homem valente, corajoso, amoroso que enfrentou a cadeia por duas vezes, retornou à Vila algumas vezes para resgatar a amada, os parceiros rebeldes e o cunhado, nem comentou sobre resgatar a mãe e as pessoas eram tão evoluídas que não se preocuparam com todo ouro do Par do Reino, Raposo, dando sopa lá na casa do intendente? Coloquei na conta da correria olímpica, quem sabe num reprise isso apareça, afinal exatamente como a obra, apesar
das festas e intervalos onde até nos sentimos às vezes felizes, sabemos que estamos muito longe do final.

4 de ago. de 2016

PORQUE NÃO LÁ?

Eu não crio polêmica, eu manifesto meus pensamentos. De preferência, nos locais apropriados... Explico:
A pessoa posta na sua rede social uma foto de um momento legal que ela viveu, aí vem alguém que discorda, não necessariamente da foto,  e acaba "batendo" na pessoa.
Rede social é assim, é como caminhar na rua e ganhar bala perdida, um constante fogo-amigo, muitas vezes inimigo mesmo.


Vi na página de uma querida (não só minha mais de muita, muita gente), algo assim. Ela postou a foto toda feliz por conduzir a tocha olímpica  e uma pessoa disse que a adorava, mas que achava que apenas atletas deveriam conduzir a tocha olímpica. 
Em respeito à querida amiga, não respondi lá o que esse pensamento levou-me a pensar. E o que eu penso? 
Penso que a tocha está certa, ela é um símbolo de harmonia e paz mundial tem objetivo de agregar e irmanar as pessoas, chamar o público não só para o evento mas para o esporte. No mais, a querida amiga em questão, exerce atividades de puro atletismo e isso ninguém pode questionar. Além da função de porta-bandeira premiada, consagrada, admirada, idolatrada é parte do Corpo de Bombeiros carioca e nas horas de folga trabalha no seu projeto social que ensina a arte de mestre-sala e porta bandeira.
Outra coisa: Ninguém fala que só sambistas deveriam desfilar nas escolas de samba, quando as celebridades invadem nossa cultura, a maioria "paga pau", puxa-saco e faz selfies, desculpem o termo chulo, eu falo um pouco melhor que isso, mas é assim que é. Garotos e garotas fabricados se enfiam no samba e "tiram a vez" na mídia de vários baluartes que apanharam muito apenas por serem sambistas. Então façam-me o favor, alinhem as balanças e nada de 2 pesos e duas medidas. Universalidade às coisas que são universais, por gentileza!
Parabéns aos sambistas condutores da tocha olímpica! Principalmente os mais velhos que serviram de trampolim para tantos fazerem sucesso e ainda contribuem generosamente para isso, quase sempre sem receberem agradecimentos ou referências.

Aos que tanto reclamam, um pouquinho mais de humor e de amor e em caso de ideologia, seria interessante que usassem  suas página em vez de desqualificar a alegria alheia. Todos os políticos envolvidos e os que foram destituídos dos créditos da realização, inclusive, mantem redes sociais. Por que não, lá? 


PORQUE NÃO LÁ?

Eu não crio polêmica, eu manifesto meus pensamentos. De preferência, nos locais apropriados... Explico:
A pessoa posta na sua rede social uma foto de um momento legal que ela viveu, aí vem alguém que discorda, não necessariamente da foto,  e acaba "batendo" na pessoa.
Rede social é assim, é como caminhar na rua e ganhar bala perdida, um constante fogo-amigo.

Vi na página de uma querida (não só minha mais de muita, muita gente), algo assim. Ela postou a foto toda feliz por conduzir a tocha olímpica  e uma pessoa disse que a adorava, mas que achava que apenas atletas deveriam conduzir a tocha olímpica. 
Em respeito à querida amiga, não respondi lá o que esse pensamento levou-me a pensar. E o que eu penso? 
Penso que a tocha está certa, ela é um símbolo de harmonia e paz mundial tem objetivo de agregar e irmanar as pessoas, chamar o público não só para o evento mas para o esporte. No mais, a querida amiga em questão, exerce atividades de puro atletismo e isso ninguém pode questionar. Além da função de porta-bandeira premiada, consagrada, admirada, idolatrada é parte do Corpo de Bombeiros carioca e nas horas de folga trabalha no seu projeto social que ensina a arte de mestre-sala e porta bandeira.
Outra coisa: Ninguém fala que só sambistas deveriam desfilar nas escolas de samba, quando as celebridades invadem nossa cultura, a maioria "paga pau", puxa-saco e faz selfies, desculpem o termo chulo, eu falo um pouco melhor que isso, mas é assim que é. Garotos e garotas fabricados se enfiam no samba e "tiram a vez" na mídia de vários baluartes que apanharam muito apenas por serem sambistas. Então façam-me o favor, alinhem as balanças e nada de 2 pesos e duas medidas. Universalidade às coisas que são universais, por gentileza!
Parabéns aos sambistas condutores da tocha olímpica! Principalmente os mais velhos que serviram de trampolim para tantos fazerem sucesso e ainda contribuem generosamente para isso, quase sempre sem receberem agradecimentos ou referências.

Aos que tanto reclamam, um pouquinho mais de humor e de amor e em caso de ideologia, seria interessante que usassem  suas página em vez de desqualificar a alegria alheia. Todos os políticos envolvidos e os que foram destituídos dos créditos da realização, inclusive, mantem redes sociais. Por que não, lá? 


3 de ago. de 2016

VAMOS FALAR DE AMOR? - 5

À vezes o sentimento não tem estrutura ou cobertura para tantos desentendimentos.
Às vezes num relacionamento, ambos estão fazendo o seu melhor, acontece que não é raro, aquele que (também) dá o seu melhor pensar que o melhor que o outro (também) está lhe oferecendo não é suficiente, o que o colocará um na posição de devedor e o outro na posição de cobrador. 
Muito se fala sobre não ter expectativas a fim de evitar a decepção. Tomar ciência do limite do outro, não deveria ser uma decepção mas apenas consciência do limite do outro. Aceitar o limite "na boa" pode ser um índice que mede o volume e qualidade do amor que se sente.
Muitas vezes acontece que o amor que pensamos sentir não tem exatamente a medida que imaginamos. O contato constante com o amado, conhecer a pessoa amada e a conscientização do quanto amamos, vence as possíveis decepções e pode eliminar a face desmanteladora de afetos que a rotina traz.
No entanto a rotina canibal que estamos expostos nos tira o dom do raciocínio e a clareza do nosso sentimento. Vivemos em tempo de consumo e perdemos a habilidade de fazer e criar. Consumimos tudo pronto, temos a postura de que a pessoa amada deva ser como uma roupa que deve nos atrair, compensar nosso investimento e nos cair muito bem para deleite do nosso ego.
Gente não é roupa nem objeto! Nunca seremos perfeitos e jamais estaremos pronto. O amor é um exercício que nos aprimora e se aprimora com o tempo e com o uso, exatamente o contrário de coisas, roupas e objetos que o tempo desgasta.

30 de ago. de 2015

FAST FOOD EM MADUREIRA

Fast food de Madureira é sopas e caldos. Coisas assim como angu à baiana e mocotó. Na área light da comidaria está o churrasquinho, a sopa de ervilha e talvez a vaca atolada. Tudo fast food encontrável nas calçadas, às portadas das quadras pronto para consumir.
É que lá em Madureira as coisas são do tempo que comida rápida era comer correndo com a mãe bronqueando na orelha da gente: "Tenha modos pra comer menina!" " Pára de esganação garoto!" "Vocês parecem uns esfomeados".
E a gente engolindo a comida porque ainda tinha pipa pra soltar, pique-bandeira ou queimado pra jogar e a gente tinha hora pra tomar banho e ficar "dendicasa", porque "criança não tem nada que estar de noite na rua" "amanhã tem escola"

MINHA INFÂNCIA FOI DO BICHO



foto ilustrativa
Na casa de minha mãe cães eram "para tomar conta da casa" e gatos eram para caçar ratos e impedir a proliferação de baratas. Cães ficavam amarrados na "casinha do cachorro", gatos ficavam soltos pelo quintal, podiam frequentar a varanda e nenhum deles tinham o direito de frequentar a casa.
O meu pai (que na verdade era meu avô) mantinha dezenas de passarinhos engaiolados que eram o orgulho dele. Se as aves não cantassem, perdiam a moradia. Se o gato cedesse à tentação de se pendurar na gaiola do pássaro preso, sua permanência ia depender da eficiência na sua função. Raramente, quase nunca os gatos se atreviam a atacar as aves presas e nunca, jamais assisti briga entre cães e gatos, embora as visse entre todos os humanos da casa.
Tinha os dias de "dar banho no cachorro", obrigação dos meus irmãos que depois eu assumi com a maior alegria. Todos os animais eram regiamente alimentados. Ainda não havia acontecido o "boom" das rações industrializadas, de modo que diariamente era feito um angu com bofe, que se esperava esfriar para servir aos cães e sob o grito de "a comida do cachorro está pronta!", lá ia eu a mais feliz das garçonetes!
Os gatos tomavam leite quando pequenos depois tinham uma alimentação que incluía peixes. Logo, tínhamos dias "de comer peixe" para que o gato pudesse comer também.
De vez em quando, alguns dos gatos apareciam miando e gemendo dolorosamente, vítima de veneno que os vizinhos ofereciam. às vezes minha avó conseguia salvá-los com aquelas práticas esquisitas dos antigos suburbanos que vieram da roça. Outras vezes nada restava a não ser providenciar o enterro do bichano, outra tarefa delegada aos meus irmãos e que eu jamais assumi, embora comparecesse a todos os funerais com olhos inchados e a alma infantil moída de dor profunda.
Todos os cães gatos lá da da casa de minha mãe tinham que ser machos. Sim, se por obra do destino surgisse uma fêmea, eles procuravam um dono pra ela e, se não encontrassem ela ia para a "rua da amargura" mesmo. Ninguém tinha dó, era normal para eles esse processo. Eu causava o constrangimento de sempre aparecer com um bicho doente ou ferido. Primeiro levava um esporro, mas o bicho era cuidado até ficar totalmente curado. E sendo um gato, havia o ritual de levá-lo embora empacotado em dias de chuva para que não farejasse o caminho de volta, ritual este, que me era vedado totalmente de participar, por motivos óbvios.
Um dia minha avó ganhou um cão pequines. O bicho tinha uma pelagem diferenciada da raça, ele era extremamente peludo, não era ruivo como a maioria,nem malhado de branco, era assim num tom meio café-com-leite. Era bonito o cretino e como bonito que era ou por ser de raça ou talvez porque na casa de minha mãe quem mandava era a mãe dela - o primeiro contato que tive com uma iminência parda - o tal do pequines ganhou o nome de Riquinho e tinha vida de rei. Podia frequentar a casa inteira, dormia na varanda e comia carne moída, cenoura ralada e arroz. Às vezes cismava de morder uns calcanhares de visitantes e além dos gritos por susto não recebia nenhuma reprimenda porque diziam, "fazia parte da sua natureza esse comportamento".
Enquanto isso, na frente da casa, viviam amarrados os grandes vira-latas responsáveis pelo sossego e segurança familiar. Quase todos cruza de "policial" ou dinamarquês com uma outra raça qualquer que explicasse a imponência do porte e emprestasse dignidade aos seus mantenedores. Cachorro pequeno não era aprovado.
Quando eu estava aborrecida por alguma injustiça à minha infantil pessoa, ia para a casa do cachorro e conversávamos por horas. As lágrimas corriam eles ganiam choramingando baixinho e suavemente.Olhavam-me com seus olhos úmidos e ternos, balançava vagarosamente a cabeça, me entendiam e acalmavam.
Nunca dei muito papo ao Riquinho que eu chamava de cachorro de janela, depois passei a chamar de mauricinho e hoje talvez o chamasse de coxinha. O fato é que eu não entendia ainda como funcionava, mas não via com bons olhos os privilégios que ele recebia apenas por ser um cão diferenciado daqueles que sempre habitaram nosso universo. Chegou sem mais nem aquela e já estava lá ocupando um lugar à janela.
Eu não tinha como verbalizar mas o meu sentimento era que família ficava em desbunde diante daquela pequena realeza animal ou quem sabe da sua origem no que diz respeito aos donos dos seus pais...
oOo
(próximo capítulo: o fim do Riquinho. Liberdade para os passarinhos. Fanta e Big os cães amigos e inesquecíveis)

24 de ago. de 2015

ARRUMAÇÃO NO CORAÇÃO

Arrumando as coisas em mim.
Algumas pessoas estão deixando a minha prateleira da amizade e indo pro tubo "estudo de casos". Porque vieram do cume - o meu panteão de amados - não foram descartadas. 
Claro que não as trato como objeto, exatamente por isso preciso manter minhas prateleiras organizadas. Venho de um tempo em que se tomava "benção", pedia-se licença, falava-se por favor e obrigada(o). Naquele tempo respeito era um item importante na educação da gente e hierarquia também, assim, a organização emocional era necessária e conforme a atitude dos detentores do respeito obrigatório, sem percebermos íamos elaborando, discretamente a nossa organização sentimental. O tempo bagunçou as coisas. A evolução rápida do tempo nos deixou na contramão, a nós todos que acreditamos nas doces bobagens dos princípios passados.

. Entendo que de repente a TV entrou nessa jogada, incluindo elementos nem sempre benfazejos à nossa educação. Isso depois de a grande maioria de nós termos perdido a presença constante da mãe que regulamentava nossos horários e o que poderíamos assistir na TV. O caminhar lento dos nossos dias virou uma corrida desenfreada e tantas coisas como pique bandeira, o Sítio do Pica Pau Amarelo e mais uma ou outra coisa especiais aos em pirralhos, saíram da TV mas não viraram aplicativos. Fato é que nada mudou, além da rapidez que todas as informações nos chegam. O mundo sempre foi movido por interesses e os seres humanos também. Fazemos parte da mesma natureza e por isso tudo acaba por parecer tão natural. O que há de artificial em toda a história, apenas a hipocrisia, espinha dorsal da nossa sociedade e é por isso que hoje estou arrumando minhas estantes.

10 de ago. de 2015

CRUEL




















As pessoas mais velhas que eu, recebiam uma criação muito cruel. Como educação, a preocupação principal era "forrar" o estômago das crianças e não lhes acolchoavam os corações. Crescemos com emocional encolhido, travado, submerso ou implodido

8 de ago. de 2015

POR EXEMPLO


Durante anos mantive que não tinha pai. Até hoje acho que não tenho. Durante a infância era a incompreensão do não entendimento, na adolescência o entendimento me revoltava, afinal eu tinha dois, como poderia não ter nenhum?
Por fim, todos os demais pais que diziam serem meus, incluindo as mães, se foram. Restou o biológico, que não cuidou de mim, nem da gente. Não me deu direito a herança, permitiu que eu aprendesse pelas ausências e indiferenças.
Mas se me deixou essa genética de ser gorducha, cara redonda e solitária por natureza, deu-me também o gosto pelo samba, sobrancelhas eternamente feitas, covinhas marcantes e o sorriso que todos elogiam. É o suficiente para amanhã eu estar com ele, mostrar-lhe que aprendi o que ele certamente não sabia para nos ensinar. Ainda que tenha tido oportunidades e se recsou a aprender.
A vida é um dia depois do outro e me surgiu de algum lugar. Na falta de consideração, respeito ou amor (que para mim é tudo uma coisa só) devemos fazê-los os melhores dias possíveis. Se não tenho bom exemplo, tive que ser um exemplo de alguma coisa boa que uma história ruim possa gerar. Vivi o suficiente para compreender finalmente que pirraça não constrói.
Feliz Dia dos País!!!

7 de ago. de 2015

MINHA PRIMEIRA SELFIE



Pense numa pessoa feliz
Obrigada #candeia

GAROA DE FELICIDADE












A gente só precisa aprender como estender os pingos de felicidade para que se tornem uma garoa constante