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30 de mar. de 2017

A minha tristeza às vezes encontra um jeito de ser feliz


... Mas eu quero aquela felicidade 
espontânea, desmedida, deseducada
deselegante tipo a de quem  gargalha 
inocentemente no metrô e deixando a todos
com inveja da felicidade

22 de nov. de 2016

Vamos falar de bobagens?

Um dia eu estava comendo pipoca e um pequeno grão detonou o meu dente, aquele ao lado do canino, aquele que é o primeiro que muita gente perde. Mas eu não podia sair com AQUELE dente quebrado! 
Ele quebrou verticalmente, só ficou a parte posterior dele, então ficou estranho. Quando eu sorria não ficava a lacuna, banguela, mas ficava estranho. Na época eu fazia roda de samba na Lapa. Você acha mesmo que eu ia pra Lapa, pro samba desse jeito? Mas nem me ameaçando de morte!
Isso é vaidade, mas uma vaidade que considero que tenho direito.


Nunca estive de acordo com o meu próprio padrão de beleza e desconfiava quando me achavam "bonitinha", mas o sorriso era um consenso. Mesmo quando sofri um acidente e ele foi modificado "na marra", ainda assim as pessoas gostavam dele. Uma vaidade tipo IPHAN, dá orgulho, todo mundo gosta vamos preservar!



E fica nisso. Não sou uma pessoa vaidosa. Sou capaz de sair de casa sem pentear o cabelo e vou à padaria com o que estiver vestindo, valendo até pijama, se eu tivesse. Só usei maquiagem, limitada ao batom, rímel e sombra durante o meu tempo de secretária numa empresa. Usei saltos na adolescência até descobrir que não era obrigada. Obrigada!

Não "faço" sobrancelha, depilo o sovaco pra evitar polêmica que não gosto de ninguém me perturbando. Há mais de 10 anos dispensei a manicure, só uso podólogo, não uso esmalte nunca, só pra consertar umas coisinhas em casa.


Gostaria de emagrecer uns 20 quilos e aí outro castigo da vida: Sempre emagreci muito fácil, no entanto depois dos 40 perder uma grama já é um problema, ganhar vários quilos nem sei como acontece... 

Desfilei em duas escolas de samba no carnaval ano passado e perdi 8 quilos, só por isso vou desfilar esse ano de novo.  Ok, talvez eu tenha gostado... 


Quanto mais problema tenho, mais quilos eu ganho. Quanto menos eu como, mais gorda eu fico. Papo de ansiedade, me disse a médica. Ai, ai...

Tenho horror às academias, aliás, às pessoas que as frequentam. Isso desde a época da novela Baila Comigo. Nunca entendi porque as academias são envidraçadas com a rua inteira vendo as pessoas lá dentro. Nunca fiz o tipo carne no açougue quando podia, imagine se faria nem agora, mesmo para quem gosta de picanha com gordura. Não quero ser notada por nada disso. 
E as olhadas que a gente ganha quando chega numa academia, cheia de sobrepeso? 
Parece que viram um ET, já te olham com cara de: "Ih, essa baranga não vai conseguir! Essa não tem jeito! Só morrendo e nascendo de novo."
A gente vira atração de circo.
Enfim, gente, é isso. Hoje eu não tinha assunto. Mas parece que tinha, né?

7 de out. de 2016

CASAL BELEZA E O SEXO A TRÊS

Estava vendo um vídeo do programa do Porchat com o Belo, cantor, que é feio e sua esposa super-hiper-mega-ultra-malhada. Não sei quando foi ao ar, não olhei a data, mas pareceu bem recente. Passo longe dos valores tradicionalistas, todos tão baseados, ecoados, "trabalhados" na hipocrisia. Portanto, a minha reflexão não tem a ver com a coisa em si, mas com hora, local e porque não - motivos. Na "entrevista" em dado momento a moça contou que convidou o marido para uma experiência sexual a três ao que ele comentou que recusou " porque sexo é uma coisa muito íntima". Jura? Mas olha que nem me pareceu. Nada contra nenhum tipo de experiência sexual principalmente quando os experimentadores são os outros. Já acho complicado tomar conta do meu sexo, imagina se eu iria julgar os desejos alheios. Inclusive acho que o mundo seria bem melhor se cada um cuidasse dos seus periquitos e quiquitas sem se meter no tipo de ração que os bichinhos dos outros decidem comer. Mas que achei esquisito esse papo num canal de TV aberta, achei, e achei isso porque não entendi qual a necessidade. Qual a necessidade disso? Como se não bastasse aquele sequestro, que se virasse inquérito teria o nome de "o caso da prisão de ventre bombada" Sempre nessas épocas que as quadras começam a bombar, que as alegorias se levantam, que os desfiles começam a tomar forma, surgem esses tipos que não devem ter uma pauta mais interessante - não que o tema não seja interessante hihihihi, mas minha Santa Rita de Cássia! Tem tanta coisa de carnaval para se falar, o samba é tão rico de fatos, histórias, letras, melodias e tal, inclusive o cantor-marido participa de um projeto onde ele é dito um dos "Gigantes do Samba".(sic). Não poderiam estudar alguma coisa que por ventura não saibam e criar algo mais pertinente? Como diria meu sobrinho: Ah, pára!

6 de jan. de 2016

PRECE À XANGÔ



"Pai da justiça e da retidão. Orixá que abençoa os injustiçados e castiga os mentirosos e caluniadores. Defenda meu Senhor, minha casa, minha família dos inimigos ocultos, dos ladrões, dos falsos e dos mentirosos.

Oh! Xangô rogo-te as vibrações do amor e misericórdia, Pai da dinastia humana, livra-me de todo escândalo".
KAÔ CABECILE!

6 de ago. de 2015

O VÔO

Essa que corre o risco de voar, sou eu.

7 de dez. de 2014

Ainda Pitty e Anitta

A idade bem aproveitada é uma bênção. A rebeldia de vitrine, é uma lástima. Tanta evolução e a mocinha julgando as iguais com o mesmo preconceito "como nossos pais"...


Machismo é uma pessoa dizer: "A mulher tem que se dar o respeito", quando TODOS, devem se dar ao respeito.
Machismo é uma pessoa achar normal o homem se oferecer para pagar bebida cara com objetivo de conquistar (comer) a mulher e criticar, achar falta de respeito a mulher ficar com um cara que lhe paga bebida cara. Quem nunca aturou um mala se alça, seja mulher ou homem.
Machismo absoluto, porque o que mais tem na nossa sociedade são segundas intenções, de ambas as partes.

2 de dez. de 2014

BENÇÃO DOS DIAS

Vida, obrigada, você hoje me deu um presente e eu estou muito grata ao Universo. Te dou em troca toda a boa energia do meu agradecimento e felicidade.
Não temo a inveja, característica da pobreza de espírito, que eu não tenho porque trabalhei muito para não ter. Se estou proclamando esse momento alegre, é apenas porque muitas vezes declarei minha tristeza.
O mal só tem força porque é proclamado, no que depende de mim, está abafado,embrulhado, amarrado.

23 de nov. de 2013

De amor, poemas e mortes

























Como se morre quando começamos a viver?
Como não ser idiota por motivos de amor?
Como se faz quando aquele velho amor pra nós é tão novo
mas se torna uma velha canção enfadonha ao ouvido do amado?
Como reverter a impaciência em energia nova, feito flores que voltam a cada estação?
Ou buscar o dom de perdoar feito um verdadeiro cristão?
A verdade é que não se foge das rimas baratas, vulgares pois na dor todo peito sangra
Não há como ser poeta diante da tragédia comum.
Eu perdi o dom da poesia quando encontrei o caminho da implosão,
os mais belos poemas explodem em risos de morte
Deboches da sorte, dormências, semências e dor.
Foi só um castelo de areia que que o mar levou…
Poetas não calam, poetas exalam, aquilo que engolimos
fingindo provar.
Nosso amor foi como morrer, daquelas mortes que chegam sem dizer
sem bilhete nem explicação.
Aquela morte que nos acolhe no meio do dia,
que interrompe um sonho na noite
daquelas sem tempo pra se despedir
Daquelas que ao se saber não se entende porque.
Mas ainda assim posso dizer meus melhores momentos
foram com você.
23/11/2010

6 de jan. de 2011

Presentes Presentes!


Papai Noel já botou suas renas  no caminho. Já tem cheiro de neve falsa no shopping e , dinheiro de plástico, cheques voadores, promoções inverídicas e sabe-se lá mais o que o nosso consumismo é capaz de provocar na imaginação dos empresários...
Bem da minha parte gosto muito de gastar dinheiro e dar presentes! Mas a musiquinha “já é natal na Leader Magazine”, não está com o ritmo tão esperado que embala os meus  natais, além disso ela ficou emudecida dando espaço aos noticiários que trouxeram para o Rio os olhos do mundo inteiro.  Olha que presente essas milhares de pessoas ganharam! Terão um Natal muito melhor, sem terror. Poderão sonhar amparadas pela presença e atenção de tantas autoridades e expectativas de futuro, com base nas promessas governamentais. As promessas elas já conhecem, mas estas tem tudo para acreditarem que dessa vez será diferente.
Emocionante ver os agradecimentos em bilhetinhos para os militares entregues via repórteres. Talvez este ano eles possam comemorar com um imenso banquete nas ruas, sem temer balas traçantes disparadas por arrogantes sádicos que se divertem assustando as pessoas. Talvez os militares de plantão participem das inúmeras ceias nas comunidades.
 No final desse ano pessoas redescobrem o prazer de dormir com janelas abertas e a sensação de poder ter esperança! Melhor imagem para o natal que se aproxima, impossível.
Em suas vidas nada mudou, um natal depois do outro e no entanto tudo tão diferente. Como se estivessem livres de uma dor. Todos desfrutando da leveza de se livrar do fardo que é viver com o medo, conviver com o risco.  Estão despostas aquelas figuras que a princípio presenteavam suas crianças, para logo depois aliciá-las. Impunham festas comunitárias com a mesma naturalidade que impediam o acesso dos serviços públicos necessários. Simulando bondade distribuíam gêneros de necessidades, usufruindo de seus palacetes repletos de luxo.
Agora me ocorre que dentro de mim às vezes habita um perigoso bandido, que trafica meus sentimentos e emoções, fingindo me proteger. Ele planta desconfiança e insegurança, me faz calar diante de opiniões que livraria um amigo do ridículo. Faz piadinhas sarcásticas que deixam o outro sem graça, faz com que eu deboche de mim antes que outros o façam. Às vezes meu interior é invadido por um bandido impaciente e agressivo que se acha o máximo e não deve desculpas.
Eu não posso temer nada que eu conheça, pois do mal conhecido há como se precaver. Nesse natal eu vou pensar nos presentes que não valem dinheiro, que a vida nos traz como bônus pelo viver. Já pensou o quanto recebemos de dádivas diariamente,  como se fosse obrigação do destino nos conceder? Vou revirar minha vida, rever meu interior e agradecer. Este ano não vou prometer perder 10 quilos, nem mentir que deixarei de fumar como parte daquela lista de fim de ano que jamais cumprirei! Também não pensarei em academia, esse ano vou entrar com o pé esquerdo e o direito, pois que sorte eu já tenho, nenhum tiro afetou a minha vida e isso já é uma bênção!

20 de dez. de 2010

Próspero

Ou tenho saído pouco ou Papai Noel deu no pé...
Penso que o velhinho neste ano está uma figura rara e imagino que esteja aproveitando as nevascas em Paris... Por aqui o trânsito vive infernal, o calor de matar e as pessoas estão enlouquecidas.

Não falam nada que não seja sobre presentes, onde passar reveillon.

Mudam de cabelos, e agitam o cartão de crédito como uma navalha...

Não sei se tem expectativas de vida, sei que falam das suas expectativas de compras

E ainda tem aquele amigo que só aparece uma vez por ano pra ganhar presente,
Bem espero que tire alguém não tão ausente...
Esse natal que está aí, sinceramente, preferia não tê-lo
Mas se não o tiver como sabê-lo...
E esta palavra que só aparece no ano novo, Próspero?
Para tê-la mais ao meu lado, será o nome do meu próximo bichinho de estimação,
quem sabe dar-me-á sorte!
Feliz Natal!!

4 de dez. de 2010

Pra Não Dizer Que Não Falei das Armas ou Parabéns Autoridades Continuen Fazendo Por Merecer

Eu acho que temos sim que aplaudir a polícia, pois afinal soubemos vaiá-la muito bem.

Houve um tempo em que bastava ter relação com a PM pra não se valer nada, qualquer coisa a respeito da Polícia Civil e já se achava suspeito e onde houvesse Polícia Federal  não poderia ser coisa boa. Enfim,  nossas polícias mantinham sua autoridade perante a população, não necessariamente o respeito, pois onde paira qualquer tipo de desconfiança o medo prevalece, mal pior para a PM que, se tinha suas chagas expostas, não achava conforto medicinal para elas, muito pelo contrário, parecia haver um prazer sádico dos governantes em manter os soldados à míngua, malqueridos, mal falados, fadados a associação com o crime no imaginário popular (eu mesma mantive durante tempos tanto medo da polícia quanto do ladrão...)
As desgraças são tão amplamente divulgadas que parecia não haver bons profissionais no segmento policial - quando os erros são "amplificados" os acertos perdem a sonoridade.

Eis que agora foi feito algo eternamente esperado pelos cidadãos de bem e que era posto em dúvida por aqueles que por gosto, escolha, índole, conjunção astral-social, destino ou acaso caminharam para  uma via paralela contando com os superpoderes da impunidade adquirida com o terror das armas ou propinas a peso de ouro.
Neste esforço feito e apresentado, estão presentes todos os tipos de policiais e militares, polícias e políticas, tanto os membros isentos, idôneos como os profissionais longe da tentativas de  perfeição. O amplifcador dos bons feitos está com volume mais alto e algumas deficiências técnicas num show, não devem ser o suficiente para que se dê vaia ao artista... Portanto, é hora de apoiar como um todo as ações  dos nossos policiais, militares e  autoridades, mas sem esquecer que já assistimos a péssimos shows, já testemunhamos pífias participações, é hora de interagir com a produção, reivindicar que se separe o joio do trigo, a limpeza feita nas comunidades precisam ter eco nas corporações e a atitude de preocupação das autoridades, nossos governantes, com a segurança da população precisa ter continuidade e mostrar-se verdadeira, para que o inimigo mesmo sendo outro, não se arvore de ter  tanto poder quanto os traficantes supunham ter e nós pia e amedrontamente acreditávamos que tivessem. O "se" não pode impedir que se aplauda e parabenize nesse exato momento aqueles que já tínhamos por hábito vaiar, mas  devemos nos nortear pela certeza de que esse momento é extremamente transitório, como um ritual de passagem entre forças dominantes, deveríamos ver brevemente líderes genuinamente comunitários saindo das suas tocas de proteção, pois sabemos que poder e dinheiro apenas trocam de mãos. Esta deveria ser a hora do cidadão que vive em comunidades ser visto não como uma fonte de renda ou mão de obra mas apenas pessoas com direitos salvaguardados pela nossa Constituição...


23 de nov. de 2010

TENSA


































A convivência é um cão 
que cava os dias, 
rói as noites, 
uiva à tarde, 
enrola os tapetes, 
faz xixi na minha alegria.

Quem você poderia encontrar 
que fosse melhor que eu?
Se você perdesse o seu sorriso 
como quem perde o cartão de crédito, 
eu teria esperança.
Ver-te sorrindo para um mundo 
Enquanto para mim se fecha, confunde-me

Você vai se aliando ao que te faz mal, 
confraternizando com tudo o que me irrita. 
Será que ando sendo disponível demais?
Por outro lado, não tenho 
aquela subserviência canina…
Tenho minhas neuroses de guerra, 
viver é passível de tensão. 
Eu sou tensa, nada relaxada, 
mas esqueço rápido e fácil a dor.
EU SEI VOAR!

Lei

Temos lei que punem o cidadão e libertam o ladrão
Temos leis que inibem o cidadão e liberam o bandidão
Temos leis para quem é direito e cumpre a lei
Pra quem não cumpre, não sei

NÃO GOSTO













Se eu sumir, desaparecer ou morrer virarei o quê?

Lembrança para aqueles que me amaram ou odiaram.
Alívio ou alegria para aquees que me odiaram
Esquecimento para quem me viu com indiferença;
Prazer para os que não vão lá muito com a minha cara
Lamento para quem não aproveitou minha companhia

De mim sobrarão, textos esquartejados em blogs autorais e apócrifos
Resíduos de alguém que mesmo sendo inteiro jamais conseguiu juntar-se.
Vitórias curtas e realizações perenes
Poemas sem valor, pelo mundo ignorados

Quem viveu tão contraditoriamente para dizer que é "do contra"
não pode reclamar.

Eu vivi pra dizer do que discordo
E todas as discordâncias em desarmonia com o mundo
Me harmonizam deixando-me em paz.

Discordo do amor eterno dos contos de fadas q
ue começa quando a história termina
Não concordo com as vitória roubadas por erros e desacertos dos juízes de futebol,
Reprovo os roubos comprovados e ainda assim mantidos
 
Eu ficaria feliz em deixar o mundo e nele milhares de não-gosto

Não gosto de puxasaquice.
Das pessoas  no Facebook curtindo o boa noite do pop star
que nada tem a dizer
Não gosto dos comentários que dizem  "linda" pra foto de gente feia famosa
postada no twitter, suada e descabelada. 
Lápis de olho borrando o olhar das 4 da manhã e baton desfeito
Não gosto das fotos photoshopadas, exageradas nos maços de cigarros 
que horrorizam não fumantes sendo contos de carochinha pra quem fuma. 
O mundo é hipócrita porque somo hipócritas.                                                                            
Não gosto.

19 de nov. de 2010

Qual é a da Parada?

Lula firula: em 8 anos nadinha do Projeto de Lei 1151/95
No meu 2º ano do antigo 2º grau, numa escola em Madureira tive uma professora de Sociologia, moradora de um ap,  de frente pro mar,  em Niterói,  heterossexual, desquitada mãe de um casal de filhos, na época  adolescentes. 

Ela dizia: “O gay tem tudo para formar uma nova geração, transformar a sociedade, pois tem a seu favor a vivência de tudo o que não deu certo. Por isso não entendo, porque copiam modelos heterossexuais que deram errado”.

Agora, em época de parada gay e de escolhas dos sambas para o próximo carnaval, ocorreu-me que o samba já foi música de excluídos, marginalizados, negros - pobres dos morros de uma periferia que o Rio de Janeiro não tem. Era mais que um ritmo, era a forma de expressão dessa gente, manifestação de um modo de ser, viver e ver a vida. Os desfiles eram proibidos, a porrada comia e quem não corria ia parar na cadeia. O pessoal pra botar o “bloco na rua” investia, inventava, se virava, economizava, gastava. Não ganhavam nada por isso.
A parada gay teve um origem parecida nas pessoas que não aceitaram permanecer acuadas num espaço mínimo que a sociedade lhes concedia sob reserva, pois até em seus guetos eram incomodados por polícia, política  e violência. Talvez a diferença fundamental seja que os sambistas desciam o morro para dar expansão à sua cultura e felicidade naturalmente, enquanto que a “pride” já nasceu organizada para mostrar a dignidade que a sociedade insistia em negar, impedir.

Certamente os gays iam às ruas para afrontar numa cobrança do seu direito de ocupar um espaço no mundo. Stone Wall foi uma parede que caiu ao peso da intolerância e dando  oportunidade de se  marchar a céu aberto. O clima de atrito e conflito ganhou contornos de festividade! Como festa e exposição de um modo de viver, imagina-se que cada um levasse para a passeata o seu melhor batom,  sua melhor roupa ou fantasia ,  a melhor música O seu melhor como recheio de uma  atitude  de pessoas querendo visibilidade para ocupar seus espaços. Não se sabe exatamente onde algo deu errado e a atitude política de reivindicação se divorciou da alegria. Talvez nunca a mídia tenha mostrado o aspecto do melhor, preferindo mostrar os piores momentos de uma parada gay.

  • Os empresários,viram nos homossexuais um campo fértil para seus negócios, os camelôs também, assim como os locadores de trios elétricos, a indústria do entretenimento e suas ramificações. 
  • Os homofóbicos viram a oportunidade de aplicar suas lições absurdas e sem sentido. 
  • Os homossexuais por sua vez, perceberam a chance de ter um carnaval de apenas um dia de liberdade que, de mãos dadas com a liberalidade deixou-se seduzir pela libertinagem. 
  • O tom político ficou a cargo dos candidatos políticos que encontraram nessa aglomeração a oportunidade de arrecadar muitos votos com suas promessas mentirosas ou de memória curta, já que as necessidades dos homossexuais acabam exatamente ali, depois das urnas...
  • os simpatizantes se dividiram entre aqueles que escondem as crianças, aqueles que tem medo e aqueles que apreciam apenas mais um evento pela orla carioca afinal,  pode bem lhes parecer que está bom assim, pois que direito de sexo explícito em público nenhum cidadão ainda possui.  
Exagero? 
Talvez, mas é fato que num desfile que exibe contornos cada vez mais comerciais onde tantos lucram, é no dia seguinte que a fatura chega para quem ainda acredita nesse ato público como instrumento de luta pacífica.

São muitas as lendas urbanas de carteiras batidas, objetos roubados, pessoas embriagadas, boa-noite-cinderela-em-pleno-dia, ruas adjacentes oferecendo perigo extra, ocorrências de espancamentos brutais. 
A polícia não protege, parece ter dúvidas quanto a quem deve proteger, parece não constar na sua cartilha de treinamento que o gay é um cidadão e que “pit boys” não são instrumentos de correção. As autoridades criam situações para a mudança do calendário como que para confundir e esvaziar o evento que pretende carregar ainda em si intenções que não lhes interessam (às autoridades).
Com relação ao carnaval, depois de abertos os envelopes existe a oportunidade de reflexão onde cada agremiação avaliará seus erros e acertos mas  onde estaria  o “momento pensante” de uma parada gay? 
Estaríamos atualmente levando além dos nossos melhores “looks”, nossa melhor postura e atitude para a Parada? 
O que esse evento, hoje, traz de benefício para aqueles que não lucram financeiramente com ela? 
Qual é o ganho político e social que  esse evento  efetivamente traz, além das manchetes com números cada vez maiores tanto de participações quanto de ocorrências policiais, pitorescas e exóticas que colocam o homossexual exatamente onde ele deveria pedir pra sair?

Respostas interessadas, interessantes e inteligentes deverão ser encaminhadas para o e-mail dessa coluna. As (respostas) desaforadas e agressivas, não serão respondidas. Boa Parada, aproveite esse orgulho de forma que todos possamos nos orgulhar e obrigada!

18 de nov. de 2010

No quintal da Tia

Ontem estive numa das festa de niver da Tia Surica. Achei interessante a quantidade de gente importante sem ser "besta". O volume de famosos desinportantes para mídia. O número de talentos pouco comentados mas que estão aí vivendo da sua arte partilhada com gosto com o seu público e fãs. Tanta coisa boa que não sai na TV e se restringe aos cantinhos das notinhas de jornal.

 O que mais me impressionou: nenhum flash de câmera fotográfica. ô coisa boa! Um tempo para se viver o momento. Daquelas felicidades tão genuínas que nos envolve inteiros e ficarão guardadas numa prateleira sagrada não profanada por zilhões de olhos atentos às mídias sociais.

Em Madureira a loucura cyber ainda não dominou o povo do samba ! Tudo muito real. A maior resistência nossa é não estar na lista de geeks... Embora muitos divulguem seus trabalhos no Orkut, ele fica ali restrito ao PC. Que delícia viver como antigamente sabendo-nos tão atuais!

Fazia tempo que eu não curtia um quintal, que bom saber que ele está lá intacto!!!

6 de nov. de 2010

A Suprema Felicidade

Eu  gosto do Jabor, aquele
cheio de verbos, empolgado. Quando leio seus textos, até consigo ouvir sua voz
e ver seu dedo enérgico em riste a cortar os ares. Então, esse excesso de verbos transpassaram para o filme A Suprema Felicidade...


Achei bonita a produção, a reconstituição de  uma época onde tudo era tão importado, tão
estrangeiro principalmente a sensualidade.  Se imediatamente ao sair do cinema, me
perguntassem  sobre o que trata o filme, minha
resposta imediata seria... Sobre o fim das coisas! Sobre o que mesmo
considerado correto está errado, ou não deu certo...  Sobre os caminhos que a iniciação sexual  nos idos 50...
Se tivessem me contado que o filme é autobiográfico, talvez
eu o entendesse melhor. A mim pareceu que os argumentos que compõem o filme
seriam suficiente para umas três produções.
A relação de Paulo (Jayme Matarazzo ) e seu avô Noel (Marco Nanini),
o relacionamento dos
pais de Paulo,
 a iniciação sexual de Paulo.
Sendo uma biografia entende-se esse
tudo ao mesmo tempo, é assim que a vida é. 
Como se fossem vários episódios compondo um mesmo filme, as cenas se
vistas isoladamente já depreendem em si um valor, um fato, uma mensagem. Por
isso  cheguei a pensar que Sofia (Mariana
Lima)  a mãe de Paulo  teria enlouquecido, seria a informação de que
mulheres reprimidas e castradas surtam mas voltam  logo ao normal, ou simplesmente uma  reminiscência do diretor?  Ou ainda uma anotação: ‘Olhem, naquele tempo
era assim, as mulheres eram escolhidas pela  beleza e carisma e acabavam verdadeiras
trancafiadas em nome da oral e dos bons costumes’...
O comprador de quinquilharias (Emiliano Queiróz) que não
aceita as recordações de família fala de um comportamento ético que se perdeu
no tempo. O pipoqueiro  falastrão, Bené
(João Miguel) que ainda existe em algum subúrbio longínquo dá um tom divertido.
 
As imagens são belíssimas mas algumas passagens me  deixaram no ar e assim talvez seja na obra
porque assim é na nossa vida. Mas que algumas cenas poderiam não ter existido,
com certeza, como por exemplo,  a cena em
que aparece um teco-teco a fazer malabarismos e Sofia feliz e saltitante grita:
”ele faz isso por mim!” E  abraça o filho
que nesta cena tem  8 anos embora ela
traga a caracterização  de quando
ele  tem 19...
Talvez  Jabor tenha
aproveitado  o filme para uma terapia,
para incendiar seus navios e contar como era bom poder freqüentar bordéis,
pagar pelo sexo e ainda escolher com quem 
fazê-lo. Talvez tenha ocorrido algo similar à cena do eclipse e isso
justificaria seios nus fora de hora.
Talvez tenha querido dizer que a suprema felicidade não está
na eletrônica e informações full time em tempo real, mas em a partir da nossa vivência
poder fazer escolhas de acordo com o nosso afeto e fé. Que ser criado em
colégio de padres não era uma boa contribuição à religiosidade das pessoas, que
freqüentar prostíbulos e bordéis não faz de ninguém um tarado. Que  a despeito de tanto glamour importado os
mortos eram carregados em carroça à luz do dia em nome de um  atraso científico na capital federal e no
país, mas que não era  isso que tornava
as pessoa infelizes.  Que Paulo sempre
gostou de meninas complicadas,  principalmente por seu amor começar a partir
dele mesmo em sua imaginação, sonhos e fantasias. Que tanto faz catolicismo ou
espiritismo, religião é algo pra envenenar a realidade das pessoas.


Nanini está magistral como Noel, o avô de Paulo – mas quando
foi que este ator foi menos que 
maravilhoso? Dan Stulbach é de uma competência emocionante mostrando que
amar não é o suficiente para que se seja feliz ou para fazer alguém feliz.  Elke Maravilha no papel de ex-prostituta
casada com o avô de Paulo,  bem que
poderia ter um aproveitamento melhor, mas é que me parece que Jabor estava a
fim de falar mesmo do universo masculino....Cabeção, o amigo de Paulo ao se
perceber homossexual, ao demonstrar (para a platéia, porque a anta do Paulo só
pensava  em Deise, a maluquete médium Maria
Flor) que amava Paulo some num cenário enfumaçado como se fosse pro tal reino
dos céus chato e carola apregoado pelos padres... Entendo Jabor, você nunca
teve tendência a ser gay e que deixar isso bem claro nesse filme que não é  autobio gráfico,mas era assim que se fazia com
os amigos naquela época , jogava o cara na névoa do esquecimento? Não sei , mas
é fato que depois de tudo,  o que fica são
impressões que resultam no perfil que criamos de nós mesmos. Não tem como não
ter saudade da nossa infância, não tem como no final de tudo avaliarmos que
fizemos o melhor com o sempre pouco que temos no momento de decidir.  Não tem como pensar que neste A Suprema
Felicidade, ninguém era feliz nem alegre... O mais feliz se confessa apenas alegre e conta teve 10 minutos de suprema felicidade.
 Paulo era um cara
intenso, curioso com pressa de  viver,
fora o avô e as putas não tinha muito com o que se alegrar, saber que a
felicidade não existe, com sorte somos alegres até que não foi tão ruim, chato
foi a decepção que me acompanhou na saída do cinema eu preferia como Paulo  acreditar que a felicidade existe se sair procurando por ela. Divertidas  as participações cenas com os padres  (Ary Fontoura, Jorge Loredo e Raphael Molina) e suas maldições infernais.

Mas sei lá, achei esse Paulo um temendo de um egoísta pelo seu comportamento alheio à família, por representar o jovem de sexo masculino de uma época e as  em que as garotas segundo Jabor "não davam" e vagar pelos bordéis sempre a escolher e não comer ninguém e terminar por acabar com a fonte de renda de Marilyn e sua mãe. Aos egoístas, mesmo os poucos 10 minutos de felicidade suprema será negado talvez por isso um filme tão nostálgico onde ninguém consegue realmente estar feliz ou alegre...

5 de nov. de 2010

HORA H

Hoje eu deveria estar em Madureira no Cafofo da Surica. Sei lá porque deu preguiça de ir pra rua. Tenho dores nas costas, coisa que nunca tive na vida. Tenho preguiça de encarar o sol, coisa que sempre fez parte da minha vida...

Ontem andando pela rua descobri que já é natal na Lojas Americanas do Passeio (antiga Mesbla) e também já é natal na Casa & Vídeo de Botafogo. O que importa? Ainda não é natal na Leader Magazine...

Meus amigos não param de fazer aniversário e eu não estou tendo energia pra tantas comemorações. esta semana ainda não consegui assistir nenhum capítulo de Passione... Festinhas, sambas e parabéns...

Recebi um convite para viajar para um balneário no fim de semana, mas não estou interessada em trocar o diálogo com o meu travesseiro por conversas com pessoas. Não é antipatia, é cansaço. Chega um dia na vida de um ser humano que ele mais cedo ou mais tarde terá de dormir.

Como Esquecer (2010)

Um filme bem feito, muito delicado, bela fotografia  com ponto forte na atuação do elenco.  Num ambiente onde 3 amigos precisam cada um a seu modo sobreviver às suas perdas.  A partir da idéia de Hugo (Murilo Rosa) de dividirem uma casa num bairro distante,  próxima do mar, eles viverão  a aventura da superação juntos: Lisa (Natália Lage) abandonada grávida pelo namorado; Hugo há um ano tentando retomar sua vida após a morte do namorado e Júlia (Ana Paula Arósio) onde a dor da perda terá seu mostruário mais complexo.  Professora deLiteratura Inglesa, ela é refratária a qualquer tentativa de aproximação, sua grande questão é:  qual é o contrário do amor?  De temperamento forte ela sorve seu cálice de dor e espanto e assim planeja seguir, até que não haja mais nenhuma gota, passando por fases sombrias de autoflagelação e pensamentos suicidas. Personagem encucada,  que nos coloca questões sutis  de abordagens raras.  Recheado de citações de Virgínia Woolf, o filme ainda traz uma pitada da discussão sobre os autores terem a liberdade literária de escrever  sem se pautarem em suas vivências pessoais.  Júlia nunca planejou ter uma casa ou sonhou com uma. Casa, para ela, é apenas o cenário onde sua vida conjugal se desenvolve, por isso não lhe era fácil dividir espaço, partilhar intimidades com pessoas não de todo íntimas. Júlia  a princípio é azeda, ranzinza mas nas seduções que vão se desenhando ao longo da história, não é que ela  se torna extremamente interessante?! Tive a impressão de ser Júlia aquela pessoa que só permite intimidade ao ser amado com o qual se divide a vida, o tempo, a pele...  Há uma menção rápida de que ela seria daquelas que se fecham num relacionamento, no estilo “mais de 2 é reunião” e como sabemos, reunião precisa de agendamento...



Se Liza diz que Júlia é egoísta e só pensa em si, antes Hugo deixa claro para nós espectadores que ela havia “abandonado” sua vida para cuidar dele quando ele  precisou, motivo pelo qual, no início do filme ele decide tornar-se o home care da moça. Uma personagem tão densa quanto tensa, com valores próprios levados às últimas conseqüências. Não, o egoísmo não é o pecado de Júlia, como todos nós ela é egoísta em maior ou menor  intensidade, por por um tempo maior ou menor, seu sentimento de superioridade e orgulho são muito maiores que o egoísmo propriamente dito. Fechada em sua dor, ela olha com a superioridade dos intelectuais para a humanidade implicando, sem contudo,  desprezar, como um grande escritor olharia para as garatujas da criança que sonhasse ser romancista.


Tanto amor elevado à potência do abandono não descarta seus desejos físicos. Ela é  consciente do seu  corpo, parece entender que o esquecimento tem um ciclo que passa por toda teia de nervos, sangue,  pensamentos e sentimentos. A  dor antes de ser diluída, consumida esquecida,  terá de passar por todos os estágios da mente e do coração e da carne também.


Um filme  sensível que aborda o sentimento das pessoas mediante perdas, alegrias, esperanças a despeito da orientação sexual.  Neste aspecto o filme me lembrou muito a visão de Eytan Fox em seus filmes onde o gay é apenas uma pessoa com problemas  e soluções tal e qual qualquer heterossexual.  Um filme numa ambientação onde o gay  não causa estranhamento,  nem está angustiado  ou culpado nem orgulhoso  ou arrogante-desafiador-vitorioso. Está simplesmente  inserido vivendo uma realidade onde é aceito,  se preocupa com contas a pagar e realização profissional. Ainda assim o roteiro,  não deixa de pontuar a falta de segurança  financeira ou civil das relações homossexuais estáveis, duráveis, longas:  Julia e Antonia viveram juntas por 10 anos e Antonia se vai, deixando atrás de si um rastro de pendências práticas e também uma senhoria na porta  cobrando de Julia  o aluguel não pago e desejando regularizar o contrato ainda em nome da outra. Hugo teve mais sorte, pois seu par antes de falecer havia deixado um testamento.

Para esquecer, é preciso primeiro sobreviver  e para sobreviver Julia pensou até em morrer, o que se coaduna com  menções de Cassandra Rios e Virginia Woolf . Para a ranzinza Julia, esquecer  não significa aproveitar-se das oportunidades de romance e sexo que surgem, ela é quase indiferente às facilidades da vida  que em seus movimentos põe ao  nosso alcance novas pessoas e novidades.  Numa determinada cena  ela não se vê capaz de reconhecer na rua entre passantes a sua ex, o que para ela não significa esquecimento. Ela segue  o  caminho de um esquecimento  mais profundo,  talvez, esquecer para Júlia, seja  estar capaz de se deixar preencher inteira por outra pessoa, estar disponível   e não  apenas mais uma vez  morar num novo cenário. Talvez esquecer seja estar pronto para com propriedade amar de novo...



Como Esquecer; Brasil; Drama; 98 minutos; 2010; Europa Filmes Direção:Malu de Martino, Elenco: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage, Arieta Corrêa, Bianca Comparato, Pierre Baitelli