Mostrando postagens com marcador 2016. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2016. Mostrar todas as postagens

31 de dez. de 2016

OXOSSE e OXUM REGENTES DO ANO 2016

Prepare-se para fortes emoções e grandes possibilidades. Um ano de quem não aceita ser contrariado trará quebra de tabus para o bem e para o mal. Quem quer ter filhos, o ano é esse! 
Passará rápido por isso, olho vivo.

30 de dez. de 2016

FOI UM ANO MESTRE, NÃO MASTER

Uma coisa é viver outra, sobreviver. Uma coisa é viver as coisas outra aprender com as coisas que vivemos. Aprender é diferente de descobrir que é diferente de entender e embora tudo isso envolva o sentir, sentir não basta. Às vezes a gente sente que não deve sentir determinadas coisas e a alternativa é evitar dar importância aos sentimentos que não constroem. Neste aspecto 2016 foi um ano professor e eu vou terminando esse ciclo sentindo que começo a me tornar uma boa aluna.

Eu sou uma pessoa de posições bem definidas, palavras nem sempre doces, intensa, tensa, visceral, e cheia de sentimentalidades e tudo isso me soava como defeito porque eu não sabia o que fazer com quem estivesse no lado exatamente oposto. 2016 me ensinou que não se faz nada com os opositores, arrumar nossa casa, jogar bem, fazer a nossa parte é o que os mantêm respeitosamente distantes

SELMINHA SORRISO E O SONHO DO BEJA FLOR


----------------




No final de 2016, o prazer e orgulho de integrar uma equipe de bamba onde sou bamba também. Gente que fala de samba com a linguagem que a gente entende.

25 de nov. de 2016

É o membro da comunidade que sustenta a escola na avenida


Escola de samba tem alma e sua alma é composta de passado e presente para que tenha futuro. 
Gerir uma escola de samba para que tenha bom desempenho como escola de carnaval no molde empresarial é compreensível e é o que precisa ser feito se ela tem como meta campeonato na Sapucaí.

Mesmo os românticos incorrigíveis, quando o papo é samba sabe a importância do dinheiro, mais: a gente até sabe o custo das coisas mas é importante não deixar que a falta de grana, mudanças no fluxo e esquema, vaidades pessoais e llusões de poder (não precisa ser o rei pra receber a picada do inseto da vaidade) azedem as relações primordiais que são intrínsecas aos objetivos quando o assunto é comunidade, ser humano. A comunidade paga o que pode e às vezes o que não pode para se dar à sua escola. Comparece aos eventos, chama os amigos reparte camarote, usa camisa, boné e o diabo, briga se alguém fala mal. 

Os responsáveis por cada setor da escola, ainda que não sejam gestores, administradores, líderes formados, escolarizados nas áreas administrativa ou humana, precisam ser orientados no sentido de valorizar o componente e os baluartes da agremiação que são o ar ( ou vias respiratórias ) dessas escolas porque oxigênio mesmo, hoje, é o patrocinador.
Por mais modernos, modernosos, antenados e poderosos que os articuladores/responsáveis pelo processo de formação do desfile sejam, por mais que se sintam o pica-das-galáxias-carnavalescas, se não tem conhecimento das tradições ou não se interessam em formar um clima harmonioso no que se convencionou chamar comunidade, eles precisam ter boas maneiras, educação, mesmo. Onde falta técnica, perícia há de se ter jeito, sensibilidade, sobretudo respeito.

É o membro da comunidade que sustenta a escola na avenida. É ele quem se sacrifica para comparecer aos ensaios e, ainda que falte a um ou outro ensaio, estará lá dando o sangue cantando como poucos das alas comerciais ou convidados célebres o fazem.É grotesco ver gente em "condição de chefia" ironizando, debochando do componente e destratando baluartes. Educação todo mundo tem que ter para com todos, roupa suja se lava em casa, tem que saber arrumar um cantinho pra colar os paetês que insistem em cair e o melhor lugar não é no meio do povo!
Saber contar até 3 é imprescindível. Saber a diferença entre favor, obrigação e o que é certo e justo não pode ser esquecido jamais. 

23 de nov. de 2016

Tia Surica Da Portela é o luxo da nossa cidade


Estava olhando agora essa foto linda da Tia Surica Da Portela (sambista, pastora, tia de ponta) por Bob Wolfenson, fotógrafo internacional de ponta, para o projeto (social) da Amsterdam Sauer, joalheria de ponta e me vieram tantas reflexões acerca de valorização.
Nosso país tem muita dificuldade para valorizar suas gemas, seus ouros, suas riquezas. Fora aquelas que fomos acostumados a ver batendo asas para as arcas dos colonizadores, sendo particularizadas para os bolsos privados. Mais as riquezas culturais que achamos normal por de lado em detrimento de outras línguas modos e costumes estrangeiros e também nossas pessoas, personalidades. Crescemos, nos desenvolvemos encarando com normalidade copiar culturas mais pobres, menos talentosas que a nossa e aplaudir talentos alheios e ou transitórios.

Seria necessário dizer a cada brasileiro que não é ruim ser brasileiro. Não é feio ser brasileiro, nem negro, nem índio, nem miscigenados que é o que somos. Que a origem humilde é honrosa. 

Um dia nos vestimos com roupas  européias, colocamos perucas bizarras, empoamos a cara para parecermos menos morenos, usamos termos estrangeiros sob um sol escaldante e calor senegalesco, copiando os que julgamos superiores por acharmos chiques seus maneirismos que assim pareciam apenas por serem diferentes, sem nos darmos conta que, falidos vinham os donos desses costumes, abastecerem-se com as nossas riquezas. Os ricos éramos nós. Ainda somos e culturalmente ficamos ainda mais a partir dessa mistura. 

Quando aqui chegaram os gringos e galegos, encontraram um modo de viver, uma cultura, uma medicina, várias pessoas, alguns povos da mesma etnia e tudo foi desprezado. 
Pois bem, as crianças costumam vestir as roupas e calçados dos pais num processo de identificação, logo elas crescem e discutem com os pais para impor seu próprio estilo. Captaram o que desejo transmitir? O país se desenvolveu dentro de uma fôrma (acento proposital) que não permitiu a ele cresce e a nós nos desenvolvermos.

Recentemente num grupo do whatsapp que eu gostava muito, vi-me envolvida numa conversa a princípio irônica e que eu nunca poderia supor que fosse séria e assim levei na brincadeira. Um membro ironizava ou desconfiava ou questionava a qualidade vocal e competência musical da nossa pastora. No decorrer da conversa percebi que ele levava para o lado do usufruto financeiro a oportunidade que Tia Surica teve de gravar CD e DVD. Tratava-se de alguém muito jovem e apaixonado por carnaval e talvez até por samba. Ele não se dava conta que samba e carnaval são coisas diferentes, que o carnaval sem samba é festa pagã vinda sei lá de onde vinculada às colheitas. Carnaval com samba, é filho da nossa cultura, expressão libertadora de pessoas que construíram esse país a peso de chibata e humilhação. Samba é valor agregado por um povo sequestrado de sua terra e tudo o que era seu. 

É preciso lembrar cada momento essa origem para que meninos entendam ou aprendam a não trocar o ouro do nosso samba pelos espelhos da avenida, ainda que assim ele possa enriquecer feito um nobre cavalheiro, daquele pertencente à corte dos títulos comprados, defendendo uma arte descartável ao custo do 
menosprezo por arrogância e ignorância do seio que o amamentou e das entranhas que o fez nascer.
Não me zanguei nessa contenda, tentei esclarecer, mas retirei-me do grupo porque na minha idade, sabendo o que eu sei - muito mais por saber o que sei do que pela minha idade, não aceito ouvir sandices de quem mesmo vivendo de Brasil, não valoriza brasilidades genuínas.

Tia Surica Da Portela é o luxo da nossa cidade, do Brasil e o é porque é autêntica como muitos dos poucos que nos restam. Ela traz as portas da sua casa abertas, fala da nossa cultura porque a viveu e a defende, é a representatividade de um Rio de Janeiro que está acabando. Vê-la tão linda com as belas jóias da conhecida joalheria que completa 75 anos mostra tanto sobre isso! Esse projeto que escolhe 75 mulheres magníficas a comemorar com apoio à juventude fala muito sobre tantas coisas do Brasil que se perde de si mesmo a cada minuto quando a juventude não recebeu na escola a educação que a valorizasse pelas suas raízes. 

Cultuam-se celebridades, até mesmo com incursões no samba, mas quantas delas estarão disponíveis para algo a mais que fotos e selfies? Quantas delas estariam disponíveis para alavancar os sonhos da juventude que "curte" samba, se interessa por ele, estuda jornalismo, quer beber na minguada fonte dos baluartes sobreviventes, quer conhecer o Rio além dos pontos turísticos que ficam ali onde os colonizadores chegaram, como faz Tia Surica?

Cheguei à essa entidade viva não porque ela fosse famosa, mas porque ela era talentosa e fiquei porque ela é uma grande pessoa e continua talentosa. Passei a me relacionar com ela como ser humano e segui admirando quando ela abre aquela boca e canta como as pastoras antigas que não cantam mais e segui aparvalhada quando ela dá de contar os "causos" da época que não vivi e sigo amando muito e agradecendo à Vida (meu deus pessoal) pela oportunidade que tenho de conviver com ela e mais alguns poucos desse tempo que passando não evolui as mentes dos que só vislumbram fama, algum poder e muita grana.

Para mim, é o auge a sambista de sucesso que criou fama, que a mídia séria procura para beijar a mão e a imprensa sem nível se aproveita para criar escândalos toscos objetivando apenas uns cliques. 
Se Tia Surica tivesse se mudado para a Barra muita gente por aí a respeitaria muito mais, no entanto, a gente sabe que para o respeito não é imprescindível morar à beira do amar e que bom, que a Amsterdam Sauer sabe disso também e muitos que nos valorizam., disso estão conscientes.

Será ótimo no dia que cada pessoa souber. Chique é ser verdadeiro. Nossos negros expulsos da região central do Rio foram muito chiques construindo esse império cultural lá pras bandas de Madureira, Oswaldo Cruz, freguesia de Irajá. É muito triste ver nosso povo, tão alheio repetindo as ações daqueles que nos roubaram, escravizaram e insistem em manter as patas subjugando nossas oportunidades invenções e criações, dizendo "sim" para que nossos ouros se vão em troca de espelhos por mais que eles pareçam brilhar nas avenidas.

22 de nov. de 2016

Vamos falar de bobagens?

Um dia eu estava comendo pipoca e um pequeno grão detonou o meu dente, aquele ao lado do canino, aquele que é o primeiro que muita gente perde. Mas eu não podia sair com AQUELE dente quebrado! 
Ele quebrou verticalmente, só ficou a parte posterior dele, então ficou estranho. Quando eu sorria não ficava a lacuna, banguela, mas ficava estranho. Na época eu fazia roda de samba na Lapa. Você acha mesmo que eu ia pra Lapa, pro samba desse jeito? Mas nem me ameaçando de morte!
Isso é vaidade, mas uma vaidade que considero que tenho direito.


Nunca estive de acordo com o meu próprio padrão de beleza e desconfiava quando me achavam "bonitinha", mas o sorriso era um consenso. Mesmo quando sofri um acidente e ele foi modificado "na marra", ainda assim as pessoas gostavam dele. Uma vaidade tipo IPHAN, dá orgulho, todo mundo gosta vamos preservar!



E fica nisso. Não sou uma pessoa vaidosa. Sou capaz de sair de casa sem pentear o cabelo e vou à padaria com o que estiver vestindo, valendo até pijama, se eu tivesse. Só usei maquiagem, limitada ao batom, rímel e sombra durante o meu tempo de secretária numa empresa. Usei saltos na adolescência até descobrir que não era obrigada. Obrigada!

Não "faço" sobrancelha, depilo o sovaco pra evitar polêmica que não gosto de ninguém me perturbando. Há mais de 10 anos dispensei a manicure, só uso podólogo, não uso esmalte nunca, só pra consertar umas coisinhas em casa.


Gostaria de emagrecer uns 20 quilos e aí outro castigo da vida: Sempre emagreci muito fácil, no entanto depois dos 40 perder uma grama já é um problema, ganhar vários quilos nem sei como acontece... 

Desfilei em duas escolas de samba no carnaval ano passado e perdi 8 quilos, só por isso vou desfilar esse ano de novo.  Ok, talvez eu tenha gostado... 


Quanto mais problema tenho, mais quilos eu ganho. Quanto menos eu como, mais gorda eu fico. Papo de ansiedade, me disse a médica. Ai, ai...

Tenho horror às academias, aliás, às pessoas que as frequentam. Isso desde a época da novela Baila Comigo. Nunca entendi porque as academias são envidraçadas com a rua inteira vendo as pessoas lá dentro. Nunca fiz o tipo carne no açougue quando podia, imagine se faria nem agora, mesmo para quem gosta de picanha com gordura. Não quero ser notada por nada disso. 
E as olhadas que a gente ganha quando chega numa academia, cheia de sobrepeso? 
Parece que viram um ET, já te olham com cara de: "Ih, essa baranga não vai conseguir! Essa não tem jeito! Só morrendo e nascendo de novo."
A gente vira atração de circo.
Enfim, gente, é isso. Hoje eu não tinha assunto. Mas parece que tinha, né?

22 de out. de 2016

Quem não tem uma história em que transformou sua abóbora em carruagem


As pessoas hoje estão numa de se registrar nos seus bons momentos para postar nas suas redes sociais. Antigamente, elas faziam carão, se produziam todas para ficarem bem vistas e talvez sair nalguma foto que só veriam um tempo depois, quando viam. As duas situações são exatamente idênticas, a diferença é a tecnologia que otimizou o tempo gasto para a gente "aparecer" e parecer feliz ou mandando bem, ou por cima da carne seca, ou "top" ou que "está podendo" ou poderosx. A linguagem também mudou bastante. Só o ser humano que mudou muito pouco ou talvez nada.

A gente "zoava" os japoneses porque eles fotografavam tudo, por exemplo, num show. Dizíamos que eles iam assistir ao show depois pelas fotos ou vídeos que faziam e, de repente, não agíamos assim, já naquele tempo,  porque ainda não tínhamos tecnologia barata o suficiente. Eram poucas as redes sociais, proliferavam os sites de relacionamentos, os chats, a internet era campo para os mais endinheirados que podiam trazer câmeras, notebooks  do exterior, além de poderem frequentar lugares "bons de aparecer" nas fotos e ter internet banda larga.

Daí, que nas redes sociais, a maioria publica o que vai "pegar bem", o que vai deixar os amigos bem impressionados. Às vezes acontece de algumas pessoas entrarem desaviadamente com um ânimo meio "sinistro", num momento frágil quase como se entrassem  num bar e, como o bar "é a igreja de todos os bêbados", abrem a alma, implicam com o vizinho, mandam indiretas. E como nas redes sociais todo mundo é lindo para compensar  ficam também ricos, fortes, sensuais, sedutores, essas coisas que são apenas uma questão de escolher como é o seu pileque. Eu, por exemplo, fico revoltada e tenho vontade de acabar com 50% da minha lista a fim de evitar brigas, sim, porque o meu estilo é: Não agradou, não agradei,  bóra trocar de botequim, antes que dê barraco.

A despeito de toda "maquiagem", a verdade é que redes sociais revelam tanto ou quanto um bom encontro ao vivo e descontraído, é só observar as reincidências nossas de cada dia, o acerto vai depender da nossa capacidade de observação e claro, tempo de postagens, do mesmo jeito que conhecer alguém demanda tempo e contato. Ainda assim, a gente acredita na felicidade que as pessoas demonstram on line e compra a idéia de o quanto "fulano está numa boa mas não me paga" e fica chateado porque ele (o fulano) está badalando e a gente em casa duro como uma pedra (ia falar pau de tarado, mas não é elegante). 
E quando a gente pensa: 
- "Olha aí a abandonada...  Numa foto cheidi homem" 
ou ainda:
- "Deprimida é o cacete, tá lá "quebrando tudo" na balada"!

Porque a gente sempre vai acreditar no que quer crer e ver da forma como deseja ver. Porque continuamos os mesmos. Observamos e concluímos sem fazer nem um pouquinho de força para ter certeza, o  julgamento é o mesmo e a condenação óbvia. Continuamos se não fofoqueiros, interessados na vida alheia. Continuamos dando "trela" para os boatos e ainda emitimos opinião e o ajudamos a ir mais longe.  Somos todo "Dona Fifi" só a janela que mudou.Agora é de led!

Um dia fui com um grupo fazer um job num dos hotéis mais bem vistos da cidade. Levei uma equipe para os serviços de copa e cozinha. As gurias antes de colocar o uniforme, escolheram os melhores cenários (ninguém escolheu a cozinha) fizeram selfies e postaram como se estivessem numa balada vip com legenda mais ou menos assim: "Vamos pegar pesado. A noite é nossa"!
Ao fim do serviço, fotografaram-se ao amanhecer, na praia, mar ao fundo, sol nascendo com legendas do tipo: "Acabadas mas muito felizes". Elas não mentiram.
É assim que é. Quem não tem uma história em que transformou sua abóbora em carruagem para ser a gata borralheira mais princesa do planeta? Eu ia dizer, quem nunca"comeu sardinha e arrotou bacalhau"?, mas, não é elegante. 

FOI DAR NO SAMBA

O chato de ser jovem é que a juventude passa e a gente fica sendo apenas o "mais novo que" e ainda assim, não recupera o que perdemos se somos do tipo que sente que já nasceu atrasado longe de tudo aquilo que queria ter vivido. Ah, eu sempre a filha do meio...

Em termos de samba, o Rio de Janeiro é ainda e por enquanto uma cidade generosa conosco esses nascidos com atraso cultural, apesar de alguns a chamarem de "cidade partida", suas divisões não são formadas por abismos e o que nos divide não são os bairros e seus limites geográficos dessa  cidade que simplesmente nos une com o samba, tradição oral, às vezes  cantada e muito, muito falada. 

Ainda é fácil pegar um trem e não há muita dificuldade de se tomar uma barca. Os abismos não existem, são limites que estão na nossa cabeça ou na maioria das vezes na cabeça alheia e não há muito o que fazer se presos a  eles rodamos tonta e tolamente ouvindo apenas o que permitem que chegue até nós. Se as rádios e TVs permitissem, a busca pela fonte mataria a sede que a gente só sabe que tem quando encontra essa água.

Nasci relativamente perto de Madureira, estudei inclusive numa escola desse bairro, mas só cheguei de verdade por lá quando fui morar no Bairro de Fátima e acredito que isso só aconteceu porque Jacarepaguá fica longe do trem e a gente ficava besta andando de ônibus e de carro na ilusão que subúrbio é diferente de Zona Rural  só porque não tem trilhos. Do Bairro de Fátima para a  Central do Brasil  eu ia a pé e lá os trens passam livres dos recortes geográficos que dividem nossa cidade em bairros O trem só anda nos seus trilhos, mas o seu som vai longe e carrega muita gente.

Sempre mais nova do que alguém que foi dar no samba (no sentido de chegar ao samba) muito antes que eu, perdi a melhor parte, aquela que o samba era dos sambistas, de uns sambistas que faziam sambas e viviam no seu congraçamento. Hoje a gente vai num samba que é evento, roda, show. Não é crônica nem história, é trabalho para quem faz e lazer para quem vai. Viver nele é mais difícil. Quase não tem mais.

Eu passava horas imaginando Monarco conversando com Ratinho, batendo papo com Cartola, novinho ainda com Silas de Oliveira, desejando saber como era encontrar com Lonato, Jair e Manacéa por exemplo. Um tempo que os sambistas interagiam, conviviam compunham sem o auxílio luxuoso do telefone, e-mail ou vídeo-conferência. Encontravam-se! Encontravam-se e  às vezes trabalhavam juntos em funções humildes, faziam farra, comidarada e viravam compadres. Compunham a partir das suas vivências sem a pressão ou  a correria dos concursos e festivais. Sem pensar nos programas de TV ou o que seria mais interessante para os produtores e gravadoras. Eles tinham suas escolas e nenhuma pretensão de virar pop star. O samba, uma expressão de suas vidas, uma manifestação do seu modo de viver. Samba que contava sua própria história, alguns amores, um monte de dores, que ensinava a cozinhar, reclamava das contas a pagar, dizia como era pagodear e não tinha nhém-nhém-nhém, no máximo uma lai-á-lai-á. Sem levanta-a-mãozinha, sem dança-de-bundinha, sem calça apertadinha.


A primeira vez que estive lá pelos lados de Madureira, quando não era mais a orgulhosa normalista que ouvia música de fossa, MPB e ronquenrou, eu me dei um tapa na testa pensando: Caramba, por que não estive aqui antes? Mesmo tendo cansado de estar por lá. É porque Madureira tem muitos lados. O lado de lá e de cá do viaduto, o lado de lá e de cá da linha do trem. Porque de onde eu vim, não tinha trem que me deixasse por ali passarela do Império Serrano ou pertinho da Portelinha e Portelão. Porque a batucada que tocava no rádio não explicava de onde vinha, deixando-me próximo da idéia dos artistas que faziam shows e não dos sambistas que eram o próprio show. 

O pouco que eu sei de samba - e é pouco porque conheço tanta gente que sabe muito mais -  aprendi com os mais velhos, aprendi um tantinho ouvindo histórias, essas que me fazem ficar imaginando o passado que não pude ter, reconstituindo na imaginação a vida dos sambistas que não sonhavam em ficar famosos, podres de ricos e botar a cara na TV. 

Lá do meu cantinho, recolhida à minha insignificância, eu vi alguns pagodes, o couro comendo com gente que eu só via nas revistas e nas capas dos LPs e foi assim que entendi o significado de algumas palavras, como por exemplo, baluarte, manancial e expressões do tipo "beber na fonte". Eu vi Clara e Beth descontraídas, mas dar de cara com um Monarco, um Aluísio Machado, Wilson das Neves, Tia Surica  era sempre um susto agradável, sabe, daqueles que o coração meio que pára, meio que estala e a gente não respira direito e a língua não tem palavra.  Ver o quanto eles eram diferentes dos stars do samba que as rádios tocavam, ídolos que eram,  viviam como se famosos não fossem e aí eu descobri que fama e sucesso são coisas tão diferentes bem sempre estão juntas de modo que formem uma moeda inteira com seus dois lados. 

Assim, até hoje chegar por lá, em Madureira - agora que sei o caminho, pulo os "abismos", não dependo mais do trem - encontrar os que ainda por lá estão, me dá a sensação de que hoje, mesmo ainda sendo sempre "mais nova que" alguém, terei história de mais velhos pra contar que farão alguns novinhos ficarem com a mesma boca aberta que eu fiquei um dia e pra falar a verdade, fico até hoje, porque o samba não pára, as histórias nunca são contadas de uma vez só e ainda existem as versões de cada uma.

 Mas o que eu queria de verdade, era ter conhecido as quadras no tempo do terreiro, na época do pega pra capar, conforme me contou Cristina Buarque certa vez quando deixei o trem de lado, peguei a barca e fui dar com a minha cara redonda e espantada lá em Paquetá. Dar num samba no sentido de ter chegado lá. 

Cristina era uma figura que estava presa na minha imaginação desde os anos 70, com suas raras imagens na TV preto e branca lá de casa,com aquela voz docinha, cantando lágrimas salgadas. Às vezes eu prestava atenção e o rádio informava: "Quantas lágrimas, de Manacéa" e por aqueles motivos que quem foi criança entende eu achava que Manacéa era mulher. Se tivesse um programa que explicasse quem era Manacéa, talvez eu tivesse chegado mais cedo no samba, seria a mais nova do grupo, mas histórias continuariam com a mesma data, teriam sido vividas ou vistas em vez de ouvidas na voz dos mais velhos que eu - Ah, esse povo mais velho que assistiu essas histórias! Perturbam como imãos mais velhos...  Descobri quem foi Manacéa quando conheci Áurea e Dona Neném e isso parece que foi ontem, mas não foi, no entanto foi em Paquetá, numa dessas vezes que tomei a uma outra barca e fui dar num samba por aquelas bandas, Dar no samba, no sentido de chegar.

Tia Surica chegou na minha vida como um grande amor, se Dona Ivone me pintou  de verde e branco,  Eliane Faria, filha de Paulo César Faria,  abriu-me as portas do samba e foi Tia Surica quem me fez sambar na sala, Deu-me me morada naquela novidade e
descortinou um canto azul no meu coração. De produtora de shows, preferi ficar fã. "Eu não tinha nome e queria apelido", eu não podia "chegar de algema que o preso era maneta", Eu fazia "cara de pastel sem carne".  No seu "Cafofo" eu já crescida, nasci.

Conheci a voz de Monarco num LP  que veio de um sebo dentro da capa de um Martinho da Vila, cheio de um tuc-tuc  arranhado, o que não impedia aquela  voz grave,  forte e macia como um tecido de veludo de me deixar impressionada, apatetada sem saber de onde vinha, quem era, e por que não parecia no Programa do Chacrinha ou no Flávio Cavalcanti que tinha sempre o Sargentelli por lá? No dia que tive a bênção de unir a voz à pessoa quase tive um troço e fui assim,quase tendo um troço, até Araruama num carro de luxo que ainda não era Uber, ouvindo dezenas de histórias que eram nossas, do Rio de Janeiro, do Brasil e  nunca me contaram na escola... Por quê a gente não tem aula de história da nossa cultura na escola? Por que não nos apresentam esses grandes vultos vivos de um passado que ainda não passou ma sé a espinha dorsal das nossas vidas? Pensava eu.  Mas essa história eu conto outro dia. Hoje estou encaixotada na vida que não vivi porque era jovem demais, morava nem tão longe, mas  distante do trem que me fez dar no samba. Dar no sentido de chegar


Acabar, acabar, não acaba

Eu sempre relutei em aceitar essa história do samba acabar. De repente percebo que o samba é como o mundo: Acabar, acabar, não acaba,... Só fica mais feio, menos verde, menos azul, vermelho de raiva, mais rico daquela pobreza que o pobre não tem.
Dizem que é o progresso. E daí? O progresso não está acabando com a natureza? Ainda assim Mas o mundo taí. Só que feio.

DIAS DE CÃO
















Tenho medo que a magia se dissipe, 
que a magica se desfaça, 
que o encanto se quebre. 
Anoitecer virada em abóbora 
Bem mais triste
que o triste Kafka,

o cara que acordou 
transformado em barata. 
Na noite que os sonhos vem
Os contos de fada nos despertam pra sonhar.


20 de out. de 2016

Celular é coisa do demo, D-E-M-O!!!


Insisti por muito tempo em não ter um telefone que fizesse algo mais do que ligações. 
Na minha cabeça, essa tecnologia vai se enraizando na gente como se fosse um vício 
em agentes químicos. Primeiro você vai dar uma olhadinha, depois você não consegue evitar olhar quando ouve o apito, aí você dá uma desculpa sem graça quando alguém te repreende por estar olhando o celular na festinha de confraternização, mais um tempo e você fica completamente bravo com quem pede sua atenção enquanto você dá só uma olhadinha numa rede social qualquer no meio de um encontro e, finalmente, você marca 
o encontro pelo aplicativo, chega ao tal encontro guiado por outro aplicativo e na hora do encontro fica nos aplicativos  de modo que esquece que tem alguém contigo no encontro...

Há um tempo, estava com um tablet  num evento no Vidigal, na volta, dentro do ônibus, a bateria acabou. Só aí, percebi que estive no meio de um monte de gente e não fiz amizade com ninguém. Coisa que nunca havia acontecido antes,  como boa carioca que sou, a cada saída faço no mínimo 1 amigo de infância. Nesse dia decidi, resistir à essa coisa de contatos on line.  Mas aí, veio o infernal Whatsapp, o demoníaco Messenger  e sua bolha que flutua em qualquer tela que você esteja como se fosse um gato carente que exige atenção; então, as  pessoas passaram a telefonar on line. Pior: Passaram a substituir a ligação por  áudios  em tempo real. Pior: Passaram a ficar nervosas quando você visualiza e não responde. Pior: Passaram a dar esporro na linha do tempo do facebook porque eu visualizava e não respondia. Nenhuma dessas pessoas talvez, saibam que eu tenho uma orelha onde o fone de ouvido não cabe sem doer, logo, eu não uso essa engenhoca que se não estiver pendurada no pescoço, fica toda emaranhada dentro da bolsa e acabam arrebentadas ou atiradas longe. Taí um acessório que não me conquistou.
Com isso tudo, aderi com limitações,  a essas porcarias úteis depois que perdi uns 2 trabalhos porque depois de silenciado total não olhava o "zap". Olho o whatsapp pra ver o que é importante, me viro pra responder na hora o que é urgente, me estresso com as as gracinhas  desnecessárias, os vídeos imensos ou bobos e apago todas as besteiras na hora. Os contatos amenos respondo quando estou em casa.

Moral da história: Não me sinto viciada, mas bastante acostumada já que essa tralha entrou na rotina dos meus dias a ponto de eu ter horários para ela. E aí o que acontece? A placa do celular queima... Logo agora que celular está "custando os olhos da cara"

O mundo não é justo e a vida é praticamente um juiz Moro, maltrata só de um lado, algema só uma cor e se não for pra condenar, nem aceita a denúncia. Fim. 

FRASE

Facebook é para os fortes. Ler que "Graciane é a cara da Portela" e manter a linha, não é pra qualquer um.
Na dúvida marquei oftalmologista, pra confirmar que não sou eu quem está enxergando errado.

19 de out. de 2016

Acabar, acabar não acaba

Para onde se mira o olhar e se desloca o pensamento 
para a nossa cabeça descansar, 
Um absurdo ou desentendimento,
Encontramos loucura sem par. 
Qualquer conversa sem compromisso acaba em tensão
É muita turbulência para pouco avião!

FRASE

Para onde se mira o olhar e se desloca o pensamento 

para a nossa cabeça descansar, Um absurdo ou desentendimento,

Encontramos loucura sem par. 
Qualquer conversa sem compromisso acaba em tensão
É muita turbulência para pouco avião!

8 de out. de 2016

Catar os nossos cacos nunca é o suficiente, há de saber o que fazer com eles

Um dia sem câmera e sem celular, foi sem querer, como antigamente quando éramos normais, de papos, conversas e  no barzinho a gente que só queria se encontrar. 
Dizem que na vida nada é por acaso, torço para que realmente não seja.Catar os nossos cacos nunca é o suficiente, há de saber o que fazer com eles e, ainda tem os arredores. Cola instantânea para o coração é amizade, amor, colo, carinho. 
Somos todos felinos incompreendidos. Nos escondemos na dobra das dores, nos encontramos nas esquinas da alegria.


7 de out. de 2016

CASAL BELEZA E O SEXO A TRÊS

Estava vendo um vídeo do programa do Porchat com o Belo, cantor, que é feio e sua esposa super-hiper-mega-ultra-malhada. Não sei quando foi ao ar, não olhei a data, mas pareceu bem recente. Passo longe dos valores tradicionalistas, todos tão baseados, ecoados, "trabalhados" na hipocrisia. Portanto, a minha reflexão não tem a ver com a coisa em si, mas com hora, local e porque não - motivos. Na "entrevista" em dado momento a moça contou que convidou o marido para uma experiência sexual a três ao que ele comentou que recusou " porque sexo é uma coisa muito íntima". Jura? Mas olha que nem me pareceu. Nada contra nenhum tipo de experiência sexual principalmente quando os experimentadores são os outros. Já acho complicado tomar conta do meu sexo, imagina se eu iria julgar os desejos alheios. Inclusive acho que o mundo seria bem melhor se cada um cuidasse dos seus periquitos e quiquitas sem se meter no tipo de ração que os bichinhos dos outros decidem comer. Mas que achei esquisito esse papo num canal de TV aberta, achei, e achei isso porque não entendi qual a necessidade. Qual a necessidade disso? Como se não bastasse aquele sequestro, que se virasse inquérito teria o nome de "o caso da prisão de ventre bombada" Sempre nessas épocas que as quadras começam a bombar, que as alegorias se levantam, que os desfiles começam a tomar forma, surgem esses tipos que não devem ter uma pauta mais interessante - não que o tema não seja interessante hihihihi, mas minha Santa Rita de Cássia! Tem tanta coisa de carnaval para se falar, o samba é tão rico de fatos, histórias, letras, melodias e tal, inclusive o cantor-marido participa de um projeto onde ele é dito um dos "Gigantes do Samba".(sic). Não poderiam estudar alguma coisa que por ventura não saibam e criar algo mais pertinente? Como diria meu sobrinho: Ah, pára!

4 de out. de 2016

VERDADES

As minhas verdades eu trago no peito.
Exijo respeito.
Quem não as compreende, tem a obrigação de aceitar.
A gente ama todo mundo, o gostar é questão do admirar.
Vivemos em muitos lugares, respiramos muitos ares,
o nosso lar construímos onde nos deixam ficar.

24 de set. de 2016

AQUARIUS - FILME: O OUTRO NUNCA TEM RAZÃO


Acho que quase todo mundo já viu “Aquarius” (Kleber Mendonça Filho). Eu esperei porque não queria tanto ruído político, influenciando a minha percepção. Optei por tentar ver o que os meus olhos enxergariam e o que vi? Que se pode ser qualquer coisa desde que não sejamos exemplo do que somos. Aquele mosquito que assobia na orelha de quem planejou dormir e descansar.

Tivemos revolução sexual? Sim, tivemos, mas como foi incompleta! Se ela trouxe  à mulher o direito aos novos comportamentos, não permitiu a naturalidade  para exercitá-los.  A família vê as suas senhorinhas, tias tias mães, como seres assexuados e mais sobre isso não se fala. Só Tia Lucia  não deixa passar a omissão da revolução sexual dos anos 60, 70 no texto lido pelas crianças, mesmo estando nos anos 80, não se colocava na lista de feitos de vida de uma mulher o seu grande amor casado com outra, afinal tem crianças Amar um homem casado, não é um grande feito  e aquele aparador  rústico, cheio de histórias pra contar segue mudo pelo tempo. Poder pode, mas que fique no armário e como Tia Lúcia soube usar o tal armário!.

 Aquarius dá uma lavada na alma das mulheres maduras ou amadurecidas, mostra alguns (ou muitos) tipos de câncer que se tem de superar se não quiser ter uma etiqueta com um preço, bem ali o lugar do coração e dignidade e também o quanto está em desvantagem perante o mundo quem faz escolhas em desacordo com o poder:

 * A hesitação da mulher madura para utilizar um amante profissional -  um reflexo da cobrança da aura de santidade que a sociedade ainda espera que as mulheres apresentem.    
* Difícil exercer a sexualidade plenamente depois que o tempo passa e se há facilidade para conquistar uma mulher,
 há uma dificuldade para lidar com ela;

* A filha pentelha, onde a mulher é a maior crítica da mulher;

* A força da opinião de grupo que restringe a liberdade de escolha e descamba para as ameaças, dizendo com clareza
 que nem sempre a maioria significa democracia, que guiada pelos interesses pode ser muito autoritária;

* A expectativa de que sejamos sempre e integralmente aquilo que não descartamos por corresponder a uma parte – as jovens jornalistas não teriam como entender uma garrafa no mar sem a experiência de naufrágio, do mesmo modo que é difícil para a geração digital, amealhar as sentimentalidades que a parte material dos discos agrega às músicas.




Talvez eu esteja encontrando sutilezas demais,  no entanto nem acho tão sutis assim, apenas listei o  que não li em outros comentários.

Clara (Sonia Braga) é uma aposentada querendo curtir seus discos e livros no local onde construiu e viveu com eles sua história e isso não pode, porque aqueles que não tem tantas histórias, decidem por novas paredes. É complicado não encontrar conforto em nós mesmos, mais ainda quando todo o coletivo está a serviço das suas próprias individualidades. Se me perguntassem na saída do cinema sobre o quê é esse filme, creio que eu diria ser sobre o egoísmo em conjunto ou em separado, sobre o mundo nada ideal onde não há perguntas ou diálogo, apenas a necessidade de que se cumpra aquilo que vai favorecer ao jogador do lance imediato.

É interessante como a maioria ao seu redor é de homens. Não à toa o filme acaba com “pau sobre a mesa”. Pau ruído, mas dando trabalho.

21 de set. de 2016

JUSTIÇA: FÁTIMA x ELISA

Aqui, agora conjecturando comigo mesma,  vejo o quanto essas personagens das histórias apresentadas pelo seriado Justiça (TV Globo 2016) nos mostram sobre conhecimento. O conhecimento é a ventura da vida que faz com que viver valha a pena. 
De todas as histórias não avaliei, com exceção da Fátima, nenhuma personagem que buscasse justiça em vez de vingança. A amargura que ocupa o espaço deixado por uma perda e que move o ser para o desejo de que o outro seja infeliz por ter imposto uma infelicidade. 

A resiliência talvez seja o único  instrumento que realmente faça a diferença entre aqueles que passam pelas grandes tragédias das perdas. Na outra história, veiculada às segundas-feiras, Elisa perde a filha assassinada por um playboy embriagado, machista, ciumento que começava a ficar pobre. Treinou tiro por 7 anos, tempo que Vicente ficou preso, no qual ela  acalentou o desejo de matar o assassino, porque não via justiça suficiente no tempo da pena. No entanto é preciso mais que talento para  matar alguém premeditadamente, é preciso vocação, índole.  Vicente, o assassino de Isabela, filha de Elisa, como ela mesma não tinham essa índole. 

Elisa era mãe, não aquela mãe de subúrbio como Fátima e essa era mais uma diferença entre essas duas personagens. Fátima era resiliente e tinha um objetivo concreto de cuidar da família, ser injustiçada não provocou mudança nesse objetivo nem em seu sentimento. Conhecer melhor Douglas, o responsável pelos 7 anos que ficou na cadeia por conta de um crime que ela não cometeu, deu-lhe ciência do erro que praticou: matar o cachorro ainda que tenha sido em defesa do seu filho a quem o cachorro mordeu. Fátima, a empregada doméstica, uma pessoa simples aparentemente com pouca instrução tinha a capacidade de aprender com a vida, com os erros e acertos. Tinha também uma ética que ficou muito claro quando deixa o trabalho de empregada doméstica na casa de Elisa por não querer participar do envolvimento da patroa com Vicente, pois era amiga da esposa dele. Que personagem bacana, dá pena, saber que não era real. Talvez por isso tenha merecido o final feliz que a autora lhe proporcionou, quem sabe, uma recompensa por tantas qualidades de caráter e por sua  luta por reunir novamente sua família e mantê-los no caminho da honestidade e dignidade?


Elisa conheceu mais profundamente o ex-noivo e assassino da sua filha e mesmo encontrando um homem carcomido pelo remorso, arrependido, empobrecido, buscando uma nova oportunidade de viver de maneira diferente, consciente que estava de ter sido uma péssima pessoa,  isso não foi o suficiente para o perdoar. 
Perdão diferentemente dos crimes de assassinato pode ser aprendido e praticado, mas certamente também depende da índole. Elisa não era afeita ao crime, nem perdão. Não perdoava nem a ela mesma. As mentes vingativas não são resilientes, o perdão é a principal estrutura que move nosso pensamento para o mesmo formato após uma tragédia.

Dividida entre as lembranças do seu relacionamento com a filha - e quem sabe se sentindo devedora - acusando a si própria por não conseguir executar a ação que para ela seria justiça, foi incapaz de se afastar de Vicente como era incapaz de esvaziar o quarto da filha. Arrastava correntes torturada. Elisa era uma mulher torturada, sem encaixe nela mesma que não se importava com as outras pessoas, sua solidariedade era a conta do chá, como fez quando Fátima foi tentar recuperar o emprego. Logo, permitir a morte de Vicente, vê-lo morrer lentamente, era a justiça que ela poderia praticar conforme o seu sentimento, apesar de se advogada e considero isso mais uma bola dentro da série. Uma faculdade pode não alterar os nossos valores, no máximo nos empresta conceitos que viveremos até a hora de praticá-los.  Fátima e Elisa eram diferentes por natureza e caminhos de vida, diferentemente da esposa do Vicente que era outra face da mesma moeda de Elisa.

Incrível esse seriado!

NO FINAL DE JUSTIÇA, HISTÓRIA DE FÁTIMA, SÓ RESPIREI QUANDO ACABOU

Assisti o último capítulo da história da Fátima no seriado Justiça com o coração se não aos saltos, bem apertado. Sabia, tinha certeza que ia acontecer uma tragédia, afinal, era o tom da série. Quando os policiais a sequestram achei que ela mataria um deles e acabaria na cadeia. Quando a dupla foi atrás pensei que o namorado seria morto. Enquanto ela escolhia o cachorro, imaginei que a Kellen ia estrangular o bichinho. Quando o seu antigo algoz e agora vizinho amigo se preparava para viajar já visualizava a dupla de policiais famintos invadindo a casa e  promovendo a chacina. E, por aí, a minha agonia não tinha fim.


A história das terças era a minha preferida e a que mais me fez sofrer, a quem mais me deu revolta porque era a única personagem realmente inocente, porque teve o marido morto, os filhos abandonados por  causa de... Nada!  Claro que as outras histórias são contundentes, mas 100% inocente ninguém era. Fátima é realmente a boa pessoa, bem aquelas mães de subúrbio que estão com fabricação limitada, rara ou fora de linha. Um instinto maternal fora de controle dando-lhe uma capacidade de perdão incompreensível, uma ética que se dividida em pacotinhos faria muito bem aos nossos políticos. Enfim que eu torcia para que ela tivesse um final feliz o que achava impossível acontecer num seriado como esse que mostrou exatamente o cerne das questões dos seres humanos: Farinha pouca meu pirão primeiro, segundo e terceiro.

Até os créditos aparecerem na tela eu estava realemtne sem sossego esperando uma tragédia, tanto que nem tive tempo para achar brega a festinha no quintal, a musiquinha de Roberto, pelo contrário, achei tudo lindo. E que bom, consegui respirar!