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11 de dez. de 2020

Leila Richers Mais um adeus

 

Fora a covid, 2020 parece estar levando mais pessoas que os anos anteriores. Talvez seja impressão minha, talvez porque a gente vai envelhecendo e os nossos mais velhos, ídolos, ícones vão se indo. Sei lá. Só sei que eu sei que há muita gente boa pra dar continuidade, mas essas pessoas não são descobertas pela grande mídia, cega, míope, cheia de interesses sem talento.

Eu trabalhava numa fábrica de materiais pedagógicos, era década de 80, a fábrica ficava no Paraná, o escritório de representação era na Praça Seca e funcionava também como residência do patrão. Um quintal gigantesco, com uma alameda ladeada por gramado e coqueiros, com uma casa que parecia grande no meio, uma área de serviço logo após, uma tremenda piscina e a seguir, uma edícula que era onde o patrão morava. Quando ele decidia fazer churrasco, era sensacional, quase sempre os convidados eram os amigos do banco Bamerindus, onde ele mantinha sua principal contas. Ele não fazia muitas amizades, vivia para o trabalho. Tinha uma preferência exacerbada por louras, por isso nunca entendi quando ele se abriu e mandou na minha lata que queria casar comigo.
Não podia ser! 
Quando a gente chegava do almoço, quase sempre estava passando o Jornal da Manchete na TV com a incrível 
E
u e minha colega de escritório, babando tanto pela beleza da moça quanto pelo seu visual diferente na TVda época: Ela usava cabelos encaracolados e aparentemente molhados. O patrão dizia que ela era feia. A gente achava que era "pilha" dele porque ele era metido a gaiato. A gente ficava se perguntando sobre aquele sobrenome, se teria a ver com os créditos iniciais de todos os filmes que tínhamos visto na vida. Sim, houve vida antes do Google! Houve um era inteira sem a facilidade dos teclados e do touch.
De modo que aquela moça além de linda, com aparência sedutora e profissional que a gente admirava, era um mistério. Ontem ela foi para o reino de todos os mistérios. Que reine com luz e paz. Axé!

7 de out. de 2016

CASAL BELEZA E O SEXO A TRÊS

Estava vendo um vídeo do programa do Porchat com o Belo, cantor, que é feio e sua esposa super-hiper-mega-ultra-malhada. Não sei quando foi ao ar, não olhei a data, mas pareceu bem recente. Passo longe dos valores tradicionalistas, todos tão baseados, ecoados, "trabalhados" na hipocrisia. Portanto, a minha reflexão não tem a ver com a coisa em si, mas com hora, local e porque não - motivos. Na "entrevista" em dado momento a moça contou que convidou o marido para uma experiência sexual a três ao que ele comentou que recusou " porque sexo é uma coisa muito íntima". Jura? Mas olha que nem me pareceu. Nada contra nenhum tipo de experiência sexual principalmente quando os experimentadores são os outros. Já acho complicado tomar conta do meu sexo, imagina se eu iria julgar os desejos alheios. Inclusive acho que o mundo seria bem melhor se cada um cuidasse dos seus periquitos e quiquitas sem se meter no tipo de ração que os bichinhos dos outros decidem comer. Mas que achei esquisito esse papo num canal de TV aberta, achei, e achei isso porque não entendi qual a necessidade. Qual a necessidade disso? Como se não bastasse aquele sequestro, que se virasse inquérito teria o nome de "o caso da prisão de ventre bombada" Sempre nessas épocas que as quadras começam a bombar, que as alegorias se levantam, que os desfiles começam a tomar forma, surgem esses tipos que não devem ter uma pauta mais interessante - não que o tema não seja interessante hihihihi, mas minha Santa Rita de Cássia! Tem tanta coisa de carnaval para se falar, o samba é tão rico de fatos, histórias, letras, melodias e tal, inclusive o cantor-marido participa de um projeto onde ele é dito um dos "Gigantes do Samba".(sic). Não poderiam estudar alguma coisa que por ventura não saibam e criar algo mais pertinente? Como diria meu sobrinho: Ah, pára!

21 de set. de 2016

JUSTIÇA: FÁTIMA x ELISA

Aqui, agora conjecturando comigo mesma,  vejo o quanto essas personagens das histórias apresentadas pelo seriado Justiça (TV Globo 2016) nos mostram sobre conhecimento. O conhecimento é a ventura da vida que faz com que viver valha a pena. 
De todas as histórias não avaliei, com exceção da Fátima, nenhuma personagem que buscasse justiça em vez de vingança. A amargura que ocupa o espaço deixado por uma perda e que move o ser para o desejo de que o outro seja infeliz por ter imposto uma infelicidade. 

A resiliência talvez seja o único  instrumento que realmente faça a diferença entre aqueles que passam pelas grandes tragédias das perdas. Na outra história, veiculada às segundas-feiras, Elisa perde a filha assassinada por um playboy embriagado, machista, ciumento que começava a ficar pobre. Treinou tiro por 7 anos, tempo que Vicente ficou preso, no qual ela  acalentou o desejo de matar o assassino, porque não via justiça suficiente no tempo da pena. No entanto é preciso mais que talento para  matar alguém premeditadamente, é preciso vocação, índole.  Vicente, o assassino de Isabela, filha de Elisa, como ela mesma não tinham essa índole. 

Elisa era mãe, não aquela mãe de subúrbio como Fátima e essa era mais uma diferença entre essas duas personagens. Fátima era resiliente e tinha um objetivo concreto de cuidar da família, ser injustiçada não provocou mudança nesse objetivo nem em seu sentimento. Conhecer melhor Douglas, o responsável pelos 7 anos que ficou na cadeia por conta de um crime que ela não cometeu, deu-lhe ciência do erro que praticou: matar o cachorro ainda que tenha sido em defesa do seu filho a quem o cachorro mordeu. Fátima, a empregada doméstica, uma pessoa simples aparentemente com pouca instrução tinha a capacidade de aprender com a vida, com os erros e acertos. Tinha também uma ética que ficou muito claro quando deixa o trabalho de empregada doméstica na casa de Elisa por não querer participar do envolvimento da patroa com Vicente, pois era amiga da esposa dele. Que personagem bacana, dá pena, saber que não era real. Talvez por isso tenha merecido o final feliz que a autora lhe proporcionou, quem sabe, uma recompensa por tantas qualidades de caráter e por sua  luta por reunir novamente sua família e mantê-los no caminho da honestidade e dignidade?


Elisa conheceu mais profundamente o ex-noivo e assassino da sua filha e mesmo encontrando um homem carcomido pelo remorso, arrependido, empobrecido, buscando uma nova oportunidade de viver de maneira diferente, consciente que estava de ter sido uma péssima pessoa,  isso não foi o suficiente para o perdoar. 
Perdão diferentemente dos crimes de assassinato pode ser aprendido e praticado, mas certamente também depende da índole. Elisa não era afeita ao crime, nem perdão. Não perdoava nem a ela mesma. As mentes vingativas não são resilientes, o perdão é a principal estrutura que move nosso pensamento para o mesmo formato após uma tragédia.

Dividida entre as lembranças do seu relacionamento com a filha - e quem sabe se sentindo devedora - acusando a si própria por não conseguir executar a ação que para ela seria justiça, foi incapaz de se afastar de Vicente como era incapaz de esvaziar o quarto da filha. Arrastava correntes torturada. Elisa era uma mulher torturada, sem encaixe nela mesma que não se importava com as outras pessoas, sua solidariedade era a conta do chá, como fez quando Fátima foi tentar recuperar o emprego. Logo, permitir a morte de Vicente, vê-lo morrer lentamente, era a justiça que ela poderia praticar conforme o seu sentimento, apesar de se advogada e considero isso mais uma bola dentro da série. Uma faculdade pode não alterar os nossos valores, no máximo nos empresta conceitos que viveremos até a hora de praticá-los.  Fátima e Elisa eram diferentes por natureza e caminhos de vida, diferentemente da esposa do Vicente que era outra face da mesma moeda de Elisa.

Incrível esse seriado!

NO FINAL DE JUSTIÇA, HISTÓRIA DE FÁTIMA, SÓ RESPIREI QUANDO ACABOU

Assisti o último capítulo da história da Fátima no seriado Justiça com o coração se não aos saltos, bem apertado. Sabia, tinha certeza que ia acontecer uma tragédia, afinal, era o tom da série. Quando os policiais a sequestram achei que ela mataria um deles e acabaria na cadeia. Quando a dupla foi atrás pensei que o namorado seria morto. Enquanto ela escolhia o cachorro, imaginei que a Kellen ia estrangular o bichinho. Quando o seu antigo algoz e agora vizinho amigo se preparava para viajar já visualizava a dupla de policiais famintos invadindo a casa e  promovendo a chacina. E, por aí, a minha agonia não tinha fim.


A história das terças era a minha preferida e a que mais me fez sofrer, a quem mais me deu revolta porque era a única personagem realmente inocente, porque teve o marido morto, os filhos abandonados por  causa de... Nada!  Claro que as outras histórias são contundentes, mas 100% inocente ninguém era. Fátima é realmente a boa pessoa, bem aquelas mães de subúrbio que estão com fabricação limitada, rara ou fora de linha. Um instinto maternal fora de controle dando-lhe uma capacidade de perdão incompreensível, uma ética que se dividida em pacotinhos faria muito bem aos nossos políticos. Enfim que eu torcia para que ela tivesse um final feliz o que achava impossível acontecer num seriado como esse que mostrou exatamente o cerne das questões dos seres humanos: Farinha pouca meu pirão primeiro, segundo e terceiro.

Até os créditos aparecerem na tela eu estava realemtne sem sossego esperando uma tragédia, tanto que nem tive tempo para achar brega a festinha no quintal, a musiquinha de Roberto, pelo contrário, achei tudo lindo. E que bom, consegui respirar!

17 de set. de 2016

A MALDADE HUMANA NÃO TEM LIMITES MAS MODERNIZOU-SE




(continuação)  Eu gosto daquele quadro "As meninas do Jô", principalmente quando está lá a Lúcia Hippólito, porque quase sempre quando ela lá está o Jô faz perguntas e quando perguntas são feitas nós nos informamos através das respostas ou quando já temos conhecimento do assunto, discordamos da resposta ou não.  Na quarta-feira, ela não estava e além das presenças constantes no programa eu não saberia dizer agora, porque o tempo passou e eu não anotei, os nomes das outras. Mas posso dizer que de tudo o que todos disseram, tiro o meu chapéu para a Lilian Wittefibe, porque, apear de ser  nevrálgica, passional, tendo várias vezes demonstrado irritação e impaciência com o antigo governo, foi a única que demonstrou ponderação quanto a questão "se seria o fim da linha para carreira política de Lula", não dando como favas contadas a aceitação da denúncia pelo juiz, nem como certa sua condenação e levando em conta eleições com voto popular, lembrando que o povo votou no Collor. De certa forma, a reação da Lilian é a de qualquer pessoa que pense viver num país onde o ônus da prova é de quem acusa e que saiba que após tantos governantes, o PMDB nunca teve um eleito pelo povo e que há sim, carência de liderança carismática no cenário político brasileiro.

Para quem não está situado, dia 14 foi o dia da apresentação da denúncia dos procuradores da Operação Lava Jato de Curitiba, contra o Lula ex-presidente, retratado na denúncia como o "comandante maior" da corrupção no país. A pauta do programa seria a cassação do Eduardo Cunha, que mediante o estrondo da denúncia ficou para trás. E o que eu queria dizer sobre o programa, era o meu espanto diante do "debate", entre aspas, porque quando todos concordam não é um debate, correto?


Eu assisti pela TV a denúncia elevada ao status de atração televisiva. E como num programa, aguardei ansiosa, a comprovação de todas aquelas  acusações, a apresentação das provas que em 2 anos após tantas investigações, conduções coercitivas, delações, apreensões e prisões e tantos outros termos policiais e jurídicos que nós vamos aprendendo como num curso intensivo. No entanto, as provas não foram apresentadas e a explicação pelo que eu entendi, é que elas não existem.

Num dado momento foi dito algo como - o que comprova que o tríplex é do Lula é a ausência de documentação da propriedade em seu nome.
"não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade"
Achei curioso. No meu raciocínio bobo, porque sou carioca boboca e adoro fazer piada com as tragédias que preciso digerir, pois com riso é mais palatável do que com choro, cheguei a pensar que posso dizer que alguma cobertura na Delfim Moreira é minha, entrar, morar e em caso de interpelação, respondo que a ausência do meu nome nas escrituras é o que comprova que ela sempre foi minha. 

Poucos minutos depois desse "programa" que não sei se policial, jurídico ou político, as redes sociais explodiam em memes gerados a partir dos slides em power point que ilustrou a apresentação e viralizava-se a frase "não temos provas, mas temos convicção" dos procuradores e aí, no Programa do Jô, vieram as meninas comentar o ocorrido aplaudindo com entusiasmo a correção da acusação. Elas não sentiram falta da apresentação de provas, nem estranharam o power point. Não apresentaram, nem mesmo num nível de debate, o fato de acusarem uma pessoa com base na montagem de um "quebra-cabeça" onde a ausência de provas é considerada prova. Tudo normal para elas que demonstravam reações de alívio por um dever cumprido.
 Faz tempo que nossa imprensa não se preocupa com tantas coisas que são conteúdos de uma caixa de Pandora. Jô Soares que admiro - ora amando, às vezes odiando, elogiava oratória do procurador, orgulhava-se pelos seus (dele) estudos em Harvard e principalmente seu tom "messiânico" - uma das coisas que eu mais estranhei e que imaginei, houvesse prova cabal para sustentar as acusações, talvez ele não usasse aquele tom tão inquisitorial. 

Então é assim que funciona? Lembrei de um professor que tive no Fundamental. 
Ele dizia: 
- "amigo meu não tem defeito, inimigo meu, só tem defeito" e eu o interpelei certa vez: 
- Mas professor, a frase é "inimigo meu, se não tiver defeito, eu boto". Ao que ele me respondeu:
- "Eu não boto, eu encontro. Mesmo que não o tenha".


No twitter, rede do bullying e desvario vi a frase que mais me traduziu:
"Vocês não têm medo de viver num país em que seu nome pode aparecer no Jornal Nacional por que alguém não tem provas, mas tem convicção?"  (rog_marcus)

Fiquei apatetada vendo o programa e lamentei que não tivesse alguma interatividade. As coisas hoje funcionam assim: Se eu gosto ou participo, está certo e se estiver errado, não tem problema, é só ignorar. Se eu não gosto, discordo, não participo e tenho raiva; não importa o feito ou não feito, é preciso que se castigue. Mais: que se elimine, não importa quais os motivos ou intenções. Foi assim com as panelas na Zona Sul do Rio, com as manifestações na orla carioca e Avenida Paulista que se bateram (justa e dignamente) contra a corrupção, com as luzes que piscavam a favor do impeachment mas se apagaram e calaram diante da manutenção de um governo provisório também corrupto e repleto de elementos  indiciados por crimes diversos. 
Daí pra frente estabeleceu-se a insanidade. Quem realmente tinha apenas opinião contra a corrupção passou a ser ofendido e xingado de petista, ainda que não tivesse partido ou convicção política, ainda que a corrupção aprisione o país desde os tempos da Colônia - deu-se de falar que ela começou com o governo do PT - ainda que quase todos os partidos brasileiros estejam envolvidos em algum escândalo de corrupção, ainda que ser contra a corrupção seja uma questão de raciocínio lógico, ombridade, saúde mental, juízo.


Eu sou uma pessoa comum, uma cidadã e vivo como tal e, foi assim que fiquei com a minha cabeça cheia de perguntas como por exemplo: O que aconteceu para que de repente esses procuradores tenham resolvido abrir a denúncia? Teriam desistido de buscar as provas? As denúncias não prescindem de investigação e investigações não correm sob sigilo? 

Foi só mais uma sequencia de perguntas como na ocasião que surgiram os áudios do Sérgio Machado envolvendo o Sarney, o Aécio e mais uns outros que eu como apenas uma cidadã ocupada com a minha vidinha besta não consegui guardar os nomes. Também tive um surto de perguntas quando surgiu não sei de onde uma denúncia contra Fernando Henrique Cardoso, que ele teria uma amante e um apartamento em Paris dentre outras coisas pagas com dinheiro de corrupção ou de falcatrua envolvendo inclusive uma poderosa emissora de TV. Não sei bem, essa notícia ficou pouco tempo em alta e não sou rápida o suficiente para acompanhar tudo - eu tenho muitas coisas para ler e trabalho para fazer, infelizmente não tenho o tempo que gostaria para me dedicar com profundidade a essas coisas. Mas que eu acho estranho, isso eu acho!


Tantas coisas acontecem mostrando porque a Justiça no nosso país nunca funcionou. Porque fomos os últimos a libertar os escravos que uma vez libertos, competentes na lida que sempre exerceram não tiveram chance de empregabilidade. Porque apesar da morte de Tiradentes a "Derrama" continuou e terminado o ouro os impostos jamais baixaram. Porque o filho do milionário atropela, mata e segue em liberdade e o menino que carregava um frasco de "Pinho Sol" está preso até hoje.

Essa coisa brasileira de julgar pela cara, essa justiça que liberta os perfumados. Esse modo brasileiro de ter dois pesos e duas medidas.

Uma coisa que eu percebi e não comentei, mas até hoje me deixa, como dizia minha avó, encafifada:
Sobre as manifestações contra o impeachement, vi nas redes sociais pessoas perguntando, algumas, até me perguntaram quem as financiava. Um dado importante, uma vez que sendo financiadas por uma instituição qualquer que fosse, estariam essas manifestações sem legitimidade popular, deixando de ser espontâneas. A quem me perguntou respondi que não há como se promover qualquer evento mesmo que na rua, com estrutura sem financiamento. Existe um protocolo, existem leis. Alguém precisa conseguir a autorização, alguém precisa informar as autoridades, afinal, a rua é pública e sua função é o trânsito, precisa-se providenciar as estruturas necessárias no que diga respeito à segurança das pessoas, carro de som e tudo aquilo que a gente vê e que chamamos "produção do evento", logo, algum financiamento haveria de ter e voluntários também. Depois da fase perguntativa as redes sociais diziam que eram feitas por militantes que se vendiam pelo preço de um pão com mortadela mais trinta reais. Como se não tivéssemos no Brasil, no Rio de Janeiro, pessoas capazes de atuarem como voluntárias em causas das mais diversas, o que seria quase aceitável não tivéssemos tantos eventos nos quais os voluntários foram a espinha dorsal do sucesso alcançado. No entanto, quando surgiram as manifestações na orla de Copacabana, elas eram  ditas espontâneas e ninguém quis denegrir os voluntários da Paulista com seus pixulecos, patos de borracha e lanchinhos de filé mignon, nem notou-se curiosidade por saber quem financiava aquilo tudo. Sabe o que eu cheguei a pensar? Que se vender por pão e mortadela não podia nem era digno, mas por carne de primeira já era outra história.

Então, essa forma de pensar que a justiça é boa ainda que injusta se ela está procedendo conforme nossos desejos ou caprichos é uma coisa tão complicada que eu fico aqui pensando se sempre fomos assim ou só agora estamos tendo a oportunidade de expor o nosso pior. Se também a nossa justiça não foi mais uma cópia trazida da Europa com o objetivo de emprestar ao nosso paísm silvícola por natureza, uma aparência de justo, civilizado, honesto. 
Vejam a figura abaixo. Peguei da postagem no facebook de uma amiga que compartilhou:

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A morte do ator Domingos Motagner foi um outro fato que atropelou outros fatos. Repentino, brutal, doloroso, nem por isso capaz de despertar solidariedade em algumas pessoas. É incompreensível atrelar fatos da vida com opção política, o que tem a ver uma coisa com outra? É verdade que depois de ver tantos que julgam pessoas tomando por base sua sexualidade, cor de pele e status econômico, deveria ter-me acostumado. Para piorar tem gente que acha que o posicionamento político das pessoas é o suficiente para torná-las assassinas, ladras, loucas, bandidas e quem alimenta esses pensamentos não consegue perceber o crime que comete. Certamente não sabe qo que é crime, mas percebe  que sendo branco, de direita (de preferência rico)  não existe crime. Acima de tudo, essas pessoas precisam de tratamento e ser denunciadas também.

8 de ago. de 2016

RAFAELA SILVA - OPORTUNIDADE

Não tem como ser complacente com quem fala mal do povo brasileiro quando a gente olha a expressão da Rafa Silva no pódio. Primeira medalha de ouro brasileira no Rio.
Carioca, da CDD, de projeto social, de cabelo sarará. Gente que só precisa de uma oportunidade pra vencer.

7 de ago. de 2016

A ESTROFE DO HINO QUE ESTÁ FAZENDO FALTA

E se...
Cantasse o Hino Nacional Brasileiro todinho pra esses garotos explicando o significado das palavras?
Contasse pra eles como viviam -> quanto ganhavam os jogadores da época do antes do Pelé?
Brasil 0 X Iraque 0 | ‪#‎dia2‬ ‪#‎Rio2016‬ |

6 de ago. de 2016

5 de ago. de 2016

Rio de Janeiro e Brasil são família da gente. 
A gente reclama mas ama e só a gente pode reclamar. Ponto. 
Dão orgulho sim.

LIBERDADE, LIBERDADE! NADA COMO UM FINAL FELIZ

Antes era a Muralha ( exibida em 2.000) agora é Liberdade Liberdade, ainda que na reta final tenha me parecido que de repente foi acelerada à base de cortes, foi uma produção primorosa. Ter tido uma adaptação livre, abrindo as compotas do romance ficou palatável porque essa história do nosso país é dura, doída, difícil de aceitar, principalmente se analisarmos que o Brasil ainda tem os mesmos comportamentos sociais, políticos e (des)humanos. 

Sim, Tiradentes deixou um filho - João de Almeida Beltrão e uma filha, sabemos que ela não teve essa vida repleta de aventuras e romances como mostrou a minissérie e talvez nem de perto fosse uma figura apaixonante,  mas a tirania que regeu esse período da nossa história, recheada de pobreza sempre estruturada e embasada na crueldade regados pela falta de higiene, estavam lá muito bem delineados, a ponto de nos constranger. O povo de aparência maltratada  a aplaudir enforcamentos, crendo piamente nas palavras das autoridades e políticos por medo de vir a viver ainda pior. 

O povo maltrapilho se acotovelando para assistir à passagem do cortejo real, as calúnias, prisões injustas, a homossexualidade como pecado nefando e crime a ser punido com a pena de morte, condenações sem julgamentos, apegos ao poder, puxadas de tapetes, conspirações ainda que sejam apenas recursos de dramaturgia, por que será não nos pareceram estranhos ou absurdos?

Ao  final, contente pelo final feliz, só fiquei a me perguntar o que foi feito da mãe de Xavier e como um homem valente, corajoso, amoroso que enfrentou a cadeia por duas vezes, retornou à Vila algumas vezes para resgatar a amada, os parceiros rebeldes e o cunhado, nem comentou sobre resgatar a mãe e as pessoas eram tão evoluídas que não se preocuparam com todo ouro do Par do Reino, Raposo, dando sopa lá na casa do intendente? Coloquei na conta da correria olímpica, quem sabe num reprise isso apareça, afinal exatamente como a obra, apesar
das festas e intervalos onde até nos sentimos às vezes felizes, sabemos que estamos muito longe do final.

29 de abr. de 2016

O mundo sempre foi estranho

Me desmanchei de chorar com Liberdade, Liberdade, a minissérie sobre Joaquina, a filha do Tiradentes.
A reconstituição do mercado de negros é perfeita. Dói na alma. A prepotência e injustiça arrebentam com a gente.
Alguns capítulos antes a reconstituição da Cidade Baixa, lá em Vila Rica passados uns 10 anos ou mais do enforcamento, era qualquer coisa de doer. 

Realista ao extremo a pobreza em que viviam pobres negros libertos, lama, ausência de saneamento, ratos, crianças jogadas, pessoas sofridas e tantas coisas que até hoje podemos ver em alguns locais. A pobreza dos ambientes feios, escuros e gente esquisita, imperava na Vila Rica cravejada de ouro e diamantes. Não adiantava ser rico para viver num local daqueles sem opções principalmente para as mulheres. O mundo sempre foi estranho o Brasil muito mais

29 de mar. de 2016

A NOVELA DE MACHO QUE NÃO FAZ CRIANÇA VIRAR GAY

Rodrigo Lombardi 
Benedito Rui Barbosa, disse numa entrevista na época do lançamento da atual novela das 21 horas que colocar nas tramas casais homoafetivos faz com que as crianças se tornem gays. Deu vazão à sua alegria e orgulho por só ter heterossexuais em sua  família e terminou dizendo que faz novela de macho.  Claro que decidi que não veria essa novela. Mas fiquei encafifada cá com uns pensamentos e cheia de dúvidas. Se a novela que retrata a homoafetividade tem o poder de ensinar crianças  o comportamento homossexual, o que ensina a novela de macho desse escritor? Para tirar a dúvida me propus a assistir alguns capítulos, na verdade, uns dois ou três , porque tendo como premissa que a novela "ensina" as pessoas, não achei que seria bom eu aprender o que essa trama está ensinando.

No primeiro capítulo que vi, a personagem Rodrigo Lombardi encontra uma criança abandonada nos campos de algodão, a leva para casa e o casal cheio de amor e carinho fica com ela.  Ótimo ensinamento! Depois, Chico Diaz dá linha na pipa abandonando mulher e filho para voltar para sua terra que não tem água, não tem criação, não vida, desprezando a acolhida que recebeu, porque dedicou anos de sua vida aquele pedaço de chão. Hum... Seria uma mensagem subliminar aos nordestinos? Mas ele não consegue partir porque  uns capangas ateiam fogo à casa do fazendeiro que o acolheu, ele volta e apanha quase até à morte. Logo após, o coronel interpretado por Rodrigo Santoro, briga com o seu jagunço porque deixou a testemunha viva.

Em outro capítulo, o coronelzinho faz sexo com a filha de um fazendeiro, é um pega pra capar, a mãe da moça faz um escândalo, o pai pega um facão e parte para cortar o pescoço da filha. O coronelzinho decide casar, fala poucas e boas para a mãe que parece ser ruim como o capeta, amarga porque  não esquece o filho falecido e não aceita o filho vivo. Por fim no capítulo de hoje a moça apanha de cinto, o irmãozinho torce as mãos nervoso e o jaguncinho que é apaixonado por ela e fez a fofoca encerra o capítulo dizendo que "ela ame quem ela quiser, mas se não for dele, não será de ninguém.

Está aí um resumo corrido da "novela de macho". Fico pasma com o orgulho do autor e tudo o que peço a deus nesse momento, é que novelas só ensinem realmente as crianças a virarem gays, porque se elas aprendem tudo o que é mostrado, machismo, submissão, exploração, ganância vamos ter um Estado Islâmico, só que sem Islamismo.

Claro que as imagens são lindas e o elenco está impecável, no entanto, não é esse o foco das minhas reflexões


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Autor de 'Velho Chico', Benedito Ruy Barbosa afirma: 'Odeio história de bicha'

9 de nov. de 2015

A REGRA É CLARA, MAS QUE SACO!

Tô com agonia dessa novela ‪#‎ARegraDoJogo‬. É bem feita e é por isso mesmo. Não me conformo com Tony Ramos feio, barbudo, descabelado e bandido.
Gosto da Barbara Paz, louca e não retardada. Cauã não pode tomar porrada toda hora e acabar mais bicudo.
Não é possível que um policial seja tão burro e pouco intuitivo como o esse Dante.
Preferia que Adisabeba aceitasse o Zé Maria bandido porque não fica bem uma puta vencedora pagar de otaria .
A familia do Leleco desandou e a graça do núcleo é cansativa como era o Zorra Total de antigamente.
Tem que botar o Cauã sem camisa o MC pra dançar mais ou outro texto pra ele falar. Vejo a novela duas vezes por semana e ele está sempre falando a mesma coisa.
Essa Toia é mais chata do que meio de mês e acho ela meio velhinha pra acreditar em tudo o que todos dizem, menos em quem ela conviveu a vida toda. Uma sonsa enjoada do cardápio que come desde a infância! E olha que o Cauã é um tremendo banquete e aí da ficou fora 4 anos....
Mas nada disso seria problema se não reproduzisse a nossa realidade: só bandido, mentiroso e explorador se dá bem por aqui...
Ah, e se você perguntar por que, então assisto é porque a minha TV a cabo era a gato e quem não tem grana não tem escolha. É a "regra do jogo" rsrsrs

29 de out. de 2015

A RODA NÃO PARA NUNCA DE GIRAR

Samba Independente dos Bons Costumes é a princípio um projeto, uma idéia, um desejo. Desejo de resgatar toda a despretensão do samba entre amigos, batido na palma da mão, pronto para ser mostrado despretensiosamente, apenas com a vontade de alegrar os tristes, cansados, apressados naquele meio tempo entre a saída do trabalho e o engarrafamento na volta para casa.
O projeto tornou-se um grupo coeso de jovens, poder-se-ia dizer, meninos apaixonados pelo samba de raiz, as raízes mais profundas e antigas, sambas de Candeia, de Monarco, de Casquinha; partidos de Xangô, de Gracia, de Tantinho, de Sargento, dentre tantos outros que eles cantam com amor, paixão e muita reverência.

Meninos que se dispuseram a tocar para quem passasse e que fizeram esses passantes permanecerem e permitiram que eles tocassem e cantassem junto e sem perceberem, estava formada uma roda bem como antigamente onde as novidades coo Toninho Geraes, João Martins, esses jovens que mantem a cadência, também tem espaço.
No dia 29 de outubro receberam Marquynhos Diniz, aquele do Trio Calafrio, aquele parceiro do Zeca, o filho do Mestre Monarco, o compositor de Dona Esponja. Marquynhos entusiasmou-se, mostrou sua veia partideira, enveredou pelos sambas de enredo, passou por quase todas as escolas de samba do Estácio à Madureira, cantou seus sucessos deu um verdadeiro show e trouxe para a roda até o mais distraído telespectador da TV do Araponga (Luiz de Camões 78), onde todas a quintas a magia prossegue.
Sambas conhecidos, sambas de terreiro, do lado B que o CD nunca teve. Sambas autorais de ótima qualidade, fabricados na simplicidade das almas que não admitem que o samba vá morre um dia. Se esse garotos, encantaram o filho do nosso baluarte portelense, o que mais posso eu comentar?

5 de ago. de 2015

PODERIA SER APENAS NA NOVELA















Pessoas como esse Murilo da novela das 21:00 não é um tipo tão raro. É mais comum do que se imagina, gente que cria uma realidade própria para esconder seus defeitos e projeta a causa dos seus males e insucessos no outro.
#Babilonia #VidaReal

18 de mar. de 2015

APEDREJAMENTO SOCIAL, O VÍCIO DA HIPOCRISIA


As pessoas aceitam muito bem o que não concordam desde que aquilo não exista. Não podendo excluir a existência do objeto de discordância, que não seja visto.
Assim, Rapunzel foi-se para a torre alta do Castelo, Branca de Neve refugiou-se na casinha dos anões, enfeitiçaram Bela Adormecida para que dormisse para sempre no sótão.
Cinderela foi gata de borralho, negros usam a porta dos fundos, empregados o elevador de serviço, mulheres não falam com garçom, não fumam, não bebem em público, não devem demonstrar manifestação de prazer, não podem ter orgasmo, seus corpos não lhes pertencem, são da sociedade.

Gays casam-se ficticiamente para não sujar o nome da família, moças solteiras que engravidem, ou casam-se na marra, ou abortam sob pressão ou casam-se com qualquer um, ou vão para o interior ter seus filhos que serão registrados por seus pais, como se fossem irmãos ou qualquer outra solução genial, ardilosa que se consiga encontrar. Acredito que o nome disso seja hipocrisia.

Sobre o capítulo de ‪#‎Babilônia‬ , foi um choque múltiplo. As atrizes - que representavam profissionalmente como representaram a vida toda - além de representarem lésbicas, além de serem sexagenárias, são baluartes da dramaturgia, incensadas e premiadas.
Lésbicas, idosas e donas do respeito conquistado por suas competências no trabalho, o que por um momento confundiu todos os nossos instintos.
Os que não se chocaram, surpreenderam-se e certamente comemoraram.
Pra mim o "doce de mãe" criou mais consistência, para outros desandou.
Eu creio que o afeto tem de ser demonstrado, até que se banalize tanto quanto a violência e, aí sim, a paz e o respeito terão chance.
Portanto, assustem-se, choquem-se, vociferem botando pra fora o veneno da hipocrisia, do falso respeito que antes de matar seus portadores, traz a morte e infortúnio ao próximo.
Digam que tem amigos gays, negros e tentem tirar a preposição adversativa da construção da frase ("mas", "com tudo", "todavia", "porém" ).

É como um vício, portanto mantenham-se firmes!
Ofendam, ameacem, agarrem-se aos valores familiares que nem suas famílias usam, preservam ou guardam de verdade.
Sinta-se perdido, não apele para as crianças, elas eram sem maldade e malícia até que começaram a assimilar nossos ensinamentos - quando crianças amamos e não vemos diferenças. Portanto, enlouqueça, se perca diante de uma manifestação de afeto.
Estamos acostumados a assistir à morte, o crime, à violência...
No entanto, antes de apedrejarem procurem ajuda, se possível profissional.

2 de nov. de 2014

Armário: Entrar é péssimo, Sair dá ruim | Crônicas de Nárnia

"Crônicas de Narnia - O Leão, A Feiticeira e o Armário"...
É bem real.
se entra no armário encontra-se uma porta que não se faz idéia onde vai dar.
Quem sai do Armário encontra- monstros enormes e batalhas gigantescas muitas vezes terríveis.
Chato que na vida real nem tudo acaba bem....

17 de out. de 2014

A COMPLEXIDADE FEMININA

Casamento no programa de TV, com a bênção do pai e emoção da irmã, o casal de noivas na hora do beijo, dá um beijo na testa e um selinho...

14 de out. de 2014

IMPÉRIO

Império1:
Diálogo muito bom entre José Mayer e Lilian Cabral.
O mundo é dividido. Farinha pouca meu pirão primeiro. Ponto.

Império 2:
Beatriz quando conheceu Claudio, sabia que ele apreciava meninos. O amava tanto que aceitou e, isso nunca interferiu no amor que ela sentia e, no pensamento deles (o casal) isso não é da conta de ninguém.
Perfeição da mensagem subliminar do diálogo muito bom:
Farinha pouca, meu pirão primeiro e você que pensa diferente de mim, não tem que ter farinha porra nenhuma.

Império 3:
Sendo concedido, não há traído

6 de ago. de 2014

AMIGUINHOS IMAGINÁRIOS PARA CURTIR NOSSOS POSTS...

A última vez que vi TV, soube de um site onde é possível contratar-se um(a) namorado(a) pra curtir e fazer comentário nas redes sociais.
Então, escolhe-se "um perfil real de uma pessoa real", com uma tabela de preços real que aumenta conforme a "quali
dade" das curtidas, comentários. 

Essa "qualidade" é baseada na beleza física real do contratado que entregará publicamente no feicibuqui as mentiras...
Não sou contra nada nesse mundo desde que não machuque terceiros e, claro, a nós mesmos mas...
Hoje entendo mais que nunca a frase do livro/filme Carandiru: "Aqui não tem culpado. Somos todos inocentes, doutor...".